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Garrafa 538 – Lembranças de viagem   Leave a comment

Conheci Nara no inverno. Cheguei em um final de tarde, em janeiro de 2008, e passei uma noite fria e sua madrugada gelada em um hotel local.

A manhã surgiu luminosa e pude então explorar seu território, admirar seus belos jardins e parques, seus silenciosos templos e monumentos e respirar a atmosfera encantadora de seus castelos. Visita breve, que deixou meu coração apertado na despedida. Queria permanecer, mas não podia ficar nem mais um instante sequer.

Registrei timidamente minhas impressões dessa visita na Garrafa 131 – Nara.

E permanece inabalável o desejo de regressar.

Sei que tudo será diferente na próxima visita: somos outros agora, essa cidade dos sonhos e eu.

E sonho reencontrá-la em uma brilhante manhã de primavera, quem sabe enternecido com o espetáculo da floração das cerejeiras; ou quem sabe em um dia quente de verão ao abrigo de suas sombrinhas coloridas; ou ainda em uma luminosa tarde de outono, já antecipando as cores quentes do por do sol em sua silhueta recortada no horizonte.

Mas pode ser que isso só aconteça novamente em outra manhã gelada de inverno. E o dia pode estar nublado ou chuvoso. Não importa. Quero apenas poder caminhar novamente nesse território ainda tão pouco explorado, e em que tive um vislumbre do que poderia ser uma vida plena e um prolongado encontro afortunado.

Quem sabe um dia…

Enquanto isso, aguardo e guardo na lembrança as imagens dessa viagem de sonho em que me senti acolhido e em que estava em contato comigo mesmo. E sinto de novo a sensação de grata surpresa que me invadia a cada passo, dado ora de maneira hesitante, ora com grande firmeza, e ao dobrar cada curva do caminho até a hora da partida.

E sou grato por isso!

E antes que essas lembranças se esvaneçam, rabisco no meu bloco de notas:

inexorável
erosão da memória
bloco de notas

Eduardo Leal
Ilustrações de autor desconhecido: Veja em: https://www.visitnara.jp/travel-to-nara/

Garrafa 533 – Diante da vastidão do tempo e do espaço   Leave a comment

Como já mencionei na página Minhas Razões, algumas das garrafas que lanço no mar da Internet trazem informações sobre o endereço de destino, e esta é uma delas. Nesta bela manhã de outono, ou de primavera, dependendo do hemisfério em que estejam os endereços do remetente e o de destino, quero dizer apenas que foi ótimo ter conhecido você há algum tempo atrás. Que coisa espetacular você ter nascido, e nesta época do ano! E mais ainda por termos nos encontrado!

Ontem mesmo tropecei nesta citação do astrônomo Carl Sagan, enquanto pensava no que dizer na mensagem que pretendia postar no dia de hoje. Sincronicidade em ação:

“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

Hoje à noite, surgirá no horizonte mais uma Lua Cheia de Outono, como tantas outras têm surgido desde que o planeta e seu satélite existem. E fico feliz que ainda possamos testemunhar algumas delas (que registro por aqui), nesta nossa curta existência, diante da vastidão do tempo e do espaço.

Você surgiu pra mim como uma bela lua cheia, em uma noite de outono!

Sou grato por isso!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Fases da lua

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