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Garrafa 521 – Minhas escolhas   Leave a comment

Estou lendo “Um ano com Peter Drucker – 52 Semanas de Coaching para se tornar um Líder Eficiente” de Joseph A. Maciariello, que foi publicado em 2014 pela Editora Schwarcz.

O tema da Semana 7 foi sobre a Gestão em Duas Dimensões Temporais, ou seja, sobre o desafio de se conciliar as tarefas de curto com as de longo prazo.

Este parágrafo, que foi extraído de um dos livros de Drucker (The Effective Executive, 1967), despertou minha atenção:

“O executivo, queira ou não, está sempre acertando contas com o passado. Isso é inevitável. O hoje é sempre o resultado de atitudes e decisões tomadas ontem. Qualquer que seja o seu cargo ou título, porém, o ser humano não pode antever o futuro. As atitude e decisões de ontem, por mais corajosas e sensatas que tenham sido, inevitavelmente se transformam em problemas, nas crises e nas burrices de hoje. Apesar disso, o papel específico do executivo – quer trabalhe no governo, numa empresa ou em qualquer outra instituição – é comprometer com o futuro os recursos de hoje”

Pausa para um breve haicai:

ah! eu mereço!
decisões do passado,
cobram seu preço!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Sucesso

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Garrafa 461 – O Conceito de Reenquadramento   3 comments

No exercício de minhas atividades como Coach e Consultor faço uso de uma pequena “caixa de ferramentas” ou, como também costumo dizer, de um “cinto de utilidades” com diversos recursos de que posso lançar mão a cada instante, dependendo da situação que me é apresentada. Uso cada um desses recursos com o propósito de provocar reflexão nas pessoas que me procuram em busca de apoio para seus projetos organizacionais ou pessoais.

Compartilho uma dessas ferramentas – o Reenquadramento – com os amigos que participam de alguns dos meus círculos de relacionamentos, por acreditar firmemente em sua utilidade, incentivando a sua prática e uso no dia-a-dia de cada um.

Como toda ferramenta ou recurso colocado à nossa disposição, é claro que o seu emprego dependerá da nossa intenção e propósito. Da mesma maneira que o nosso conhecimento a respeito da estrutura atômica pode ser utilizado de maneira construtiva, quer seja para produzir energia, quer seja para salvar ou prolongar a vida na área da medicina, ele pode também ser utilizado de maneira destrutiva para produzir e empregar armamento de destruição em massa.

Entendo que o uso construtivo do reenquadramento é no sentido de expandir a nossa capacidade de percepção, utilizando molduras espaciais e temporais cada vez mais amplas, e de contribuir para elevar o nosso nível de consciência, em nossa permanente jornada de busca da verdade. Seu uso de maneira destrutiva, ao contrário, pode ser pelo emprego sistemático de uma perspectiva mais restrita, manipuladora e parcial, com o propósito de distorção e encobrimento de fatos relevantes para entendimento de um determinado problema ou situação. Não podemos perder de vista, entretanto, que o uso de uma perspectiva mais restrita, às vezes pode ser extremamente útil, e até desejável para que se possa aprofundar o conhecimento de um determinado aspecto de uma questão. Isto, desde que, em seguida, voltemos a expandir a nossa moldura espacial e temporal, em uma perspectiva mais ampla, para incluir outros aspectos não considerados anteriormente e igualmente importantes para o entendimento da situação.

Não pretendo me estender em discussões filosóficas a respeito do conceito de verdade. Para efeito de utilização neste breve artigo proponho apenas que se empregue a ideia de se estar de acordo com os fatos. Nesse sentido, qualquer tentativa de se omitir ou distorcer fatos não contribui para o nosso esforço de busca da verdade.

Com a utilização sistemática dessa ferramenta, penso que poderemos então, todos em conjunto, buscar e encontrar novos significados e alternativas criativas para a solução de antigos problemas comuns.

Reenquadramento (Ressignificação)

Conceituação

O Reenquadramento é uma ferramenta que podemos utilizar para contornar as restrições e limites impostos à nossa percepção (por outras pessoas ou por nós mesmos) a respeito de uma determinada imagem, situação ou experiência. Literalmente significa colocar essa experiência sob uma nova e diferente moldura ou contexto cognitivo, fazendo com que seja possível perceber novos significados e dirigir nossa atenção a outros aspectos ainda não considerados, ampliando nosso mapa de mundo. Alguns autores, focalizando mais no seu efeito do que no processo, a chamam de Ressignificação.

Meu Mentor a respeito desse assunto tem sido Robert Dilts, que propõe e discute maneiras saudáveis de utilização dessa ferramenta em diversas publicações e artigos. De “From Coach to Awakener” , no meu entendimento um dos melhores livros já escritos sobre a abordagem de Coaching com Programação Neurolingüística, aproveito abaixo alguns comentários e exemplos.

Dilts nos lembra de que nossas experiências e interpretações a respeito do que nos acontece são influenciadas pela nossa própria perspectiva e contexto. Por exemplo, o fato de que começou a chover no presente instante, pode ser uma benção para alguém submetido a uma seca prolongada, uma ótima desculpa para quem está procurando uma justificativa para ficar em casa, ao invés de comparecer ao churrasco de confraternização da empresa, um mero inconveniente para quem planeja fazer compras no shopping, e uma catástrofe para quem programou realizar uma cerimonia de casamento ao ar livre. Às vezes ficamos presos a apenas um dos aspectos da situação e é importante tomarmos consciência de que há sempre muitas maneiras de apreciarmos a paisagem ao nosso redor e o que nos acontece.

Como um fotógrafo ou um pintor que deseja retratar uma determinada cena, podemos escolher fazer a nossa composição incluindo apenas um detalhe, como uma árvore, ou mesmo um único inseto pousado no seu tronco. E podemos, também, escolher incluir o bosque, com suas muitas arvores e animais, o riacho e o lago, ou ainda, incluir as montanhas e o céu, azul ou carregado de nuvens cinzentas e ameaçadoras, no horizonte mais distante.

O ato de se escolher um novo enquadramento e de colocar uma nova moldura ao redor de uma determinada imagem é uma ótima metáfora desse processo e dessa ferramenta. E não devemos deixar de considerar que as novas perspectivas podem ser de natureza espacial ou temporal e, também, no sentido de estreitar o foco ou de ampliar a visão da situação em questão.

Visualização Gráfica

Utilizando alguns recortes feitos em ilustração de Carlos Fernando Souza Leal e a discussão proposta por Robert Dilts, poderemos refletir em seguida a respeito do efeito da utilização de diferentes molduras de enquadramento:

1. Considerando por um momento a figura apresentada abaixo na Moldura 1, com um enquadramento mais restrito, podemos constatar que ela não possui nenhum outro grande significado, a não ser de que se trata da ilustração de algum tipo de peixe de cor esverdeada nadando de maneira despreocupada em seu ambiente natural.

Moldura 1 Mod

2. Quando o enquadramento é ampliado na Moldura 2, de repente nos damos conta de uma situação diferente. O peixinho verde agora não é apenas um peixe, mas um peixe pequeno prestes a ser devorado por um peixe maior. O peixinho verde parece distraído e sem consciência de sua situação, que nós podemos perceber facilmente apenas pelo fato de selecionarmos uma perspectiva mais ampla. Podemos experimentar um sentimento de alerta e de preocupação pelo peixe pequeno, ou apenas aceitar que o peixe maior precisa se alimentar para sobreviver.

Moldura 2 Mod

3. Quando ampliamos ainda mais o enquadramento, temos uma nova perspectiva da situação e podemos lhe atribuir novos significados. Vemos que não é só o peixinho verde que está em perigo. O peixe vermelho também está prestes a ser devorado por um peixe verde e amarelo ainda maior. Em sua preocupação com a sobrevivência, o peixe vermelho ficou tão focado em comer o peixe verde, que não se deu conta de que sua própria sobrevivência estava ameaçada por um peixe ainda maior.

Moldura 3 Mod

A situação retratada pela Moldura 3, e o novo nível de consciência que emerge do reenquadramento de nossa perspectiva da situação funcionam como uma ótima metáfora do processo de reenquadramento e do seu efeito. As pessoas frequentemente se colocam na situação do peixe verde ou do peixe vermelho. Desatentas, permanecem alheias aos desafios impostos pelo seu ambiente, como o peixe menor, ou tão focadas em obter algum resultado, como o peixe do meio, que não chegam a perceber a crise que se aproxima. O paradoxo da situação do peixe vermelho é que ele focou sua atenção em apenas um determinado comportamento relacionado à sua sobrevivência, e essa decisão colocou a sua própria sobrevivência em risco, de outra maneira. O uso do reenquadramento, portanto, nos permite observar o ambiente mais amplo, de modo que escolhas mais apropriadas e novas ações podem ser planejadas e implementadas.

Desejo firmemente que essas informações possam ser de utilidade para os eventuais leitores desse post, especialmente aqueles que pretendem se aventurar na utilização dessa simples e poderosa ferramenta em seus processos de reflexão.

Eduardo Leal
Ilustrações de Carlos Fernando Souza Leal
Adaptação a partir de tradução livre de trechos de “From Coach to Awakener” de Robert Dilts

Garrafa 353 – A Prática da Respiração Abdominal   Leave a comment

No processo de Coaching, quando desempenho o papel de Coach Centrado em Valores, a ultima coisa que faço é sugerir o que fazer. E quando o faço, por sentir que a pessoa está completamente paralisada e incapaz de vislumbrar saídas para a situação que se apresenta no seu momento atual, sempre procuro fazê-lo de maneira indireta. Normalmente digo que, tendo vivido situação semelhante, naquela ocasião escolhi experimentar tal ou qual alternativa que, por sua vez, produziram tais e quais resultados. Uso minha própria experiência ou, então, apresento o exemplo de alguém que conheça que, tendo passado por situação semelhante, escolheu fazer algo de determinada maneira e experimentou algum tipo de resultado. Posso perguntar, a seguir, algo do tipo: “será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?”. Isso normalmente faz com que a pessoa que estava paralisada comece, pelo menos, a examinar algumas possíveis alternativas.

Já quando estou realizando algum processo de Consultoria em Planejamento Estratégico, em Planos de Negócio, em Organização, Sistemas e Métodos, em Comunicação ou em Gestão Pessoal, no meu papel de Consultor, o que faço, e o que o meu cliente espera que eu faça, é exatamente isso: sugerir o que fazer. Entretanto, para fazê-lo, devo usar o meu melhor julgamento e sugerir a melhor solução de acordo com meu conhecimento especializado sobre o assunto. Não são muitas as áreas em que me sinto confortável em fazê-lo de maneira categórica. E mesmo quando poderia fazê-lo dessa maneira, prefiro adotar o estilo coach de fazer consultoria: com perguntas que provoquem reflexão, após realizar a escuta com empatia e, quando oportuno, apresentando sugestões de maneira indireta.

E você provavelmente já deve estar se perguntando a respeito da razão para a apresentação desses dois parágrafos anteriores, a título de introdução, em um post sobre a prática da respiração abdominal.

Isso é porque uma das perguntas que recebo com maior frequência, tanto em minha prática de Coaching quanto na de Consultoria é: qual a melhor maneira que você sugere para se lidar com o estresse e a tensão do dia a dia?

Como não me considero consultor nem especialista nesse assunto, aqui reproduzo a fala do coach, apenas sugerindo indiretamente, o que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido…

Desde muito cedo, em minha juventude, senti grande atração pela cultura oriental e pelas artes marciais. Meu primeiro mestre nas aulas de Karate, de que participei a partir de 1970, iniciava e encerrava os treinamentos com uma breve sessão de meditação com respiração abdominal. Desde então, sempre busquei literatura a esse respeito e, a partir dos anos 80, encontrei em um Mosteiro Zen localizado na localidade de Ibiraçu, no Espírito Santo, informações e oportunidade para o inicio de uma pratica meditativa, mesmo que ocasional. E o desafio sempre foi o de torná-la parte do meu dia a dia, incorporando-a à minha rotina. Vários anos se passaram e, no final dos anos 90, mais precisamente em 1999, vivi uma situação real extremamente estressante, em que tive que usar todas as ferramentas à minha disposição. Naquela ocasião, li todos os livros de psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, descobri a existência e fiz cursos de Programação Neurolinguística, fiz terapia Cognitivo-Comportamental e voltei a fazer Alongamentos, Corridas e Caminhadas, regularmente. E sim, retomei a prática da Respiração Abdominal! É sobre esse ultimo assunto que gostaria de compartilhar algumas ideias, por ser uma alternativa que pode ser posta em prática quase que imediatamente, pela sua simplicidade, e que apresenta ótimos resultados, fruto da minha experiência pessoal.

Porque Realizar

A respiração não ocorre nem no passado nem no futuro, só no momento presente e é a chave para vivermos uma vida mais consciente nessa encarnação física. É a primeira coisa que fazemos ao nascer e a ultima que faremos antes que a energia abandone cada uma das células do nosso corpo. Seu ritmo superficial e agitado, ou profundo e relaxado, acompanha e induz nossos diferentes estados de espírito. A respiração abdominal é a respiração dos bebês saudáveis e dos mestres espirituais iluminados. Se você aspira entrar e se manter em contato com a sua natureza essencial, procure respirar de maneira cada vez mais lenta, profunda e relaxada.

Quando Realizar

Essa é uma prática especialmente recomendada para o início e o final de cada dia. Ao se levantar e antes de iniciar as atividades programadas para cada manhã, e antes de dormir, quando se pode fazer um balanço de tudo que aconteceu após um longo e produtivo dia de realizações e aprender com os resultados favoráveis ou desfavoráveis de cada uma delas. Pode ser utilizada, também, ao longo do dia, em alguma pausa ou intervalo, ou ainda antes de alguma atividade importante em que é especialmente recomendável estarmos em conexão com o momento presente e com a nossa orientação interior mais profunda.

Características do Ambiente

Encontre um lugar tranquilo e bem ventilado, de preferência em alguma praça ou jardim ou, se não for possível, em um cômodo de sua casa ou escritório. Sente-se em posição confortável sobre almofadas no chão ou em algum banco, cadeira ou sofá, disponíveis no ambiente, ou levados por você especificamente para essa finalidade.

Sua Postura

Mantenha as costas eretas e o olhar voltado ligeiramente para baixo, como se estivesse visando um ponto situado cerca de dois metros à sua frente, se estiver sentado em uma cadeira, ou a cerca de um metro, se estiver sentado no chão sobre almofadas. Deixe que as mãos permaneçam pousadas naturalmente sobre as coxas com as palmas abertas e voltadas para cima. Mantenha os olhos fechados, pelo menos ao início do exercício, para aumentar a sensação de contato com o próprio corpo sem a presença de estímulos visuais externos. Você pode optar por mantê-los semicerrados ou completamente abertos, à medida que sua prática lhe permite manter o foco da sua atenção na própria respiração, de maneira independente de estímulos visuais presentes no ambiente.

O Processo

Quando se sentir confortável para iniciar a sua prática, mantendo a boca fechada, comece a respirar profundamente pelo nariz levando o ar até a base do pulmão na região abdominal, contando até cinco na inspiração e até cinco novamente na expiração. Sinta como a barriga se expande na inspiração e se contrai na expiração e deixe que esses movimentos e ritmo respiratório ocorram naturalmente durante pelo menos cinco minutos. Ao longo desse período, à medida que vá se sentindo cada vez mais confortável, você pode ir aumentando gradativamente a contagem para seis, sete, oito ou nove, enquanto seus pulmões se adaptam a esse novo ritmo e à maior quantidade de ar movimentada.
Apenas observe os pensamentos que afloram a cada instante, sem se fixar em nenhum deles em especial, voltando a focalizar sua atenção no ritmo respiratório, quando isso ocorrer, e perceba como você começa a se sentir cada vez mais profundamente relaxado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente alerta. Você começa a perceber que o passado e o futuro se desvanecem e que surge uma sensação de centramento no momento presente, onde e quando a vida realmente acontece. O céu e a terra se encontram quando seu coração e sua mente se unem em respeitoso silêncio, apenas testemunhando e celebrando a dádiva do momento presente.

Será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?

Pausa para um breve haicai:

noite escura…
ilumina caminhos,
luz interior.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Monsieur Binot” na voz de Joyce

meditação com respiração abdominal

Meditação sentado

respiração abdominal

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