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Garrafa 500 – Quinhentos tons de celebração   3 comments

Esta é uma mensagem de celebração pelas 500 postagens realizadas desde outubro de 2005, quando o Blog “Três Coisas” marcou sua presença na Internet pela primeira vez, com o lançamento da Garrafa 1 – Três Coisas, que incluía no corpo do texto a Garrafa 0 – Primeiras Palavras. Só em 2011 o conteúdo da “Garrafa 0” foi replicado em uma página separada, e renomeada como “Garrafa Zero – Minhas Razões“.

E sei que esse não é um número tão grande assim. São 500 postagens em 155 meses, o que me diz que, em média, teria me manifestado de alguma maneira por três vezes em cada mês. Mas alterno períodos em que publico um post todo dia, como ocorreu em todos os dias do mês de abril de 2012, com outros de silêncios mais prolongados, até de um ano inteiro, como ocorreu agora, desde abril de 2015. E a quantidade de posts ou frequência de publicação não são a minha preocupação principal. Publico, quanto sinto que tenho algo relevante a dizer. E assim tem sido.

Com um pouco mais de dez anos de existência do Blog, muita coisa aconteceu comigo e com o meu entorno pessoal e profissional. Mas o conjunto de temas utilizados nas postagens não sofreu muitas alterações ao longo do tempo. Uma breve verificação de quais foram as palavras-chave mais usadas como “tags” ou “rótulos de busca” e que podem ser vistas na área da esquerda, em cada página, nos indica que os temas mais citados foram: Percepções, Aqui, Agora, Amor, Vida, Tempo, Oriah, O Convite, Coração, entre outros.

Ao longo desse tempo, quando senti que algum tema estava merecendo uma atenção especial, optei por lançar outro Blog com posts específicos enfocando o assunto em questão. Foi assim que surgiu o Blog “Sou Grato por Isso!” abordando o tema da gratidão; o Blog “Dieta de Notícias” abordando apenas notícias de conteúdo positivo; e o Blog “Vendo o mundo da varanda” abordando minhas percepções depois da prática meditativa matinal realizada rotineiramente na varanda do meu apartamento. Um outro Blog chamado de “Politicamente Integral” foi lançado há algum tempo, mas ainda não recebeu conteúdo significativo, o que pretendo fazer na medida da minha disponibilidade para estudar e pesquisar mais a respeito do tema. O Blog mais recente, que está em fase final de elaboração se chama “Um passo de cada vez” e deverá conter, inicialmente,  minhas percepções a respeito das fases de preparação e de caminhada efetiva ao longo do Caminho de Santiago de Compostela.

Não houve, infelizmente, e me dou conta disso agora, uma celebração formal no aniversário de dez anos do Blog “Três Coisas”, em 21 de outubro de 2015, contando o tempo a partir da data de sua primeira postagem, como seria de se esperar pelo meu apreço por celebrações de todos os tipos. Isso se deu pelo silencio e recolhimento que voluntariamente me impus, a partir do lançamento da Garrafa 496, de 20 de abril de 2015. Naquela ocasião, entrei em ritmo de preparação para percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, o que efetivamente ocorreu entre setembro e outubro do ano passado.

Saí do Rio de Janeiro em 08 de setembro e iniciei a opção conhecida como “Caminho Francês” em 10 de setembro, a partir de Saint Jean de Pied de Port, na França, aos pés dos Montes Pirineus e percorri a maior parte do tempo atravessando as belas paisagens espanholas, até chegar em Santiago de Compostela. Durante esse período, quando cheguei ao povoado de Agés, próximo de Burgos, tive que fazer uma interrupção de uma semana, para tratar de tristes questões familiares na Alemanha, em Bremen, voltando ao mesmo ponto do Caminho onde tinha feito a interrupção, para só então concluir o trajeto previsto. Ao retornar ao Brasil, em 26 de outubro de 2015, levei um bom tempo ruminando, processando e degustando comigo mesmo tudo que vivenciei ao longo dos cerca de 800 quilômetros percorridos a cada passo daquela jornada inesquecível. Conheci lugares e pessoas especiais que estarão comigo, para sempre, na memória corporal e afetiva.

Retomei as postagens por aqui somente em abril de 2016,  há apenas uma semana atrás, para celebrar algumas datas especiais, entre elas o lançamento desta quingentésima garrafa.

Além deste texto, elaborei uma ilustração comemorativa fazendo uma composição com imagens encontradas na Internet sobre as quinhentas garrafas. Ao buscar nos posts já enviados uma trilha sonora que pudesse estar à altura da ocasião, optei por incluir algo ainda não postado e que é uma das peças de que mais gosto e que compõe a trilha sonora da minha vida. Como o tema do Amor, em todas as suas formas, é um dos mais abordados por aqui, enquanto dei conta de lançar apenas 500 garrafas com mensagens, o Grupo de Rock Progressivo italiano dos anos 70, “Banco del Mutuo Soccorso”, um dos meus preferidos, nos lembra que o amor faz já 750.000 anos!

Esta Garrafa 500 é portanto o meu presente tanto para os muitos seguidores do Blog, que me enchem de alegria quando costumam deixar seus comentários aqui e ali, quanto para os visitantes eventuais que não deixam outro traço de sua presença, além de um local de acesso em alguma praia distante de algum país, onde a garrafa lançada foi recolhida, e um número registrado nas estatísticas de acesso. São todos, tanto os muito ativos como os mais silenciosos, sempre muito bem-vindos ao Blog.

Se alguém, em algum lugar, em algum momento, encontrando uma dessas garrafinhas, ao bisbilhotar o seu conteúdo:

  • esboçar o mais leve sorriso;
  • ouvir aquele ruído característico de uma ficha caindo dentro da própria cabeça;
  • se lembrar, com carinho, de algum amor antigo ou atual, que já não veja há muito tempo (às vezes cinco minutos parecem uma eternidade); ou
  • for levado a refletir sobre a própria vida, a dos seus semelhantes e sobre os destinos desse nosso pequeno planeta azul…

Já terá valido a pena!

Como sempre gosto de fazer, brinco mais uma vez com as palavras, usando a métrica do haicai:

cinco, cinquenta,
já quinhentas garrafas!
recolheu alguma?

Eduardo Leal

Composição de Eduardo Leal com fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “750.000 anni fa l’amore” com Banco del Mutuo Soccorso.

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Garrafa 396 – Pescaria   Leave a comment

Deixando de lado caniço e anzol, e sim lançando a minha rede social no mar da Internet em busca de alimento para a alma, encontrei na tarde de hoje esse belo poema de Marco Cremasco, que ele intitulou “A Pesca” e ilustrou com bela imagem de Solange Cremasco, em sua ótima página no Facebook:

a linha alcança
onde olhar descansa

na busca da paz
busca-se mais
que o peixe

na ponta da linha
ninguém advinha

o que virá
o que será
dessa pesca

o que se fisga
é a própria alma
de quem lança a isca

Simplesmente uma belezura!

Não resisti ao impulso de brincar com as palavras usando a ideia central do Marco, e deixei meu comentário em sua página, devolvendo e compartilhando, com gratidão, no mar da Internet, a maior parte do alimento que recebi, agora reciclado e sintetizado com a métrica do haicai:

ah! alma minha,
em dia de pescaria,
na ponta da linha…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Pescaria

Garrafa 237 – Yang forte   1 comment

dentro do dia
a semente da noite
olhar sombrio

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 236 – Ying forte   1 comment

dentro da noite
a semente do dia
brilho no olhar!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 173 – A Alma Imoral   Leave a comment

Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo.
Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito.
Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos.
Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade.
Este olhar é o da alma.
 
Nilton Bonder
Foto de autor desconhecido
 

Publicado 12/12/2008 por Eduardo Leal em Crenças

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Garrafa 144 – Ação e Reação   1 comment

semear-colher
quantos ensinamentos…
olhar atento!

Eduardo Leal
Tela de Jocelino Soares
Veja as imagens em: http://www.jocelinosoares.com.br

Garrafa 140 – Breve olhar   Leave a comment

num breve olhar
descobriu meus segredos
mais bem guardados…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Nightrider” com ELO – Electric Light Orchestra

B

Garrafa 119 – Ausência   Leave a comment

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
Foto de F. Monteiro (Noite) em http://olhares.aeiou.pt/noite/foto451136.html%3cbr

Garrafa 60 – Olhando na mesma direção   Leave a comment

Dois amantes comuns que são solitários sempre olham um para o outro; dois amantes verdadeiros, numa noite de lua cheia, não estarão se olhando.
Eles podem estar de mãos dadas, mas estarão olhando a lua cheia bem alta no céu.
Não estarão olhando um para o outro, estarão juntos olhando algo mais.
Às vezes estarão escutando juntos a uma sinfonia de Mozart ou Beethoven ou Wagner.
Às vezes estarão sentados ao lado de uma árvore e apreciando o tremendo ser da árvore envolvendo-os.
Às vezes podem estar sentados ao lado de uma cachoeira escutando a música selvagem que está continuamente sendo criada.
Às vezes, perto do mar, ambos estarão olhando para a mais longínqua possibilidade que os olhos possam alcançar.

Sempre que duas pessoas solitárias se encontram, olham uma para a outra, porque estão constantemente buscando modos e meios de explorar o outro: como usar o outro, como ser feliz através do outro.

Mas duas pessoas que estão profundamente contentes consigo mesmas não estão tentando usar uma à outra.
Em vez disso, tornam-se companheiras de viagem; se movem numa peregrinação.
A meta é alta, a meta está distante. Seus interesses comuns as unem.

Osho
Foto de autor desconhecido

Olhando na mesma direção

Garrafa 51 – Olhar de menino   Leave a comment

olhar de menino
sustentando — leve — no ar
a bolha de sabão

Eunice Arruda
Foto de autor desconhecido

O menino e a bolha

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