Arquivo para julho 2006

Garrafa 47 – Caqui e agora   1 comment

fruta madura
momento único ah!
caqui e agora!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Aqui e agora” com Gilberto Gil

Garrafa 46 – Agora   Leave a comment

depois de horas
nenhum instante
como agora

Alexandre Brito
Foto de autor desconhecido

Instante

Garrafa 45 – Pessoix   Leave a comment

um terço de mim delira
um terço de mim pondera
outro terço: ah! quem dera!

Goulart Gomes
Pintura de René Magritte

Magritte Espelho falso

Garrafa 44 – Um estranho   Leave a comment

espelho no corredor
um estranho passa
com as minhas roupas

João Angelo Salvadori
Pintura de René Magritte

Espelho invertido

Garrafa 43 – Dor antiga   Leave a comment

velha amiga
essa dor antiga
finjo que desconheço

Alice Ruiz
Ilustração de autor desconhecido

Dissimulação

Garrafa 42 – Noite em claro   Leave a comment

A noite pálida de vento espia,
a lua espera mergulhar na mata.
Que é que me força a estar desperto e olhar
em redor, com a dor a me inquietar?

Eu estava dormindo e até sonhando:
que foi que me acordou e me assustou tanto,
em meio à noite, como se eu tivesse
esquecido a coisa mais importante?

Melhor seria eu deixar esta casa,
o jardim, a cidade, o país, tudo:
seguir esse chamado, essa palavra
mágica – e sempre mais, seguir o mundo.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Strange Magic” e “Livin’ Thing” com Electric Light Orchestra (ELO)

Sobressalto

Garrafa 41 – Dentro da noite   Leave a comment

Muitas vezes desperto com a ideia
de que um navio singra a noite fria,
ganha os mares e ruma a litorais
dos quais me sinto arder de nostalgia.

De que em lugares que marujo algum
conhece, brilha uma aurora boreal
nunca vista. De que em meu travesseiro
há um braço de mulher, belo e sensual.

De que alguém, feito para amigo meu,
longe no mar chega a um obscuro fim.
De que minha mãe, que não me conhece
mais, em sonho talvez chame por mim.

Hermann Hesse – Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Dream Sequence” com Spyro Gyra

Aurora boreal

Garrafa 40 – Às vezes   Leave a comment

Às vezes, quando algum pássaro chama
ou entre os ramos algum vento sopra
ou nalgum pátio longe ladra um cão,
por longo tempo eu escuto e me calo.

Minha alma voa para o passado,
para onde, há mil esquecidos anos,
o pássaro e o vento que soprava
mais pareciam meus irmãos e eu.

Minha alma faz-se uma árvore,
um animal, um tecido de nuvens…
Transfigurada e estranha, volta a mim
e me interroga. Que resposta lhe darei?

Hermann Hesse – Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sometimes” na voz de Karen Carpenter

Vento que passa

Garrafa 39 – A Carta   Leave a comment

Sopra do oeste um vento,
as tílias choram mais;
entre os ramos, a lua
vem espiar meu quarto.

Eu tinha, à amada minha
que me deixara já,
escrito uma longa carta:
na folha reluz o luar.

Ao seu tranquilo clarão
que nas pautas vai pisando
esquece meu coração
lua e prece, choro e sono.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido

A carta

Garrafa 38 – O Silêncio   Leave a comment

marchando no tempo,
antes de tudo e após tudo,
soberbo, o silêncio

Alexei Bueno
Foto de autor desconhecido

O Silêncio

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