Arquivo da categoria ‘Fotografias

Garrafa 520 – Em direção à noite   2 comments

Os belos dias de outono são sempre especiais pra mim. Junto com os dias de primavera, longe dos extremos de calor e frio mais intenso, são minha época preferida ao longo do ano.

Sou seduzido pela qualidade da luz que ilumina o céu com seu azul profundo e, filtrada pela copa das árvores, salpica a calçada e projeta minha sombra aqui e ali durante as caminhadas diárias.

Hoje à tarde, breves rajadas de vento sudoeste trouxeram ao quadrante de Universo em que me encontro algumas nuvens de algodão. Elas se destacam contra o azul intenso que parece se aprofundar cada vez mais rumo ao infinito do espaço.

Nuvens silenciosas acompanhadas de bandos de aves marinhas tagarelas não deixam rastros em seu caminho na direção oposta ao por do sol, rumo à noite que se avizinha. A sombra movente envolve silenciosamente meus pensamentos com sua capa cada vez mais escura.

Onde o azul? Agora, azul negro… Agora, negrume.

Pausa para outro breve haicai.

no fim da tarde,
em direção à noite,
aves marinhas.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Aves marinhas

Garrafa 519 – Trabalho profundo   2 comments

Li nos últimos meses, mais de uma vez, o excelente livro de Cal Newport intitulado “Deep Work – Rules for Focused Success in a Distracted World”, que foi publicado em janeiro de 2016 pela Grand Central Publishing. Pela importância que atribuo ao tema da atenção focalizada, espero que haja uma edição em português em breve. Enquanto isso não acontece, apresento alguns comentários e extratos do livro em tradução livre que podem despertar o interesse de potenciais leitores que dominam o idioma inglês.

Esta é a definição do autor do que seria um Trabalho Profundo:

“Atividades profissionais realizadas em um estado de concentração livre de distrações para levar suas capacidades cognitivas ao limite. Esses esforços criam valor, aperfeiçoam suas habilidades e são difíceis de replicar.”

São apresentadas ao longo do texto várias pessoas famosas, de todas as épocas, que seriam adeptas dessa forma de trabalho. Entre elas estariam Carl Jung, Mark Twain, Woody Allen, J. K. Rowling e Bill Gates, para citar apenas algumas.

O autor não o menciona, mas ouso supor pela leitura de suas diversas biografias que Albert Einstein, em sua busca pelo entendimento da mente de Deus, desde sua juventude, era profundo adepto dessa forma de trabalho.

Em contraste com essa abordagem, a definição do autor do seria considerado Trabalho Superficial é a seguinte:

“Tarefas de tipo logístico, de demanda pouco cognitiva, geralmente realizadas enquanto se permanece distraído. Esses esforços tendem a não criar muito valor no mundo e são facilmente replicáveis.”

Tendo estabelecido essas definições iniciais, esta é a hipótese de trabalho do livro apresentada por Cal Newport:

“A capacidade para realizar Trabalho Profundo está se tornando cada vez mais rara e, ao mesmo tempo, está se tornando incrivelmente valiosa em nossa economia. Como consequência, aqueles poucos que cultivarem essa habilidade e a tornarem o centro de sua vida produtiva irão prosperar!”

No momento em que já nos encontramos no que se poderia chamar de “Era das Máquinas Inteligentes”, observa-se que muitos empregadores estão mais inclinados a contratar “novas máquinas” ao invés de “novas pessoas”. Além disso, onde somente pessoas podem realizar o trabalho, os avanços nas áreas de tecnologia de comunicações e de colaboração estão tornando os trabalhos à distância mais fáceis do que nunca, motivando as empresas a oferecer os papéis principais às “estrelas do setor”, deixando os talentos locais desempregados.

Como consequência imediata dessa tendencia, um numero crescente de pessoas irá perder nessa nova economia e suas habilidades serão automatizadas ou facilmente terceirizadas, enquanto outras não somente sobreviverão, mas irão prosperar, já que se tornarão mais valiosas.

O autor sugere que, nessa nova economia, três grupos de pessoas serão valorizados:

  • Os Profissionais Altamente Qualificados:

Aqueles dotados de habilidade oracular de trabalhar e extrair resultados valiosos de máquinas cada vez mais complexas e inteligentes.

  • As “Estrelas” de Cada Setor:

Aqueles que se destacam e estão no topo de cada mercado. Os consumidores selecionarão os melhores.

  • Os Proprietários de Capital para Investimento:

O retorno do investimento para quem aplica em máquinas inteligentes está aumentando pela menor necessidade de empregados, o que reduz seus custos.

Para a maioria das pessoas, que são aquelas que, como nós, não possuem grandes quantidades de capital para investimento, os dois primeiros grupos são os mais acessíveis, desde que desenvolvidas as seguintes habilidades essenciais:

  • Aprendizagem Acelerada:

A habilidade de dominar rapidamente temas complexos, em base permanente, em rápida evolução.

  • Produção de Qualidade:

A habilidade de produzir no nível mais alto, tanto em termos de qualidade quanto de velocidade.

A maneira de se fazer isso, portanto, de acordo com Cal Newport, é por meio da realização de trabalho profundo em estado de concentração e livre de distrações.

Isso também pode ser dito de outra maneira, como o fez o profético frade dominicano  e professor de filosofia Antonin-Dalmace Sertillanges, nos anos 1920, ao nos oferecer a seguinte recomendação:

“Permita que sua mente se torne uma lente, graças aos raios convergentes da atenção; permita que sua alma seja só intenção naquela que tenha sido estabelecida pela sua mente como uma ideia dominante e completamente absorvente.”

E as pesquisas recentes de K. Anders e outros estudiosos da psicologia do desenvolvimento também nos advertem para a importância do que se convencionou chamar de “Prática Deliberada”:

“As diferenças entre o desempenho de peritos e dos adultos normais refletem um período extremamente longo de esforço deliberado para aperfeiçoar o desempenho nessa área específica.”

Assim sendo, seja qual for a sua área de interesse, ou de atuação, ou mercado, pense nisso:

Meta Desafiadora Possível de ser Modelada:

“Programar e executar durante três a quatro horas por dia, durante cinco dias por semana, trabalhos de concentração direcionada cuidadosamente, sem interrupções, para produção de trabalhos valiosos.”

Pausa para um breve haicai.

trabalho profundo,
significativo,
um raro valor.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Fazendo versos

Garrafa 518 – Nuvens cor de rosa   1 comment

Como tem ocorrido com frequência ao longo das ultimas semanas, ele acordou sobressaltado no meio da noite, depois de parecer ter ouvido aquela voz sussurrando seu nome a partir de algum ponto envolto na penumbra e em um local muito distante…

Ao invés disso, só os latidos de um cão… Frustração provavelmente dirigida na direção de algum gato desafiador que insiste em cruzar seu pretenso território, bem fora do alcance de suas mordidas, em cima de algum muro da vizinhança.

Apenas sorriu, com o canto da boca, ao perceber que ele próprio tem sido às vezes o cão, às vezes o gato.

Por onde tem andado esse gato? Por onde tem andado esse cão?

Seu sono leve, ou a existência de sonhos com conteúdo perturbador o têm colocado em contato com os sons da madrugada. Pelo menos dois post tratam desse tema: Vizinhança Canina e Cão sem dono.

Incapaz de pegar no sono outra vez, aguardou silenciosamente pela chegada de mais um dia de outono, durante a longa e escura madrugada. E viu surgirem pela janela do quarto:

nuvens cor de rosa,
primeiras luzes, depois
da escuridão.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Prologue” e “Twilight” com Electric Light Orchestra

Solidão 2

Garrafa 517 – Beijo seu beijo   Leave a comment

No dia anterior, eles tinham passado o final da tarde e o início da noite juntos.

Enquanto durou seu relacionamento amoroso, sempre que se encontravam, era como se não houvesse amanhã e o dia de ontem não tivesse existido também. Com as roupas, meias, sapatos e sandálias espalhados pelo chão ao lado da cama, amavam estar completamente desnudos na companhia um do outro. E aqueles momentos eram preciosos demais para se pensar em outra coisa que não fosse em viver intensamente o momento presente. Olhos nos olhos, ou explorando cada pequena dobra ou as mudanças de textura na pele do corpo um do outro, amavam-se ora com delicadeza, ora de maneira selvagem. E improvisavam a coreografia de uma dança de acasalamento às vezes tranquila, às  vezes frenética. Essa explosão cinestésica quase sempre deixava marcas no pescoço e no peito, e pequenos arranhões nas costas e nas pernas de ambos, além de outros sinais em regiões do corpo menos visíveis. E assim tinha sido naquele dia também.

Quando ele atendeu àquela chamada no seu telefone funcional, no meio da tarde, estava no seu ambiente de trabalho e reconheceu imediatamente aquela voz sempre esperada e bem-vinda do outro lado da linha. Falavam-se quase todos os dias, e às vezes mais de uma vez por dia, de modo que ele não se surpreendeu quando o telefone tocou e logo reconheceu o número de origem da chamada. Ficava sempre feliz quando isso acontecia. Ah! Era muito prazeroso ouvir o próprio nome no som daquela voz.

Muitos anos já tendo se passado depois daquele tempo simplesmente mágico, ele às vezes acordava sobressaltado no meio da noite, depois de parecer ter ouvido aquela voz sussurrando seu nome a partir de algum ponto envolto na penumbra e em um local muito distante… Enquanto as batidas do coração e a respiração ofegante voltavam ao normal, incapaz de pegar no sono outra vez, ele apenas permanecia em silencioso compasso de espera pelas primeiras luzes de um novo dia.

Naquela tarde, ela disse que tinha se lembrado dele, há alguns instantes atrás quando, ao mudar de posição na cadeira em seu escritório, sentiu que tinha ficado com a pele sensível pelo atrito prolongado a que tinha sido submetida aquela região do baixo ventre entre as suas coxas grossas e firmes. Riram juntos, demoradamente, por aquela sincera confissão cheia de intima cumplicidade, pois ele também ainda sentia muita sensibilidade na mesma região, ressalvadas as óbvias diferenças de anatomia. Ela costumava manter essa área do corpo cuidadosamente depilada mas, às vezes, quando os minúsculos pelos começavam a crescer novamente, o efeito que ele sentia era o de estar em contato com uma lixa muito fina, enquanto se esfregavam com força, comprimindo mutuamente seus quadris e enroscando suas pernas de maneiras impensáveis, em suas demoradas brincadeiras e jogos amorosos.

Apesar de vivenciarem intensamente cada um daqueles momentos, vendo um ao outro com seus próprios olhos, de dentro de seus corpos, em uma posição associada em primeira pessoa, era comum que também se colocassem no lugar um do outro, em segunda pessoa, com o desejo genuíno de apenas proporcionar prazer ao seu amor, e não apenas de estarem de maneira egoísta à procura da própria satisfação. Grande parte do seu deleite vinha de se saberem desejados e, repeitados em sua individualidade, poderem oferecer prazer um ao outro. Seguiam à risca O Conselho de Kamala:

“Os amantes não devem separar-se, depois da festa do amor, sem que um parceiro sinta admiração pelo outro; sem que ambos sejam tanto vencedores como vencidos, de maneira que em nenhum dos dois possa surgir a sensação de enfado ou de vazio e ainda menos a impressão desagradável de terem-se maltratado mutuamente.”

Ele gostava de pensar que, ao invés de se beijarem, eles beijavam o beijo que recebiam um do outro.

Nos últimos dias, como sempre acontece nesta época do ano, ele relembrou com carinho e bom humor alguns daqueles momentos de pura diversão despretensiosa e, ao mesmo tempo, da mais intensa conexão que pode existir entre duas pessoas que se amam de verdade,  e desejou sinceramente que ela estivesse feliz, em companhia das pessoas que escolheu para compartilhar sua vida, depois que se separaram.

Ela também o tinha feito muito feliz.

E rabiscou no seu bloco de notas, brincando com as palavras com a métrica de um haicai:

quero seu querer,
desejo seu desejo,
beijo seu beijo.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: ouvir “The rain, the park and other things” com The Cowsills

Garrafa 515 – Faro no escuro   Leave a comment

O velho Nick, um poodle com pelo de cor “branco encardido” e nariz esponjoso e molhado fareja a brisa de verão no sítio da família de maneira permanente. A qualquer hora do dia ou da noite, apesar da idade avançada, seu olfato é sincronizado com olhos e ouvidos atentos, e sua cabeça aponta imediatamente na direção de qualquer coisa que desperte sua atenção. Suas orbitas e orelhas se movem e se ajustam automaticamente para sintonia fina de sinais imperceptíveis pra mim.

Li na Internet que seu focinho tem dois compartimentos diferentes: um só para respirar e outro só para farejar. E são capazes de identificar imediatamente a direção de onde vem o cheiro mais intenso, em concentrações cerca de cem milhões de vezes menores que as percebidas pelo nosso nariz, facilitando a identificação e localização de sua fonte com grande precisão. Para realizar essa proeza, possuem cerca de cinquenta vezes mas células olfativas que os humanos e, proporcionalmente, a área cerebral em que essas informações são processadas é 40% maior que a área usada para essa mesma finalidade em nosso próprio cérebro.

Essa criaturinha fiel prefere ficar perto de nós, mas entra no modo “patrulha de combate” a todo instante, com latidos e correrias em defesa de seu território imaginário que é nada mais nada menos que o mundo inteiro.

Sem muita coisa para fazer, quando a ideia é aproveitar para relaxar e escutar o mato crescendo por trás da cerca de bambu, costumo passar um bom tempo só observando suas reações e tentando imaginar o que se passa dentro de sua sua cabeça felpuda.

Gatos atrevidos invadem seu território de tempos em tempos, mantendo-se a uma distância segura em cima do muro ou da cerca de madeira construída pelas mãos hábeis e calejadas do meu velho sogro. Durante o dia, passarinhos também se arriscam bicando o chão de terra ou de cimento, em busca de insetos e migalhas de comida. Mas os campeões de insolência são os integrantes dos bandos de saguis que povoam as árvores das redondezas. Se a casa ficar silenciosa e as portas e janelas estiverem abertas, entram na cozinha não só em busca de comida, mas também de saciar sua curiosidade que parece sem limites.

Anoiteceu já faz algumas horas, e espero sem pressa pela hora do jantar. Depois de um dia de céu anuviado, é daquelas noites escuras sem nesga de luz do luar, só com uma ou outra estrela de brilho intermitente por trás de nuvens espessas que se movem devagar. Ouço grilos e sapos, mas vejo apenas as sombras do que já foram as árvores imponentes que circundam a casa com sua presença silenciosa.

De repente, além do cheiro de tempero que vem da cozinha, farejo algumas palavras que se movem no inconsciente, enquanto o nariz esponjoso e molhado do Nick aponta para o meio da escuridão:

gatos no muro
e micos no escuro,
cão e seu faro.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

gato-no-muro-no-escuro

Garrafa 514 – Azedinho doce   Leave a comment

No pomar do sítio da família, há atualmente apenas uma amoreira em momento de total exuberância. Árvore de tronco esguio, carregadinha com amoras pretinhas e doces, nos galhos cheios de folhas tenras em tom verde claro.

O chão no entorno da árvore está salpicado de manchas roxas das amoras caídas pela ação da chuva, do vento forte ou da mais leve brisa, e das bicadas dos passarinhos das redondezas. Na terra, foram esmagadas pelo impacto da própria queda ou pisoteadas de maneira distraída por visitantes apressados. Trilhas de disciplinadas formigas levam alguns desses despojos em direção a seu abrigo subterrâneo. Que façam bom proveito!

Sou extremamente grato por estar aqui e agora diante desta oportunidade única: pencas de amoras maduras ao alcance da mão.

Cada vez que aperto suavemente uma amora entre a língua e o céu da boca, sou transportado imediatamente para a época e o local de outras duas frondosas amoreiras, no quintal de uma casa em que vivi na infância em Caçapava, SP. Aguardava com ansiedade pela época do verão, como agora, para encher as mãos e alguma cumbuca apanhada de maneira apressada na cozinha com a preciosa carga. Comia a maioria delas embaixo da árvore, como agora, mas levava suprimentos para consumo tardio, em algum outro momento do dia ou da noite.

 Segurando o minúsculo cabinho da fruta junto à boca, não há modo evitar ficar com a ponta dos dedos pintados com tinta roxa, do caldo suculento da amora madura. E é tinta persistente, que resiste à lavagem inicial. Tinta que marcava a língua, os lábios, os dedos, a palma da mão, e que às vezes escorria pelo pulso e antebraço, manchando o calção e a camisa do menino feliz.

Agora sou mais cuidadoso. Mais triste? Certamente que não! Pelo menos não quando posso estar assim comigo mesmo, com as pontas dos dedos manchados pelo suco da amora madura. E lembrar-me com carinho de lugares, pessoas e amores. E só de coisas boas. E daqueles beijos de gosto azedinho doce, cometas percorrendo o céu da boca, que salpicaram o chão da memória com tantas marcas persistentes.

Nesse território, nessa confluência do espaço e do tempo, sou visitante atento. Fui e sou muito feliz!.

Pausa para um breve haicai:

azedinho doce,
tinta roxa no dedo,
lembro de você.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

amora-madura-2

Garrafa 513 – Folha da mangueira   Leave a comment

Na semana do carnaval, em retiro forçado no sítio da família, acompanhando a recuperação da saúde de uma criaturinha idosa e querida.

Vibro com emoção quando ouço o ritmo da bateria de uma bela escola de samba e aprecio o requebrado sedutor de suas porta-bandeiras e passistas, além do giro sincronizado das integrantes da ala das baianas. Mas troco de bom grado, sempre que posso, a folia de Momo pela quietude de áreas rurais.

Comida caseira, amoras, jabuticabas e goiabas maduras ao alcance da mão, e tempo de sobra para longas caminhadas para facilitar a digestão. Oportunidade, também, para a prática da escuta com empatia em longas conversas com meus sogros, que sempre nos surpreendem e encantam com suas histórias carregadas de fortes lembranças e muitas emoções. E de alguns momentos de silenciosa contemplação, escutando o mato crescendo em baixo de uma frondosa mangueira.

Uma forte lufada de vento, antes de uma breve chuva de verão, provoca uma precipitação antecipada de pequenos galhos retorcidos, um ninho de passarinho vazio, e muitas folhas secas. Mangas ainda verdes balançam perigosamente, mas não caem. Ao longe, uma jaca madura desprende-se do tronco carregado e cai com um baque surdo no meio do matagal.

Pausa para um breve haicai:

folha da mangueira,
da estação primeira?
caiu sambando…

Eduardo Leal
Foto de Kelly Casseres – Squel, porta-bandeira da Mangueira em 2016

porta-bandeira-da-mangueira

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