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Garrafa 510 – O Caminho do Meio na Política   2 comments

Sou um apreciador de boas metáforas e analogias e acredito que elas podem ser ferramentas poderosas de gestão do conhecimento. Esse assunto é bem abordado no artigo de Ikujiro Nonaka, “A Empresa Criadora do Conhecimento”, que consta do livro “Gestão do Conhecimento”, de Série Harvard Business Review, da Editora Campus, que li em 2001.

“A metáfora é o meio pelo qual indivíduos situados em contextos diferentes e com experiências diversas compreendem algo de maneira intuitiva, mediante o uso da imaginação e de símbolos, sem a necessidade de análises e generalizações. Por intermédio das metáforas, as pessoas reúnem seus conhecimentos sob novas formas, que servem para expressar o que sabem, mas ainda não está traduzido em palavras. Como tal, a metáfora é altamente eficaz em fomentar o comprometimento direto com o processo criativo nos primeiros estágios da criação do conhecimento.”

Já tinha entrado em contato com o tema, também, por meio dos Cursos de Programação Neurolinguística – PNL, que realizei a partir do ano 2000. E meu guru em PNL, Robert Dilts, em seu livro “From Coach to Awakener”, editado pela Meta Publications, em 2003, nos aponta que as metáforas e analogias nos permitem traçar paralelos entre diferentes ambientes ou experiências. Ele usa os conceitos estabelecidos pelo seu próprio guru, Gregory Bateson, antropólogo e teórico da área da comunicação. Cito em adaptação livre:

“A habilidade para encontrar metáforas e analogias é uma função do pensamento abdutivo, que Bateson contrastou com os processos de pensamento dedutivo e indutivo. O pensamento abdutivo, ou analógico, nos conduz a mais criatividade e essa seria a própria fonte da arte e do gênio. Bateson acreditava que as analogias nos levam a focalizar na estrutura profunda da nossa experiencia, ao invés de apenas nas suas diferenças superficiais.

Portanto, uma ideia complexa, que é muito bem descrita por meio de uma bela metáfora e se ajusta com perfeição  a uma determinada área do conhecimento ou experiência, também pode ser transposta para outra  área, trazendo luz e a possibilidade de solução de outro desafio igualmente complexo.

Não sigo qualquer tipo de religião formal e, ao mesmo tempo, respeito quem escolhe fazê-lo. Procuro retirar aquilo que faz sentido pra mim dos aspectos filosóficos de cada uma das doutrinas com as quais já entrei em contato, quer sejam elas as que vivenciei por influencia familiar, ou quer sejam todas as outras que busquei por meu próprio interesse em conhecer mais a respeito, enquanto percorro o meu próprio caminho espiritual. Esse caminho, segundo entendo, não passa necessariamente por abraçar nenhuma religião formal. Tem mais a ver com o conceito de contribuição, de compartilhamento e de inclusão, no nosso círculo de preocupações, de um número cada vez maior de pessoas e de seres sencientes. Mas reconheço que esse caminho individual também pode incluir algum aspecto religioso, para quem assim o desejar.

O conceito de caminho do meio, da filosofia budista, é uma dessas ideias que faz todo o sentido pra mim. Ele se refere ao conhecimento sobre o vazio (Sunyata) que transcende as declarações opostas sobre a existência. Incorpora a prática do não-extremismo, de um caminho de moderação e distância entre a auto-indulgência e a morte; da busca de um meio-termo entre determinadas visões metafísicas; e propõe uma explicação do estado de nirvana, ou de perfeita iluminação, no qual fica claro que todas as dualidades aparentes no mundo são ilusórias. Lao Tsé também nos aponta nessa direção quando nos diz que devemos buscar a justa medida de todas as coisas, fugindo dos extremos, e esse conteúdo já foi postado na Garrafa 159. E penso que esses conceitos do caminho do meio e da justa medida podem ser transpostos para outras áreas do conhecimento, mantendo sua validade como princípios universais. Essas são algumas das minhas crenças orientadoras que procuro utilizar em todas as áreas da vida.

Li essa próxima ideia que vou apresentar em seguida no Blog do escritor Paulo Coelho, há algum tempo atrás. Senti naquela ocasião o perfume sutil da filosofia budista e do taoismo, e a incorporei imediatamente ao meu cinto de utilidades de Metáforas Poderosas:

“A busca espiritual é uma ponte sem corrimão atravessando um abismo. Se alguém está muito perto do lado direito, um bom mestre deve indicar ‘para a esquerda!’ Se alguém se aproxima perigosamente do lado esquerdo, esse mesmo bom mestre deve indicar ‘para a direita!’. Os extremos nos afastam do caminho”.

Nesse caso, podemos substituir a “busca espiritual” por qualquer outro desafio ou área do conhecimento onde seja a escolha natural essa ideia de fugir dos extremos perigosos e de buscar um caminho que, de maneira segura, contemple e procure harmonizar as demandas existentes no ambiente e contexto em questão.

Penso que a área da Política é uma das áreas do conhecimento que muito pode se beneficiar com a utilização dessa metáfora, uma vez que essa retórica de direita e esquerda tem sido um lugar comum e fonte de conflitos e disputas intermináveis, desde a época da revolução francesa. Um olhar mais atento pode indicar que essa discussão pode ter começado muito antes, há cerca de 2.500 anos AC.

Acredito no poder dessa metáfora, apesar de que o seu próprio autor, Paulo Coelho, segundo o meu julgamento, tenha deixado de utilizá-la, de maneira sistemática, ao privilegiar uma visão política claramente “de esquerda” em seus diversos livros, e em algumas outras publicações e entrevistas. Expressou simpatia, quando não militou de maneira mais explícita, chegando até mesmo defender, em alguns momentos, o projeto da quadrilha de malfeitores do PT chefiada pelo ex-presidente Lula. Esse movimento unidirecional para a esquerda, de acordo com a própria metáfora que nos propõe, só poderia apresentar um único resultado, se não fosse interrompido a tempo, o de queda no abismo de uma ditadura de extrema esquerda!

Embora seja sempre desejável, a congruência, ou seja, o alinhamento do pensar, do falar e do agir nem sempre é um valor ou uma qualidade demonstrada por algumas “lideranças” conhecidas, sejam elas literárias, políticas ou espirituais. E isso não elimina o valor das próprias metáforas que são adotadas ora sim, ora não, de acordo com critérios de conveniência momentâneos.

Vamos então dar uma breve olhada na situação política da América Latina e do Brasil, nos últimos anos, e aproveitar para aplicar o conceito subjacente a essa metáfora,  e deixar que cada um siga em paz com suas próprias escolhas e preferencias, mesmo que sejam aparentemente incongruentes.

Se a justa medida, a de se trilhar o caminho do meio, seria aquela de procurar conciliar as visões extremas, sejam elas de direita ou de esquerda, vemos claramente que tanto a maioria dos países da América Latina, bem como o Brasil, oscilaram perigosamente à beira do abismo, alternando visões de extrema direita e de extrema esquerda, nas ultimas décadas.

Em movimentos inspirados e financiados por Cuba e pela antiga União Soviética, a partir dos anos 60, a maioria dos países do continente correu o risco de verem instaladas ditaduras do proletariado (de extrema esquerda) em seus respectivos territórios, um claro cenário de queda no abismo. E também viram, a seguir, como legítima reação de defesa contra esse movimento extremista esquerdizante, a instalação de décadas de governos militares (de extrema direita), um movimento que poderia ser interpretado como sendo em direção ao abismo localizado no outro lado dessa ponte sem corrimão.

Os processos de redemocratização em cada país seguiram seus próprios cursos, cada um ao seu tempo e à sua maneira.

Infelizmente, ao invés de se buscar o caminho do meio, o que seria desejável e razoável, outro movimento pendular de volta à extrema esquerda se seguiu de maneira clara e inexorável em toda a região.

Mesmo que essas visões de extrema esquerda, na maioria das vezes e felizmente não tenham sido completamente implementadas, com exceção do caso da Venezuela,  elas certamente foram a força inspiradora de várias iniciativas de movimento suicida, que foram corrigidas a tempo em alguns casos, antes da inevitável possibilidade de queda no abismo.

Uma fotografia também metafórica da posição de cada um dos países do nosso subcontinente com relação à beira do precipício, nessa ponte sem corrimão, certamente iria colocar a sua quase totalidade novamente à esquerda, na borda do abismo. Isso, graças à atuação continuada, coordenada e deletéria dos partidos de orientação socialista e comunista, desde os anos 90, seguindo a orientação do famigerado Foro de São Paulo. A Venezuela, quem sabe, já seria retratada em plena queda livre, em direção ao fundo do buraco, onde se encontrará certamente com Cuba, para manter os exemplos apenas na nossa própria América Latina.

Ora bolas, o que diria um bom mestre político, em um momento como este, de beira do abismo, ao utilizar a força dessa metáfora para o caso de cada uma das sociedades em questão?

Para a direita! E rápido!

Não me considero nenhum mestre em política, mas posso perfeitamente usar essa metáfora poderosa proposta por verdadeiros mestres consagrados. Eles, que têm me orientado em diversos assuntos existenciais é que são os verdadeiros mestres. E sua mensagem  também está ao alcance de qualquer pessoa de bom senso, desde que tenha olhos para ver e ouvidos para escutar.

A Argentina foi o primeiro país a fazê-lo, ao executar um claro movimento em direção à direita, com a escolha de Macri. E o Brasil, aos trancos e barrancos, parece se mover prudentemente nessa mesma direção, depois do impedimento de Dilma, a esquizofrênica, apesar da situação de transitoriedade e de mandato tampão de Temer. Veremos o que acontece em 2018, e se essa saudável tendência se confirma. Isso, é claro, se não houver nenhum outro sobressalto provocado pela Operação Lava-Jato, e o país mergulhe no abismo simplesmente por ausência de pessoas capazes de assumir o governo, pelo simples fato de estarem todas elas na cadeia.

Já antevejo os olhares de reprovação de alguns dos meus amigos simpatizantes ou militantes de esquerda, que apoiaram e ainda defendem o projeto de poder “bolivariano” do PT, e votaram no candidato do PSOL nas ultimas eleições municipais, e posso imaginar alguns dos seus comentários exaltados no mesmo tom de acusação: Golpista! Coxinha! Reacionário! Blá! Blá! Blá!

E posso sentir os olhares de aprovação e ouvir também avaliações equivocadas de pessoas simpatizantes ou militantes de extrema direita que desejam a volta dos militares ao poder, ou  da adoção de medidas insensatas de instalação de um capitalismo selvagem e insensível. E todos vibrando no mesmo tom: Esse é dos nossos! Direita, volver! Morte aos comunistas! Blá! Blá! Blá!

Mas não me importo com suas opiniões. Escolho me importar sim, com os sentimentos dos meus amigos e familiares mas, ao mesmo tempo, também escolho não dar a mínima para suas respectivas opiniões. Uma equação complexa que inclui equilibrar em justa medida doses generosas de sinceridade e de educação, será utilizada caso a caso. Assim tem sido feito, e assim continuará sendo feito.

Adepto da ideia do desenvolvimento de uma Política Integral, nada mais longe da verdade do que essas acusações simplistas de ser simpatizante ou militante de extrema direita! Ou de ser simplesmente um outro tipo de radical que combate a extrema esquerda!

Como já tive oportunidade de declarar várias vezes, não luto mais contra coisa alguma! Aquilo a que opomos resistência ganha força! Prefiro agir em favor do que considero valioso. E se alguém decidir me atacar pelas escolhas que faço, simplesmente me defendo. A energia flui para onde a atenção está!

No topo da minha escala de valores está a liberdade e, ao agir em favor da democracia, posso ser atacado por extremistas tanto de direita como de esquerda. E estou preparado para enfrentar tranquilamente ambos os tipos de ameaças. Estou apenas utilizando conceitos que considero princípios universais e procurando me alinhar, nesse caso específico, com os ensinamentos do Buda.

Segundo Ken Wilber, criador da Abordagem Integral, quando esses conceitos se aplicam à teoria política, de acordo com alguns dos critérios utilizados o Buda poderia ser considerado o primeiro representante da extrema direita e, ao mesmo tempo, já segundo outros critérios, o mesmo Buda também poderia ser considerado o primeiro representante da extrema esquerda. Nada de surpreendente para alguém cuja doutrina nos diz que todas as dualidades aparentes no mundo são na verdade ilusórias. E tudo isso, muito antes da revolução francesa. Estamos falando de 2.500 AC.

E que critérios propostos pela Abordagem Integral seriam esses?

Ao ser questionado durante um seminário, Wilber, usando como exemplo a situação política da sociedade norte-americana que tem alternado no poder representantes do partido republicano (de direita), também chamados de conservadores, e do partido democrata (de esquerda), também chamados de liberais (aqui no Brasil esse termo não se aplica) usou como critérios básicos o Modelo dos Quatro Quadrantes (EU/ISTO/NÓS/ISTOS) e a ideia dos Níveis e Linhas de Desenvolvimento de Consciência.

Em resposta à pergunta sobre o porque do sofrimento humano, ou sobre o porque de algumas pessoas serem pobres, as pessoas da direita tendem a responder que  eles não trabalham o suficiente, que não são éticos, que eles não respeitam os valores familiares, que eles não assumem responsabilidades, que eles usam drogas, e coisas assim, colocando as causas no interior de cada pessoa. Já os partidários de ideias de esquerda dizem que eles foram reprimidos, que vivem em uma sociedade injusta, e que essa sociedade não lhes deu oportunidades, em resumo, que as causas estão no exterior, na própria sociedade e não no interior do indivíduo. Os republicanos tendem a colocar as causas nos quadrantes interiores (EU/NÓS), enquanto os democratas tendem a colocar as causas nos quadrantes exteriores (ISTO/ISTOS). Nesse sentido, o Buda era um republicano, já que ele atribui 100% da responsabilidade pelo sofrimento a cada indivíduo, ao seu próprio carma criado por atos praticados em vidas passadas, e não se poderia culpar ninguém mais por isso.

Outro critério a ser usado se refere à importância dos direitos do indivíduo quando confrontados com as questões dos direitos da coletividade, e vice-versa. Nesse caso os republicanos (de direita) tendem a privilegiar os direitos individuais, ou seja os quadrantes individuais (EU/ISTO), enquanto os democratas (de esquerda) tendem a privilegiar os direitos coletivos, ou seja os quadrantes coletivos (NÓS/ISTOS).

O terceiro critério tem a ver com os níveis e linhas de desenvolvimento. Os republicanos, de maneira clássica, tendem a se enquadrar no meme azul, são fundamentalistas, acreditam nas verdades da Bíblia, são etnocêntricos, acreditam que o homossexualismo é um pecado, etc. Já os democratas, foram os primeiros a ascender ao meme laranja, e foi quando se falou pela primeira vez em direitos iguais.  Enquanto os azuis eram partidários do sistema de castas, os laranjas não aceitavam essa ideia, o que causou uma verdadeira “revolução” no pensamento da antiga Índia. O pensamento laranja usou a ciência para combater a mitologia, a democracia para combater a escravidão, e a ideia de um sistema representativo contra a ideia da monarquia. Nesse sentido o Buda foi um democrata, uma vez que estendeu a ideia de direitos iguais não só às pessoas, mas a todos os seres sencientes.

Os democratas, portanto estão situados em sua maioria no meme laranja ou acima, no meme verde, e tendem a pensar que as causas dos problemas são externas; já os republicanos estão situados no meme azul e tendem a pensar que as causas dos problemas estão no interior dos indivíduos e na cultura. Pelo fato dos primeiros democratas estarem no meme laranja, eles também começaram a se dizer “progressistas” ao contrário dos republicanos que defendiam valores mais conservadores. Isso tudo aconteceu há cerca de 200 anos atrás. Hoje, a situação evoluiu e em ambos os partidos há grupos azuis e laranjas, como os republicanos “de wall street” que também lutam pelos direitos individuais e falam em meritocracia. Já os democratas têm pessoas no meme verde e bradam seus slogans de multiculturalismo, de pós-modernismo, e também criam fricção com os democratas tradicionais do meme laranja. Um fato curioso, quando se observa a questão dos estágios pré-convencionais e dos pós-convencionais é que ambos votam nos democratas. As pessoas do meme vermelho, que é anterior ao azul, por exemplo tendem a se posicionar a favor dos democratas, assim como os do meme verde.

E esse é um grande desafio, tanto no caso da sociedade americana, mas como em qualquer outra, o de se analisar as questões partidárias específicas com esse olhar Integral. E o  caso brasileiro apresenta um desafio ainda maior, com a enorme pulverização de 35 partidos e legendas, com a ausência de massa crítica qualificada com pessoas estudando o assunto com um olhar integral, e também pela ausência de informações e estatísticas confiáveis a esse respeito. A tarefa daqueles interessados em estabelecer os contornos do que poderá vir a ser uma verdadeira política integral é a de levar em conta não só as visões de todos os quadrantes, mas também contemplar as visões dos diferentes níveis e linhas de desenvolvimento de consciência das pessoas envolvidas.

É claro, seria desejável, também, que os governantes eleitos pudessem estar nos níveis de consciência mais elevados, nos memes amarelo e turquesa, de modo a propor e implementar uma verdadeira visão integral, e não apenas uma visão limitada de nível azul, laranja ou verde, sem falar de uma visão apenas de nível vermelho o que seria simplesmente um retrocesso catastrófico. Segundo Wilber, uma alta dose da responsabilidade que é um valor típico dos conservadores do meme azul é desejável, para que se leve adiante com sucesso uma tarefa dessa envergadura.

Tendo feito todas essas considerações, e voltando à metáfora da ponte sem corrimão e do ponto de beira do abismo onde nos encontramos, depois do país se ver livre de 13 anos de uma agenda de esquerda, inspirada por ideais de extrema esquerda, acredito que é simplesmente uma reação natural que a sociedade brasileira sinta a necessidade de uma guinada à direita, isso apenas para posicionar o país em um caminho mais próximo do caminho do meio, como desejam as pessoas de bom senso e aquelas que acreditam na força dessa metáfora, que tem para mim o valor de um princípio universal.

Nos últimos tempos, temi sinceramente que isso não pudesse ser feito sem uma quebra institucional, o que felizmente não ocorreu, mas os desafios para colocar o país de volta nos trilhos de uma evolução consistente permanecem enormes.

Depois de uma eleição municipal no Rio de janeiro, em que um candidato do nível azul acabou de se eleger, o que nos livrou de outro candidato que se diz de nível verde, mas que flerta descaradamente com seus simpatizantes de nível vermelho, os “Black Blocs”, fica muito claro que temos um longo caminho a percorrer até que os contornos do que poderá se tornar uma Política Integral fiquem melhor definidos.

É o que penso e compartilho com os amigos neste momento.

Eduardo Leal

Ilustração de autor desconhecido

Instruções de utilização: Assistir à resposta de Ken Wilber, em seminário sobre Abordagem Integral.

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Garrafa 505 – Circunspecção   Leave a comment

A palavra circunspecção é de origem latina  e vem de “circum” que significa “volta” ou “em volta” e “pectionem” que significa “inspeção”. A ideia geral é a de se olhar ao redor de si e fazer  uma avaliação sobre tudo aquilo que nos rodeia, para que em nada possamos ser surpreendidos. Traz também a ideia do exame de um objeto por todos os lados, além de ser a qualidade associada a quem tem cuidado no falar e no agir. E indica a presença das características de moderação, prudência, reserva, cautela e seriedade.

Salvo melhor juízo, penso que essa deva ser a atitude correta para um juiz, e demais agentes da lei, em todos os momentos de sua vida. Muito especialmente durante a realização do seu importante trabalho de investigar e julgar outras pessoas mas, também, em sua vida pessoal e privada.

Nosso país, infelizmente, vem atravessando um período de prolongada escuridão moral, nas ultimas décadas. E um destino triste e sombrio estará sempre à espreita daquelas nações que elegem, em eleições fraudadas ou não, pessoas sem caráter. O tempo dirá!

Constatamos, acompanhando o noticiário diário, o importante trabalho realizado pelo assim chamado jornalismo investigativo, ao destampar e expor penicos malcheirosos, de escândalo em escândalo. O mau cheiro vem da constatação de que a maior parte dos integrantes das classes política e empresarial do país estão envolvidos em tenebrosas transações, com corruptos e corruptores envolvidos em pedidos e respectivos pagamentos de propinas da ordem de muitos milhões. Com isso, os prejuízos já contabilizados para os cofres públicos ao longo dos últimos anos são da ordem de bilhões!

E há vários indícios e suspeitas de que parcela significativa da mais alta corte do Poder Judiciário, o STF, também já estaria comprometida, cooptada. Com seus integrantes atuando ora como apenas simpatizantes, ora como ativos militantes do projeto criminoso de poder do “lulopetismo”.

Os fatos que chegam ao nosso conhecimento indicam que a corrupção, no Brasil e no mundo, que anteriormente poderia ser  considerada como apenas endêmica, ou ocorrendo apenas em determinados locais ou regiões, depois de diversos surtos epidêmicos, com seus efeitos se espalhando rapidamente por largas regiões do planeta, já podemos dizer que atingiu o nível de pandemia, ou seja, uma epidemia que atingiu grandes proporções, tendo se espalhado por vários continentes e por todo o mundo. Em tempos de Jogos Olímpicos que se aproximam, examinando apenas os casos da FIFA, uma organização de âmbito mundial, com suas diversas federações esportivas locais, como a nossa CBF, e os recentes casos de “doping” de atletas na Rússia, para citar apenas um deles, podemos fazer uma ideia da amplitude da disseminação dessa grande epidemia, isso com respeito apenas à área do esporte.

Entretanto, o fato de que a corrupção em todas as suas formas é um mal que já se espalhou pelo mundo todo não deveria “servir de consolo”, se é que isso seria possível na cabeça de pessoas de bom senso, como é o caso da maioria de nós. Quando examinamos mais especificamente a situação da corrupção em nosso próprio país, o triste diagnóstico é o de que, além de epidêmica, com vários casos de “doping” registrados ao longo dos últimos anos entre nossos atletas, em várias modalidades esportivas, na área da política ela se tornou também sistêmica. A proliferação da contaminação desse mal foi patrocinada pela própria estrutura do Estado Brasileiro, agindo como corruptora, e com seus agentes se beneficiando também de maneira pessoal, agindo como corruptos. Motivo de vergonha e de tristeza profundas, pelo péssimo exemplo oferecido por uma das piores safras de “lideranças” que o Brasil já escolheu, pelo voto, desde sua independência.

Neste momento de sensação de beira do abismo, nossas esperanças se voltam principalmente para as Cortes de Justiça de Primeira Instância, onde tudo começa, e é importante que comece bem, e que prossiga até a prisão, o julgamento dos acusados e a punição de todos os culpados.

Esperança, atenção e apoio incondicional devem então ser dedicados em especial àquela instância que ficou conhecida como a “República de Curitiba”.

Atualmente, a simples menção do nome do Juiz Sérgio Moro, e das notícias e boatos sobre os resultados e desdobramentos das diversas fases da Operação Lava-Jato, já enchem de terror os criminosos de colarinho branco instalados em todas as unidades da federação. Aterrorizam não só a eles, mas, principalmente, àqueles encastelados há décadas no planalto central,  ocupando cargos de destaque nos poderes executivo e legislativo. E é assim que deve ser, e deve continuar sendo!

É o momento de evocarmos o sentido da palavra circunspecção. De apoiarmos sem medo e sem reservas as atitudes do corajoso juiz Moro, e dos diversos integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que conduzem as investigações, para que a faxina vá às ultimas consequências.

Desejamos que o exame dos objetos de investigação seja feito “por todos os lados”, com a identificação dos corruptos e dos corruptores. E que as autoridades envolvidas sejam exemplos de cuidado no falar e no agir. E que, em todos os momentos, estejam presentes os valores de moderação, prudência, reserva, cautela e seriedade.

Enquanto aguardamos a prisão do chefe da quadrilha e grande patrocinador da corrupção sistêmica, também desejamos ardentemente que, ao final do processo, tanto ele quanto os demais integrantes da sua quadrilha considerados culpados sejam exemplarmente punidos, na forma da lei!

 Pausa para um breve haicai:

sempre convicto,
o juiz circunspecto,
no veredicto.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Veredicto

Garrafa 491 – Muro de Berlim X Muro da Cisjordânia   2 comments

O Muro de Berlim foi um monumento à estupidez construído pelo regime comunista instalado na República “Democrática” Alemã (piada de péssimo gosto dos dirigentes da Alemanha Oriental) logo após o término da segunda guerra mundial. Foi derrubado há 25 anos atrás, em 09/11/1989. O vídeo apresentado ao final do post, elaborado pela rede de televisão da República Federal da Alemanha, em uma época em que o muro ainda não tinha sido derrubado, é bastante ilustrativo a respeito da quantidade de esforço e energia que eram empregados pelos comunistas na manutenção desse disparate.

Outro muro desse mesmo tipo, que tem 250 quilômetros de extensão e inda permanece de pé, é aquele que separa as duas Coreias, a do Norte (República “Democrática” Popular da Coreia) que é considerada uma ditadura totalitarista stalinista, e a do Sul (República da Coreia), ao longo do Paralelo 38, a faixa de terra que divide a península coreana em dois países.

Infelizmente, lições que deveriam ser cristalinas a respeito do tipo de consequências que a opção política e ideológica pelo comunismo e socialismo têm sido desprezadas por parcelas significativas da população do nosso país: onde quer que esses regimes tenham sido implantados, produziram sociedades tristes, infantilizadas e oprimidas. Os motivos, imagino, passam pela ignorância dos iletrados, a simples estupidez de quem lê a respeito e é incapaz de entender o que leu (os analfabetos funcionais), a ingenuidade de alguns outros bem-intencionados seduzidos por promessas de igualdade e políticas sociais mais justas, esquecendo-se de que terão que pagar o preço inaceitável de redução significativa seguido de completa eliminação de sua própria liberdade, ou a velha má-fé mesmo.

Imagino, também, que os diretores das empreiteiras presos na “Operação Lava-jato” estejam loucos para construir muros similares aqui no Brasil, certamente com despesas superfaturadas, caso o projeto de poder de inspiração cubana levado a efeito pelo atual partido governista seja bem-sucedido. Uma ideia idiota como essa, seja de construção ao longo de nossas fronteiras terrestres, de 16.886 quilômetros, seja internamente, em algum tipo de divisão promovida pelos atuais dirigentes, em caso de guerra civil, certamente seria uma obra com dimensões suficientes para encher os bolsos de muita gente desse grupo de dirigentes, parlamentares e empresários que, diariamente, transita pelo noticiário ora político, ora policial. É a possibilidade de mais um encontro perfeito entre corruptos e corruptores, em que fica cada vez mais difícil distinguir quem exatamente exerce cada um dos dois papeis complementares. Espero estar morto antes de ver um muro desse tipo ser erguido aqui no nosso país. Enquanto houver um sopro de vida em meu corpo, atuarei com todas as minhas forças e recursos à minha disposição para contribuir para evitar que isso se torne realidade.

Refletindo nas ultimas semanas a respeito da construção ou derrubada de muros de diversos tipos, após conversas com amigos que aparentemente defendem a ideia romântica de “abaixo todos os muros” (especialmente daquele localizado no barril de pólvora do oriente médio), mas ao mesmo tempo bem longe de quem diz que “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos”, fiz para mim mesmo o breve resumo que apresento abaixo.

Não me considero seguidor de nenhuma religião formal. Minha atividade que pode ser chamada de “espiritual” se resume à prática meditativa diária, além de algumas ações de contribuição, normalmente doando parte do meu tempo e energia em prol de algumas causas que julgo valiosas nas áreas de educação e de desenvolvimento pessoal. Já atendi pessoas gratuitamente mas, ultimamente, para que elas sintam que estão investindo mesmo que seja um valor mínimo, prefiro receber apenas alguns valores simbólicos de quem acredita que posso realmente ajudar, me pede apoio e, momentaneamente não dispõe de recursos para investir no próprio processo de aprendizado. Entretanto, tenho simpatia pela filosofia e sabedoria embutidas em algumas escrituras a que pude ter acesso, da maioria das principais tradições religiosas (Cristã, Judaica, Muçulmana, Espírita, Budista e Hinduísta). A ideia do “Caminho do meio”, da religião budista, é um tópico dentro desse conjunto de conceitos que faz muito sentido pra mim. As generalizações absolutas do tipo sempre/nunca; tudo/nada são normalmente problemáticas e sinto que a virtude se encontra em algum ponto intermediário que procura incluir as demandas e justificativas posicionadas no amplo espectro de opiniões entre ambos os extremos de algum tema importante. E meu interesse pela Abordagem Integral proposta por Ken Wilber também me leva a examinar cada assunto de vários pontos de vista diferentes (quadrantes, níveis, linhas, tipos e estados). A partir disso, penso as ideias simplistas do tipo “abaixo todos os muros” e “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos” não se sustentam por muito tempo.

Tenho muito claro que todos aqueles muros construídos e mantidos por ditadores e que servem principalmente para impedir que uma população inteira seja impedida de exercer seu direito de sair livremente de onde está, em busca de outras oportunidades mais alinhadas com seu conjunto de crenças e valores, esses muros devem sim ser derrubados sem demora (esse foi, a meu juízo, o caso do muro de Berlim). Não passa pela cabeça de ninguém de bom senso que o muro de Berlim servisse para impedir uma invasão de populações inteiras do lado ocidental em busca dos “benefícios” encontrados no regime comunista oriental, podendo causar um colapso de sua economia. Por outro lado, os muros das penitenciárias que mantem isolados cumprindo pena por crimes hediondos, depois de julgados e condenados em processos que lhes permitiram ampla defesa, indivíduos que demonstraram claramente que não têm condições de conviver em sociedade sem colocar a segurança de pessoas inocentes em sério risco, esses muros devem ser mantidos sim. E alguns outros tipos de muros que possam servir de barreira de proteção contra ataques declarados e intenções hostis contra pessoas ou populações inteiras, ameaçadas que são de aniquilação total por algum tipo de adversário, rival ou inimigo (seja por questões raciais, religiosas, ideológicas, econômicas ou por qualquer outro motivo), podem ser necessários e até mesmo indispensáveis, sob pena de enquadramento de suas lideranças em crime de responsabilidade com relação à segurança de suas respectivas populações. O Estado de Israel, por exemplo, está cercado por inimigos declarados que fomentam sua completa aniquilação e, por algum tempo, posso entender que medidas extremas de proteção possam e devam ser adotadas nessas circunstâncias especiais. Mas confesso que não estive por lá para ver pessoalmente o que realmente acontece, como no caso de minha experiência de vida na Alemanha. Mas os bons livros de história contemporânea estão à nossa disposição para consultas eventuais, e já os li, e procuro me manter bastante atualizado a respeito. Não passa pela cabeça de ninguém esclarecido, também, que os holandeses pretendam abrir mão dos muros e barreiras que construíram ao longo de muito tempo e que os protegem temporariamente contra a fúria do oceano (às vezes tendo que ser reconstruídos de maneira emergencial antes que uma nova tempestade se apresente). E também não creio que alguém, em sã consciência, deseje abrir mão do seu sistema imunológico que exerce uma barreira contra infecções oportunistas provocadas por bactérias e virus, em nome de um “abaixo todos os muros”.

Desejo que muros do tipo da Cisjordânia sejam derrubados no tempo mais breve possível, fruto principalmente de uma elevação do nível de desenvolvimento de consciência de ambas as partes em confronto. Penso firmemente que a virtude está em algum lugar no meio entre posições extremadas, e que tanto árabes como israelenses poderiam se beneficiar, enquanto fazem suas orações e práticas religiosas diárias, em suas casas e templos localizados no oriente médio, se aceitassem receber apenas um leve sopro de filosofia budista vinda do extremo oriente. E desejo que, tendo recebido esse sopro, possam reorientar suas prioridades a partir dessas novas percepções e reflexões…

A liberdade é simplesmente um valor inegociável para quem está verdadeiramente interessado e comprometido com a elevação do nível de desenvolvimento de consciência das pessoas. Ao mesmo tempo, reconheço como legítimas todas as iniciativas para exercício da autodefesa de pessoas e populações ameaçadas de completa aniquilação.

Desejo que, em 2015, todas as ações que contribuam para a elevação do nível de desenvolvimento das pessoas possam ser exitosas.

Eduardo Leal
Vídeo elaborado pela rede de televisão da antiga Alemanha Ocidental

Garrafa 490 – Um país à beira do abismo   Leave a comment

MINHA DECLARAÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE DO BRASIL EM 2014:

Nunca votei em candidatos do PT (Lula e Dilma) para o Executivo Federal, nem em outros candidatos desse partido para cargos do Executivo Estadual, Executivo Municipal, ou do Legislativo (Federal/Estadual ou Municipal).

Não voto em candidatos de partidos que participam do Foro de São Paulo.

Para quem ainda não sabe, essa organização foi criada em julho de 1990, com o apoio de Fidel Castro e Lula, entre outros, com o propósito de transformar os países latino-americanos que ainda não o são em ditaduras de esquerda de modelo cubano. Projeto esse que já está em curso com grande sucesso na Venezuela, e com menor grau de êxito em outros países do continente americano, inclusive aqui no Brasil, para minha tristeza. Participam desse organismo partidos de esquerda da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

No caso brasileiro, esses partidos de esquerda são:

1. Partido Democrático Trabalhista (PDT)
2. Partido Comunista do Brasil (PC do B)
3. Partido Comunista Brasileiro (PCB)
4. Partido Pátria Livre (PPL)
5. Partido Popular Socialista (PPS)
6. Partido Socialista Brasileiro (PSB) e
7. Partido dos Trabalhadores (PT)

O modelo de tomada do poder sugerido pela Direção do Foro de São Paulo é, em grande medida, inspirado em ideias que surgiram a partir da primeira metade do Século XX e que foram propostas por Antônio Gramsci, que foi filiado ao Partido Socialista Italiano e, posteriormente, participou da criação do Partido Comunista Italiano, chegando a assumir a sua liderança. De maneira bastante simplificada, para lidar com a cultura existente nas democracias ocidentais, além da ênfase na influência exercida pelos “intelectuais de esquerda” em aspectos relacionados à “educação da sociedade”, ele propôs a assunção do poder pelas urnas, “fazer o diabo” para se manter no poder (para usar uma expressão utilizada pelo ex-presidente Lula e amplamente adotada pelos lideres, militantes e simpatizantes do PT) e, progressivamente, ir propondo e aprovando alterações na Constituição e na legislação decorrente para que o regime vigente se aproxime progressivamente de um modelo socialista e comunista (estatizante, ditatorial e restritivo de liberdades), corrompendo o legislativo para aprovação das matérias de seu interesse (vide mensalão), e promovendo o aparelhamento da mais alta Corte do Judiciário com pessoas simpatizantes de suas bandeiras (para livrar a cara de integrantes de sua “quadrilha” cuja existência nunca é admitida pois simplesmente “ninguém sabia de nada do que estava acontecendo” nas antessalas e gabinetes de integrantes do Executivo e Legislativo), enquanto algumas instâncias da polícia e do próprio judiciário ainda funcionam (de maneira cada vez mais precária). Qualquer semelhança com o processo utilizado na Venezuela e atualmente em curso no Brasil não é mera coincidência. Uma das estratégias adotadas em caráter permanente por seus integrantes é simplesmente a da mentira descarada (omitindo e distorcendo os fatos quando a realidade não se ajusta ao seu projeto de tomada e manutenção no poder). Simples assim: se o resultado do julgamento do Processo do Mensalão não nos favorece, vamos negar que ele tenha existido, apesar da colossal quantidade de evidencias e provas colocadas à disposição da justiça e que resultaram na condenação da maior parte dos réus, e vamos “recontar e reescrever essa história” quando assumirmos o controle total do país, especialmente de todos os seus meios de comunicação (de preferencia, eliminando imediatamente essa indesejável área de “jornalismo investigativo” existente em alguns veículos de comunicação, que sempre acaba descobrindo e divulgando as mentiras e atitudes hipócritas de alguns governantes e de integrantes de todas as áreas e setores de uma sociedade ainda livre e democrática).

Um partido cujo espectro político é tido como de esquerda e extrema esquerda, que não participa do Foro de São Paulo, e cujos candidatos também não contam com meu voto é o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). O nome do partido já contém uma curiosa contradição, uma vez que a primeira coisa que os socialistas fazem ao assumir definitivamente o poder é restringir a liberdade das pessoas. Piada de péssimo gosto, como aquela feita pela Alemanha Oriental (Comunista e fantoche da ex-União Soviética) de se intitular de República Democrática Alemã. Democracia é o cacete! Liberdade é o cacete! A ala de estrema esquerda do PSOL ainda aposta em algum tipo de revolução violenta como forma de assumir o poder, ao invés do modelo proposto por Gramsci, e adotado pela maioria dos atuais partidos de esquerda latino-americanos. A aproximação de políticos do PSOL, especialmente no Rio de Janeiro, com movimentos do tipo Black Blocs, como foi amplamente denunciado na imprensa (apoiando e patrocinando ações de depredação de patrimônio público e privado, que tumultuaram as manifestações públicas pacíficas por mudanças que emergiram em todo o país, e oferecendo ajuda para defesa de seus manifestantes eventualmente presos durante os tumultos) é um claro sintoma da maneira de pensar de alguns de seus integrantes.

Penso que a proposta comunista e socialista provou ser um flagrante fracasso, testada que foi à exaustão desde o início do Século XX com a revolução russa, passando pelas revoluções chinesa, cubana, vietnamita, coreana, etc. e, após a Segunda Guerra Mundial, também nos países da cortina de ferro (leste europeu) que a União Soviética invadiu e tomou posse, sem nenhuma cerimônia. A meu ver, nada pode ser maior sinônimo de atraso, neste início de Século XXI, do que essas tentativas de reviver o modelo comunista e socialista no nosso continente, usando como modelo a ditadura sangrenta cubana. E essas pessoas que abraçam esse projeto ainda se dizem “progressistas” e chamam de “reacionários” quem quer que ouse discordar desses disparates e idiotices. O socialismo é o que o socialismo faz e não o que ele diz que vai fazer. A meu ver, claro retrocesso em direção a fórmulas já testadas e fracassadas.

Perguntinha inconveniente: no caso da queda do muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas metades durante décadas (vivi na Alemanha Ocidental durante parte do final dos anos 80 e vi muito bem o que estava acontecendo), os comunistas e socialistas estavam de que lado do muro? Do lado das pessoas que o derrubaram? Ou do lado das pessoas que, o tendo construído, não conseguiram mais esconder as mazelas e a situação de miséria e indigência de suas populações, em contraste com as democracias ocidentais?

Independentemente de números econômicos e indicadores sociais, um valor que deve ser caro pra qualquer pessoa realmente interessada em promover o desenvolvimento e a elevação do nível de consciência das pessoas é a LIBERDADE! E sabemos muito bem que esse é o primeiro item suprimido nessas funestas experiências comunistas e socialistas, em nome do controle. O discurso é de igualdade, mas a prática é a de tentativa de controle do incontrolável, de restrição de liberdade para tentativa de controle do espírito humano livre!

No caso específico do PT, que está no poder em nosso país há quase doze anos, apenas um comentário: considero que um partido cuja cúpula dirigente se encontra na cadeia, ou cumprindo pena em regime semiaberto, depois de um julgamento conduzido pela mais alta Corte da Justiça (o Supremo Tribunal Federal, antes do aprofundamento do seu aparelhamento ideológico), com amplo direito de defesa de todos os réus, que contrataram os melhores advogados do país (pagos a peso de ouro e provavelmente, por vias transversas, financiados com dinheiro dos nossos infelizes contribuintes, haja vista a enorme quantidade de desvios e falcatruas que continuam a aparecer no noticiário diário) transformou-se em uma verdadeira quadrilha e deveria ser extinto e começar de novo do zero. Se não extinto por uma legislação eleitoral que não prevê essa situação, por iniciativa de seus próprios correligionários, se tivessem um pingo de bom senso e identificação com valores éticos. Infelizmente esse não é o caso.

Essa senhora que ocupa a cadeira da presidência do Brasil não merece mais permanecer onde está, se é que algum dia o mereceu. Já gerou prejuízos incalculáveis ao país (basta verificar a evolução dos indicadores econômicos e aqueles relacionados à situação da Petrobras), que levarão algumas gerações para serem corrigidos. E nunca foi digna de contar com minha confiança e com o meu voto.

A candidata Marina Silva pertence ao PSB, integrante do Foro de São Paulo. E me parece mais do mesmo modelo que identifico com o máximo de atraso em termos de desenvolvimento econômico e social. E com altíssimo risco de perda de LIBERDADE (valor inegociável) de acordo com o projeto de inspiração cubana com o qual o seu partido se alinha, apesar dos discursos demagógicos e moralizantes utilizados por todos os partidos de esquerda, inclusive o PT (antes, durante os escândalos que vieram e ainda vem à tona a cada momento e – surpresa! – nas atuais promessas de campanha dos seus candidatos).

Dito isto, declaro meu voto em Aécio Neves para Presidente do Brasil.

Em tempo: Não morro de amores pelo PSDB. Não votei no FHC e tenho sérias restrições à sua “Diplomacia Presidencial” que iniciou a fase de desprestígio crescente do Itamarati, agravada nos desgovernos de Lula e Dilma, e à maneira com que Fernando Henrique tratou os integrantes das Forças Armadas ao escolher pessoas desqualificadas para assumir o Ministério da Defesa e pelos arrochos (salarial e orçamentário) a que foram submetidas as três Forças. Reconheço, sim, o legado de FHC em assuntos econômicos, apesar de discordar da maneira com que foram conduzidas algumas privatizações em setores estratégicos. Tenho também sérias restrições ao atual candidato a vice-presidente na chapa do Aécio por sua militância e atuação em ações de guerrilha, que tinham como propósito instalar uma ditadura de esquerda no país. Digo tudo isso para deixar bem clara minha total rejeição a esse “Estado de Coisas” que se configurou nos últimos 12 anos de desgoverno petista, com todos os significados que essas duas palavras justapostas podem ensejar (Estado e Coisas) e que me fazem escolher a opção Aécio, apesar dos pesares, como a única alternativa válida neste momento de beira do abismo em que nos encontramos.

Um problema de cada vez.

Cuba e Venezuela não são modelos de democracia nem aqui nem na China! São ditaduras sangrentas!

Convido os amigos a uma leitura do artigo postado na Garrafa 461 – O Conceito de Reenquadramento que, a meu juízo, é amplamente utilizado de maneira destrutiva pelos integrantes, militantes e simpatizantes dos partidos filiados ao Foro de São Paulo, especialmente os do PT.

É hora do peixe verde e amarelo engolir esse peixe vermelho que ameaça nossa sociedade e sua ainda frágil democracia.

Eduardo Leal
Ilustrações de Eduardo Leal e de Carlos Fernando Souza Leal

Cuba e venezuela não são modelos de democracia, só não vê quem não quer com peixe vermelho 1

Moldura 3 Mod

Garrafa 488 – Mestre e Aprendiz   1 comment

Ao cumprimentar uma antiga aluna de Coaching pelo seu aniversário, na semana passada, recebi um generoso e amável feedback positivo a respeito dos ensinamentos que lhe transmiti durante um curso ministrado em 2007. Isso inundou meu coração com o sentimento de gratidão e me fez refletir a respeito dessa curiosa relação Professor-Aluno, Mestre-Discípulo, Instrutor-Aprendiz, Coach-Explorador de novas possibilidades de futuro e de minhas próprias atitudes em cada uma dessas duas posições complementares, ao longo dos meus diversos processos de aprendizado.

Na mesma semana, incluindo na minha rotina semanal novas atividades para melhor harmonizar minha Prática de Vida Integral, depois de um flerte de vários anos com essa arte marcial, iniciei meu treinamento como aprendiz em um Curso de Aikido, após terminar a leitura de “A Arte da Paz” de Morihei Ueshiba. No dojo onde fui acolhido, sou o praticante menos graduado.

Pra começo de conversa, vale a pena ressaltar as palavras do nosso brilhante escritor João Guimarães Rosa quando nos diz que “Mestre não é quem sempre ensina mas aquele que, de repente aprende.” Infeliz daquele que, assumindo uma posição de instrutoria em algum assunto, acha que já sabe tudo sobre o tema em questão e despreza os raros mas valiosos ensinamentos que pode receber de seus respectivos aprendizes. Igualmente infeliz é aquele iniciante em qualquer prática que deixa de ver as coisas com aquele “Olhar de imigrante” ou “Olhar de deslumbramento” de quem vê um novo mundo pela primeira vez, e se deixa abater pela própria falta de conhecimento e experiência, sentindo-se intimidado e deprimido e desperdiçando diversas oportunidades de aprendizado e de autodesenvolvimento. E, como no provérbio em que “A primeira pessoa que escuta o que dizemos somos nós mesmos” podemos obter percepções e “insights” até mesmo ouvindo a nossa própria voz durante o processo, quando estamos citando e usando como referência o trabalho de alguém mais experiente.

Em qualquer situação meu feedback favorito é: “Puxa, nunca tinha pensado nisso dessa maneira!” Maravilha! Provoquei reflexão em alguém, ou eu mesmo fui levado por outra pessoa a ver as coisas de uma maneira ainda não explorada!

Meus questionamentos me levaram a rever o conteúdo de pelo menos dois livros: “From Coach to Awakener” de Robert Dilts e “Duas Perspectivas sobre a Iluminação” de A. S. Dalal.

Robert Dilts, usando seu elegante Modelo de Níveis NeuroLógicos que é amplamente usado pelos adeptos do Coaching com Programação Neurolinguística (PNL), discute os diferentes tipos de apoio que podem ser prestados, segundo sua visão, por um Coach com “C” maiúsculo. Dilts considera que o Coach com “C” minúsculo, que costumo denominar Coach Convencional, focaliza mais no Nível de Mudança Comportamental referindo-se ao processo de apoiar outra pessoa a obter ou melhorar um determinado desempenho comportamental. Essa abordagem é derivada primariamente do modelo esportivo de treinamento. Já o Coach com “C” maiúsculo envolve apoiar as pessoas no processo de obter resultados palpáveis em diversos Níveis de Mudança, enfatizando o fortalecimento da identidade e dos valores e procurando transformar sonhos e metas em realidade. Abrange as habilidades desenvolvidas por um Coach com “C” minúsculo, mas inclui muito mais. Para cada um dos diferentes Níveis de Mudança (Ambiente / Comportamento / Capacidade / Crenças e Valores / Identidade / Espiritual), além das respectivas perguntas poderosas que nos permitem investigar qualquer questão em cada Nível, são apresentados os tipos de apoio que podem/devem ser prestados (Guia / Coach com “C” minúsculo / Professor ou Consultor / Mentor / Patrocinador / Guru) e os respectivos estilos de liderança que melhor se adaptam a cada papel. Se o próprio Coach não puder exercer todos esses papéis, e é esperado que não consiga fazê-lo em todos os Níveis e para todos os tipos de Objetivos ou Metas, deve ajudar seu Explorador de novas possibilidades de futuro a encontrar quem possa complementar seu apoio, dependendo dos tipos de Objetivos/Metas que estejam sendo trabalhados.

TIPOS DE APOIO QUE PODEM SER PRESTADOS DURANTE UM PROCESSO DE COACHING

Tipos de Apoio Prestados por um Coach

No Nível do Ambiente relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Guia, se está familiarizado com esse ambiente, e pode adotar o estilo de liderança de Gerenciamento por exceção. Caso contrário, algum outro Guia que domine esse ambiente deve ser consultado. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com frequência pois não posso pretender estar familiarizado com os ambientes de todos os tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro.

No Nível de Comportamentos relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Coach com “C” minúsculo, atendo-se aos aspectos comportamentais e às melhores práticas recomendadas para essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança Estímulo por recompensa. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com menor frequência pois é possível descobrir um conjunto de boas práticas relacionadas aos diversos tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro, tanto em pesquisas na literatura especializada quanto na Internet. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Capacidades relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Professor ou Consultor, ministrando os conhecimentos julgados necessários para se lidar com essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança de Estímulo intelectual. Essa é uma situação extremamente delicada uma vez que o papel do Consultor (o Professor é um tipo de Consultor) é sugerir o que fazer, e a ultima coisa que um Coach deve fazer é sugerir o que fazer, apresentando no máximo sugestões indiretas, quando a pessoa não consegue perceber alternativas para avançar. Sugiro que as eventuais Sessões de Consultoria prestadas pela mesma pessoa que conduz um Processo de Coaching sejam realizadas em outro local e em outro momento, para que não haja confusão de papéis na cabeça do Explorador de novas possibilidades de futuro/Cliente/Aluno. Tenho me sentido confortável em oferecer consultoria em Comunicação Interpessoal, Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e de Liderança e Elaboração de Planos de Negócio. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia ou Coach com “C” minúsculo pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Crenças e Valores relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Mentor, buscando identificar e neutralizar eventuais crenças limitantes e implantar e reforçar um conjunto de crenças poderosas que deem permissão para a pessoa avançar em relação à direção desejada e pode adotar o estilo de liderança Inspiracional. Esse é o nível em que me sinto mais à vontade, uma vez que a abordagem de Coaching Centrado em Valores, que desenvolvi a partir de 2006, enfatiza a exploração desse nível lógico uma vez que possuímos crenças (limitantes ou não) a respeito de todos os outros níveis de mudança (tanto acima como abaixo desse nível). Além disso, os diversos Níveis de Desenvolvimento de Consciência propostos pela Abordagem de Coaching Integral, que também fazem parte do conjunto de ferramentas que utilizo, são em grande medida relacionados a diferentes Sistemas de Crenças e Valores com os quais nos identificamos, em maior ou menor grau, à medida que avançamos em nosso próprio processo de desenvolvimento.

No Nível de Identidade relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Patrocinador, reforçando a autoestima da pessoa, oferecendo feedback positivo e construtivo, além de fornecer estimulo constante para o reconhecimento e a utilização de seus talentos, transformando-os em pontos fortes para utilização em proveito da conquista de seus respectivos Objetivos e Metas. Em uma Abordagem de Coaching Integral, como a que adoto, o trabalho com a Sombra da pessoa (aqueles conteúdos que são varridos para o inconsciente e que envolvem emoções primárias que não se deseja admitir, mas que volta e meia reaparecem como emoções secundárias sabotando suas ações) pode recomendar a participação, em paralelo ao Processo de Coaching, de um profissional da área de psicanálise ou psicoterapia. O estilo de liderança sugerido é o de Consideração individualizada. Sinto-me bastante confortável em adotar esse estilo de liderança e atuar nesse nível lógico que tem um profundo impacto nas mudanças que ocorrem em todos os níveis inferiores e que recebe a influência decisiva das eventuais mudanças promovidas no Nível de Crenças e Valores. Nosso Nível de Identidade é, em grande medida, a expressão de uma crença a respeito de quem pensamos que somos.

Finalmente, no Nível Espiritual relacionado ao Objetivo/Meta, que nada tem necessariamente a ver com religião e sim com “a quem mais nos sentimos conectados e a quem mais incluímos no nosso círculo de preocupações, cuidados e contribuições”, e ainda, “de quem podemos obter apoio para desenvolvimento de nossos projetos pessoais e coletivos”, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Guru (o que promove o despertar), contribuindo para promover a elevação do nível de desenvolvimento de consciência da pessoa, meta recorrente em uma Abordagem de Coaching Integral e, muito mais raramente, no seu despertar para estados/níveis de consciência intuitivos (além da mente). Com muito maior frequência, o que costumo fazer é estimular o questionamento a respeito da necessidade de apoio externo proveniente da família, de amigos, de guias, de consultores e professores, de mentores, de patrocinadores, de gurus espirituais e até mesmo de algum tipo de divindade. Se a pessoa possui uma crença religiosa, a crença em uma Divindade pode exercer uma forte influência na quantidade de esforço que pode ser alocada às suas tarefas de desenvolvimento pessoal. Identificadas essas necessidades, apoio o processo de sua obtenção. O estilo de liderança sugerido é a Liderança Carismática e Visionária.

Os questionamentos provocados pela necessidade de apoio às mudanças no Nível Espiritual me fizeram voltar a consultar o ótimo livro de A. S. Dalal em que ele nos oferece um estudo comparativo das abordagens propostas por dois Mestres Espirituais Iluminados para o despertar de um nível de consciência além da mente: Sri Aurobindo e Echart Tolle. Selecionei alguns comentários apenas referentes ao conteúdo do Anexo II dessa obra em que são apresentados “Os Três Instrumentos do Professor”, na verdade de um Guru ou Mestre Espiritual, na visão de Sri Aurobindo. Após a definição de cada um desses “Instrumentos” apresento, como sempre gosto de fazer, uma breve brincadeira com as palavras, com a métrica de um haicai, e que foi inspirada nessa leitura. Incluí um título em cada haicai.

“Instrução, exemplo e influência – esses são os três instrumentos do Guru.”

Sobre a Instrução, Sri Aurobindo nos adverte que:

“… o Professor prudente não visará se impor ou impor suas opiniões na aceitação passiva da mente recebedora; ele oferecerá somente o que é produtivo e seguro como uma semente que crescerá sob a proteção interior divina. Ele buscará despertar muito mais do que instruir; objetivará o desenvolvimento das faculdades e das experiências por um processo natural e uma expansão livre. Ele ensinará um método como um apoio, um dispositivo utilizável, não como uma forma imperativa ou uma rotina fixa. E, ele estará na guarda contra qualquer transformação dos recursos em uma limitação, contra a mecanização do processo. Sua atividade completa é despertar a luz divina e iniciar as atividades da força divina da qual ele é em seus próprios termos apenas uma ferramenta e um apoio, um corpo ou um canal.”

Germinação

Instrução divina

rota que seduz:
de dentro da semente
impulso de Luz!

 

Sobre o Exemplo, Sri Aurobindo nos diz que:

“O exemplo é mais poderoso do que a instrução; mas, não é o exemplo dos atos externos nem da natureza pessoal que tem a maior importância. Eles têm seu lugar e sua utilidade; no entanto, o que na maior parte dos casos estimulará aspiração nos outros é o fato central da realização divina dentro dele governando toda sua vida e seu estado interior e todas as suas atividades. Esse é o elemento essencial e universal; o restante pertence à pessoa e às circunstâncias individuais. É essa realização dinâmica que o sadhaka (Praticante de desenvolvimento espiritual) deve sentir e reproduzir em si mesmo de acordo com sua própria natureza; ele não necessita de esforço após uma imitação do exterior que pode muito bem ser mais esterilizador do que gerador de frutos corretos e naturais.”

Exemplo de conduta

Exemplo

mais poderosa
que qualquer informação:
ação amorosa!

 

Sobre a Influência, essas são as palavras de Sri Aurobindo:

“A influência é mais importante do que o exemplo. A influência não é a autoridade exterior do Mestre sobre seu discípulo, mas sim o poder de seu contato, sua Presença, da proximidade de sua alma com a alma do outro, infiltrando-se por ela, muito embora em silêncio, o que ele propriamente é e possui. Essa é a marca suprema do Mestre. Assim, o maior de todos os Mestres é muito menos um Professor do que uma Presença derramando a consciência divina e sua luz, poder, pureza e êxtase em todos que se mostram receptivos ao seu redor.”

Mestre e discípulo

Influência

em plena calma,
mestre e discípulo,
alma com alma.

 

Eduardo Leal
Ilustração de Eduardo Leal baseada no conteúdo de “From Coach to Awakener” de Robert Dilts
Haicais de Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 482 – Desapontado (Bem-vinda desilusão)   Leave a comment

Ao contrário do que muita gente pode pensar, apesar da dor, e talvez por causa dela, sofrer uma desilusão pode ser uma das situações mais transformadoras que podem acontecer com uma pessoa, uma equipe ou um país que estejam verdadeiramente interessados no seu autodesenvolvimento.

Pensem nisso: ESTÁVAMOS ILUDIDOS! A CBF e a Comissão Técnica muito mais que a nossa torcida.

Em princípio, não há nenhum problema em perdermos para a Alemanha em uma semifinal de Copa do Mundo. Mas um placar de 7 X 1, com cinco gols sofridos em menos de 30 minutos evidenciou um desnível muito grande entre as duas equipes, o que não era esperado para uma seleção que pretendia o hexacampeonato. É um indicador que não pode ser desprezado e inclui diversas variáveis tangíveis e intangíveis.

E permanecer iludido por um longo período a respeito de si mesmo ou a respeito do ambiente onde estamos inseridos é o pior que pode acontecer com uma pessoa, uma equipe ou um país em sua caminhada de crescimento e desenvolvimento!

A hora da verdade chega, mais cedo ou mais tarde… Seja qual for o indicador utilizado. Mas sempre chega! E quanto mais cedo melhor! E isso, além de gerar uma situação de crise é, também, uma grande oportunidade.

O fato de termos vencido cinco competições no passado nunca foi garantia de nada. Isso é um jogo! Há vários fatores envolvidos: equipes, gramado, arbitragem, torcidas, estado psicológico dos envolvidos, etc… Outras equipes aprenderam conosco e se estruturaram melhor do que nós para enfrentar esse desafio multidisciplinar.

E o fato de termos vários talentos individuais, cobiçados e pagos a peso de ouro por centros esportivos mais bem estruturados, também não nos garante muita coisa, quando se trata de uma competição por seleções, de um esporte coletivo como o futebol, em que é necessário o desenvolvimento de uma verdadeira equipe e não apenas um bando de bons talentos individuais reunidos de maneira apressada.

E, infelizmente, aparentemente não temos técnicos de qualidade e reconhecidos mundialmente, caso contrário também estariam brilhando no exterior como o fazem nossos jogadores.

Teremos que reestruturar praticamente tudo.

E apesar de possuirmos agora vários centros esportivos modernos (infelizmente todos superfaturados à sombra de tenebrosas e escusas transações), não dispomos de uma mínima estrutura à disposição dos diversos clubes e divisões de base, que é onde tudo começa. E isso exige esforço organizado. Mais do que só planejamento de curtíssimo prazo, exige um choque de gestão e de planejamento a médio e longo prazos. Mas choque de gestão como, com a nossa ridícula safra de cartolas, com raras e honrosas exceções, em todos os escalões do esporte?

Infelizmente, a mesma crença ilusória que nos damos conta foi adotada pela nossa seleção (a hora da verdade chegou!) ainda está iludindo a vários de nós individualmente, a várias equipes dos nossos campeonatos estaduais, a várias empresas e organizações e ao nosso próprio país! Estamos iludidos há muito tempo!

Que esse desapontamento e essa desilusão transformadora sirvam para uma oportuna reflexão a respeito do necessário estabelecimento dos nossos mais valiosos e verdadeiros objetivos e metas, em cada área de atividade, e que, a partir disso, sejam estabelecidos planos, estratégias e ações de desenvolvimento, com o apoio de pessoas capacitadas e competentes para essa tarefa, de ficha limpa e idôneas, e demos partida nas ações de desenvolvimento que se estenderão por décadas, até que os primeiros resultados possam aparecer no futuro.

Mãos à obra, então!
Bendita desilusão!

O vento fresco dessa tarde de inverno sopra ao meu ouvido um breve haicai:

desapontado,
percebo novo rumo
nunca apontado…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Desapontado

Garrafa 480 – Ação consciente   Leave a comment

ação consciente,
nenhuma recompensa
no fundo da mente.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Ação consciente

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