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Garrafa 503 – Arco esticado, íris brilhante!   Leave a comment

Em busca de inspiração para minhas brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai, volta e meia  minha atenção é despertada pela percepção de alguma sensação corporal inesperada; pela visão de alguma imagem interessante ou pela leitura de algum texto instigante; pela escuta de algum som ou música suave ou surpreendente; pela detecção da presença de algum odor agradável ou repulsivo; ou pela degustação de alguma comida saborosa ou estranha ao próprio paladar.

E, muito frequentemente, isso ocorre pela sinestesia, ou a ocorrência simultânea de algumas dessas situações: uma sensação corporal que evoca uma imagem armazenada na memória afetiva, ou vice-versa; a associação do odor e do sabor de determinadas comidas ou bebidas com os lugares e pessoas em companhia de quem elas foram degustadas; ou de um perfume suave e nuvemovente percebido em uma rua movimentada, o que nos faz interromper nossa apressada caminhada, instintivamente mover nosso corpo todo na direção daquela “inspiração” e, muito mais rapidamente do que qualquer promessa enganosa de cartomantes inescrupulosas, traz sim a pessoa amada “de volta” em um segundo!

A visão de um belo arco-íris,  quando o sol explodiu em sete cores e revelou então os sete mil amores que o Tom guardou pra dar para Luiza, despertou minha memória musical. E as gotículas de água ainda em suspensão na atmosfera de outono, em uma tarde chuvosa, trouxeram de volta também as diversas lendas sobre um misterioso e desejado pote de ouro e brilhantes escondido na extremidade distante daquele arco fugaz e colorido. E pensamentos sobre quem possivelmente teríamos que nos tornaro que teríamos que fazer para chegar até lá, e resgatar o cobiçado premio por nossa eventual coragem e persistência. Tornar-me quem, senão eu mesmo? Fazer o que, senão ação amorosa? Fazer quando, senão agora?

E minha imaginação evocou também outro tipo possível de arco esticado em seu limite pelo filosófico arqueiro zen Eugen Herrigel, de minha memória literária. E a flecha de prata, aguardando a súbita liberação, carrega a sua própria alma, sua mensagem de vida e morte lançada na escuridão silenciosa da noite, enquanto a única fonte de luz perceptível naquele instante é o brilho interno da íris do arqueiro.

Apenas outro tipo de conexão arco-íris…

Pausa para um breve haicai:

arco esticado,
com a flecha de prata,
íris brilhante…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido adaptada por Eduardo Leal
Instruções de utilização: Ouvir Luiza, no piano e voz de Tom Jobim

Íris brilhante 3

Garrafa 500 – Quinhentos tons de celebração   3 comments

Esta é uma mensagem de celebração pelas 500 postagens realizadas desde outubro de 2005, quando o Blog “Três Coisas” marcou sua presença na Internet pela primeira vez, com o lançamento da Garrafa 1 – Três Coisas, que incluía no corpo do texto a Garrafa 0 – Primeiras Palavras. Só em 2011 o conteúdo da “Garrafa 0” foi replicado em uma página separada, e renomeada como “Garrafa Zero – Minhas Razões“.

E sei que esse não é um número tão grande assim. São 500 postagens em 155 meses, o que me diz que, em média, teria me manifestado de alguma maneira por três vezes em cada mês. Mas alterno períodos em que publico um post todo dia, como ocorreu em todos os dias do mês de abril de 2012, com outros de silêncios mais prolongados, até de um ano inteiro, como ocorreu agora, desde abril de 2015. E a quantidade de posts ou frequência de publicação não são a minha preocupação principal. Publico, quanto sinto que tenho algo relevante a dizer. E assim tem sido.

Com um pouco mais de dez anos de existência do Blog, muita coisa aconteceu comigo e com o meu entorno pessoal e profissional. Mas o conjunto de temas utilizados nas postagens não sofreu muitas alterações ao longo do tempo. Uma breve verificação de quais foram as palavras-chave mais usadas como “tags” ou “rótulos de busca” e que podem ser vistas na área da esquerda, em cada página, nos indica que os temas mais citados foram: Percepções, Aqui, Agora, Amor, Vida, Tempo, Oriah, O Convite, Coração, entre outros.

Ao longo desse tempo, quando senti que algum tema estava merecendo uma atenção especial, optei por lançar outro Blog com posts específicos enfocando o assunto em questão. Foi assim que surgiu o Blog “Sou Grato por Isso!” abordando o tema da gratidão; o Blog “Dieta de Notícias” abordando apenas notícias de conteúdo positivo; e o Blog “Vendo o mundo da varanda” abordando minhas percepções depois da prática meditativa matinal realizada rotineiramente na varanda do meu apartamento. Um outro Blog chamado de “Politicamente Integral” foi lançado há algum tempo, mas ainda não recebeu conteúdo significativo, o que pretendo fazer na medida da minha disponibilidade para estudar e pesquisar mais a respeito do tema. O Blog mais recente, que está em fase final de elaboração se chama “Um passo de cada vez” e deverá conter, inicialmente,  minhas percepções a respeito das fases de preparação e de caminhada efetiva ao longo do Caminho de Santiago de Compostela.

Não houve, infelizmente, e me dou conta disso agora, uma celebração formal no aniversário de dez anos do Blog “Três Coisas”, em 21 de outubro de 2015, contando o tempo a partir da data de sua primeira postagem, como seria de se esperar pelo meu apreço por celebrações de todos os tipos. Isso se deu pelo silencio e recolhimento que voluntariamente me impus, a partir do lançamento da Garrafa 496, de 20 de abril de 2015. Naquela ocasião, entrei em ritmo de preparação para percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, o que efetivamente ocorreu entre setembro e outubro do ano passado.

Saí do Rio de Janeiro em 08 de setembro e iniciei a opção conhecida como “Caminho Francês” em 10 de setembro, a partir de Saint Jean de Pied de Port, na França, aos pés dos Montes Pirineus e percorri a maior parte do tempo atravessando as belas paisagens espanholas, até chegar em Santiago de Compostela. Durante esse período, quando cheguei ao povoado de Agés, próximo de Burgos, tive que fazer uma interrupção de uma semana, para tratar de tristes questões familiares na Alemanha, em Bremen, voltando ao mesmo ponto do Caminho onde tinha feito a interrupção, para só então concluir o trajeto previsto. Ao retornar ao Brasil, em 26 de outubro de 2015, levei um bom tempo ruminando, processando e degustando comigo mesmo tudo que vivenciei ao longo dos cerca de 800 quilômetros percorridos a cada passo daquela jornada inesquecível. Conheci lugares e pessoas especiais que estarão comigo, para sempre, na memória corporal e afetiva.

Retomei as postagens por aqui somente em abril de 2016,  há apenas uma semana atrás, para celebrar algumas datas especiais, entre elas o lançamento desta quingentésima garrafa.

Além deste texto, elaborei uma ilustração comemorativa fazendo uma composição com imagens encontradas na Internet sobre as quinhentas garrafas. Ao buscar nos posts já enviados uma trilha sonora que pudesse estar à altura da ocasião, optei por incluir algo ainda não postado e que é uma das peças de que mais gosto e que compõe a trilha sonora da minha vida. Como o tema do Amor, em todas as suas formas, é um dos mais abordados por aqui, enquanto dei conta de lançar apenas 500 garrafas com mensagens, o Grupo de Rock Progressivo italiano dos anos 70, “Banco del Mutuo Soccorso”, um dos meus preferidos, nos lembra que o amor faz já 750.000 anos!

Esta Garrafa 500 é portanto o meu presente tanto para os muitos seguidores do Blog, que me enchem de alegria quando costumam deixar seus comentários aqui e ali, quanto para os visitantes eventuais que não deixam outro traço de sua presença, além de um local de acesso em alguma praia distante de algum país, onde a garrafa lançada foi recolhida, e um número registrado nas estatísticas de acesso. São todos, tanto os muito ativos como os mais silenciosos, sempre muito bem-vindos ao Blog.

Se alguém, em algum lugar, em algum momento, encontrando uma dessas garrafinhas, ao bisbilhotar o seu conteúdo:

  • esboçar o mais leve sorriso;
  • ouvir aquele ruído característico de uma ficha caindo dentro da própria cabeça;
  • se lembrar, com carinho, de algum amor antigo ou atual, que já não veja há muito tempo (às vezes cinco minutos parecem uma eternidade); ou
  • for levado a refletir sobre a própria vida, a dos seus semelhantes e sobre os destinos desse nosso pequeno planeta azul…

Já terá valido a pena!

Como sempre gosto de fazer, brinco mais uma vez com as palavras, usando a métrica do haicai:

cinco, cinquenta,
já quinhentas garrafas!
recolheu alguma?

Eduardo Leal

Composição de Eduardo Leal com fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “750.000 anni fa l’amore” com Banco del Mutuo Soccorso.

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Garrafa 498 – Pressentimentos   1 comment

De onde viemos?

Quem somos?

Para onde vamos?

Pausa para um breve haicai:

só pressentido,
no corpo e na alma,
onde sentido?

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Busca de sentido

Garrafa 495 – Tão perto, tão longe…   Leave a comment

Desde o dia em que se conheceram, não se passa um só dia em sua vida sem que ele pense nela, em algum momento, com muito carinho e gratidão. E, no dia do seu aniversário, um dia especial sempre lembrado, ele agradece ao Universo por ela ter nascido neste planeta, nesta nossa época e por aquele encontro mágico que os colocou frente a frente pela primeira vez, há muitos anos atrás. E, também, por ela ainda estar entre nós neste mundo, mesmo que em outro hemisfério, e acompanhada de outras pessoas desconhecidas com quem escolheu compartilhar esse novo trecho do seu caminho.

No mesmo dia, ou em dias muito próximos dessa data, há muitos anos, ele envia mensagens a esse mesmo Universo na esperança de que ela possa de alguma maneira tomar conhecimento de suas palavras, sinta-se muito amada, e possa esboçar pelo menos um leve sorriso.

Esta pode ser uma dessas mensagens colocadas dentro de uma pequena garrafa, que as correntes do mar da Internet podem fazer chegar a uma praia muito distante, ser recolhida intacta, e lida pela pessoa certa com algum sobressalto, reconhecendo a caligrafia no papel desdobrado por entre os dedos trêmulos das mãos, ainda tomadas pela surpresa desse achado… Quem sabe?

Ele gosta de pensar que ela já se deu conta desse delicado ritual de gratidão e, a partir de alguns dias antes e outros depois dessa data, se permite caminhar descalça pelas praias mais próximas do seu litoral e, sentindo a água fria que banha seus pés delicados e o vento fresco que revolve seus cabelos, com olhar curioso na direção da arrebentação, percorre aquela linha em que a água salgada lambe a areia molhada num vai e vem infinito. Entre uma concha e outra, ou entre uma e outra estrela do mar, quando olha com bastante atenção, sempre pode encontrar alguma mensagem colocada com cuidado dentro de uma pequena garrafa colorida e só a ela endereçada. E tomar conhecimento do seu conteúdo não implica, de sua parte, nenhum outro tipo de compromisso. Apenas o simples reconhecimento e recebimento de um afago de um amigo distante, em uma data especial.

A inspiração para o texto desta mensagem surgiu no dia de ontem, durante a leitura de um livro interessante sobre as experiências de uma mulher que percorreu, de maneira ao mesmo tempo alegre e sofrida, há alguns anos atrás, o mesmo Caminho de Santiago de Compostela que ele pretende percorrer em breve. Mais do que um simples relato de viagem, o livro apresenta em suas entrelinhas, isso sim, uma bela história de amor incondicional entre um homem e uma mulher. Depois de um longo suspiro, rabiscou com traços firmes em uma daquelas páginas o seguinte haicai:

em qualquer idade,
quem se ama de verdade:
doce saudade…

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Sinais ao longo do Caminho Na beira do mar

Garrafa 488 – Mestre e Aprendiz   2 comments

Ao cumprimentar uma antiga aluna de Coaching pelo seu aniversário, na semana passada, recebi um generoso e amável feedback positivo a respeito dos ensinamentos que lhe transmiti durante um curso ministrado em 2007. Isso inundou meu coração com o sentimento de gratidão e me fez refletir a respeito dessa curiosa relação Professor-Aluno, Mestre-Discípulo, Instrutor-Aprendiz, Coach-Explorador de novas possibilidades de futuro e de minhas próprias atitudes em cada uma dessas duas posições complementares, ao longo dos meus diversos processos de aprendizado.

Na mesma semana, incluindo na minha rotina semanal novas atividades para melhor harmonizar minha Prática de Vida Integral, depois de um flerte de vários anos com essa arte marcial, iniciei meu treinamento como aprendiz em um Curso de Aikido, após terminar a leitura de “A Arte da Paz” de Morihei Ueshiba. No dojo onde fui acolhido, sou o praticante menos graduado.

Pra começo de conversa, vale a pena ressaltar as palavras do nosso brilhante escritor João Guimarães Rosa quando nos diz que “Mestre não é quem sempre ensina mas aquele que, de repente aprende.” Infeliz daquele que, assumindo uma posição de instrutoria em algum assunto, acha que já sabe tudo sobre o tema em questão e despreza os raros mas valiosos ensinamentos que pode receber de seus respectivos aprendizes. Igualmente infeliz é aquele iniciante em qualquer prática que deixa de ver as coisas com aquele “Olhar de imigrante” ou “Olhar de deslumbramento” de quem vê um novo mundo pela primeira vez, e se deixa abater pela própria falta de conhecimento e experiência, sentindo-se intimidado e deprimido e desperdiçando diversas oportunidades de aprendizado e de autodesenvolvimento. E, como no provérbio em que “A primeira pessoa que escuta o que dizemos somos nós mesmos” podemos obter percepções e “insights” até mesmo ouvindo a nossa própria voz durante o processo, quando estamos citando e usando como referência o trabalho de alguém mais experiente.

Em qualquer situação meu feedback favorito é: “Puxa, nunca tinha pensado nisso dessa maneira!” Maravilha! Provoquei reflexão em alguém, ou eu mesmo fui levado por outra pessoa a ver as coisas de uma maneira ainda não explorada!

Meus questionamentos me levaram a rever o conteúdo de pelo menos dois livros: “From Coach to Awakener” de Robert Dilts e “Duas Perspectivas sobre a Iluminação” de A. S. Dalal.

Robert Dilts, usando seu elegante Modelo de Níveis NeuroLógicos que é amplamente usado pelos adeptos do Coaching com Programação Neurolinguística (PNL), discute os diferentes tipos de apoio que podem ser prestados, segundo sua visão, por um Coach com “C” maiúsculo. Dilts considera que o Coach com “C” minúsculo, que costumo denominar Coach Convencional, focaliza mais no Nível de Mudança Comportamental referindo-se ao processo de apoiar outra pessoa a obter ou melhorar um determinado desempenho comportamental. Essa abordagem é derivada primariamente do modelo esportivo de treinamento. Já o Coach com “C” maiúsculo envolve apoiar as pessoas no processo de obter resultados palpáveis em diversos Níveis de Mudança, enfatizando o fortalecimento da identidade e dos valores e procurando transformar sonhos e metas em realidade. Abrange as habilidades desenvolvidas por um Coach com “C” minúsculo, mas inclui muito mais. Para cada um dos diferentes Níveis de Mudança (Ambiente / Comportamento / Capacidade / Crenças e Valores / Identidade / Espiritual), além das respectivas perguntas poderosas que nos permitem investigar qualquer questão em cada Nível, são apresentados os tipos de apoio que podem/devem ser prestados (Guia / Coach com “C” minúsculo / Professor ou Consultor / Mentor / Patrocinador / Guru) e os respectivos estilos de liderança que melhor se adaptam a cada papel. Se o próprio Coach não puder exercer todos esses papéis, e é esperado que não consiga fazê-lo em todos os Níveis e para todos os tipos de Objetivos ou Metas, deve ajudar seu Explorador de novas possibilidades de futuro a encontrar quem possa complementar seu apoio, dependendo dos tipos de Objetivos/Metas que estejam sendo trabalhados.

TIPOS DE APOIO QUE PODEM SER PRESTADOS DURANTE UM PROCESSO DE COACHING

Tipos de Apoio Prestados por um Coach

No Nível do Ambiente relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Guia, se está familiarizado com esse ambiente, e pode adotar o estilo de liderança de Gerenciamento por exceção. Caso contrário, algum outro Guia que domine esse ambiente deve ser consultado. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com frequência pois não posso pretender estar familiarizado com os ambientes de todos os tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro.

No Nível de Comportamentos relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Coach com “C” minúsculo, atendo-se aos aspectos comportamentais e às melhores práticas recomendadas para essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança Estímulo por recompensa. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com menor frequência pois é possível descobrir um conjunto de boas práticas relacionadas aos diversos tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro, tanto em pesquisas na literatura especializada quanto na Internet. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Capacidades relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Professor ou Consultor, ministrando os conhecimentos julgados necessários para se lidar com essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança de Estímulo intelectual. Essa é uma situação extremamente delicada uma vez que o papel do Consultor (o Professor é um tipo de Consultor) é sugerir o que fazer, enquanto essa é a ultima coisa que um Coach deve fazer, apresentando no máximo sugestões indiretas, quando a pessoa não consegue perceber alternativas para avançar. Sugiro que as eventuais Sessões de Consultoria prestadas pela mesma pessoa que conduz um Processo de Coaching sejam realizadas em outro local e em outro momento, para que não haja confusão de papéis na cabeça do Explorador de novas possibilidades de futuro/Cliente/Aluno. Tenho me sentido confortável em oferecer consultoria em Comunicação Interpessoal, em Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e de Liderança e em Elaboração de Planos de Negócio. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia ou Coach com “C” minúsculo pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Crenças e Valores relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Mentor, buscando identificar e neutralizar eventuais crenças limitantes e implantar e reforçar um conjunto de crenças poderosas que deem permissão para a pessoa avançar em relação à direção desejada. Nesse caso ele pode adotar o estilo de liderança Inspiracional. Esse é o nível em que me sinto mais à vontade, uma vez que a abordagem de Coaching Centrado em Valores, que desenvolvi a partir de 2006, enfatiza a exploração desse nível lógico uma vez que possuímos crenças (limitantes ou não) a respeito de todos os outros níveis de mudança (tanto acima como abaixo desse nível). Além disso, os diversos Níveis de Desenvolvimento de Consciência propostos pela Abordagem de Coaching Integral, que também fazem parte do conjunto de ferramentas que utilizo, são em grande medida relacionados a diferentes Sistemas de Crenças e Valores com os quais nos identificamos, em maior ou menor grau, à medida que avançamos em nosso próprio processo de desenvolvimento.

No Nível de Identidade relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Patrocinador, reforçando a autoestima da pessoa, oferecendo feedback positivo e construtivo, além de fornecer estimulo constante para o reconhecimento e a utilização de seus talentos, transformando-os em pontos fortes para utilização em proveito da conquista de seus respectivos Objetivos e Metas. Em uma Abordagem de Coaching Integral, como a que adoto, o trabalho com a Sombra da pessoa (aqueles conteúdos que são varridos para o inconsciente e que envolvem emoções primárias que não se deseja admitir, mas que volta e meia reaparecem como emoções secundárias sabotando suas ações) pode recomendar a participação, em paralelo ao Processo de Coaching, de um profissional da área de psicanálise ou psicoterapia. O estilo de liderança sugerido é o de Consideração Individualizada. Sinto-me bastante confortável em adotar esse estilo de liderança e atuar nesse nível lógico que tem um profundo impacto nas mudanças que ocorrem em todos os níveis inferiores, e que recebe a influência decisiva das eventuais mudanças promovidas no Nível de Crenças e Valores. Nosso Nível de Identidade é, em grande medida, a expressão de uma crença a respeito de quem pensamos que somos.

Finalmente, no Nível Espiritual relacionado ao Objetivo/Meta, que nada tem necessariamente a ver com religião e sim com “a quem mais nos sentimos conectados e a quem mais incluímos no nosso círculo de preocupações, cuidados e contribuições”, e ainda, “de quem podemos obter apoio para desenvolvimento de nossos projetos pessoais e coletivos”, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Guru (o que promove o despertar), contribuindo para promover a elevação do nível de desenvolvimento de consciência da pessoa, meta recorrente em uma Abordagem de Coaching Integral e, muito mais raramente, no seu despertar para estados/níveis de consciência intuitivos (além da mente). Com muito maior frequência, o que costumo fazer é estimular o questionamento a respeito da necessidade de apoio externo proveniente da família, de amigos, de guias, de consultores e professores, de mentores, de patrocinadores, de gurus espirituais e até mesmo de algum tipo de divindade. Se a pessoa possui uma crença religiosa, a crença em uma Divindade pode exercer uma forte influência na quantidade de esforço que pode ser alocada às suas tarefas de desenvolvimento pessoal. Identificadas essas necessidades, apoio o processo de sua obtenção. O estilo de liderança sugerido é a Liderança Carismática e Visionária.

Os questionamentos provocados pela necessidade de apoio às mudanças no Nível Espiritual me fizeram voltar a consultar o ótimo livro de A. S. Dalal em que ele nos oferece um estudo comparativo das abordagens propostas por dois Mestres Espirituais Iluminados para o despertar de um nível de consciência além da mente: Sri Aurobindo e Echart Tolle. Selecionei alguns comentários apenas referentes ao conteúdo do Anexo II dessa obra em que são apresentados “Os Três Instrumentos do Professor”, assim foi traduzido, mas segundo meu entendimento trata-se mais de um Guru ou Mestre Espiritual, na visão de Sri Aurobindo. Após a definição de cada um desses “Instrumentos” apresento, como sempre gosto de fazer, uma breve brincadeira com as palavras, com a métrica de um haicai, e que foi inspirada nessa releitura. Incluí um título em cada haicai.

“Instrução, exemplo e influência – esses são os três instrumentos do Guru.”

Sobre a Instrução, Sri Aurobindo nos adverte que:

“… o Professor prudente não visará se impor ou impor suas opiniões na aceitação passiva da mente recebedora; ele oferecerá somente o que é produtivo e seguro como uma semente que crescerá sob a proteção interior divina. Ele buscará despertar muito mais do que instruir; objetivará o desenvolvimento das faculdades e das experiências por um processo natural e uma expansão livre. Ele ensinará um método como um apoio, um dispositivo utilizável, não como uma forma imperativa ou uma rotina fixa. E ele estará na guarda contra qualquer transformação dos recursos em uma limitação, contra a mecanização do processo. Sua atividade completa é a despertar a luz divina e iniciar as atividades da força divina da qual ele é, em seus próprios termos, apenas uma ferramenta e um apoio, um corpo ou um canal.”

Germinação

Instrução divina

rota que seduz:
de dentro da semente
impulso de Luz!

Sobre o Exemplo, Sri Aurobindo nos diz que:

“O exemplo é mais poderoso do que a instrução; mas, não é o exemplo dos atos externos nem da natureza pessoal que tem a maior importância. Eles têm seu lugar e sua utilidade; no entanto, o que na maior parte dos casos estimulará aspiração nos outros é o fato central da realização divina dentro dele governando toda sua vida e seu estado interior e todas as suas atividades. Esse é o elemento essencial e universal; o restante pertence à pessoa e às circunstâncias individuais. É essa realização dinâmica que o sadhaka (Praticante de desenvolvimento espiritual) deve sentir e reproduzir em si mesmo de acordo com sua própria natureza; ele não necessita de esforço após uma imitação do exterior que pode muito bem ser mais esterilizador do que gerador de frutos corretos e naturais.”

Exemplo de conduta

Exemplo

mais poderosa
que qualquer informação:
ação amorosa!

Sobre a Influência, essas são as palavras de Sri Aurobindo:

“A influência é mais importante do que o exemplo. A influência não é a autoridade exterior do Mestre sobre seu discípulo, mas sim o poder de seu contato, sua Presença, da proximidade de sua alma com a alma do outro, infiltrando-se por ela, muito embora em silêncio, o que ele propriamente é e possui. Essa é a marca suprema do Mestre. Assim, o maior de todos os Mestres é muito menos um Professor do que uma Presença derramando a consciência divina e sua luz, poder, pureza e êxtase em todos que se mostram receptivos ao seu redor.”

Mestre e discípulo

Influência

em plena calma,
mestre e discípulo,
alma com alma.

Eduardo Leal
Ilustração de Eduardo Leal baseada no conteúdo de “From Coach to Awakener” de Robert Dilts
Haicais de Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 452 – Em busca da lua   Leave a comment

na noite clara,
minha alma se lança
em busca da lua…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Dreamer” na voz de Roger Hodgson

Garrafa 451 – Amar cura   Leave a comment

na noite escura,
minha alma vagueia
em busca de cura…

Eduardo Leal
Foto de Obvious em http://url.obviousmag.org/4e8

Garrafa 423 – Falo, porque ainda não sei…   Leave a comment

Tenho um pequeno grupo de bons amigos e amigas (e acho que cabem todos numa van) que leem, e às vezes também comentam e compartilham os posts publicados neste Blog. Essas criaturas gentis também se dão ao trabalho de visualizar as fotos e ler os textos que são reproduzidos em minhas páginas nas redes sociais, ou que são divulgados em outros Blogs que mantenho em atividade. Trazem, sempre, novos desafios com seus questionamentos e contribuições, para que eu busque maior clareza na exposição de ideias, quer sejam das poucas que são de minha própria lavra, ou daquela grande maioria que não foi parida por mim mesmo, e sim adotada como valiosa e verdadeira, até prova em contrário.

Os temas do desenvolvimento de consciência e da espiritualidade têm sido aqui frequentemente abordados, por estarem no centro da minha área de interesse, e julgo oportuno reconhecer, desde já, minha total incompetência diante desse enorme desafio.

O salto quântico do nível de desenvolvimento de consciência da Mente (onde se encontra a maioria de nós) para o nível da Alma (onde poucos estiveram por breves períodos, e muito poucos por lá permanecem por temporadas mais prolongadas) é uma experiência individual. É vivenciada sem a interferência ou participação de intermediários, sejam eles padres, pastores, rabinos, aiatolás, gurus, monges, coaches ou consultores. O caminho que leva até a borda do precipício onde esse salto deve ser dado é único. E há tantos caminhos quantos indivíduos existem neste nosso pequeno planeta azul. Mesmo quando duas pessoas parecem caminhar lado a lado, durante algum tempo, seus caminhos são distintos. A senda é estreita como o fio da navalha, para utilizar uma imagem cara aos mestres Zen. E lá chegando, seja que caminho individual tenha sido percorrido e aonde quer que ele tenha levado cada um, é preciso saltar da borda do penhasco no grande Vazio! Sentir essa vertigem!

Além disso, como o nível da Alma transcende e inclui o nível da Mente e, portanto, está além da razão, além da lógica, em contato apenas com a fonte da nossa sabedoria intuitiva, qualquer tentativa de expressar essa experiência em palavras, depois de vivenciá-la, estará fadada ao fracasso. Nosso falatório e escrita serão apenas tímidas tentativas de explicar o inexplicável.

As escrituras Védicas, de milênios atrás, são sábias ao declarar que “Aqueles que sabem, não falam. Os que falam, não sabem”.

E revelador foi o sermão silencioso de Buda, apresentando à sua audiência, por entre os dedos, uma simples flor de cor branca, cujo significado foi percebido apenas por seu discípulo Mahakasyapa.

Com todo respeito por todo esse falatório e suas correspondentes transcrições e publicações em diversas escrituras, de todos os matizes, origens e tendências (várias vezes transcritas neste Blog e posts correspondentes), todo o material disponível sobre esses temas – desenvolvimento de consciência/espiritualidade – pode servir no máximo como um tipo de sinal ou indicação. Uma sinalização que aponta para essa Verdade que pode ser apenas percebida por aqueles que estão prontos e preparados para recebe-la. Verdade essa que também será sempre interpretada no próprio nível de consciência daqueles que vivenciarem essa experiência.

Conforme sugerido nas sábias palavras proferidas pelo Mestre Doogen, que ecoam para nós do fundo do precipício, desde o século XIII, “O dedo que aponta para a lua, não é a lua”. É preciso ver a lua! Olhar na direção indicada pelo dedo, e não para o próprio dedo!

É preciso ver a lua!

E, nesta fase de lua minguante, em que ver a lua se torna uma tarefa sempre um pouco mais desafiadora, situação agravada pelo prenúncio da continuação de um período chuvoso e nublado, em nossa bela cidade do Rio de Janeiro, resta-me apenas brincar com a sabedoria das palavras milenares, usando a métrica do haicai:

não sabe, quem fala.
mas, aquele que sabe,
não fala, cala…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido e
Ilustração de Tsukioka Yoshitoshi – One Hundred Views of the Moon “Moon of Enlightenment”

Lua minguante

O dedo que aponta para a lua

Garrafa 422 – Na casca de noz   4 comments

Sempre fiquei intrigado com a semelhança de uma noz, dentro de sua casca, com imagem que temos da estrutura do cérebro dentro do crânio. Aberta a casca, vemos uma miniatura dos hemisférios direito e esquerdo, e até uma estrutura fina e marrom que faz as vezes do corpo caloso…

Acessando minhas memórias afetivas a respeito, desde a infância, lembro-me bem das épocas natalinas e festivas, do sabor meio amargo da noz e do trabalho que dava para abrir aquela casca, de preferência sem lhe causar maiores danos no processo, para que pudesse ser utilizada como pequena embarcação lançada nas enxurradas que se formavam na minha rua, depois de cada chuva de verão.

Na última semana, instigado por uma ótima palestra a que assisti sobre física quântica e espiritualidade, ministrada pelo Professor Helio Daldegan, voltei a consultar algumas obras que já tinha lido do famoso físico Stephen Hawking (“Uma Breve História do Tempo” e “O Universo numa Casca de Noz”). Nesse último livro, uma citação de Hamlet (Ato 2, Cena 2) de Shakespeare foi usada para ilustrar a capacidade e liberdade de nossa mente para, apesar de nossas limitações físicas, explorar todo o universo em busca de compreensão e entendimento:

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito…”

E vi apresentada novamente, ao longo do seu Capitulo 3, a maneira de pensar a mecânica quântica de Richard Feynman que o levou a ganhar o Nobel de Física em 1965, de que as partículas se deslocam de um local para outro ao longo de todas as trajetórias possíveis no espaço-tempo. Para cada trajetória Feynman associou dois números, um para o tamanho de onda (amplitude) e outro para a fase (crista ou vale) e a probabilidade de uma partícula passar de um ponto A para um ponto B é encontrada somando-se as ondas associadas a cada trajetória possível que passe por A e B. Para objetos grandes, como constatamos no dia-a-dia, em que observamos que os objetos seguem uma única trajetória entre sua origem e seu destino final, isso também está de acordo com a ideia de histórias múltiplas de Feynman porque a aplicação da regra assegura que todas as trajetórias, exceto uma, anulam-se quando suas contribuições se combinam.

Pude constatar nessa leitura instigante que, apesar das teorias científicas modernas terem avançado enormemente no último século, seu viés materialista insiste em apenas considerar ou privilegiar como sua fronteira final o Cosmos (a realidade objetiva das três dimensões do espaço e o tempo revelada principalmente através dos cinco sentidos ou ampliada por equipamentos que estendem nossa percepção), desprezando a realidade subjetiva ligada às dimensões consciente e inconsciente individual e coletiva.

Entretanto, conclusões perturbadoras vindas dos próprios desdobramentos da mecânica quântica, apontam para a importância e interferência causada por um observador dotado de consciência, nos resultados de uma determinada observação de uma partícula elementar. A Superposição Quântica é um princípio fundamental que afirma que um sistema físico (como um elétron) existe parcialmente em todos os estados teoricamente possíveis simultaneamente antes de ser medido. Porém, quando medido ou observado, o sistema se mostra em um único estado.

Felizmente, encontro em minha própria biblioteca pessoal, refúgio e um contraponto a essa postura materialista e incompleta. Em seu livro “Espiritualidade Integral”, o filósofo Ken Wilber nos propõe uma elegante estrutura teórica (Modelo Integral) para organizar o mundo e suas atividades em cinco categorias simples que são, ao mesmo tempo, aspectos de nossa própria experiência: os Quadrantes, Níveis, Linhas, Estados e Tipos. Essa abordagem nos ajuda a ver a nós mesmos e o mundo que nos cerca de um modo mais abrangente que inclui as realidades objetivas (Cosmos) e subjetivas, individuais e coletivas e que estão associadas a um conceito mais abrangente de Kosmos, palavra grega que significa o Todo padronizado de toda a existência, incluindo os reinos físico, emocional, mental e espiritual.

Quando analisamos qualquer situação com o apoio dos quatro Quadrantes propostos por Wilber, podemos perceber como qualquer evento Físico – Matéria/Energia (do quadrante superior direito) representa apenas um quarto da história. E que as dimensões da Consciência (do quadrante superior esquerdo) com nossas emoções, estados psicológicos, imaginação e intenções; da Cultura (do quadrante inferior esquerdo) com nossos valores culturais, religiosos e visão de mundo comuns e dos Sistemas Sociais (quadrante inferior direito) com nossas estruturas materiais, sociais e econômicas surgem simultaneamente à ocorrência desse evento e interagem entre si. E podemos perceber também como esses Quadrantes se desdobram em Níveis de Consciência, Linhas de Desenvolvimento (Inteligências Múltiplas), Estados de Consciência e Tipos.

Em nossa trajetória de elevação do nosso Nível de Consciência, por exemplo, de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica de Don Beck e Christopher Cowan, baseado no trabalho pioneiro de Clare Graves, o mecanismo chave é “transcender e incluir”. O nível de cima “transcende e inclui” o nível precedente e, como menciona Wilber em “Uma Teoria de Tudo”, trazendo novas capacidades e ao mesmo tempo a possibilidade de novos desastres; não só novos potenciais, mas também novas patologias; novas forças e novas doenças…

Em uma visão com pouca granulação do processo evolutivo, constatamos que da Matéria, em algum momento surgiu um Corpo que a transcendeu (possui vida) e a incluiu; e esse mesmo Corpo, em algum momento desenvolveu uma Mente que o transcendeu (capaz de ter consciência de si mesma) e o incluiu…

Assumindo que o impulso evolutivo ainda nos move, estamos, portanto, em um momento em que temos a possibilidade de transcender a Mente e de elevar ainda mais o nosso Nível de Consciência despertando a nossa Alma (que inclui a Mente, o Corpo e a Matéria). Isso, em busca de também transcende-la em algum momento em direção ao que podemos chamar de Espírito. Quando nos permitimos, em nossa prática meditativa, mergulhar no espaço silencioso entre dois pensamentos, temos a oportunidade de deixar que a Mente, levando com ela nosso cérebro/casca de noz, flua mansamente para sua foz, no grande lago da Alma, e que ela, também por sua vez, se conecte ao grande oceano do Espírito.

Depois de um dia inteiro de trabalho e leituras, durante uma pausa na varanda com o olhar perdido na copa das árvores da pracinha, a brisa da tarde sopra ao meu ouvido esse breve haicai:

na casca de noz,
nos ecos da Tua voz,
do rio, a foz…

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos, uma delas adaptada com texto complementar (Quadrantes) por Eduardo Leal
Intruções de utilização: Ouvir “Awakening” com Spyro Gyra

Casca de nozQuadrantes Ken Wilber 3

Garrafa 421 – Música interior   Leave a comment

sem qualquer dor,
um Sol interior,
em tom maior.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Guarde nos olhos” com Ivan Lins

Música Interior

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