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Garrafa 535 – Aristotolices   Leave a comment

A época do aniversário é, tradicionalmente, momento de realização de balanços de perdas e danos e de celebrações. E a cada ano o resultado é sempre diferente! Como já nos dizia Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim.”

O dia de ontem foi ótimo! Caminhada rotineira na manhã ensolarada e, à noite, recebi em casa a parcela local da família: mãe, irmã e filhas, com seus respectivos companheiros (genros) e, como sempre, o personagem de destaque da família, até a chegada de outros componentes já anunciados, o pequeno Damião, netinho querido.

Várias ligações do filho, de amigos e amigas, algumas internacionais, e muitas mensagens recebidas pelas redes sociais temperaram a tarde, enquanto as panelas já estavam no fogo, antecipando na agitação da cozinha, a chegada do pequeno grupo de convidados.

Uma garrafa de vinho tinto espanhol, de uva tempranillo, hábito adquirido durante o Caminho de Santiago – 2015, molhou a palavra durante as animadas conversas noturnas.

Sobre a minha inescapável e complexa circunstância, apenas algumas notas de rodapé, a título de leitura recomendada:

  1. Terminei a leitura da pequena joia “Aristóteles em nova perspectiva – A Teoria dos Quatro Discursos” de Olavo de Carvalho. Li e reli o seu conteúdo ao longo de duas semanas, deliciando-me com a sua proposta original e inovadora de considerar como uma Teoria Geral do Discurso as quatro obras do filósofo estagirita: as duas primeiras, a Poética e a Retórica se prolongando e aprofundando nas duas ultimas, a Dialética e a Lógica – Analítica. E não menos deliciosa foi a leitura do texto suplementar “Aristóteles no Dentista – Polêmica entre o Autor e a SBPC”, na época do encaminhamento de seu trabalho “Uma filosofia aristotélica da cultura” para avaliação e eventual publicação na revista Ciência Hoje. Essa situação insólita se iniciou em 1983, com o envio do trabalho, e se estendeu por 1984 e 1985, com artigos publicados em jornais e a correspondência pessoal e institucional trocada entre os envolvidos. Segundo o autor, foi nesse instante que nasceu a inspiração para o livro “O Imbecil Coletivo”, como uma espécie de tratamento de choque para despertar a nossa moribunda intelectualidade;
  2. Motivado pela leitura do livro sobre Aristóteles, dei continuidade à leitura de “O Imbecil Coletivo”, também de Olavo de Carvalho, igualmente espetacular e dessa vez profético, do qual destaco o artigo “Bandidos & Letrados” que explicita com precisão a trajetória de uma revolução cultural que se encontra em curso, e que só poderia resultar na atual situação de decrepitude moral do STF, instituição transformada por seus atuais integrantes em defensora de bandidos e do crime organizado. Destaco o parágrafo inicial: “Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo mundo conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há sessenta anos, os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de idealização da malandragem, do vício e do crime. Como isso poderia deixar de contribuir, ao menos a longo prazo, para criar uma atmosfera favorável à propagação do banditismo?” Recomendo a leitura pelo menos desse artigo, já que as reflexões produzidas pela obra completa podem levar a um estado de depressão grave, com consequências devastadoras para as pessoas mais sensíveis, de boa fé e de bom senso, e ainda com alguma esperança residual nos destinos do nosso país;
  3. A leitura da Teoria dos Quatro Discursos me induziu também a reler, pela quarta vez, “A Estratégia da Genialidade – Volume 1” de Robert Dilts. Nessa série composta de três volumes, Dilts utiliza as ferramentas de modelagem e princípios da PNL – Programação Neurolinguística para investigar os padrões cognitivos de pessoas reconhecidamente geniais. No Capítulo 1 desse livro espetacular, o alvo da investigação é justamente Aristóteles! E constatamos que o seu reconhecimento como gênio não adveio simplesmente daquilo que ele sabia, mas da sua capacidade de expressar o que sabia. A estratégia de Aristóteles para identificar a relação entre o geral e o particular, encontrando a causa ou o `meio´, foi a base dos seus famosos `silogismos´: Todos os homens são mortais; Sócrates é homem; Sócrates é mortal. Para quem se interessa por filosofia e também por PNL, penso que essa pode ser uma leitura complementar proveitosa;
  4. Finalmente, atualmente também estou lendo “A Vida Intelectual” de A.-D. Sertillanges, que tem prefácio de Olavo de Carvalho. É leitura recomendada para quem se interessa por filosofia e já atendeu, ou pretende atender em breve ao chamado vocacional do trabalho intelectual e do desenvolvimento do espírito. Tudo isso, mesmo para quem só disponha de duas horas por dia para dedicar a essa nobre atividade.

Dito isto, sentado no banco da pracinha em frente ao meu prédio, sentindo na pele o calor do sol da manhã no dia seguinte ao do meu aniversário, folheando o meu exemplar de “A Vida Intelectual”, fiquei perdido em reflexões depois de ler o seguinte trecho:

“O homem isolado demais torna-se tímido, abstrato, um pouco bizarro, titubeia no mundo real como um marinheiro recém-desembarcado; não tem mais o senso de seu destino; parece olhar-nos como uma `proposição´que deve ser inserida em um silogismo, ou como um exemplo a ser registrado em um bloco de notas.”

Ainda processando as mensagens de aniversário que recebi, fiquei imaginando  também aquelas que, por diversas razões, deixaram de ser a mim enviadas e rabisquei na borda do livro o seguinte haicai:

apaixonado,
do silogismo, o meio,
você é termo.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

O Convite

Garrafa 253 – Ser simples, sem ser simplista   9 comments

Como já nos advertia Albert Einstein: “Tudo deve ser o mais simples possível, nunca mais simples do que isso.”

Da leitura de “A Estratégia da Genialidade – Einstein” de Robert Dilts posso depreender que ele queria dizer que cada situação ou sistema tem uma complexidade inerente que lhe é própria e que deve ser respeitada. Se tentarmos ir além de determinados limites impostos pela natureza do próprio sistema, descaracterizaremos completamente a situação e ela se tornará outra coisa e não a expressão mais simples do sistema que desejamos representar. Nesse ultimo caso nos tornamos simplistas e corremos o risco de jogar fora o bebe junto com a água suja do banho de simplicidade que lhe pretendemos aplicar.

E para se definir complexidade é sempre necessário especificar o grau de detalhe com que o sistema é descrito, sendo os detalhes mais finos ignorados. E sempre é necessário deixar algo de fora. Os físicos chamam isso de granulação grosseira. Como no caso de uma antiga fotografia, sua granulosidade estabelecia um limite sobre a quantidade de informação que ela podia oferecer. Quando numa fotografia um detalhe era tão pequeno que necessitava ser ampliado para ser identificado, a ampliação podia mostrar os grãos fotográficos individuais. E se o filme fosse muito granulado e o melhor que a fotografia como um todo pudesse dar fosse uma impressão grosseira do que tinha sido fotografado, o filme apresentaria uma granulação grosseira.

E não é simples definir “simples”. Como nos adverte Murray Guell-Mann em “O Quark e o Jaguar”: “provavelmente não há um único conceito de complexidade que possa exprimir adequadamente nossas noções intuitivas do que a palavra deve significar”. Entretanto, pelo menos uma maneira de se definir a complexidade de um sistema é fazer uso do tamanho de sua descrição. E, além disso, qualquer definição de complexidade depende necessariamente do contexto, e é mesmo subjetiva. O tamanho da descrição variará, portanto, com a linguagem utilizada, e também com o conhecimento e a compreensão do mundo que aqueles que se comunicam repartem entre si.

Eliminando-se descrições desnecessariamente longas, poderemos chegar a uma definição do que pode ser chamado de complexidade rudimentar:

“o tamanho da mensagem mais curta que descreverá o sistema, para um dado nível de granulosidade grosseira, para alguém distante, empregando uma linguagem, conhecimento e compreensão que ambas as partes repartem (e sabem que repartem) de antemão”.

É o que todos procuramos fazer em nossas tentativas de comunicação, sistemas adaptativos complexos que somos, ao lidarmos com as complicações da vida, da poesia e da filosofia. E é por isso também que me aventuro, impondo-me o desafio de utilizar em minha expressão poética e filosófica, sempre que possível, a métrica do haicai tradicional de 5/7/5 silabas, embora a temática nem sempre seja a do haicai tradicional. E sei muito bem que quase nunca sou bem-sucedido em minhas tentativas de explicar o inexplicável, mas gosto de registrar que quase sempre me divirto tentando.

É assim! É da natureza das coisas! Temos que conviver com nossa incapacidade de descrever os sistemas complexos em sua completude e totalidade e admitir um determinado grau de granulosidade, de incompletude, de imperfeição. E nossos amigos japoneses, em sua sabedoria milenar, inventaram uma expressão para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. Trata-se de Wabi-Sabi. Um termo que é de difícil tradução e que talvez possa ser entendido como uma maneira de se perceber as coisas através das lentes da simplicidade, da naturalidade e da aceitação da realidade que simplesmente insiste em ser como é.

Em minhas pesquisas pela internet encontrei quem afirmasse que esse conceito surgiu por volta do século XV. Quem sabe? E como grande apreciador de historinhas e metáforas, não resisti à tentação de reproduzir e incorporar neste texto pelo menos uma delas:

“Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá, e foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim do mosteiro e o jovem Rikyu lançou-se feliz à tarefa. Limpou o jardim até que não restasse fora do lugar nem uma folhinha sequer.
Ao terminar, Rikyu examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas ajeitadas com o máximo de capricho. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre, o jovem chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez com que caíssem algumas flores, que se espalharam de maneira displicente pelo chão.
Mestre Joo, impressionado, admitiu imediatamente o jovem no seu mosteiro.
Rikyu veio a se tornar um grande Mestre da Cerimonia do Chá e, desde então, foi reverenciado como uma daquelas poucas pessoas que entendeu a verdadeira essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição”.

E por que todo esse palavrório em um texto que se propõe a falar de simplicidade? Em um texto que, em sua versão original, constava apenas de um breve haicai que supostamente deveria resumir a ideia central a ser transmitida – “retirar mais do que por“ – e apenas silenciar diante de qualquer comentário posterior? Foi o que fiz até agora…

Acontece que a primeira e única pessoa que comentou este post no Blog, alguns meses depois de sua publicação, aliás um bom amigo, disse o seguinte: “É melhor dar que receber…” E nada mais foi dito a respeito. Só ontem à noite, em uma rede social, foi que uma segunda pessoa, outra boa amiga, me alertou para uma possível interpretação equivocada da ideia central do haicai, a de que “é melhor retirar do que por” e uma ficha caiu na minha cabeça. Ela questionou se a mensagem deveria ser interpretada como “Retirar mais de si, despojar-se? Ou retirar mais do outro?” Respondi que penso que só o outro poderia tirar de si mesmo, se assim o desejasse… E que o sentido que queria dar era realmente o de despojar-se, despir-se, desnudar-se. De espremer o caldinho em busca da essência, enfim… Mas só então percebi a força da interpretação alternativa. Não tinha pensado nela até então. A de alguém “tipo sanguessuga” que não contribui com nada e ainda retira do sistema. Fiquei realmente pensativo. E todos nós conhecemos gente que age dessa maneira… E não pretendo oferecer incentivo para essa atitude com esse haicai… Pois é!

Imaginava que a imagem que acompanha o post pudesse deixar claro a que tipo de retirada estava me referindo no haicai. Trata-se de um desenho de John Lennon em que ele retrata a si próprio e à sua companheira Yoko Ono com grande economia de traços, retirando mais do que pondo, desenhando apenas uma metade de cada figura individual e fundindo-as em uma figura única para transmitir a ideia original. Penso que o título do desenho traduzido também é significativo: “Dois é Um”. Apesar disso, muita gente realmente pode pensar que a mensagem transmitida é a de que vale a pena, e é até melhor, apenas sacar e retirar sem fazer nenhum depósito prévio, sem oferecer nenhuma contribuição. E me dei conta de que muitas centenas de pessoas viram o post original de acordo com as estatísticas de acesso do Blog… Esse foi meu insight tardio. E toda essa conversa fiada é apenas para deixar claro para os futuros leitores e aqueles que, tendo visto o post original, desejarem voltar a nos visitar, que essa não é a ideia.

Algumas pessoas se perguntarão: isso fará alguma diferença para alguém cujo entendimento aceite tranquilamente essa prática de saque oportunista sem nenhum questionamento? Provavelmente não! E esse também não é o tipo de leitor que acha interessante permanecer por mais de um minuto no meu Blog. E daí? Penso comigo mesmo: Ok, podem se sentir encorajados a saquear e retirar à vontade… Mas quem sabe se ao tomarem conhecimento desses comentários iniciais não poderão oferecer de volta pelo menos um sorriso? Isso seria suficiente pra mim. Se não, paciência… É questão de Nível de Desenvolvimento de Consciência.

Dito isto, decidi agregar essas considerações iniciais ao texto do post e manter o haicai quase da mesma maneira como foi parido, alterando apenas sua ultima linha substituindo “é o caminho” por “é um caminho”. A primeira forma agora me soou pretensiosa. Esse pode ser apenas mais um caminho… Quem sabe?

Pausa para um breve haicai:

simplicidade!
retirar, mais do que por,
é um caminho…

Eduardo Leal
Desenho de John Lennon “Two is one”
Instruções de utilização: Ouvir “Swept Away” com Spyro Gyra

Garrafa 213 – Curso de Escutatória   2 comments

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular…

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, […]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas.

Na nossa civilização, se eu falar logo a seguir são duas as possibilidades.

Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”.

Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio, na verdade deve querer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio.

A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

RUBEM ALVES
Ilustração de autor desconhecido

Garrafa 103 – O meu olhar   Leave a comment

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
olhando para a direita e para a esquerda,
e de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
é aquilo que nunca antes eu tinha visto,
e eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
que tem uma criança se, ao nascer,
reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
porque o vejo. Mas não penso nele
porque pensar é não compreender …

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(pensar é estar doente dos olhos)
mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
mas porque a amo, e amo-a por isso,
porque quem ama nunca sabe o que ama
nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
e a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro/Fernando Pessoa em “O Guardador de Rebanhos”
Instruções de utilização: Ouvir “Innocent Soul” com Spyro Gyra

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