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Garrafa 510 – O Caminho do Meio na Política   2 comments

Sou um apreciador de boas metáforas e analogias e acredito que elas podem ser ferramentas poderosas de gestão do conhecimento. Esse assunto é bem abordado no artigo de Ikujiro Nonaka, “A Empresa Criadora do Conhecimento”, que consta do livro “Gestão do Conhecimento”, de Série Harvard Business Review, da Editora Campus, que li em 2001.

“A metáfora é o meio pelo qual indivíduos situados em contextos diferentes e com experiências diversas compreendem algo de maneira intuitiva, mediante o uso da imaginação e de símbolos, sem a necessidade de análises e generalizações. Por intermédio das metáforas, as pessoas reúnem seus conhecimentos sob novas formas, que servem para expressar o que sabem, mas ainda não está traduzido em palavras. Como tal, a metáfora é altamente eficaz em fomentar o comprometimento direto com o processo criativo nos primeiros estágios da criação do conhecimento.”

Já tinha entrado em contato com o tema, também, por meio dos Cursos de Programação Neurolinguística – PNL, que realizei a partir do ano 2000. E meu guru em PNL, Robert Dilts, em seu livro “From Coach to Awakener”, editado pela Meta Publications, em 2003, nos aponta que as metáforas e analogias nos permitem traçar paralelos entre diferentes ambientes ou experiências. Ele usa os conceitos estabelecidos pelo seu próprio guru, Gregory Bateson, antropólogo e teórico da área da comunicação. Cito em adaptação livre:

“A habilidade para encontrar metáforas e analogias é uma função do pensamento abdutivo, que Bateson contrastou com os processos de pensamento dedutivo e indutivo. O pensamento abdutivo, ou analógico, nos conduz a mais criatividade e essa seria a própria fonte da arte e do gênio. Bateson acreditava que as analogias nos levam a focalizar na estrutura profunda da nossa experiencia, ao invés de apenas nas suas diferenças superficiais.

Portanto, uma ideia complexa, que é muito bem descrita por meio de uma bela metáfora e se ajusta com perfeição  a uma determinada área do conhecimento ou experiência, também pode ser transposta para outra  área, trazendo luz e a possibilidade de solução de outro desafio igualmente complexo.

Não sigo qualquer tipo de religião formal e, ao mesmo tempo, respeito quem escolhe fazê-lo. Procuro retirar aquilo que faz sentido pra mim dos aspectos filosóficos de cada uma das doutrinas com as quais já entrei em contato, quer sejam elas as que vivenciei por influencia familiar, ou quer sejam todas as outras que busquei por meu próprio interesse em conhecer mais a respeito, enquanto percorro o meu próprio caminho espiritual. Esse caminho, segundo entendo, não passa necessariamente por abraçar nenhuma religião formal. Tem mais a ver com o conceito de contribuição, de compartilhamento e de inclusão, no nosso círculo de preocupações, de um número cada vez maior de pessoas e de seres sencientes. Mas reconheço que esse caminho individual também pode incluir algum aspecto religioso, para quem assim o desejar.

O conceito de caminho do meio, da filosofia budista, é uma dessas ideias que faz todo o sentido pra mim. Ele se refere ao conhecimento sobre o vazio (Sunyata) que transcende as declarações opostas sobre a existência. Incorpora a prática do não-extremismo, de um caminho de moderação e distância entre a auto-indulgência e a morte; da busca de um meio-termo entre determinadas visões metafísicas; e propõe uma explicação do estado de nirvana, ou de perfeita iluminação, no qual fica claro que todas as dualidades aparentes no mundo são ilusórias. Lao Tsé também nos aponta nessa direção quando nos diz que devemos buscar a justa medida de todas as coisas, fugindo dos extremos, e esse conteúdo já foi postado na Garrafa 159. E penso que esses conceitos do caminho do meio e da justa medida podem ser transpostos para outras áreas do conhecimento, mantendo sua validade como princípios universais. Essas são algumas das minhas crenças orientadoras que procuro utilizar em todas as áreas da vida.

Li essa próxima ideia que vou apresentar em seguida no Blog do escritor Paulo Coelho, há algum tempo atrás. Senti naquela ocasião o perfume sutil da filosofia budista e do taoismo, e a incorporei imediatamente ao meu cinto de utilidades de Metáforas Poderosas:

“A busca espiritual é uma ponte sem corrimão atravessando um abismo. Se alguém está muito perto do lado direito, um bom mestre deve indicar ‘para a esquerda!’ Se alguém se aproxima perigosamente do lado esquerdo, esse mesmo bom mestre deve indicar ‘para a direita!’. Os extremos nos afastam do caminho”.

Nesse caso, podemos substituir a “busca espiritual” por qualquer outro desafio ou área do conhecimento onde seja a escolha natural essa ideia de fugir dos extremos perigosos e de buscar um caminho que, de maneira segura, contemple e procure harmonizar as demandas existentes no ambiente e contexto em questão.

Penso que a área da Política é uma das áreas do conhecimento que muito pode se beneficiar com a utilização dessa metáfora, uma vez que essa retórica de direita e esquerda tem sido um lugar comum e fonte de conflitos e disputas intermináveis, desde a época da revolução francesa. Um olhar mais atento pode indicar que essa discussão pode ter começado muito antes, há cerca de 2.500 anos AC.

Acredito no poder dessa metáfora, apesar de que o seu próprio autor, Paulo Coelho, segundo o meu julgamento, tenha deixado de utilizá-la, de maneira sistemática, ao privilegiar uma visão política claramente “de esquerda” em seus diversos livros, e em algumas outras publicações e entrevistas. Expressou simpatia, quando não militou de maneira mais explícita, chegando até mesmo defender, em alguns momentos, o projeto da quadrilha de malfeitores do PT chefiada pelo ex-presidente Lula. Esse movimento unidirecional para a esquerda, de acordo com a própria metáfora que nos propõe, só poderia apresentar um único resultado, se não fosse interrompido a tempo, o de queda no abismo de uma ditadura de extrema esquerda!

Embora seja sempre desejável, a congruência, ou seja, o alinhamento do pensar, do falar e do agir nem sempre é um valor ou uma qualidade demonstrada por algumas “lideranças” conhecidas, sejam elas literárias, políticas ou espirituais. E isso não elimina o valor das próprias metáforas que são adotadas ora sim, ora não, de acordo com critérios de conveniência momentâneos.

Vamos então dar uma breve olhada na situação política da América Latina e do Brasil, nos últimos anos, e aproveitar para aplicar o conceito subjacente a essa metáfora,  e deixar que cada um siga em paz com suas próprias escolhas e preferencias, mesmo que sejam aparentemente incongruentes.

Se a justa medida, a de se trilhar o caminho do meio, seria aquela de procurar conciliar as visões extremas, sejam elas de direita ou de esquerda, vemos claramente que tanto a maioria dos países da América Latina, bem como o Brasil, oscilaram perigosamente à beira do abismo, alternando visões de extrema direita e de extrema esquerda, nas ultimas décadas.

Em movimentos inspirados e financiados por Cuba e pela antiga União Soviética, a partir dos anos 60, a maioria dos países do continente correu o risco de verem instaladas ditaduras do proletariado (de extrema esquerda) em seus respectivos territórios, um claro cenário de queda no abismo. E também viram, a seguir, como legítima reação de defesa contra esse movimento extremista esquerdizante, a instalação de décadas de governos militares (de extrema direita), um movimento que poderia ser interpretado como sendo em direção ao abismo localizado no outro lado dessa ponte sem corrimão.

Os processos de redemocratização em cada país seguiram seus próprios cursos, cada um ao seu tempo e à sua maneira.

Infelizmente, ao invés de se buscar o caminho do meio, o que seria desejável e razoável, outro movimento pendular de volta à extrema esquerda se seguiu de maneira clara e inexorável em toda a região.

Mesmo que essas visões de extrema esquerda, na maioria das vezes e felizmente não tenham sido completamente implementadas, com exceção do caso da Venezuela,  elas certamente foram a força inspiradora de várias iniciativas de movimento suicida, que foram corrigidas a tempo em alguns casos, antes da inevitável possibilidade de queda no abismo.

Uma fotografia também metafórica da posição de cada um dos países do nosso subcontinente com relação à beira do precipício, nessa ponte sem corrimão, certamente iria colocar a sua quase totalidade novamente à esquerda, na borda do abismo. Isso, graças à atuação continuada, coordenada e deletéria dos partidos de orientação socialista e comunista, desde os anos 90, seguindo a orientação do famigerado Foro de São Paulo. A Venezuela, quem sabe, já seria retratada em plena queda livre, em direção ao fundo do buraco, onde se encontrará certamente com Cuba, para manter os exemplos apenas na nossa própria América Latina.

Ora bolas, o que diria um bom mestre político, em um momento como este, de beira do abismo, ao utilizar a força dessa metáfora para o caso de cada uma das sociedades em questão?

Para a direita! E rápido!

Não me considero nenhum mestre em política, mas posso perfeitamente usar essa metáfora poderosa proposta por verdadeiros mestres consagrados. Eles, que têm me orientado em diversos assuntos existenciais é que são os verdadeiros mestres. E sua mensagem  também está ao alcance de qualquer pessoa de bom senso, desde que tenha olhos para ver e ouvidos para escutar.

A Argentina foi o primeiro país a fazê-lo, ao executar um claro movimento em direção à direita, com a escolha de Macri. E o Brasil, aos trancos e barrancos, parece se mover prudentemente nessa mesma direção, depois do impedimento de Dilma, a esquizofrênica, apesar da situação de transitoriedade e de mandato tampão de Temer. Veremos o que acontece em 2018, e se essa saudável tendência se confirma. Isso, é claro, se não houver nenhum outro sobressalto provocado pela Operação Lava-Jato, e o país mergulhe no abismo simplesmente por ausência de pessoas capazes de assumir o governo, pelo simples fato de estarem todas elas na cadeia.

Já antevejo os olhares de reprovação de alguns dos meus amigos simpatizantes ou militantes de esquerda, que apoiaram e ainda defendem o projeto de poder “bolivariano” do PT, e votaram no candidato do PSOL nas ultimas eleições municipais, e posso imaginar alguns dos seus comentários exaltados no mesmo tom de acusação: Golpista! Coxinha! Reacionário! Blá! Blá! Blá!

E posso sentir os olhares de aprovação e ouvir também avaliações equivocadas de pessoas simpatizantes ou militantes de extrema direita que desejam a volta dos militares ao poder, ou  da adoção de medidas insensatas de instalação de um capitalismo selvagem e insensível. E todos vibrando no mesmo tom: Esse é dos nossos! Direita, volver! Morte aos comunistas! Blá! Blá! Blá!

Mas não me importo com suas opiniões. Escolho me importar sim, com os sentimentos dos meus amigos e familiares mas, ao mesmo tempo, também escolho não dar a mínima para suas respectivas opiniões. Uma equação complexa que inclui equilibrar em justa medida doses generosas de sinceridade e de educação, será utilizada caso a caso. Assim tem sido feito, e assim continuará sendo feito.

Adepto da ideia do desenvolvimento de uma Política Integral, nada mais longe da verdade do que essas acusações simplistas de ser simpatizante ou militante de extrema direita! Ou de ser simplesmente um outro tipo de radical que combate a extrema esquerda!

Como já tive oportunidade de declarar várias vezes, não luto mais contra coisa alguma! Aquilo a que opomos resistência ganha força! Prefiro agir em favor do que considero valioso. E se alguém decidir me atacar pelas escolhas que faço, simplesmente me defendo. A energia flui para onde a atenção está!

No topo da minha escala de valores está a liberdade e, ao agir em favor da democracia, posso ser atacado por extremistas tanto de direita como de esquerda. E estou preparado para enfrentar tranquilamente ambos os tipos de ameaças. Estou apenas utilizando conceitos que considero princípios universais e procurando me alinhar, nesse caso específico, com os ensinamentos do Buda.

Segundo Ken Wilber, criador da Abordagem Integral, quando esses conceitos se aplicam à teoria política, de acordo com alguns dos critérios utilizados o Buda poderia ser considerado o primeiro representante da extrema direita e, ao mesmo tempo, já segundo outros critérios, o mesmo Buda também poderia ser considerado o primeiro representante da extrema esquerda. Nada de surpreendente para alguém cuja doutrina nos diz que todas as dualidades aparentes no mundo são na verdade ilusórias. E tudo isso, muito antes da revolução francesa. Estamos falando de 2.500 AC.

E que critérios propostos pela Abordagem Integral seriam esses?

Ao ser questionado durante um seminário, Wilber, usando como exemplo a situação política da sociedade norte-americana que tem alternado no poder representantes do partido republicano (de direita), também chamados de conservadores, e do partido democrata (de esquerda), também chamados de liberais (aqui no Brasil esse termo não se aplica) usou como critérios básicos o Modelo dos Quatro Quadrantes (EU/ISTO/NÓS/ISTOS) e a ideia dos Níveis e Linhas de Desenvolvimento de Consciência.

Em resposta à pergunta sobre o porque do sofrimento humano, ou sobre o porque de algumas pessoas serem pobres, as pessoas da direita tendem a responder que  eles não trabalham o suficiente, que não são éticos, que eles não respeitam os valores familiares, que eles não assumem responsabilidades, que eles usam drogas, e coisas assim, colocando as causas no interior de cada pessoa. Já os partidários de ideias de esquerda dizem que eles foram reprimidos, que vivem em uma sociedade injusta, e que essa sociedade não lhes deu oportunidades, em resumo, que as causas estão no exterior, na própria sociedade e não no interior do indivíduo. Os republicanos tendem a colocar as causas nos quadrantes interiores (EU/NÓS), enquanto os democratas tendem a colocar as causas nos quadrantes exteriores (ISTO/ISTOS). Nesse sentido, o Buda era um republicano, já que ele atribui 100% da responsabilidade pelo sofrimento a cada indivíduo, ao seu próprio carma criado por atos praticados em vidas passadas, e não se poderia culpar ninguém mais por isso.

Outro critério a ser usado se refere à importância dos direitos do indivíduo quando confrontados com as questões dos direitos da coletividade, e vice-versa. Nesse caso os republicanos (de direita) tendem a privilegiar os direitos individuais, ou seja os quadrantes individuais (EU/ISTO), enquanto os democratas (de esquerda) tendem a privilegiar os direitos coletivos, ou seja os quadrantes coletivos (NÓS/ISTOS).

O terceiro critério tem a ver com os níveis e linhas de desenvolvimento. Os republicanos, de maneira clássica, tendem a se enquadrar no meme azul, são fundamentalistas, acreditam nas verdades da Bíblia, são etnocêntricos, acreditam que o homossexualismo é um pecado, etc. Já os democratas, foram os primeiros a ascender ao meme laranja, e foi quando se falou pela primeira vez em direitos iguais.  Enquanto os azuis eram partidários do sistema de castas, os laranjas não aceitavam essa ideia, o que causou uma verdadeira “revolução” no pensamento da antiga Índia. O pensamento laranja usou a ciência para combater a mitologia, a democracia para combater a escravidão, e a ideia de um sistema representativo contra a ideia da monarquia. Nesse sentido o Buda foi um democrata, uma vez que estendeu a ideia de direitos iguais não só às pessoas, mas a todos os seres sencientes.

Os democratas, portanto estão situados em sua maioria no meme laranja ou acima, no meme verde, e tendem a pensar que as causas dos problemas são externas; já os republicanos estão situados no meme azul e tendem a pensar que as causas dos problemas estão no interior dos indivíduos e na cultura. Pelo fato dos primeiros democratas estarem no meme laranja, eles também começaram a se dizer “progressistas” ao contrário dos republicanos que defendiam valores mais conservadores. Isso tudo aconteceu há cerca de 200 anos atrás. Hoje, a situação evoluiu e em ambos os partidos há grupos azuis e laranjas, como os republicanos “de wall street” que também lutam pelos direitos individuais e falam em meritocracia. Já os democratas têm pessoas no meme verde e bradam seus slogans de multiculturalismo, de pós-modernismo, e também criam fricção com os democratas tradicionais do meme laranja. Um fato curioso, quando se observa a questão dos estágios pré-convencionais e dos pós-convencionais é que ambos votam nos democratas. As pessoas do meme vermelho, que é anterior ao azul, por exemplo tendem a se posicionar a favor dos democratas, assim como os do meme verde.

E esse é um grande desafio, tanto no caso da sociedade americana, mas como em qualquer outra, o de se analisar as questões partidárias específicas com esse olhar Integral. E o  caso brasileiro apresenta um desafio ainda maior, com a enorme pulverização de 35 partidos e legendas, com a ausência de massa crítica qualificada com pessoas estudando o assunto com um olhar integral, e também pela ausência de informações e estatísticas confiáveis a esse respeito. A tarefa daqueles interessados em estabelecer os contornos do que poderá vir a ser uma verdadeira política integral é a de levar em conta não só as visões de todos os quadrantes, mas também contemplar as visões dos diferentes níveis e linhas de desenvolvimento de consciência das pessoas envolvidas.

É claro, seria desejável, também, que os governantes eleitos pudessem estar nos níveis de consciência mais elevados, nos memes amarelo e turquesa, de modo a propor e implementar uma verdadeira visão integral, e não apenas uma visão limitada de nível azul, laranja ou verde, sem falar de uma visão apenas de nível vermelho o que seria simplesmente um retrocesso catastrófico. Segundo Wilber, uma alta dose da responsabilidade que é um valor típico dos conservadores do meme azul é desejável, para que se leve adiante com sucesso uma tarefa dessa envergadura.

Tendo feito todas essas considerações, e voltando à metáfora da ponte sem corrimão e do ponto de beira do abismo onde nos encontramos, depois do país se ver livre de 13 anos de uma agenda de esquerda, inspirada por ideais de extrema esquerda, acredito que é simplesmente uma reação natural que a sociedade brasileira sinta a necessidade de uma guinada à direita, isso apenas para posicionar o país em um caminho mais próximo do caminho do meio, como desejam as pessoas de bom senso e aquelas que acreditam na força dessa metáfora, que tem para mim o valor de um princípio universal.

Nos últimos tempos, temi sinceramente que isso não pudesse ser feito sem uma quebra institucional, o que felizmente não ocorreu, mas os desafios para colocar o país de volta nos trilhos de uma evolução consistente permanecem enormes.

Depois de uma eleição municipal no Rio de janeiro, em que um candidato do nível azul acabou de se eleger, o que nos livrou de outro candidato que se diz de nível verde, mas que flerta descaradamente com seus simpatizantes de nível vermelho, os “Black Blocs”, fica muito claro que temos um longo caminho a percorrer até que os contornos do que poderá se tornar uma Política Integral fiquem melhor definidos.

É o que penso e compartilho com os amigos neste momento.

Eduardo Leal

Ilustração de autor desconhecido

Instruções de utilização: Assistir à resposta de Ken Wilber, em seminário sobre Abordagem Integral.

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Garrafa 507 – Eleições Municipais de Outubro de 2016   Leave a comment

Não voto em candidatos de partidos que fazem parte do famigerado Foro de São Paulo. Isso inclui quaisquer candidatos dos partidos listados a seguir:

1. Partido Democrático Trabalhista – PDT
2. Partido Comunista do Brasil – PC do B
3. Partido Comunista Brasileiro – PCB
4. Partido Patria Livre – PPL
5. Partido Popular Socialista – PPS
6. Partido Socialista Brasileiro – PSB
7. Partido dos Trabalhadores – PT

São todos os sem-noção que repetem a mentira descarada do “Golpe” com a maior cara de pau e atitude hipócrita possíveis. São aqueles que, na minha opinião, melhor se enquadram no modelo descrito pelos escritores Plinio Apuleyo Mendoza (Colombiano), Carlos Alberto Montaner (Cubano) e Álvaro Vargas Llosa (Peruano) em seus dois livros sobre a situação política na América Latina. O mais antigo, de cerca de vinte anos atrás, é o “Manual do perfeito idiota latino-americano”. E o mais recente, de 2007, é “A volta do idiota”.

Apresento a seguir um breve resumo das principais ideias contidas nos dois livros, com as quais estou totalmente de acordo:

Ao longo do todo o Século XX, principalmente na sua segunda metade, pretensos líderes populistas da América Latina, que os três autores chamam de “Idiotas” levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem excessão, todas essas políticas e ideologias fracassaram. E, ao contrário do que anunciaram e pretendiam, contribuíram fortemente para a manutenção da situação de subdesenvolvimento preexistente em toda a região.

Já no início do Século XXI, uma nova geração de “revolucionários” tentou ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores. E essas criaturas ao mesmo tempo sinistras e risíveis se identificam com caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Também projetam a luta de classes entre os ricos e os pobres para o terreno das relações internacionais, idolatram o Estado como uma força redentora dos pobres, e defendem o autoritarismo sob a desculpa de segurança. Adotam o clientelismo, uma forma de paternalismo pela qual os empregos públicos – e não a geração de riqueza – são os canais de mobilidade social e, é claro, uma forma de manter o voto cativo nas eleições.

Também não voto em candidatos do PSOL, partido que não faz parte do Foro de São Paulo, por achar que o modelo proposto por Gramsci não é a melhor solução (chegar ao poder pelas urnas, fazer o diabo para se manter no poder, e ir alterando a legislação progressivamente para que o país se torne uma republiqueta autoritária de modelo cubano ou similar – vide o caso da Venezuela). Seus integrantes preferem a velha fórmula, que não foi bem-sucedida, quando tentada nas democracias ocidentais, da via revolucionária. Por isso, apoiam ações de movimentos tais como os “Black Blocs”, de depredação de patrimônio público e agitação generalizada, pois isso se ajusta às suas intenções nem sempre claramente declaradas. Mas se percebe isso claramente, se dermos uma boa olhada no programa desse partido, com olhos mais atentos e, principalmente, se observarmos o comportamento dessas criaturas e não apenas o seu discurso. Esse Freixo, um frouxo, não tem coragem de dizer publicamente o que realmente pensa, com medo da natural rejeição da população mais esclarecida, mas age de acordo. E engana muita gente bem intencionada com sua conversa de justiça social e igualdade, quando o que realmente deseja é o controle estatal, a restrição de liberdade e a implantação de um regime autoritário. O próprio nome do partido “Socialismo e Liberdade”, já é uma tremenda piada de mau gosto, mas ainda seduz muitos incautos e inocentes úteis. Onde quer que tenham sido implantados de verdade, a primeira coisa que os regimes socialistas fizeram foi eliminar a liberdade das pessoas. Só não vê quem não quer, ou não lê os bons livros de história contemporânea.

Não vou me estender dizendo o que penso sobre cada uma das outras legendas existentes, mas o fato é que, em alguma medida, todas elas se associaram e orbitaram no entorno do que houve de pior na nossa história recente, os governos populistas do PT, partido fundador do Foro de São Paulo. Fazendo acordos de conveniência em torno de cargos e de exercício de influência, além de recebimento de mesadas e propinas, apoiaram essa verdadeira quadrilha de malfeitores comandada pelo ex-presidente Lula. Desejo que ele seja julgado e condenado, muito em breve, se as instituições da justiça continuarem funcionando de alguma maneira no Brasil.

Muitos dos meus amigos falam em voto útil, e respeito suas opiniões. Será motivo de tristeza profunda, se a população tiver que decidir entre Crivella ou Freixo, como parece que será a disputa no segundo turno, segundo algumas pesquisas de ultima hora. Será? Então, sugerem o voto útil em Pedro Paulo, Osório, Indio, etc.

Cansei dessa história. Prefiro votar em uma alternativa que me parece congruente com minhas crenças e valores e que vejo estampadas no programa e nas propostas do Partido Novo. Infelizmente, as chances de vitória de sua candidata à Prefeitura são remotas. Mesmo assim, os candidatos desse partido merecerão o meu voto. Desejo que continuem merecendo a minha confiança, depois de eleitos, os que assim o forem. Dos demais, já vi o suficiente. E o que vi não me agradou.

Nos vemos depois da apuração!

Abraço apertado!

Eduardo Leal

Ilustração de autor desconhecido

urna-eletronica

Garrafa 506 – A Audácia dos Canalhas   Leave a comment

Nosso país, na tarde de hoje, acabou de se libertar parcialmente de um sequestro, depois de ter sido atacado, roubado e mantido refém, durante anos, por uma quadrilha de malfeitores e canalhas (adjetivo e substantivo de dois gêneros que indica o que ou aquele que é infame, vil, abjeto; velhaco) que praticou de maneira continuada o “terrorismo de governo”.

Além de um ex-presidente Lula, agora o país pode respirar mais aliviado por ter uma ex-presidente Dilma. Já vão tarde!

Esse bando planejou e executou ações calculadas de destruição do Estado Brasileiro, com o propósito de abalar os alicerces de sua ainda frágil experiência republicana e permitir sua substituição progressiva por uma excrecência denominada “bolivariana”, de modelo totalitário e ditatorial cubano. Hipócritas e mentirosos profissionais, ainda alardeiam estar “defendendo a democracia” de um “golpe” parlamentar.

São definições de estupidez, de ingenuidade e/ou de má-fé: tomar conhecimento da verdade, ver a verdade, ouvir a verdade e, ainda assim, dizer acreditar na mentira. E no caso dos integrantes dessa quadrilha, embora alguns possam ser considerados estúpidos, muito poucos se enquadram na classificação de ingênuos. A grande maioria, isso sim, é formada por pessoas de má-fé! Mentem descaradamente, sempre atribuindo aos outros tudo aquilo que constitui a sua prática constante. São canalhas, vis, infames, velhacos. Só não vê quem não quer!

Infelizmente, as vítimas desse projeto fracassado já se contam em milhões (os efeitos da escalada da inflação e do desemprego afetam os mais pobres primeiro) e suas consequências maléficas se estenderão por várias gerações. Vai dar um trabalho enorme consertar toda essa lambança!

Entretanto, o impedimento de uma presidente irresponsável, arrogante e incompetente é apenas um primeiro passo na direção desejada pela maioria da população brasileira que pensa com a própria cabeça. Outros canalhas ainda permanecem com poder de influenciar decisões importantes e, também, no seu devido tempo, deverão ser afastados e chamados a assumir a responsabilidade pelos seus crimes.

O atual Presidente do Senado e o do STF facilitaram uma manobra de ultima hora, planejada e realizada por outros integrantes dessa quadrilha, para preservar os direitos políticos dessa criatura, dando interpretação diversa ao que prevê o texto constitucional. Ela, que não tem condições de assumir nem o cargo de síndica do prédio para onde deverá se mudar, terá a possibilidade de passar a receber foro privilegiado, assumindo algum cargo público oferecido por algum comparsa, da mesma maneira que ela própria tentou fazer com o ex-presidente Lula, para fugir das mãos do juiz Sergio Moro. De carona, essa manobra poderá abrir um precedente para favorecer outro criminoso ensaboado, o Sr. Eduardo Cunha e, provavelmente, outros parlamentares envolvidos na Operação Lava-jato, que votaram a favor dessa estupidez.

Desejo firmemente que essas decisões sejam revertidas, no âmbito do próprio STF.

Dando um passo firme de cada vez, o momento atual simplesmente exige que as pessoas de bem tenham a mesma ousadia dos canalhas.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Dissimulação

Garrafa 504 – Errando melhor   2 comments

Saber de cor é como saber sem fazer esforço para evocar o conteúdo do conhecimento, quando esse conhecimento provém de uma sabedoria corporal, diretamente do “coração”. Em latim, “cor” quer dizer coração.

E de maneira semelhante à empregada na língua portuguesa, em inglês, a expressão “to know by heart” tem exatamente o mesmo sentido e usa as mesmas palavras, “saber com o coração”. E o mesmo se dá em francês, com a expressão “savoir par coeur”, que significa “saber por intermédio do coração”.

Mas o que podemos ou devemos fazer para alcançarmos esse nível de aprendizado, a ponto de saber com o coração?

Em um dos modelos de “Ciclo de Aprendizado” mais conhecidos, podem ser identificadas quatro fases distintas para alcançarmos o completo domínio de algum tipo de conhecimento:

a) No início do processo de aprendizado, seja lá do que for, há uma fase em que se pode dizer que “nem sei que não sei”, um momento de desconhecimento total, de completa ignorância a respeito do nosso próprio desconhecimento e até mesmo da existência daquele determinado tema;

b) Até que descobrimos que há “algo” que não sabemos, que há um tema de que antes nunca tínhamos ouvido falar, e sobre o qual tudo desconhecemos, iniciando a fase do “sei que não sei”;

c) Se decidimos então aprender a respeito desse tema e ultrapassar essa segunda fase, saímos em busca de informações a respeito e, principalmente, começamos a colocar em pratica esse novo saber progressivamente adquirido, até que chega um momento em que podemos dizer que “sei que sei” algo a respeito desse tema e apresentamos algum grau de domínio a respeito do assunto em questão; e

d) Finalmente, a prática continuada e prolongada nos leva então à ultima fase do processo, com o completo domínio – com toda a maestria – no trato da questão. Nos tornamos “um mestre”. O tema já foi introjetado, sabemos de cor, sabemos com o coração, e não mais apenas com o pensamento. E podemos dizer até que “nem sei que sei”.

Como já mencionado no post da Garrafa 502 – O fazer é lei!, nas fase c) e d) do Ciclo de Aprendizado, a ênfase está no fazer, na prática continuada e prolongada.

Seres imperfeitos que somos, em contínuo processo de desenvolvimento e evolução, até mesmo um mestre é passível de cometer erros e enganos. Mas erra melhor! Erra menos! Comete erros novos, ao invés de repetir os mesmos erros! Está, a cada passo, mais próximo da perfeição!

Pausa para um breve haicai:

errando melhor,
vou querendo acertar,
que não sei de cor.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Errando melhor

Garrafa 503 – Arco esticado, íris brilhante!   Leave a comment

Em busca de inspiração para minhas brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai, volta e meia  minha atenção é despertada pela percepção de alguma sensação corporal inesperada; pela visão de alguma imagem interessante ou pela leitura de algum texto instigante; pela escuta de algum som ou música suave ou surpreendente; pela detecção da presença de algum odor agradável ou repulsivo; ou pela degustação de alguma comida saborosa ou estranha ao próprio paladar.

E, muito frequentemente, isso ocorre pela sinestesia, ou a ocorrência simultânea de algumas dessas situações: uma sensação corporal que evoca uma imagem armazenada na memória afetiva, ou vice-versa; a associação do odor e do sabor de determinadas comidas ou bebidas com os lugares e pessoas em companhia de quem elas foram degustadas; ou de um perfume suave e nuvemovente percebido em uma rua movimentada, o que nos faz interromper nossa apressada caminhada, instintivamente mover nosso corpo todo na direção daquela “inspiração” e, muito mais rapidamente do que qualquer promessa enganosa de cartomantes inescrupulosas, traz sim a pessoa amada “de volta” em um segundo!

A visão de um belo arco-íris,  quando o sol explodiu em sete cores e revelou então os sete mil amores que o Tom guardou pra dar para Luiza, despertou minha memória musical. E as gotículas de água ainda em suspensão na atmosfera de outono, em uma tarde chuvosa, trouxeram de volta também as diversas lendas sobre um misterioso e desejado pote de ouro e brilhantes escondido na extremidade distante daquele arco fugaz e colorido. E pensamentos sobre quem possivelmente teríamos que nos tornaro que teríamos que fazer para chegar até lá, e resgatar o cobiçado premio por nossa eventual coragem e persistência. Tornar-me quem, senão eu mesmo? Fazer o que, senão ação amorosa? Fazer quando, senão agora?

E minha imaginação evocou também outro tipo possível de arco esticado em seu limite pelo filosófico arqueiro zen Eugen Herrigel, de minha memória literária. E a flecha de prata, aguardando a súbita liberação, carrega a sua própria alma, sua mensagem de vida e morte lançada na escuridão silenciosa da noite, enquanto a única fonte de luz perceptível naquele instante é o brilho interno da íris do arqueiro.

Apenas outro tipo de conexão arco-íris…

Pausa para um breve haicai:

arco esticado,
com a flecha de prata,
íris brilhante…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido adaptada por Eduardo Leal
Instruções de utilização: Ouvir Luiza, no piano e voz de Tom Jobim

Íris brilhante 3

Garrafa 502 – O fazer é lei!   1 comment

Diz o provérbio oriental que:

“Do que eu ouço, me esqueço; do que eu vejo, me lembro, e o que eu faço eu sei!”

A milenar sabedoria oriental é confirmada pelo corpo de conhecimentos da Programação Neurolinguístca – PNL e ambos nos indicam que, além de complementaridade, há uma hierarquia entre os canais auditivo, visual e cinestésico, com nítida vantagem para esse ultimo, com relação à capacidade de retenção de informações e memórias e, consequentemente, também, com o nosso próprio processo de aprendizagem. Apesar da importância da imagem, que vale mais do que mil palavras, a ação repetida e a prática introjetam a experiência fazendo com que sua assimilação interior seja mais completa e  duradoura. O que eu faço eu sei!

É na prática que uma determinada teoria é comprovada e seus resultados vêm à luz do dia. É na ação que “malhamos os músculos” da memória e do aprendizado.

O aprender está no fazer!

Pausa para um breve haicai:

por onde andei,
aprender o que não sei,
o fazer é lei!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

O que eu faço eu sei

Garrafa 501 – Dono do próprio nariz!   Leave a comment

Na contramão de uma grande maioria que anseia apenas por ter! Obter! Possuir! Descobrir o impulso da própria semente!

Ser independente, livre, e capaz de assumir a responsabilidade pelos próprios atos são alguns dos requisitos para que se possa empreender a instigante jornada do autodesenvolvimento, passando pelo autodescobrimento, sem a qual ninguém chega a lugar nenhum que seja valioso e verdadeiro.

Autodescobrir-se para autodesenvolver-se!

Mas, quem sou eu? De que sou feito? Qual o impulso e intenção da minha própria semente? Autodescobrimento!

E, a partir daí, conhecendo essa intenção e impulso seminal, dar-lhe livre expressão e desenvolvimento. Autodesenvolvimento!

O descobrir-se! O simplesmente ser! Antes do fazer, e antes do ter!

Só assim o nosso fazer poderá estar alinhado com a intenção da própria semente, o nosso propósito!

Pausa para um breve haicai:

para ser feliz,
de ser dono não preciso.
tenho meu nariz!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Nariz

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