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Garrafa 533 – Diante da vastidão do tempo e do espaço   Leave a comment

Como já mencionei na página Minhas Razões, algumas das garrafas que lanço no mar da Internet trazem informações sobre o endereço de destino, e esta é uma delas. Nesta bela manhã de outono, ou de primavera, dependendo do hemisfério em que estejam os endereços do remetente e o de destino, quero dizer apenas que foi ótimo ter conhecido você há algum tempo atrás. Que coisa espetacular você ter nascido, e nesta época do ano! E mais ainda por termos nos encontrado!

Ontem mesmo tropecei nesta citação do astrônomo Carl Sagan, enquanto pensava no que dizer na mensagem que pretendia postar no dia de hoje. Sincronicidade em ação:

“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

Hoje à noite, surgirá no horizonte mais uma Lua Cheia de Outono, como tantas outras têm surgido desde que o planeta e seu satélite existem. E fico feliz que ainda possamos testemunhar algumas delas (que registro por aqui), nesta nossa curta existência, diante da vastidão do tempo e do espaço.

Você surgiu pra mim como uma bela lua cheia, em uma noite de outono!

Sou grato por isso!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Fases da lua

Garrafa 288 – Lua cheia de verão   3 comments

Caminhando na praia da Barra da Tijuca, de volta pra casa, depois de encontrar um bom amigo nessa tarde de verão carioca e assistir a um por do sol espetacular, que incendiou o horizonte com todos os tons de rosa, laranja e vermelho, achei que o dia já estivesse ganho… Tinha valido a pena vivenciá-lo… Água de coco geladinha, boa conversa, algumas metas e planos para o futuro compartilhados…

Enquanto meu cabelo se alinhava com o vento fresco e salitrado, que parecia varrer também qualquer sombra de preocupação e agitação dos meus pensamentos, sequer suspeitava do que ainda iria testemunhar…

De repente, o nascer da lua cheia de março me surpreende!

Minha mente tagarela fica muda, em respeitoso silencio, sem palavras, sem pensamentos, sem ação… Sorrindo com o corpo todo, puro espanto e admiração!

Não me lembro de ter visto uma lua cheia com um disco tão claro e tão grande, como quando surgiu espetaculosa, nesse final da tarde… Realmente não tenho registro de outra igual, mesmo em minhas memórias mais distantes, de noites estreladas na fazenda em Minas Gerais, de passeios enluarados nas praias de Angra e de longas travessias cruzando horizontes em alto mar.

Lentamente, saio desse estado hipnótico e a mente se agita novamente… Queria poder compartilhar esse momento com você…

E meu pensamento voa e vai ao seu encontro!
E caminhamos juntos novamente. Mãos entrelaçadas.
Olhares lunáticos no horizonte, enfeitiçados pelo brilho da lua cheia.

De volta ao momento presente, um sopro de vento parece sussurrar esse breve haicai:

Lua gigante
surge no horizonte!
Sol fica mudo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização – Ouvir “Tarde” de Milton Nascimento e Marcio Borges, com participação de Wayne Shorter

Garrafa 84 – O Convite   Leave a comment

Não me interessa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração.

Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.

Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.

Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.

Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.

Quero saber se você consegue conviver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim por-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo da lua cheia: “Sim!”

Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.

Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui. Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.

Não me interessa onde, o que ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.

Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia.

 

Oriah Mountain Dreamer

Instruções de utilização: Ler o livro de mesmo nome, “O Convite”, da Editora Sextante

 

O Convite

Garrafa 60 – Olhando na mesma direção   Leave a comment

Dois amantes comuns que são solitários sempre olham um para o outro; dois amantes verdadeiros, numa noite de lua cheia, não estarão se olhando.
Eles podem estar de mãos dadas, mas estarão olhando a lua cheia bem alta no céu.
Não estarão olhando um para o outro, estarão juntos olhando algo mais.
Às vezes estarão escutando juntos a uma sinfonia de Mozart ou Beethoven ou Wagner.
Às vezes estarão sentados ao lado de uma árvore e apreciando o tremendo ser da árvore envolvendo-os.
Às vezes podem estar sentados ao lado de uma cachoeira escutando a música selvagem que está continuamente sendo criada.
Às vezes, perto do mar, ambos estarão olhando para a mais longínqua possibilidade que os olhos possam alcançar.

Sempre que duas pessoas solitárias se encontram, olham uma para a outra, porque estão constantemente buscando modos e meios de explorar o outro: como usar o outro, como ser feliz através do outro.

Mas duas pessoas que estão profundamente contentes consigo mesmas não estão tentando usar uma à outra.
Em vez disso, tornam-se companheiras de viagem; se movem numa peregrinação.
A meta é alta, a meta está distante. Seus interesses comuns as unem.

Osho
Foto de autor desconhecido

Olhando na mesma direção

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