Acabei de me dar conta que minha ultima garrafa com mensagem foi lançada no mar da Internet há exatos um ano e três dias atrás. E aquela foi a única postagem feita no ano passado.
E, por muito pouco, não quebraria outra vez a intenção de enviar pelo menos uma mensagem no mês de abril, o meu predileto, no início da estação dos saborosos caquis, com suas cores vivas e textura inconfundível, já que só teríamos o dia de hoje e o de amanhã para a manutenção desse ritual afetivo. A partir de 2006, só no ano de 2016 o mês de abril passou em branco, sem nenhuma mensagem enviada.
Revendo meu histórico de postagens, desde que tudo começou em outubro de 2005, com a criação deste Blog, fiz a seguinte constatação quantitativa do numero de mensagens enviadas a cada ano: 2005 (1); 2006 (85); 2007 (39); 2008 (55); 2009 (29); 2010 (10); 2011 (64); 2012 (76); 2013 (89); 2014 (44); 2015 (3); 2016 (15); 2017 (15); 2018 (7); 2019 (5); 2020 (2); 2021 (1); 2022 (4); 2023 (1); 2024 (3); e 2025 (1).
Meus motivos para fazê-lo, expressos na Garrafa Zero – Minhas Razões continuam em vigor. E observo também que, nos últimos tempos, temas políticos passaram a ganhar mais relevância, o que não era minha motivação inicial.
O que permaneceu inalterada foi minha predileção por postagens no mês de abril, que pode ser resumida pelo conteúdo da Garrafa 145 – Acontece em abril, publicada em abril de 2008.
Nossa melhor notícia, depois da ultima postagem, foi a confirmação da chegada do nosso neto mais novo, no início de maio do ano passado, e que completará portanto seu primeiro aniversário na próxima semana. Nosso japonesinho está passando o dia conosco, enquanto digito essas notas afetivas, o que enche de alegria o coração do vovô cada vez que ele abre seu sorriso de quatro dentinhos e estende seus braços na minha direção.
Em contraste com essa boa notícia, neste mês em especial, estamos na terceira semana prestando apoio a pessoa da família com mais de oitenta anos que está em recuperação depois de queda, com internação, cirurgia de urgência, permanecia em CTI, e todo o pacote ortopédico e fisioterápico que acompanha essas situações. E esse quadro ainda deve se estender pelos próximos meses.
Desde o inicio deste ano eleitoral, talvez a ultima chance de nos livrarmos desse regime nefasto, tenho procurado manter acompanhamento do inevitável e necessário fluxo de notícias sobre o tema. E enfrento o desafio de manter minha rotina de muitas horas de leitura, de tempo alocado ao pensamento e reflexão sustentados, à escuta da minha trilha sonora favorita, evitando fragmentar minha atenção e reduzir meus momentos de concentração. Não fazê-lo teria efeitos negativos na minha capacidade de manter profundidade nas minhas conversas, e nas minhas experiências emocionais e relacionamentos.
Nem sempre sou bem sucedido no compromisso de manter meu melhor estado de presença, em todos os momentos, e procuro manter meu esforço continuado nessa direção. E, quando me dou conta de desvios de rota, retomo o rumo.
Mantenho contato permanente com minhas ancoras positivas, com todas as experiências transformadoras que já vivi e que carrego sempre comigo, enquanto presto atenção em tudo que está ao meu redor. E me mantenho aberto a novas oportunidades de mudança e aprendizado, que percebo filtradas pelos meus canais auditivo, visual e cinestésico.
Ultimamente, meu canal visual tem sido estimulado por imagens que recebo de bons amigos e amigas, amantes da fotografia como eu, e de canais que divulgam o momento do florescimento das cerejeiras no Japão, que se encontra no início da primavera, minha segunda estação favorita. Estive por lá em 2007 e 2008, no inverno, e mantenho nos meus planos a meta de rever a Baía de Matsushima, e regressar a Tóquio, Quioto e Nara, na primavera, para apreciar esse espetáculo da natureza.
Enquanto essa época não chega, rabisco no meu bloco de notas esse breve haicai:
sigo sonhando
em pousar novamente…
ah! em Narita!
Eduardo Leal
Nosso pequeno Hiroshi
Floração das cerejeiras em Nara
Instruções de utilização: Ouvir Thoughts in transit
Sou uma criatura afortunada. Das várias formas de amor existentes, já experimentei e ainda escolho vivenciar muitas delas.
Iniciando na família, experimentando com reciprocidade o amor dos pais, irmãos, avós, tios e primos, pude ampliar o leque amoroso com os amigos selecionados na escola, na mesma rua do bairro, nos clubes, nos cursos de que participei e, depois, incluindo aquelas pessoas cuidadosamente garimpadas nos diversos ambientes de trabalho no Brasil e no mundo. E, embora as diversas formas de amor também possam ser vistas como um tipo de sentimento ou emoção, prefiro priorizar o seu caráter concorrente de escolha consciente. De alguma maneira, escolhemos estar disponíveis ou não para estabelecer os diversos tipos de relacionamento à nossa disposição, e assumir seus respectivos papéis associados, na presença de determinados sentimentos e emoções.
E vale a pena lembrar que nem sempre podemos ser correspondidos em nossos sentimentos, emoções e escolhas conscientes. E temos que aprender a lidar com isso também, com o inevitável sentimento desconfortável de rejeição. Entra então em cena uma forma de amor peculiar denominada amor-próprio, que também precisa ser cultivada. Como discutido por Aristóteles na sua célebre obra “Ética a Nicômaco”, nós mesmos somos os melhores amigos que podemos ter. Isto é, você mesmo é seu melhor amigo, e o mais estreito relacionamento que se pode ter na vida é consigo mesmo.
E, a partir do estabelecimento da nossa base pessoal de amor-próprio, mesmo que inicialmente em caráter precário, em nosso processo de desenvolvimento, em algum momento dessa trajetória surge para a maioria de nós um tipo de amor especial. E, provavelmente, o melhor nome para esse sentimento ou emoção seja a paixão, com a entrada na nossa corrente sanguínea de um coquetel hormonal preparado pela natureza há muitos milhares de anos. Ele é disparado pela programação do nosso DNA com a descoberta e o interesse pelo sexo oposto que, em algum momento é capaz de gerar a nossa descendência, pela experiência da intimidade em mais alto grau e a prazerosa troca de carícias e fluidos.
Iniciando tipicamente a partir da adolescência, essa tendência se desenvolve ao longo de toda a idade adulta turbinado pela dopamina (a molécula do desejo) e em especial pelos níveis de testosterona. Felizmente, essa forma de impulso vital continua para alguns de nós até o fim da vida. Tudo isso, preferencialmente, compartilhado com pessoas ainda mais criteriosamente escolhidas do que aquelas incluídas nos outros tipos de relacionamento. Entretanto, já tinha tido conhecimento de estudos estatísticos que indicavam que essa paixão, com uma duração média de cerca de três anos, teria um propósito principal estabelecido pela natureza: o de procriação. E, mais recentemente, descobri que a pesquisadora Helen Fisher estabeleceu que essa janela de oportunidade se situa mais precisamente entre 12 e 18 meses.
Felizes daqueles que ultrapassam essa fase e escolhem amar seus respectivos companheiros de paixão, tendo gerado filhos ou não, mesmo que esse sentimento já tenha arrefecido e seja então substituído por uma forma de amor maduro, como gosto de chamá-lo, ou de amor companheiro como a própria Helen Fisher propõe. Com o concurso de vários neurotransmissores relacionados com a experiência do Aqui e Agora, trata-se de tomar a decisão de manter vivo o amor vivenciado, de priorizar os aprendizados obtidos, preservar a memória das coisas boas, atenuar a das lembranças dolorosas e, contribuir com o que estiver ao nosso alcance, ou simplesmente torcer pela felicidade dos nossos respectivos amores. E isso pode acontecer, penso eu, ainda que os antigos parceiros não continuem juntos, separados por uma morte prematura, situações limitantes de saúde, ou quem sabe pelas diferentes situações de vida e pela busca de realização de projetos pessoais legítimos.
Nos últimos tempos, infelizmente, testemunhamos no país novos tipos de situações esdrúxulas e limitantes de demonstrações presenciais de amor: aquelas impostas por prisões arbitrárias e inconstitucionais, sem previsão legal, verdadeiras perseguições políticas promovidas e apoiadas por uma quadrilha de psicopatas que separam cônjuges, pais e mães de filhos pequenos e avôs e avós de seus netos, como se criminosos perigosos fossem, simplesmente por pensarem, desejarem e defenderem o sonho de viver em um país diferente do atual. Censuram e criminalizam manifestações legítimas, palavras e atos salvaguardados por uma legislação moribunda, maltratada por quem deveria defendê-la. Encenam, com o apoio de uma mídia de aluguel comprada a peso de ouro e apoiadora de um regime hipócrita, corrupto e impopular, uma farsa que é tudo menos o que se poderia chamar de devido processo legal e que, em algum momento futuro, será julgada de maneira implacável pela história. E aqueles que professam e vivenciam outra importantíssima forma de amor, o amor pela verdade, usando sua razão e intuição, assim acredito, conduzirão os verdadeiros criminosos às barras da justiça e buscarão algum tipo de reparação para as vítimas desse processo infame. Infelizmente, não há reparação para a morte e, até agora, seis pessoas já tiveram esse destino, enquanto sofriam tratamento desumano.
Este meu ritual de outono/primavera, dependendo da praia e do hemisfério em que vá parar cada uma dessas garrafas com mensagens que lanço no mar da Internet, é mais uma maneira de celebrar a vivência de cada um dos meus amores, em especial do meu amor pela verdade, ainda que seja apenas minha verdade parcial, e de expressar o que penso e sinto.
E, enquanto nenhuma dessas formas de interrupção nos chega, com o passar do tempo, quando tudo segue seu curso normal, podemos ser abençoados com a chegada dos netos. Ah! Os netos…
Desde que o primeiro deles chegou em 2017, o “Teco-teco”, e já serão decorridos oito anos em breve, foi que passei a dedicar cada vez mais tempo para aproveitar essa convivência prazerosa e instrutiva. Desmobilizei progressivamente as atualizações do meu site profissional e passei a atender apenas aos clientes antigos, com algumas exceções para atender pedidos especiais de pessoas queridas. O tempo desviado das atividades profissionais para acompanhar o desenvolvimento dos netos, também foi compartilhado para atender as necessidades crescentes relacionadas à saúde da minha mãe, que já nos deixou em 2023. Depois veio o “Tico-tico” em 2020, em pleno período de pandemia e que, por ter nascido na Alemanha, só pudemos conhecê-lo seis meses depois, quando filho e nora voltaram para trabalhar novamente no país. A única menina do grupo, a “Henriqueta”, surgiu em 2022 para alegria do Vovô que insiste em atribuir apelidos a cada uma dessas criaturinhas sensíveis, amorosas e instigantes. E esperamos para as próximas semanas a chegada de mais um menino, um japonesinho, que atenderá pelo codinome: “Hiroshi”.
Escrevo estas linhas, enquanto estou passando uma temporada de duas semanas no território independente do “Tico-tico”, na cidade de São Bernardo do Campo. Chegamos antes da celebração da Páscoa e ainda permaneceremos por alguns dias, aproveitando sua companhia amorosa e divertida. Acordando sempre cedo, iniciamos uma sequência de atividades e brincadeiras que só são interrompidas pelas refeições e com a sua ida para a escola no carro do Vovô. Muitas conversas, muitas perguntas surpreendentes, frequentemente acompanhadas de demonstrações não verbais e declarações espontâneas de amor, que fazem cada um desses momentos únicos e inesquecíveis. E ele retorna para casa ao final do dia, também conduzido pelo Vovô, para um novo ciclo de brincadeiras, até a hora de dormir.
Ao mesmo tempo em que fico feliz em poder aproveitar cada um desses momentos, fico compadecido e indignado pelo fato de que pessoas que pensam como eu estejam privadas de fazer o mesmo. Em minhas andanças pela cidade, às vezes passo em frente ao endereço de uma cobertura cujo ocupante já frequentou as páginas policiais acusado de vários crimes, tendo sido julgado e condenado em três instâncias judiciais. E, surpreendentemente, foi retirado pela mais alta corte do judiciário da prisão onde cumpria sua pena, para concorrer a um processo eleitoral com irregularidades apontadas e nunca suficientemente explicadas em todas as suas fases, para que pudesse retornar à cena dos seus crimes, segundo as palavras do seu próprio companheiro de chapa. O regime que se instalou a partir dessa sequência de eventos é o verdadeiro responsável pela maior crise moral que o país enfrenta desde sua redemocratização, fazendo com que a maior parte da população esclarecida demonstre um crescente descrédito pelas suas diversas instituições, especialmente aquelas ligadas ao poder judiciário, que exorbita de suas atribuições invadindo a competência dos Poderes Executivo e Legislativo, de maneira absolutamente inconstitucional e ameaça, censura e prende quem expõe os crimes cometidos pelos integrantes do STF e se opõe a esse estado de coisas.
Sou adepto, desde o ano de 2005, quando tomei conhecimento da sua existência, de uma abordagem filosófica denominada Metateoria Integral proposta por Ken Wilber, que vem sendo desenvolvida e aperfeiçoada a partir de sua primeira obra lançada em 1977, denominada “O Espectro da Consciência”. Desde então, já são 31 livros lançados, e tenho a felicidade de ter acesso a cada um deles na minha biblioteca pessoal, sendo que o último teve seu lançamento no final do ano de 2024, e cuja versão em português foi distribuída no mês passado e é intitulada “Encontrando a Inteireza Radical – O Caminho Integral para Unidade, Crescimento e Êxtase”. Em alguma medida, essa última obra complementa e expande, com a nova nomenclatura adotada pelo autor, diversos aspectos do livro “Prática de Vida Integral”, de 2008, que teve sua versão em português lançada em 2009. Trata-se de como aplicar a Metateoria Integral na vida diária: demonstra como a Teoria dos Quatro Quadrantes, as 4 perspectivas através das quais vemos o mundo se relaciona com nossas vidas e nos permite estar mais presentes; aborda como evoluir nas Múltiplas Inteligências, em cada uma de suas linhas de desenvolvimento; como amentar nosso Nível de Consciência Espiritual; como processar o conteúdo da Sombra, o que está escondido nas profundezas do nosso inconsciente; e como melhorar, aprofundar e amplificar sentimentos de amor e alegria, através da prática do Tantra Sexual Integral.
A partir de 2009 tenho buscado realizar várias das atividades selecionadas e previstas para cada um dos módulos principais da Prática de Vida Integral: o do corpo; o da mente; o do espírito e o da sombra. Pratico algumas delas há algumas décadas e, com relação às mais recentes, procuro estabelecer uma rotina regular que inclui: alongamento e musculação; artes marciais (Karate e Aikido); trilhas e longas caminhadas (Caminho de Santiago – 800 Km em 2015); corridas semanais de 5 e 10 Km; dieta balanceada com suplementação de vitaminas; diversos cursos e grupos de estudo para o desenvolvimento da mente; prática meditativa diária desde os anos 1980; e sessões de terapia cognitivo comportamental a partir do ano 2000. Como resultado da minha ação disciplinada, tenho obtido alguns bons resultados na manutenção da minha saúde física, mental e espiritual. Entretanto, como entendo que um pré requisito para o desenvolvimento do potencial humano de qualquer pessoa é viver em um ambiente de plena liberdade em todas as suas formas, e considero a liberdade um dos meus valores centrais, confesso que com relação à meta de expandir minha capacidade amorosa, ainda não sou capaz de amar meus inimigos declarados: todos os tipos de tiranos que, sob qualquer pretexto, atuam no sentido de censurar e restringir a liberdade de atuação e de expressão, desde que essas ações não interfiram com a mesma liberdade defendida para qualquer outra pessoa. E, em defesa da liberdade, tenho pensado, falado, escrito e agido de acordo, desde então.
A observação dos últimos acontecimentos me permite supor que, com o endurecimento e a consolidação desse regime infame, em algum momento do futuro, sob qualquer pretexto, possa ser denunciado, julgado, condenado e preso, ficando impedido de dar demonstrações presenciais de amor para todos os meus relacionamentos significativos simplesmente por ser quem sou e por pensar, dizer e fazer o que faço.
Não importa! Amar é uma escolha, e vale a pena!
É o que penso e sinto! E sinto muito!
E, como costumo fazer na maioria das postagens deste Blog, transcrevo as palavras que rabisquei no meu bloco de notas, com a métrica de um haicai, no dia 19/04/2025:
Como costumo fazer a cada eleição, declaro meu voto e minhas razões para fazê-lo.
Anteriormente, costumava divulgar minhas intenções com alguma antecedência, na expectativa de influenciar algumas pessoas desconectadas da cena política nacional, estadual e municipal. Digo influenciar, no sentido de provocar alguma reflexão, antes da escolha de cada um, e não para pretender impor minha visão de mundo para quem quer que seja. Mas, parei de fazê-lo diante da constatação de que meu Blog é mais um despertador quebrado do que qualquer outra coisa, conforme mencionei no ultimo post, em que tratei da fraude eleitoral na Venezuela.
Atualmente divulgo meu voto no mesmo dia da eleição, enquanto elas já estão ocorrendo e, algumas vezes até depois do seu encerramento, mais como um registro do que sinto na alma em cada momento. E, é claro, converso com diversas pessoas que me são caras, selecionadas criteriosamente, expondo minha posição com bastante antecedência, na esperança de que minhas opiniões sirvam para alguma coisa.
Voto no Rio de Janeiro e, sem pestanejar, meu candidato é o Delegado Ramagem, de numero 22.
As pesquisas eleitorais, que são mais tentativas de influenciar votos do que qualquer outra coisa, já que não apresentam nem sombra de erro estatístico mas sim viés ideológico para a esquerda, que é quem costuma pagar por esse serviço sujo, inicialmente indicavam que a situação seria definida já no primeiro turno, com a vitória do “Nervosinho”. Esse é o apelido do outro candidato, conforme constava nas planilhas da corrupção promovidas pela empresa Odebrecht e cujas investigações subsequentes, curiosamente, nunca seguiram na direção de acusar e prender essa criatura desprezível, como aconteceu com diversas outras no seu entorno. Há delações premiadas que dizem que recebeu dez milhões de dólares no exterior… Apesar disso, esse personagem está em seu terceiro mandato, buscando reeleição… Esse é realmente um daqueles mistérios ainda insolúveis e que diz muito sobre a nossa situação política e sobre o descrédito do judiciário, o que nos coloca na antessala do caos. Felizmente, as ultimas pesquisas indicam sim a possibilidade de um segundo turno, com o crescimento de sua aceitação, principalmente depois do engajamento e presença do ex-presidente Bolsonaro na sua campanha nas ultimas semanas. Mas, com urnas com vontade própria, sem possibilidade de contagem pública de votos, como ironizou o próprio ditador Maduro, ao se referir ao nosso sistema eleitoral, nunca se sabe. Ou melhor, sabemos sim!
Retransmito aqui o teor de uma mensagem que recebi por uma rede social, cujo autor desconheço, e que expressa meu sentimento nesta, em todas as anteriores e, posso dizer sem medo de errar, em todas as eleições futuras de que ainda irei participar:
“Que meu voto jamais faça traficantes sorrirem, presidiários festejarem, pedófilos aplaudirem e corruptos celebrarem.”
Assim como no caso do sapo cozido lentamente em banho-maria, que quando tenta escapar da panela já não tem mais forças para fazê-lo, as pessoas apresentam uma grande capacidade para se acostumar a situações anteriormente consideradas aberrantes, especialmente quando as mudanças são feitas de maneira progressiva. E a consequência é que coisas antes simplesmente anormais e inaceitáveis, quanto praticadas de maneira repetida e em larga escala, se tornam comuns o suficiente para serem consideradas “normais” e não merecerem maior investigação e questionamento por quem quer que seja.
Essa situação é especialmente agravada quando esse quadro conta com a participação ativa e passiva de instituições anteriormente respeitáveis que atendiam pelo nome de “Imprensa”, desde a disruptiva invenção de Gutemberg.
O momento atual, uma semana após a flagrante fraude eleitoral ocorrida na Venezuela e as subsequentes declarações das “autoridades” brasileiras, ambas cometidas sob alegação de “defesa da democracia”, dispensa maiores esclarecimentos, para aqueles que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, e alguns poucos neurônios funcionando.
Corrupção sistêmica; descrédito progressivo das instancias da justiça e do parlamento; flagrante omissão das forças armadas na defesa da própria população desarmada e das instituições democráticas; repressão seletiva ao constitucional e democrático direito de expressão e manifestação pacíficas; prisões políticas; ausência do devido processo legal, e a lista de semelhanças, em maior ou menor grau de aderência poderia continuar indefinidamente e só não vê quem não quer.
A pergunta que não quer calar: até quando?
Uma primeira ação necessária e urgente: a retomada das ações para viabilizar o voto impresso e auditável com escrutínio publico de votos.
Comecei a rascunhar esses parágrafos no final da noite de ontem, véspera do meu aniversário, depois de fazer minha neta que acabou de completar dois anos adormecer, conversando sobre as coisas que tínhamos feito juntos ao longo do dia. E é por pensar nela e nos outros dois netos que são um pouco mais velhos, e que volta e meia também adormecem conversando comigo, que tenho andado mais angustiado com os rumos tomados pelo Brasil nos últimos anos. Em que tipo de país eles viverão, quando seus pais e avós não estiverem mais por aqui? A resposta que me vem à mente não me agrada e me faz perder o sono.
E expresso minha tristeza e indignação, como costumo fazer periodicamente por aqui, também respondendo ao pertinente questionamento e provocação de uma boa amiga: qual a diferença entre aqui e acolá?
Não sei por que ela ainda perde tempo me perguntando essas coisas, já que meu blog parece ter o mesmo efeito de um despertador quebrado, pelo menos para a maioria das pessoas aparentemente já acostumadas ao convívio com situações aberrantes…
Na verdade, sei sim. Ambos compartilhamos o apreço por aquele antigo provérbio persa que diz que “duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se”.
Nesta madrugada, escolho falar mais uma vez, usando a métrica de um haicai.
Para bom entendedor, meia palavra ba…
cá e acolá,
diferença não há! só
hipocrisiaaaaaahhhhh!
JEAL
Imagens de autores desconhecidos. (Uma sobre o dilema entre falar e calar, outra sobre o despertador quebrado)
Na virada do Século XX para o XXI, mais especificamente entre 1999 e 2004, entre vinte e cinco e vinte anos atrás, respectivamente, o mundo experimentou uma série de transformações reais importantes como, por exemplo, todas as consequências de impacto global do atentado terrorista às torres gêmeas de 11 de setembro de 2001, com repercussões reverberando até os dias de hoje. Além disso, grande parte de sua população alimentou grandes expectativas, algumas extremamente favoráveis e infelizmente infundadas, como se uma simples mudança no calendário pudesse alterar a mentalidade e o nível de desenvolvimento de consciência das pessoas; e outras expectativas catastróficas que simplesmente não se realizaram, como no caso do bug do milênio.
Comigo, pessoalmente, foi a mesma coisa. Foi um período de grandes transformações e de grandes expectativas, algumas muito favoráveis e concretizadas, outras ainda não, e a experiência das inevitáveis perdas e danos a que todos estamos submetidos em nossa passagem por este pequeno planeta azul, enquanto exploramos os domínios dos sentidos, com o olho da carne, os domínios da razão, com o olho da mente, e os domínios do espírito com o olho da contemplação.
Naquele período, estava no auge da minha carreira profissional, tendo assumido, em 1999, o comando de uma Fragata da Classe Niterói, a “F-42 – Constituição”, cargo que exerci por dois anos, até o ano 2000. Essa foi uma meta profissional que tinha estabelecido vinte anos antes, ao embarcar em 1980 na primeira da classe, a saudosa e já descomissionada “F-40 – Niterói”. Sua concretização veio acompanhada de um sentimento de gratidão e de esforço recompensado. Foi motivo de orgulho para mim e para meu pai, ele que tinha sido Oficial do Exército Brasileiro, tendo participado da Campanha da Itália no ultimo contingente da FEB – Força Expedicionária Brasileira, na Segunda Guerra Mundial. Estou certo de que ele hoje estaria envergonhado, como eu, com a situação vexatória a que foram arrastadas as nossas Forças Armadas por suas mais recentes “lideranças”. Infelizmente, meu bom pai não pôde estar presente na minha investidura no cargo, em fevereiro de 1999, fragilizado por complicações decorrentes de um enfisema pulmonar que o afastou definitivamente de todos nós, três meses depois, em maio daquele mesmo ano, embora permaneça vivo em nossas melhores lembranças, desde então.
Essa perda pessoal, associada a outras situações desafiadoras que estava enfrentando na área afetiva, me levaram a procurar novas ferramentas em busca de entendimento e superação das minhas limitações ao lidar com essas questões. Li muitos livros sobre psicanálise e neurociência, comecei a vivenciar um processo de terapia cognitivo comportamental, e iniciei uma formação em Programação Neurolinguística – PNL, cujas consequências, tomadas em conjunto mudaram definitivamente minha visão a respeito de mim mesmo e do mundo ao meu redor. Sou grato a cada um dos autores dos livros que li, à minha terapeuta que me acompanha até hoje, quando tenho alguma questão relevante a investigar e ultrapassar, e às pessoas que conheci ao dar meus primeiros passos explorando os conceitos da PNL, algumas delas passando a fazer parte da minha vida para sempre.
Já tinha decidido deixar o serviço ativo na Marinha do Brasil, após o exercício desse que foi meu terceiro cargo de comando ou direção, e vinha me preparando para essa nova fase, já há alguns anos, realizando cursos e estudos relacionados às atividades que pretendia explorar em seguida. E por estar completamente alinhado com minhas intenções futuras, após passar o comando da F-42, realizei o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra – ESG, em 2001. Essa experiência, além de me permitir ampliar o leque de relacionamentos com pessoas de diversas outras áreas de atuação, fazendo novas amizades que mantenho até hoje, também me trouxe o conhecimento do campo da Análise de Cenários Prospectivos que passei a estudar e praticar profissionalmente nos anos seguintes. Após a conclusão desse curso, em fevereiro de 2002, solicitei minha transferência para a reserva, apesar de estar sendo designado para o que teria sido meu quarto cargo de comando e direção. E não me arrependo dessa decisão, nem por um momento, desde então.
O ano de 2002 foi um ano sabático, em que comprei minha terceira motocicleta, para utilizar em meus deslocamentos pela cidade e em pequenas viagens de fim de semana, e me abstive de exercer qualquer atividade profissional, dando prioridade para a convivência diária com meus filhos, em sua rotina escolar, o planejamento de minha carreira futura, e para fortalecer minha saúde física, mental e espiritual. Na área cognitiva, conclui o Curso de Análise, Projeto, e Gerência de sistemas, na PUC-RJ, que tinha iniciado no ano anterior.
A partir de 2003 retomei meus projetos profissionais, aceitando o convite de um amigo para integrar sua equipe de consultores que desenvolvia software e executava projetos de planejamento estratégico com análise prospectiva, tema de minha monografia no curso da ESG. Ao longo dos anos seguintes, pudemos realizar juntos diversos trabalhos para órgãos do governo e grandes empresas e, quando abri meu próprio negócio de consultoria e coaching, mantivemos uma saudável e proveitosa parceria.
Em 2004, durante visita ao Rio de Janeiro da minha irmã que já vivia na Alemanha há muitos anos, com o marido e o filho, ela sentiu os primeiros sintomas do que se revelou, depois de consultas e exames neurológicos, um tumor maligno inoperável no cérebro, o que levou ao seu falecimento, poucos meses depois, em Bremen, cidade em que moramos em 1987. Estive na Alemanha nesse ano de 2004 por duas vezes, a primeira para acompanhar minha mãe, que permaneceu com ela até seus instantes finais, e depois para o seu sepultamento.
Como sempre prefiro focalizar no que vivi de melhor, e nas oportunidades de aprendizado que a vida nos oferece, só desejo mencionar neste exercício de resgate de memórias afetivas e profissionais, que o período entre o ano de 2000 e 2003 foi um dos períodos mais ricos em experiências sensoriais, mentais e espirituais que já vivenciei até hoje. Entre outras coisas, pude ter alguns lampejos do que pode significar a canalização de energias tântricas para vislumbrar a conexão com o que está além das palavras e da razão, e as pessoas envolvidas têm conhecimento do significado dessas experiências compartilhadas, para cada um de nós.
A criação e manutenção deste Blog “Três Coisas”, a partir de 2005, foi, em grande medida, para dar vazão ao compartilhamento das experiências que vivi nesse período, e de todas as outras que vieram em sequencia. E mantenho, desde então, minhas postagens da segunda quinzena de abril, uma das minhas épocas do ano favoritas, como um pequeno ritual de comunicação e celebração das possibilidades infinitas de conexão com o espírito em ação. Mantenho minha rotina de acordar muito cedo, frequentemente ainda com o escuro da madrugada, e posso, em silêncio, testemunhar a chegada das primeiras luzes de cada dia. Como esta noite foi de lua cheia, acabei de testemunhar o “por da lua”, como visto da minha varanda. E, como bom cinestésico que sou, aproveito a chegada da leve brisa e as temperaturas amenas do início da manhã; o sabor, a textura e o perfume dos caquis; e espero a chegada, ao longo do dia, da espetacular qualidade da luz no azul profundo do céu outonal.
Rabisquei no meu bloco de notas, agora há pouco, a qualidade dessa experiência matinal, com a métrica de um haicai:
lua de outono,
madrugada serena,
paz no coração.
Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal: Amanhecer de hoje, com o por da lua cheia de outono.
Instruções de utilização: Ouvir Zélia Duncan, cantando “Quase sem querer”
Na reta final desta campanha eleitoral, decisiva para o futuro do país dos meus filhos (tenho três) e netos (também tenho três), com frequência cada vez maior tenho a sensação de que, durante a minha navegação nesse oceano de opiniões desencontradas, uma grande quantidade de água fria bate na proa do meu barco e, invadindo o convés, escorre perigosamente para os compartimentos mais internos.
Isso acontece, principalmente, quando recebo na minha linha do tempo as postagens de pessoas muito próximas, que me são caras, e sinto uma ponta de tristeza e de angústia com os seus conteúdos. São palavras, imagens e vídeos que indicam claramente que seus barcos estão seguindo cantos de sereias e rumando perigosamente em direção a águas restritas, bancos de areia e recifes de coral.
Marinheiros um pouco mais experientes já as conhecem e, prudentemente, evitam essas rotas que levam a encalhes e afundamentos inevitáveis. Verdadeiros cemitérios de navios, já muito bem-sinalizados e conhecidos, aguardam as embarcações que navegam com negligência, imprudência e imperícia.
E o que fazer quando percebemos essa situação, e quando também sabemos que cada um é o capitão de sua própria vida-embarcação?
Nesses momentos, respiro bem fundo e simplesmente abandono quaisquer traços de tristeza e angústia que turvam minha visão do horizonte, aciono minhas bombas de esgoto (uso baldes se necessário) e, rapidamente, jogo fora essa água fria indesejável que invadiu minha alma. Faço esgoto de porão.
Navios não afundam por causa da água em torno deles. Navios afundam por causa da água dentro deles.
Acendo, então, minhas luzes de navegação para sinalizar com clareza minha posição, ajusto meu rumo na direção escolhida e deixo que me sigam aqueles que assim o desejarem.
Navegar é preciso. Nosso barco, nossa alma.
P.S. – Adaptei o texto de uma postagem feita no Facebook há 4 anos atrás, nesta mesma época, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Naquela ocasião, tinha apenas um netinho. Agora, tenho três, dois meninos e uma menina que, a cada encontro, enchem de alegria o meu teimoso coração. É a eles que dedico esta postagem.
Penso que uma das características dos verdadeiros regimes democráticos – a valorização da liberdade de maneira geral e da liberdade de expressão de maneira particular – o que é paradoxalmente uma de suas maiores virtudes, e ao mesmo tempo sua maior fragilidade é simplesmente a seguinte: a capacidade de convivência de suas sociedades com formas de pensamento diversificadas, o que pressupõe a presença de doses cavalares de tolerância com o diferente. Essa característica de tolerância, quando levada ao extremo, infelizmente também pode contribuir para que pessoas mal-intencionadas abusem impunemente de sua liberdade de expressão.
E constato que é cada vez mais frequente encontrarmos nas sociedades democráticas ocidentais, que estão sob ataque permanente de diversas formas de regimes autoritários e ditatoriais, a presença de pessoas hipócritas mentindo descaradamente e alardeando defender a própria democracia, enquanto o que realmente defendem e patrocinam são a divulgação de pensamentos, discursos e ações claramente antidemocráticos. A frase frequentemente atribuída a Voltaire, “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” resume o tipo de tolerância que parece justificar até mesmo o direito das pessoas mentirem descaradamente. Apesar disso, ou talvez por causa disso, no decorrer do longo e lento processo de evolução das sociedades humanas, ainda não se descobriu nenhuma alternativa melhor que o regime democrático para lidar com as complexidades crescentes decorrentes da elevação do nível de desenvolvimento de consciência das pessoas e de seus reflexos nos diversos agrupamentos sociais.
Os principais modelos de sociedade que estão por trás das ideologias defendidas por esses farsantes que abusam de sua liberdade de expressão, omitindo e distorcendo fatos e, quando isso não é suficiente para sustentar suas narrativas fantasiosas, mentem descaradamente, são aqueles encontrados nas ditaduras comunistas, nazistas e fascistas. Todas elas são apenas variações do mesmo tema, embora cada uma delas diga que combate suas outras formas semelhantes e concorrentes, por serem “antidemocráticas”. É realmente espantoso o grau de ousadia e cara de pau desses canalhas, pois fazem isso à luz do dia e sem nenhum pudor ou rubor!
A partir do início do século passado, são abundantes os exemplos da experiência comunista que mutilou e devastou inicialmente diversas sociedades europeias e asiáticas para, a seguir, espalhar-se de forma endêmica por sociedades africanas e latino-americanas menos desenvolvidas e esclarecidas. A situação europeia ainda foi “diversificada” com o surgimento do nazismo e do fascismo que, felizmente, não foram capazes de se espalhar de maneira significativa para outros continentes além do europeu. Não sou especialista no assunto, mas contabilizo como exceções as experiências de governos fascistas observadas no Brasil, com Getúlio Vargas, e com Juan Peron, na Argentina. Isso, em parte se deu graças às campanhas demagógicas dos próprios comunistas, que não toleram concorrência na hegemonia da hipocrisia, e juram combater as formas do nazismo e do fascismo como sendo “antidemocráticas”. Aliás, tornou-se prática comum adotada pelos comunistas a aplicação dos rótulos de “nazistas” e “fascistas” a quaisquer pessoas e instituições que ousem combater e desmascarar sua ideologia totalitária. Além, é claro, de adicionar os títulos “popular” ou “democrática” à denominação de suas republiquetas ditatoriais. Para citarmos apenas três casos, basta vermos os exemplos da atual República Democrática da China, o da antiga República Democrática Alemã (DDR), controlada pela extinta União Soviética, e o da atual República Popular Democrática da Coreia. Só não vê quem não quer!
A verdade é que nas etapas de implantação e consolidação desses regimes autoritários e ditatoriais, quando e onde quer que seus respectivos processos revolucionários tenham sido bem-sucedidos, a primeira coisa que vemos desaparecer é a própria liberdade. Essa constatação pode ser feita após uma breve consulta aos registros históricos ainda não manipulados pelos vencedores, para surpresa de ninguém com um pingo de juízo e discernimento. Vemos também que a liberdade de expressão é amplamente utilizada nas etapas anteriores, como meio e desculpa para subverter a própria democracia, e a sua supressão ocorre imediatamente, quer esses processos revolucionários tenham sido realizados de maneira violenta, ou em sua versão cultural de convencimento e conversão dos estúpidos, dos ingênuos e dos que padecem de uma aparentemente incurável preguiça mental. Tudo isso é feito, num primeiro momento, para a obtenção de uma certa massa crítica social de simpatizantes e militantes, para a seguir se partir para a eliminação sumária de dissidências, após o que passa a ser muito mais difícil, quando não se torna impossível reverter o processo revolucionário. Ultrapassadas as fases iniciais, a tarefa de calar as eventuais resistências é executada rapidamente com a supressão da liberdade em todas as suas formas, especialmente da liberdade de expressão, e com a punição exemplar dos eventuais insurgentes.
Infelizmente, nas sociedades pós-modernas, abundam os discursos vazios de pseudointelectuais socialistas e comunistas, que são prontamente divulgados e repercutidos pela imprensa tradicional, esta última povoada em sua maioria por simpatizantes, militantes e integrantes da quadrilha ideológica de esquerda. Essas criaturas convencidas e convertidas às suas respectivas seitas autoritárias se agrupam em contingentes cada vez mais expressivos, e são formados principalmente por jovens, já que são mais influenciáveis. Ao mesmo tempo e felizmente, nas sociedades ainda saudáveis, o que é o mesmo que dizer nas sociedades ainda democráticas, em seus diversos graus de contaminação por essas cepas de hipocrisia presentes no trato da liberdade de expressão existente no tecido social, a quantidade de pessoas esclarecidas e conscientes de suas próprias escolhas é consideravelmente maior do que a quantidade de vigaristas que visam a destruição da sociedade democrática em que vivem. Os verdadeiros democratas rejeitam a hipocrisia e a mentira descarada e buscam congruência e alinhamento do pensar, falar e agir.
Esse aparente aumento progressivo do contingente de estúpidos, ingênuos e preguiçosos mentais suscetíveis ao convencimento e à conversão ao modelo totalitário é ao mesmo tempo preocupante e surpreendente, já que certamente vivemos há décadas em plena “Era da informação”.Atualmente, a maioria das pessoas dispõe de ferramentas e recursos de pesquisa literalmente nas palmas de suas respectivas mãos, dispositivos esses que lhes permitiriam, se assim o desejassem, buscar os fatos e vasculhar a história em busca da verdade. Isso possibilitaria o confronto dos resultados danosos e flagrantes da aplicação dessas ideologias fantasiosas e nefastas em confronto com os resultados proporcionados pela aplicação das verdadeiras práticas da experiência democrática. Bastaria ver o rastro de destruição material e cultural deixado pelos hipócritas nas sociedades que sofreram na pele a prática desses dolorosos experimentos sociais e políticos. Mas isso dá um certo trabalho! E descontados os casos de estupidez e de ingenuidade incapacitantes, que impedem a realização de qualquer processo crítico capaz de fazer as pessoas perceberem o que está acontecendo, antes do desastre, a preguiça mental parece ocupar um lugar de destaque para esse resultado preocupante.
Resolvi chamar essas breves reflexões de “intestinas” ao ser acometido por sintomas de infecção intestinal após assistir, na #Globolixo, depois de anos de abstinência desse hábito televisivo prejudicial, ao processo de inquisição a que foi submetido o atual presidente Bolsonaro, há algumas semanas atrás, programação essa que foi chamada singelamente por essa organização criminosa de “entrevista com o candidato”. Essas cenas deploráveis de falta de profissionalismo e de militância explícita foram patrocinadas pela dupla de vigaristas que compõe a bancada do falido e irrelevante JN.
Essa é apenas mais uma prova do acerto da minha decisão e escolha consciente de realizar uma “dieta rigorosa de notícias” em caráter permanente. Há anos que cancelei minha antiga assinatura do jornal impresso vendido por essa empresa duplamente estelionatária. Essa denominação me parece justificável já que ela deve dinheiro de recolhimento de impostos ao Governo, sendo possuidora de dívida tributária considerável e, no trato das informações que teria o dever de divulgar, também lesa o contrato mantido com seus assinantes já que despreza os fatos e simplesmente omite, distorce e mente descaradamente para sustentar as narrativas que convém para seu projeto de sobrevivência midiática e financeira. Minha dieta também faz com que não assista mais a nenhum dos telejornais oferecidos pelas principais emissoras de televisão que operam no país, sejam elas em suas versões de transmissão aberta ou por cabo. Com raríssimas exceções, agem da mesma maneira e com os mesmos propósitos de omissão e distorção dos fatos relevantes e de divulgação de mentiras quando as duas ações anteriores não são julgadas suficientes para sustentar as narrativas desejadas. Prefiro me atualizar acessando na Internet e nas redes sociais as pessoas e sites da minha confiança, únicas fontes que fazem um contraponto ao que é divulgado pela imprensa tradicional, além de fazerem a divulgação dos fatos que não são encontrados em nenhum outro lugar. Essa é a base da minha saudável dieta de notícias. E consumir informação adulterada, mesmo que por um curto período, costuma ter para mim o mesmo efeito que consumir comida estragada.
Meus sintomas de desconforto intestinal se agravaram também, mesmo depois de ter desligado novamente a breve sintonia de cerca de quarenta minutos dessa emissora, após tomar conhecimento, nos dias subsequentes, das repercussões da amistosa conversa que esses mesmos patetas midiáticos mantiveram com um conhecido ladrão cachaceiro que tem frequentado as páginas físicas e eletrônicas da imprensa, tanto na área das editorias de notícias políticas como no noticiário policial. Isso só foi possível uma vez que esse traste foi descondenado e tornado elegível (que vergonha!) pelos patetas togados integrantes da sua quadrilha e que se encontram confortavelmente instalados na nossa mais alta corte de “justiça”, mais especificamente no #stfvergonhanacional, depois de indicados por ele e aprovados pelos outros integrantes da mesma quadrilha que compõe o #senadofederalvergonhanacional. Isso mesmo, tudo escrito em letra minúscula que é o tratamento que merecem essas instituições, enquanto povoadas por essas criaturas do pântano. Como costumo dizer e repetir à exaustão, neste momento em que o país se encontra sapateando à beira do abismo: “nenhuma instituição é melhor do que as pessoas que a compõe”.
Na busca por informações confiáveis para tratar dos meus sintomas físicos, após ser submetido a essas experiências e emoções desagradáveis, fiz consultas a gastroenterologistas e a outros amigos e especialistas da minha confiança, além é claro de realizar algumas pesquisas adicionais pela Internet. E acabei relembrando a informação já conhecida de que nos intestinos das pessoas saudáveis convivem em relativa harmonia diversos tipos de bactérias no que é conhecido como trato intestinal. É claro, não sou médico nem graduado em ciências biológicas e meu interesse por esses tópicos e o conhecimento superficial adquirido sobre o tema advém do justificado desejo e da necessidade de preservação de minha própria saúde física, mental e espiritual. Mas nada me impede que possa estabelecer alguns paralelos e fazer algumas analogias com o que se passa no trato social em um regime democrático.
Por exemplo, da mesma maneira que nas sociedades saudáveis, ou seja, nas sociedades democráticas, convivem em relativa harmonia opiniões divergentes, no intestino de uma pessoa saudável também convivem em relativa harmonia diferentes tipos de bactérias. E o que mantém a saúde, tanto das sociedades democráticas quanto dos intestinos, é a preponderância da opinião dos verdadeiros democratas em relação à dos hipócritas que pretendem destruí-la, e a das boas bactérias que participam do processo digestivo em relação às más que, em determinadas condições, após infeccionar o ambiente intestinal, podem se alastrar e comprometer todo o organismo. E o bom funcionamento de ambos os sistemas é possibilitado pela existência de um sistema imunológico forte e saudável que deve lidar de maneira eficaz e eficiente tanto com as ameaças internas, existentes dentro do próprio organismo, como as externas, provenientes do ambiente em que esse organismo está inserido.
Segundo as fontes consultadas, as principais causas de infecções intestinais são:
Infecções bacterianas ou virais. Podem ser internas ou externas;
Intolerâncias alimentares. Os alimentos são externos ao organismo, antes de serem ingeridos; e
Uso de medicamentos (antibióticos e antiácidos). São externos ao organismo, antes de serem ingeridos.
Nossas infecções sociais, por sua vez, na minha opinião são causadas principalmente por:
Infestações de hipócritas e mentirosos descarados atuando internamente, com o apoio da mídia nacional tradicional, da maioria da classe “artística” decadente e de uma “justiça” composta de ativistas militantes, ao invés de juristas imparciais; e, é claro, a mesma espécie de criaturas, atuando a partir do exterior, com o apoio da mídia internacional. Tudo isso é agravado por um sistema imunológico social deficiente, pela ausência de liberdade de expressão autêntica e pela tentativa de se emplacar uma opinião única, que atende a interesses divorciados da saúde do nosso organismo social;
Efeitos decorrentes da omissão de informações e/ou de sua disseminação de maneira distorcida ou mentirosa. As informações são o principal alimento do organismo social e informação estragada faz mal à saúde social; e
Tentativas de controle de infecções sociais, por meio de censura, camuflada sob o rótulo de regulação, aplicadas pelo Estado. Esse tipo de “medicamento” pode promover a adoção de uma opinião oficial única, que ataca frontalmente o próprio sistema imunológico que é movido a liberdade de expressão.
Nesta comparação simples, que não pretendo seja em nenhum momento apenas simplista, diagnostico a tentativa de contaminação do nosso organismo social com algo equivalente a uma síndrome de imunodeficiência adquirida já em estado avançado de infestação que, se bem-sucedida, levará inevitavelmente à morte de nossa jovem democracia. Na minha opinião, participam desse projeto suicida, como já mencionado anteriormente, a maior parte da imprensa tradicional infestada de simpatizantes, militantes e integrantes da quadrilha ideológica de esquerda; pseudointelectuais que alimentam a imprensa com suas teses delirantes que não encontram nenhum amparo na realidade dos fatos; artistas decadentes que precisam de liberdade como do ar que respiram mas que, curiosamente, flertam com modelos ditatoriais; e por último, mas não menos importante, a nossa “justiça” já infectada por ativistas travestidos de juízes que, usurpando a competência dos poderes legislativo e executivo, promovem essa agenda doentia.
Partindo do princípio que nos adverte que “aqueles que desconhecem a história estão condenados a repeti-la”, desmascarar essas criaturas e essas situações de maneira contínua e permanente deve ser uma das principais tarefas das pessoas esclarecidas. E, especialmente durante períodos de campanhas eleitorais, a verdadeira “primavera da hipocrisia”, essa tarefa se impõe, já que um grande contingente de hipócritas enrustidos perde a vergonha e se soma ao de hipócritas assumidos, protagonizando nas sociedades democráticas um verdadeiro festival de horrores.
Tendo feitas essas considerações, vamos ao voto, usando minha camisa amarela, que hoje é dia de eleição em primeiro turno, e a temperatura máxima é de 22 e a mínima de 13 graus na escala de bom senso dos verdadeiros amantes da democracia.
Retornando de viagem, o por do sol do dia anterior tinha sido espetacular. Horizonte cor de rosa chá por cima da silhueta da cidade do Rio de Janeiro, quando avistado da ponte Rio-Niteroi. É ótimo o sentimento de voltar pra casa, mesmo já sentindo saudades das pessoas que tinha ido visitar por uns poucos dias, foi o que pensou enquanto dirigia e reconhecia a paisagem cada vez mais familiar a cada curva da estrada.
Na típica manhã de outono, depois de uma noite de céu estrelado, iluminado por lua minguante gibosa e de ar fresco e salitrado, sentiu-se reconfortado com a visão do esperado céu azul com poucos flocos de nuvens brancas acima das árvores da pracinha, quando espreitada pela janela da biblioteca.
Leu em algum lugar, provavelmente em uma mensagem postada por um bom amigo, que ao longo dos próximos dias ainda se poderia avistar um alinhamento incomum dos planetas Júpiter, Vênus, Marte e Saturno, pouco antes do nascer do sol. Quem sabe amanhã?
Tudo isso, ou nada disso fez com que sentisse vontade de rever velhos escritos, cartas, bilhetes, livros e anotações espalhadas pelas prateleiras da biblioteca, sem nenhum alinhamento específico. Uma carta em especial o fez lembrar de uma cena lida no memorável romance de Gabriel Garcia Marques “O amor nos tempos do cólera” em que um dos personagens encontra um tabuleiro com uma partida de xadrez inconclusa, nos aposentos de um amigo recém falecido.
Um haicai ainda não postado, rabiscado na lateral da página do livro no dia 08 de abril de 2020, foi inspirado pela leitura da cena e evocado pela leitura da carta.