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Garrafa 509 – Voto em Branco ou Nulo   4 comments

No próximo domingo, 30 de outubro de 2016, será realizado o segundo turno das eleições municipais para a cidade do Rio de Janeiro. E somos todos obrigados a votar, pela atual legislação eleitoral.

Como previram as pesquisas feitas às vésperas das eleições em primeiro turno, o pior cenário, e que pode também ser chamado de catastrófico por pessoas que pensam como eu, infelizmente se confirmou: Teremos uma disputa entre os candidatos Crivella e Freixo.

Meu voto no primeiro turno na candidata Carmen, do Partido Novo, foi consciente, embora suas chances de vitória fossem remotas. Isso também já era previsto pelas pesquisas, e foi confirmado pelas urnas. Ela era a melhor candidata, na minha opinião. E assim tenho feito, voto consciente, desde que usei meu Título de Eleitor pela primeira vez.

O candidato Crivella não passa de um oportunista, capaz de fazer qualquer coisa para conquistar seus objetivos, sejam eles quais forem. Seu papelão ao divulgar foto com o Arcebispo do Rio, em seu material de propaganda eleitoral foi só uma pequena amostra do que se permite fazer. Seu alinhamento, ao longo dos últimos anos, com a quadrilha de malfeitores do PT e o apoio explícito que recebeu de Lula e Dilma na reta final da campanha municipal já conformam, por si só, um claro Atestado de Maus Antecedentes, carimbado e assinado. Não merece mais comentários do que esses para ser descartado como uma opção  de escolha válida.

Já o candidato Freixo representa tudo o que abomino em termos de ideologia. Socialismo e Liberdade? Piada de mau gosto e conversa fiada! Onde quer que tenha sido instalado de verdade, o socialismo só produziu sociedades tristes, oprimidas e infantilizadas. A primeira coisa que foi banida foi a liberdade de expressão, nesses experimentos sinistros testados à exaustão desde o início do Século XX, com resultados pífios no coletivo e catastróficos para a liberdade individual. Só não vê quem não quer! Mais justiça? Mais igualdade? Canto da sereia para pessoas estúpidas, ingênuas e, claro, escolha consciente de pessoas de má-fé. São hipócritas profissionais, os que ainda o defendem, na minha opinião. O apoio que tem recebido, nesse segundo turno, de partidos tais como o PT, PC do B, PCB, PSTU e PCO, que são associados ao Foro de São Paulo, também conforma um claro Atestado de Maus Antecedentes, carimbado e assinado. Respeito a opinião de quem pensa diferente, mas acredito firmemente que esse lixo ideológico já deveria ter sido varrido para o esgoto da história, desde a queda do muro de Berlim. Isso, é claro, por parte das pessoas que realmente valorizam a liberdade e são congruentes (pensam, falam e agem de acordo) com esse valor básico e inegociável. Os hipócritas, ao contrário, usam a liberdade que ainda têm e flertam descaradamente com regimes autoritários e ditaduras (Cuba, Venezuela, Coréia do Norte), posam de “defensores da liberdade” enquanto as usam como modelos para a nossa sociedade ingênua e distraída. No caso do Rio de Janeiro, além disso, metida a “descolada”, “rebelde” e “revolucionária”.

Portanto, voto em branco mais uma vez.

De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos apresentados. Antes do surgimento da urna eletrônica, para votar em branco bastava deixar a cédula de votação em branco mesmo. Atualmente, para fazê-lo é preciso pressionar a tecla “branco” e, em seguida, a tecla “confirma”.

A minha alternativa ao voto em branco é o voto nulo.

O voto nulo é aquele em que o eleitor anula seu voto diretamente, digitando um número de um candidato inexistente – como por exemplo “00” – e depois a tecla “confirma”.

Antigamente, o voto branco era considerado válido e contabilizado para o candidato vencedor. Esse voto era tido como um “voto de conformismo”, quando o cidadão se mostrava satisfeito com o candidato vencedor. Já o voto nulo era utilizado como forma de protesto contra todos os candidatos.

E tomo essa decisão também sabendo muito bem que as eleições não serão canceladas se mais de 50% dos votos forem nulos. Serão computados apenas os votos válidos. Votos nulos são descartados e servem apenas como estatística.

E, ao contrário do que a campanha do candidato Freixo, o frouxo hipócrita alardeia, os votos brancos não vão para o candidato que está ganhando. Votos brancos são desconsiderados da contagem final. São votos inválidos e servem apenas como estatística. Essa é outra ação de má-fé, mentindo descaradamente para atrair votos para si próprio, pelas altas taxas de rejeição do seu adversário. Esse expediente só mostra que, caso saia vencedor, a cidade terá na cadeira do prefeito outro oportunista.

Nenhum desses dois oportunistas, para dizer o mínimo, terá o meu voto.

Eduardo Leal

Foto de autor desconhecido

P.S. – Nunca contaram também com o meu voto para presidente, tanto Fernando Henrique, quanto Lula e Dilma. Com tristeza, anulei o meu voto por décadas.

voto-em-branco

Garrafa 458 – Um, antes do dois   2 comments

Em um Curso de Cabala de que estou participando, ouvi no início desta semana a seguinte citação:

Amar é sentir-se um com o outro…

Essa ideia ficou dando voltas na minha cabeça e encontrou ressonância no meu próprio corpo e na memória cinestésica dos meus amores…

E nos dias seguintes, em sincronicidade com o Universo, recebi também, mais de uma vez, um texto que alguns atribuem a Fernando Pessoa… Mais tarde descobri, em um site sobre literatura, que essa atribuição não é verdadeira. Entretanto, seja quem for o autor dessas reflexões, elas fazem muito sentido pra mim:

“Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

Isso está em perfeita harmonia com minha crença de que um relacionamento saudável é aquele que pode acontecer entre duas pessoas que estão muito bem consigo mesmas e que, a partir disso, resolvem ficar melhor ainda, juntas.

Essa sequencia numérica, “meio (metade), um e dois” despertou minha atenção e, sem pretender ser original, apenas brincando com a métrica do haicai, rabisquei no meu bloco de notas:

pra buscar o Dois,
mais que metade, antes,
preciso Ser Um!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 360 – O Ciclo da Abundância   Leave a comment

Nas ultimas semanas de dezembro, como costuma acontecer a cada fim de ano, ou a qualquer momento, a cada fim de ciclo, faço um balanço dos acontecimentos significativos do período considerado. E isso, às vezes, no caso do balanço anual, se estende aos primeiros dias de janeiro. O principal propósito dessa atividade reflexiva é trazer para o campo da consciência algumas percepções e insights e, a partir de cada um deles, estabelecer algumas ações de desenvolvimento e, é claro, ações de celebração e agradecimento por cada uma dessas oportunidades de aprendizado.

Uma das crenças que dão permissão para essa atividade, conforme já mencionado na Garrafa 170 é a escolha assumida de que o Universo é um lugar amistoso, acolhedor e abundante. Como sugere Albert Einstein, podemos, então, usar toda a nossa tecnologia, nossas descobertas cientificas e os recursos naturais disponíveis para criar ferramentas e modelos que nos ajudarão a compreender esse Universo. E o nosso poder e a nossa segurança virão pela compreensão dos seus mecanismos e motivos.

A adoção dessa premissa me faz valorizar o compartilhamento de recursos e, em especial, nas minhas áreas de atuação, o compartilhamento de informações e conhecimentos. E observo que, na mesma medida em que compartilho e ofereço o que tenho de melhor, outras pessoas também se sentem encorajadas a compartilhar comigo seus valiosos recursos, informações e conhecimentos.

Será que com essa atitude já não fui vítima de aproveitadores, parasitas e sanguessugas que só pensam em seu próprio benefício, sem desejar oferecer nada, ou quase nada, em retribuição? Claro que sim! E será que isso não pode voltar a acontecer no futuro? A resposta é a mesma! Mas acho que vale a pena pagar esse preço. Acredito que essas pessoas permanecem estáticas, com o produto do seu pretenso saque, enquanto eu continuo em movimento em direção a outros horizontes de desenvolvimento e conhecimento. E algumas delas, quem sabe, podem até refletir a respeito da eficácia desse tipo de atitude e, no futuro, adotar novas respostas compatíveis com níveis mais elevados de consciência. E isso é positivo também.

Assim, essas crenças permitem que eu dê o primeiro passo na direção do estabelecimento de um Ciclo de Abundância que se inicia com a formulação de um pedido explícito e claro a esse Universo amistoso, acolhedor e abundante. Se acredito que haja espaço, oportunidades e recursos disponíveis para todos, é legítimo que eu formule com clareza meu pedido. E é também provável que eu seja atendido por esse mesmo Universo, que tudo sabe. Por que não seria?

Compartilho, a seguir, meu entendimento a respeito do que podem ser as etapas desse Ciclo de Abundância:

PASSO 1: PEDIR!

Trata-se de, após a realização de um processo de planejamento simplificado, definir um Plano de Vida, ou seja, de estabelecer com clareza, em cada uma das áreas da vida, os objetivos e metas que são valiosos pra mim, de acordo com o meu Nível de Consciência, que condiciona o meu Sistema de Crenças e Valores. Além disso, devem ser definidos nesse passo os respectivos indicadores que vão permitir avaliar o progresso em direção a esses objetivos e metas e, também, que estratégias ou caminhos devem ser utilizados com esse propósito.

Além dos indicadores corporais (ver, ouvir, sentir) também posso estabelecer e utilizar indicadores quantitativos (menos subjetivos) para cada tipo de objetivo ou meta definido em cada área da vida, tais como:

Ambiente Físico: o estado de conservação e conforto do mobiliário do meu apartamento, o estado de conservação, conforto e funcionalidade do mobiliário do meu ambiente de trabalho, o estado de conservação e conforto do veículo com que me desloco de casa para o atendimento dos meus clientes e uso para atividades de lazer, no período considerado;

Saúde: meus indicadores de estado de saúde física, emocional e mental, no período considerado;

Carreira: o número de clientes que procuram meus serviços de coaching, de consultoria e de treinamento; a quantidade de leitores que enviam feedback sobre o que escrevo, no período considerado;

Relacionamentos: a quantidade e qualidade das interações nos meus relacionamentos familiares, de trabalho e pessoais (amigos e relacionamento afetivo), no período considerado;

Espiritualidade (Contribuição aos outros): tempo que dedico a sessões de coaching gratuito e quantidade de pessoas e organizações que atendo cobrando valores simbólicos; quantidade e qualidade do que considero como minha prática meditativa espiritual (esforço individual), no período considerado;

Finanças: saldo da minha conta bancária e de poupança, valor das minhas despesas mensais, renda obtida com cada tipo de serviço prestado, no período considerado;

Lazer: quantidade e qualidade de viagens e pequenos passeios programados e realizados, quantidade e qualidade de peças e espetáculos teatrais, de filmes e shows musicais a que pude comparecer ou assistir, numero de horas dedicados a ouvir minha trilha sonora preferida, no carro ou em casa, e também o número de livros lidos (pelo menos dois por mês), no período considerado.

E por mais que isso seja fundamental, isto é, definir mentalmente e emocionalmente, com a maior clareza possível o que se quer, transcrevendo a seguir cada ideia no papel (atividade neuropsicomotora) e de maneira afirmativa explicitando nosso desejo para nós mesmos e para o Universo, isso não é, por si só, suficiente. É apenas o primeiro passo. O que costuma cair do céu, se ficamos apenas esperando de maneira passiva, é chuva fria e cocô de passarinho… A seguir, precisamos entrar em ação!

PASSO 2: AGIR!

Trata-se da implementação do planejamento desenvolvido no passo anterior. É o processo de execução das decisões tomadas, seguindo as estratégias estabelecidas. É quando ocorre a ação efetiva.

E quando entro em ação, em busca da conquista dos objetivos e metas declarados que constam do meu Plano de Vida, sempre recebo uma resposta do Universo. Basta contemplar, tocar e escutar com atenção, consultando os indicadores que também estabeleci para cada objetivo ou meta: Já estou vendo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos? Já estou ouvindo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos? Já estou sentindo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos?

O passo seguinte é analisar os resultados obtidos com minhas ações, as respostas que o Universo sempre me dá.

PASSO 3: ACOLHER E INTERPRETAR AS RESPOSTAS DO UNIVERSO!

Em minha contemplação, tato e escuta silenciosos, seguidos de um breve processo de reflexão, costumo perceber o seguinte:

Às vezes recebo mais do que pedi;

Às vezes recebo exatamente o que pedi;

Entretanto, às vezes recebo menos do que pedi ou, o que é ainda mais surpreendente, recebo uma coisa completamente diferente do que pedi. Nessas situações, prefiro acreditar que isso significa apenas que há algo que preciso aprender. Algo que me passou despercebido e que a Vida, que simplesmente é como é, me apresenta com todas as suas cores, volumes, sons, texturas e odores, para meu crescimento, desenvolvimento e aprendizado.

O passo seguinte é, sejam quais forem os resultados obtidos, novamente entrar em ação! Só que, dessa vez, com foco em ações de agradecimento, de celebração e, é claro, de correção de rumo.

PASSO 4: AGRADECER, CELEBRAR E REALIZAR AÇÕES CORRETIVAS!

Com um pensamento, sentimento e atitude de gratidão, cada pequeno avanço, cada passo e cada resultado obtido, mesmo que ainda um resultado desfavorável, deve ser celebrado.

Os benefícios da gratidão, segundo pesquisas realizadas e divulgadas em universidades norte-americanas, a partir do ano de 2007, indicam que essa é a atitude que pode produzir o maior impacto positivo na nossa qualidade de vida.

E o que dizer sobre a atitude de celebração? Ainda impactados pela espetacular queima de fogos, sincronizada com música, que nos foi oferecida pela cidade do Rio de Janeiro, na virada do ano de 2012 para 2013, poderíamos ser levados a pensar que celebração é só assim, com fogos de artifício de investimentos altíssimos, com o consumo de champanhe importado e charutos havana… Será que devemos estar limitados também apenas a ocasiões especiais? À conquista de grandes objetivos e metas?

Proponho que, a partir de 2013, para aqueles que desejem compartilhar essa minha crença, possamos adotar uma postura diferente: todos os dias e várias vezes ao dia, realizarmos um maior número de pequenas celebrações de baixíssimo investimento. Podem ser realizadas acompanhadas com agua filtrada sem gás, com um saquinho de pipoca salgada, com uma barra de chocolate ou um saquinho de balas de leite. Ou, em tempos de maior contenção de despesas ainda, com uma simples respiração profunda e um olhar amoroso dirigido a quem esteja ao nosso lado na ocasião. E para celebrar o que? O dom da vida, o reflexo do sol nos cabelos cacheados de uma criança, cada pequeno avanço e o aprendizado com nossos acertos e erros. Posso garantir que, assim, nossa vida tem grandes chances de se tornar uma festa permanente!

E quando recebermos menos ou algo completamente diferente do que pedimos, que a pergunta de aprendizado que poderemos nos fazer, depois dessas percepções seja apenas: “Da próxima vez, o que escolho fazer diferente?” E isso nos colocará em movimento e com a possibilidade de realizar ações corretivas.

Enfim, com outras palavras, essa é minha receita para para experimentarmos mais momentos de contentamento, durante a nossa passagem por esse nosso pequeno planeta azul.

E o Ciclo de Abundância pode ser reiniciado…

Para alguns observadores mais atentos e familiarizados com o Processo de Gestão, neste momento devem estar claras as grandes semelhanças do Ciclo da Abundância, como o percebo, com o Ciclo de Gestão PDCA (Plan/Do/Check/Act) de Shewhart/Deming. Planejar, Executar, Monitorar e Corrigir! E isso não é simples coincidência. É como os utilizo no Processo de Coaching Centrado em Valores, entendido como uma maneira personalizada de apoiar a realização da Gestão Pessoal dos Exploradores de Novas Possibilidades de Futuro.

Na primeira semana de 2013, será que essa informação pode ser útil para vocês? Já estabeleceram o seu Plano de Vida? Estão prontos para dar início a um novo Ciclo de Abundância? Que tal buscar mais informações a esse respeito e agendar uma sessão inicial gratuita de Coaching Centrado em Valores?

Pensem nisso! Tudo começa com um pensamento!

Eduardo Leal
Ilustrações de Eduardo Leal

Ciclo de Abundância 3

Ciclo PDCA

Garrafa 350 – A dança da vida 2   2 comments

Um dos livros mais importantes que já li e que tem sido fonte de muitas reflexões e inspiração, nos ultimos anos, é “O despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle. Volto a ele com frequência para alguma consulta eventual, desde que recebi a indicação de uma boa amiga, em novembro de 2007, mantendo-o sempre ao alcance da mão. E já fiz duas releituras completas: em abril de 2011 e agora, em agosto de 2012. Cada vez que isso acontece, sou tocado por alguma frase ou parágrafo que me haviam passado desapercebidos anteriormente e que, agora, fazem todo o sentido – gritam pra mim – no momento da leitura.

Com o coração ainda bastante agitado, como sempre acontece após a data do meu aniversário, destaco o seguinte trecho:

“Como ficar em paz agora? Fazendo as pazes com o momento presente. Esse momento é o campo em que o jogo da vida acontece. Não há nenhum outro lugar em que ele possa existir. Uma vez que tenhamos nos reconciliado com o momento presente, devemos observar o que ocorre, o que podemos fazer ou escolher fazer ou, em vez disso, o que a vida faz por nosso intermédio. Há uma expressão que revela o segredo da arte de viver, a chave de todo sucesso e toda felicidade: nossa unificação com a vida. Quando formamos um todo com ela, formamos um todo com o Agora. Nesse instante, compreendemos que não vivemos a vida, é ela que nos vive. A vida é dançarina e nós, a dança.”

Que linda imagem! Lembrei-me imediatamente das palavras da coreógrafa e dançarina moderna norte-americana Martha Graham:

“Há uma vitalidade, uma força vital, uma energia, um estímulo que se traduz em você pelo seu ato, porque só há uma de você o tempo todo; essa expressão é única. Se você a detém, ela nunca existirá por nenhum outro meio e se perderá. Ela não aparecerá no mundo. Não é de sua conta determinar quão boa ela é, nem quão valiosa, nem como se compara com outras expressões. O que te importa é mantê-la clara e diretamente sua, manter o canal aberto. Você não tem nem mesmo que acreditar em si mesma e em seu trabalho. Você tem que se manter aberta e alerta ao anseio que te motiva. Mantenha o canal aberto. Nenhuma artista é agraciada. [Não há] qualquer satisfação, em momento algum. Há somente uma estranha insatisfação divina, uma inquietação bendita que nos impulsiona e nos faz mais vivas que os demais.”

Amante das metáforas poderosas que nos colocam em contato com o inconsciente, fiquei pensativo e me perguntando:

Que tipo de dança um observador atento diria que a vida dança, por meu intermédio? Alguma dança ritual xamânica? A dança da chuva? A dança da Xuxa? Paquito sem graça ou a verdadeira reencarnação do Fred Astaire? Algum tipo de balé clássico, neoclássico ou contemporâneo? A valsa vienense, peruana ou inglesa? Alguma dança moderna no estilo eurritmia? Dança de rua ou dança de salão? Gafieira, tango, salsa, merengue, bolero ou maxixe? Cha-cha-cha, rumba ou tango argentino? Zouk ou soltinho? Alguma dança folclórica ou regional como o reisado, maracatu, pau-da-bandeira, maneiro-pau, caninha verde, bumba-meu-boi, frevo, fandango, carimbó ou samba? Percebo que algumas vezes, no contexto e momento apropriados e, em outras, completamente fora de seu contexto e momento, já arrisquei diversos passos de alguns desses tipos de dança…

Quem são meus pares nessa dança? Muitas vezes já me surpreendi sozinho e sem par, com a música tocando ao fundo e a impressão de que todo mundo dançava, menos eu… Nessas ocasiões, acabei dançando sozinho, Xamã chamativo, chocalhando à procura de um par… Afortunado que sou, algumas pessoas especiais vieram ao meu encontro e enroscamos nossas pernas de maneiras impensáveis, tendo como trilha sonora apenas o ruído das estrelas e constelações mais distantes se afastando de nós a velocidades vertiginosas. Às vezes, só nos acompanhava o sussurro quase imperceptível do nosso satélite enquando orbita nosso planeta, em noite de lua cheia… Em outras ocasiões, várias pessoas me convidaram pra dançar ao mesmo tempo… Sim, tenho dançado acompanhado, com um par ou com um grupo, em diversos momentos da minha vida. Mas o último passo, algum dia, estou certo de que sozinhos haveremos de dá-lo…

E você? Qual o seu passo preferido? Quer dançar comigo, neste momento, enquanto percebemos o som da grama que cresce no jardim?

Pausa para um breve haicai:

a vida me vive…
ela a dançarina
e eu a dança!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O Despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Assistir Martha Graham em “Lamentation”

Garrafa 284 – Falar ou calar?   7 comments

Nas ultimas semanas, tive que lidar com uma situação delicada que me causou alguma frustração e decepção. Não é o caso de explicitá-la aqui. Mas vale a pena refletirmos juntos a respeito de algumas maneiras construtivas que podemos utilizar para sermos assertivos, sem sermos agressivos, tema recorrente em situações de coaching, terapia e consultoria: Expressar desagrado.

Para enfrentar esse desafio, inicialmente busquei inspiração em minha própria experiência, apostilas e artigos publicados e em elaboração e, a seguir, na bibliografia que conheço sobre o assunto. Foi especialmente importante reler “Comunicação não-violenta” de Marshall Rosenberg e “Preciso saber se estou indo bem” de Richard Williams. E, como frequentemente acontece, a sincronicidade com o Universo veio em meu auxilio quando recebi um e-mail, enviado por um bom amigo, que nem sequer suspeitava da situação em que me encontrava, com o seguinte provérbio persa:

“Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.”

Mas o que dizer, e quando, e como fazê-lo, quando desejamos expressar desagrado? Apresento a seguir algumas sugestões, fruto das minhas ultimas pesquisas e reflexões.

1. Nesse caso, vale aquela regra de ouro que diz: “Elogios em público, críticas em particular.” Os comentários elogiosos devem ser feitos na presença de testemunhas, para amplificar os seus efeitos positivos. E a expressão de desagrado deve ser feita em particular, à pessoa que deve tomar conhecimento do problema, para reduzir ao mínimo os constrangimentos inerentes à situação. Entretanto, às vezes, inevitavelmente, outras pessoas terão que tomar conhecimento de que houve alguma manifestação de desagrado, mas somente algum tempo depois do ocorrido, quando os efeitos desse conhecimento terão sido atenuados;

2. Os elogios deverão ser feitos no nível de identidade, com expressões do tipo “Você é ótimo na realização dessa tarefa!”. As críticas deverão ser feitas no nível de comportamento, com expressões do tipo “Você fez, ou deixou de fazer tal coisa.” o que é um fato, que pode ser comprovado, e não um juízo de valor;

3. O momento de fazer os elogios deve ser o mais próximo possível do instante em que ocorreu a situação que motivou o comentário favorável, o que não impede que seja repetido e reforçado em diversas outras ocasiões. Já o momento de fazer a crítica, sempre que possível, deve ser cuidadosamente escolhido e planejado para que seus efeitos sejam mais próximos daqueles desejados, e menos contaminados pelas emoções negativas que motivaram a sua necessidade;

4. E agora, o cerne da questão, como expressar desagrado, de maneira assertiva, sem ser agressiva: O “Método do Hambúrguer”, técnica de Programação Neurolingüística (PNL) que sugere encapsular uma crítica – a carne do hambúrguer – entre dois comentários positivos – os dois pedaços de pão macio – é uma ótima dica. Devemos, entretanto, tomar os seguintes cuidados na aplicação dessa técnica:

a) Os elogios devem ser verdadeiros e não apenas fabricados para compor a técnica. Quem os faz deve acreditar naquilo que está sendo dito. Caso contrário, a expressão corporal e outros elementos da comunicação verbal irão, de alguma maneira, indicar alguma incongruência. Seus efeitos serão mais negativos do que positivos;

b) Se você não tem nada de favorável a falar a respeito daquela pessoa, provavelmente o problema é mais seu do que dela! Cada pessoa é única e valiosa, tem diversos talentos individuais e faz algo de positivo em algum contexto. Você é que ainda não lhe dedicou atenção suficiente. Converse com alguém que a conheça melhor, que conviva com ela. Observe você mesmo, com atenção e, muito provavelmente, encontrará diversos elogios reais dos quais ela é merecedora. Só então inclua esses comentários positivos nos pãezinhos do seu hambúrguer;

c) Os elogios iniciais podem dizer o que a pessoa faz bem e os elogios finais podem dizer, em sua opinião, o que a pessoa faz de melhor; e

d) A carne do hambúrguer – a expressão de desagrado – merece atenção especial. Os cursos de PNL de que participei inicialmente não me ajudaram nessa tarefa. Só descobri um caminho interessante durante algumas sessões de terapia cognitivo-comportamental que vivenciei periodicamente, a partir do ano 2000. Desde então, tenho utilizado uma sequencia de quatro passos proposta por Beck que inclui:

i) Explicitar o comportamento da outra pessoa que nos causa desagrado;

ii) Expor os nossos sentimentos a respeito desse comportamento;

iii) Propor o comportamento que desejamos que seja observado, no lugar daquele indesejado e, finalmente; e

iv) Explicitar para a outra pessoa as consequências positivas dessa mudança de comportamento, e as consequências negativas de se manter a situação atual.

Marshall Rosenberg propõe uma sequencia de quatro passos ligeiramente diferente, incluindo explicitar as nossas necessidades que não estão sendo atendidas com a situação atual ao invés de mencionar as consequências.

5. Nada nos garante que, após a nossa exposição, a outra pessoa irá mudar o seu comportamento na direção sugerida. E então, nesse caso, deveremos agir de acordo com as consequências negativas anunciadas em caso de manutenção da situação atual. E isso é fundamental. A pessoa deverá assumir as consequências de sua escolha.

Aqueles que desejarem saber mais a respeito do assunto FEEDBACK CONSTRUTIVO, que é como tenho chamado esse conjunto de procedimentos em meus cursos, palestras e artigos publicados, em uma sessão de Consultoria em Gestão Pessoal ou de Coaching Centrado em Valores, fiquem à vontade para entrar em contato.

Tenho observado que o desconhecimento dessa ferramenta de comunicação, complementado ou não pela presença de outras crenças limitantes que merecem ser identificadas e consideradas, que não dão permissão para que a pessoa tome determinadas atitudes saudáveis e ecológicas, é o que as impede de expressar seu desagrado, de maneira assertiva. E isso é um fator que contribui para a presença de desarmonia, desequilíbrio e, em ultima análise, de doença.

Pegando carona no provérbio persa, e brincando com as palavras e com a métrica do haicai, deixo essa reflexão final para essa tarde chuvosa, na expectativa de que o tempo melhore, para nos permitir observar, na noite escura que se aproxima, a ultima lua cheia do ano:

nossa fraqueza:
calar, quando o falar
é com justeza…

Eduardo Leal
Foto autor desconhecido

Garrafa 7 – Paisagem   Leave a comment

A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
à morte da cigarra…

Matsuo Basho
Foto de Autor desconhecido

A cigarra

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