Arquivo para julho 2013

Garrafa 403 – Manhã de inverno em Campos do Jordão   Leave a comment

Estive no Japão no inverno de 2008 e, além dos enigmáticos jardins zen decorados com areia e pedras, vi muita neve e árvores desfolhadas. Nenhuma cerejeira em flor para contar a história. Desde então, tenho alimentado o sonho de voltar na primavera, com a ótima desculpa de testemunhar e participar da festa tradicional do desabrochar das belas sakura que acontece em todas as regiões do país e, como descobri depois, em todas as partes do mundo onde há uma significativa colônia japonesa.

Qual não foi a minha surpresa em uma visita a Campos do Jordão, em pleno inverno, ao descobrir que a festa das cerejeiras acontece por lá sempre ao final do Festival de Inverno, nos últimos dias de julho e primeiros dias de agosto.

Como as flores da cerejeira desabrocham apenas uma vez ao ano, como descobri no site do evento, com o uso de modernas técnicas agrícolas os jardineiros da colônia japonesa têm podido controlar a floração para o início do mês de agosto, época da festa, com uma pulverização para a indução floral feita com 30 dias de antecedência, com um produto comercial existente no mercado.

Sempre fico muito pensativo e desconfiado com essas tentativas de manipulação da Natureza, mas não pude deixar de apreciar o espetáculo de delicada beleza dessa floração. Chegando eu também fora de hora, numa terça-feira, quando os eventos festivos ocorrem apenas nos fins de semana, fui recebido por um único jardineiro japonês que não falava uma palavra sequer de português, mas gentilmente me abriu as portas do seu belo paraíso.

Lá dentro, em respeitoso silêncio, além da visão das sakura, a contemplação de alguns beija-flores que, como eu, queriam apenas poder beijar e tocar cada um daqueles maravilhosos brotos rosados. Freud deve ter uma boa explicação pra isso… E, volta e meia, minha atenção era também capturada por alguns sanhaços que, com sua penugem azul me remetiam diretamente para os quintais da minha infância, na cidade vizinha de Caçapava, e pelo canto de bem-te-vis, que conheço bem da minha própria vizinhança aqui no Rio.

Despertado de repente pelo ruído de uma pequena motosserra, habilmente manipulada pelo jardineiro, podando em algum canto do parque um galho partido, pensei comigo mesmo:

broto não espera!
na flor de cerejeira,
já é primavera…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal em Campos do Jordão

Em Campos do Jordão 070

Garrafa 402 – Inciativa e Liderança   Leave a comment

Relendo o clássico “A Lei do Triunfo” de Napoleon Hill, na lição sobre Inciativa e Liderança, encontrei interessante citação de Elbert Hubbard, escritor, editor, artista e filósofo americano. Hubbard, que descrevia a si mesmo como um anarquista e um socialista, morreu junto com sua segunda esposa, no início do século XX, em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, quando o navio em que se encontrava, o RMS Lusitania, afundou após ser torpedeado pelo submarino alemão U-20, na costa da Irlanda.

Entre suas diversas publicações, uma pequena história é bastante conhecida e também está relacionada ao tema da iniciativa, a “Mensagem a Garcia”. E algumas pessoas lhe atribuem a também famosa citação “Quando a vida lhe traz limões, faça uma limonada.”

Transcrevo abaixo a citação feita por Hill, sem saber ao certo de que publicação de Hubbard ela foi retirada.

“O mundo concede os seus grandes prêmios, tanto em dinheiro como em honras, em troca de uma coisa, apenas: a iniciativa.
E que é iniciativa? A iniciativa consiste em fazer o que é preciso, sem ser necessário que alguém nos mande.
Em seguida, vêm aqueles que fazem o que é preciso, bastando para isso que se lhes diga uma vez. Porém os que levam a mensagem adquirem honras elevadas, mas o pagamento nem sempre é proporcionado.
Vem depois os que não fazem o que é preciso senão quando a necessidade a isso os obriga. Esses recebem a indiferença e uma paga mesquinha.
Finalmente, ainda mais abaixo na escala, temos o indivíduo que não faz nada direito, mesmo que alguém lhe mostre a maneira de fazer e o fique observando; está sempre desempregado, e é tratado com o desdém que merece, a menos que tenha um pai rico e, nesse caso, o destino fica pacientemente à sua espera.
A que classe pertenceis?”

Pergunta poderosa – que provoca reflexão – e merece resposta após cuidadoso exame de consciência, fecha a citação.

Pausa para um breve haicai:

líder e sequaz
um segue, o outro faz!
e você, meu rapaz?

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Iniciativa

Garrafa 401 – Mosca no para-brisa   1 comment

de nada suspeita,
mosca no para-brisa,
antes do choque…

Eduardo Leal
Foto e Ilustração de Magnus Muhr
Instruções de utilização: Ouvir “Fly on the windshield” com Genesis

Mosca morta

Garrafa 400 – Despedidas   Leave a comment

Dentro de um livro esquecido, haicai parido em noite escura de 2010 e ainda não postado.

Após reencontro comigo mesmo, o barco finalmente partiu…

pra voltar jamais
barco pronto pra partir
é noite no cais…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir Harbor Nights com Spyro Gyra

Noite no cais

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