Arquivo para a Tag ‘Muro de Berlim

Garrafa 526 – O Julgamento de um Canalha em uma Cleptocracia   5 comments

Hoje é véspera.

Está marcado para amanhã o julgamento, em segunda instância, em apenas um dos seis processos em que é formalmente acusado, de um dos maiores canalhas que o mundo já viu, o ex-presidente lula (isso, assim mesmo, tudo com letra minuscula). Para poupar os mais preguiçosos de uma consulta a vários dicionários, no verbete Canalha encontramos:

a) relativo a ou próprio de pessoa vil, sem valor, ordinária, desonesta, desprovida de moral, reles;

b) adjetivo e substantivo de dois gêneros: que ou aquele que é infame, mau-caráter, vil, desprezível, abjeto, velhaco.

Ele já foi condenado, em primeira instância, a uma pena de nove anos e seis meses por um crime de lavagem de dinheiro e um crime de corrupção, pelo Juiz Sergio Moro. Trata-se do caso do apartamento triplex localizado em Gurujá/SP que foi recebido como propina da empreiteira OAS, empresa que também bancou a reforma do referido imóvel, atendendo aos desejos do criminoso e de sua cúmplice já falecida. Para fazer jus a esse pagamento, o ex-presidente exerceu papel proeminente na corrupção ao nomear para exercer cargos de alto escalão dentro da Petrobras pessoas comprometidas com um grande esquema de desvio de recursos públicos. O réu também cometeu ato de lavagem de dinheiro ao ocultar a titularidade do triplex. O ex-presidente ainda foi absolvido, no mesmo processo, e creio que a justiça apenas não conseguiu provas robustas do cometimento de mais esse crime e não pela clara inocência do réu (pelos seu péssimos antecedentes), da acusação de que também teria recebido propina sob a forma de pagamento do armazenamento dos seus bens junto à transportadora Granero.

Seu advogado de defesa (outro canalha?), como de praxe, nega tudo isso. Penso que deveria haver uma lei que obrigasse os advogados que defendessem corruptos, quando seus clientes fossem condenados, a devolver aos cofres públicos o dinheiro recebido a título de honorários uma vez que, muito provavelmente, ele teria tido origem nos crimes comprovadamente cometidos. Sonho meu!

Entretanto, em contraponto com a posição da defesa do réu, a Procuradoria da 4ª Região reitera entendimento do Ministério Público Federal do Paraná e sustenta que, na verdade, lula teria cometido três crimes de corrupção, um para cada contrato supostamente superfaturado da OAS junto à Petrobrás, alvo da denúncia. Referem-se a um ato de corrupção em obras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR e dois atos de corrupção nas obras da Refinaria do Nordeste Abreu e Lima – RNEST. Esse recurso, se prevalecer no entendimento dos desembargadores que realizarão esse novo julgamento, pode elevar sua pena atual de apenas nove anos e meio a vinte e um anos.

Vale lembrar que o ex-presidente, até o momento, já é réu em seis ações penais. São quatro pela Operação Lava Jato (Triplex do Guarujá, Sítio de Atibaia, Terreno do Instituto lula, e Obstrução de Justiça na Compra do Silêncio de cerveró), uma pela Operação Janus (Empréstimo do BNDES para a Odebrecht) e uma pela Operação Zelotes (Compra de Caças para a FAB). Além disso, é suspeito e alvo de investigações em outros quatro inquéritos (Indicação de lula para Ministro por dilma roussef, Quadrilhão do PT para arrecadação de recursos em Órgãos Públicos, Palestras de lula e Medida Provisória para o Setor Automotivo). Estou certo de que se outros acordos de delação premiada forem homologados, essa lista tende a crescer bastante, tal o descaramento e o sentimento de impunidade que o tem dominado, há anos. Chegou a declarar publicamente: “Eles não sabem do que somos capazes de fazer para continuarmos no poder”, referindo-se aos integrantes da cúpula do seu partido político. Sim, nós sabemos!

Esse é o “anjinho” que é infelizmente defendido incondicionalmente  por um grande número de simpatizantes e militantes (já que os seus advogados recebem polpudas somas de parcela do dinheiro que foi roubado dos cofres públicos). Com todo o respeito a pessoas que podem ter outra opinião, penso que esse grupo de “defensores” é composto por pessoas estúpidas (analfabetos funcionais incapazes de entender o que leem ou escutam), por inocentes  úteis (infelizmente muitos deles jovens bem intencionados que caem no canto da sereia da propaganda enganosa de “políticos”, “professores”, “jornalistas”, “comentaristas/articulistas”, e “artistas”) e por pessoas de má-fé (os “políticos” que integram a quadrilha ideológica que pretende transformar o Brasil numa Venezuela ou em um “Cubão”, os “professores” de nível médio e universitário que influenciam seus alunos com os mantras e narrativas da quadrilha ideológica, os “jornalistas” e os “comentaristas/articulistas” que usam os diversos meios de comunicação tentando explicar o inexplicável e criando ou ecoando as narrativas inverossímeis produzidas nos covis da quadrilha ideológica, e os que se dizem “artistas”, verdadeiros hipócritas que precisam de liberdade como do ar que respiram e defendem modelos autoritários restritivos de liberdade de expressão como os de Cuba e da Venezuela, enquanto fazem mau uso da liberdade de expressão que ainda têm, entre outros). Retirando dessa lista de “defensores” os claramente estúpidos e os supostamente inocentes, penso que podemos incluir todos os outros na lista dos canalhas. Isso, principalmente quando sabemos que atacam de maneira descarada (embora digam o contrário) um dos valores mais elevados da nossa sociedade – a nossa liberdade.

Tendo caracterizado os que podemos chamar de canalhas, o réu e seus “defensores”, vamos tecer algumas considerações sobre a situação de Cleptocracia em que vivemos.

Para poupar novamente os mais preguiçosos de uma consulta a vários dicionários, no verbete Cleptocracia encontramos:

a) A palavra “Cleptocracia” significa, literalmente, “Estado governado por ladrões”. O termo se refere a um tipo de governo no qual as decisões são tomadas com extrema parcialidade, indo totalmente ao encontro de interesses pessoais dos detentores do poder político;

b) Cleptocracia, é um termo de origem grega, que significa, literalmente, “governo de ladrões”, cujo objetivo é o do roubo de capital financeiro de um país em detrimento do seu bem-comum. A Cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político, nos diversos níveis, e que conseguem transformar esse poder político em valor econômico, por diversos modos;

c) A fase “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte do sistema público governamental é capturada por pessoas que praticam a corrupção política, institucionalizando a corrupção e seus derivados tais como o nepotismo e o peculato, de forma que estas ações delitivas ficam impunes, por todos os setores do poder estarem corrompidos, desde a Justiça, os funcionários da lei e todo o sistema político e econômico. O termo Nepotismo (do latim nepos, sobrinho, neto, ou descendente), é utilizado para designar o favorecimento de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Já o Peculato é um dos tipos penais próprios de funcionários públicos contra a administração em geral. Via de regra, só pode ser praticado por servidor público. Os verbos nucleares do tipo são “apropriar” ou “desviar” valores, bens móveis, de que o funcionário tem posse justamente em razão do cargo/função que exerce.

Quem não é estúpido ou inocente (e talvez até alguns deles concordem com essa ideia), e nem tampouco uma das pessoas de má-fé que esteja comprometida com esse esquema criminoso, todos certamente hão de concordar que essa é a triste situação vivida pelo nosso país, há décadas. Vivemos em uma situação de elevado grau de Cleptocracia! O Estado brasileiro têm sido e ainda está sendo governado por ladrões. Basta lembrar que o atual presidente era o vice-presidente no “governo” anterior e do grande numero de deputados e senadores envolvidos em acusações na Operação Lava-Jato. E a única coisa que impede que essa Cleptocracia seja total é exatamente o funcionamento, ainda que de maneira distante do ideal, de algumas instâncias da Justiça.

Entretanto, julgo ser necessário fazer uma clara distinção entre os criminosos já condenados pela justiça, entre os réus apenas formalmente acusados e em processo de julgamento, e entre os simples suspeitos submetidos à correspondente investigação criminal. Ou, melhor dizendo, estabelecer uma certa “hierarquia” nesse esquema de cleptocracia vigente em nosso país. É o que faço a seguir.

Todos os integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e do Judiciário e todos os empresários e outros agentes econômicos (os corruptos e os corruptores), nacionais e internacionais, envolvidos com essas ações reprováveis são todos criminosos e merecem ser julgados e punidos de acordo com seus respectivos delitos. E esses crimes estão entre os mais graves possíveis de serem cometidos pelos governantes uma vez que ao desviar recursos públicos que deveriam ser destinados à educação, saneamento, segurança, e às mais diversas necessidades básicas da população de um país, seus autores os usam apenas em seu próprio benefício. Entretanto, há um pequeno detalhe, no qual o ex-presidente lula e os integrantes de sua quadrilha ideológica se enquadram, e nem todos os outros “ladrões comuns” ou “criminosos de colarinho branco” o fazem: o fato de dizerem que seus atos se justificam pois servem a uma “causa nobre” que é a da implantação de um regime socialista (ou comunista) de modelo cubano ou venezuelano que, esse sim, traria uma pretensa “justiça social” para nossa sofrida população. Ora vejam só que tremenda cara de pau! Como se no âmbito do maior experimento sócio-político dos tempos modernos, a divisão da Alemanha em duas metades (Capitalista-Ocidental/Comunista-Oriental) depois do término da Segunda Guerra Mundial, não tivesse terminado com a queda do famigerado “Muro de Berlim” pela falência do modelo comunista implantado na Alemanha Oriental (e não por qualquer outra razão) e que esses estúpidos ainda defendem.

Além de se locupletarem como todos os outros ladrões comuns, os integrantes desse bando, e especialmente o ex-presidente lula como chefe dessa quadrilha,  todos planejaram e ainda conspiram em conjunto, e todos executaram e ainda executam ações calculadas de destruição do Estado Brasileiro, com o propósito de abalar os alicerces de sua ainda frágil experiência republicana e permitir sua substituição progressiva por uma excrecência denominada “bolivariana”, de modelo totalitário e ditatorial cubano. Hipócritas e mentirosos profissionais, ainda alardeiam estar “defendendo a democracia” de um “golpe” parlamentar.

Como tenho dito à exaustão em vários posts anteriores e repito mais uma vez, creio que são definições de estupidez, de ingenuidade e/ou de má-fétomar conhecimento da verdade, ver a verdade, ouvir a verdade e, ainda assim, dizer acreditar na mentira. E no caso dos integrantes dessa quadrilha, embora alguns possam ser considerados estúpidos, muito poucos se enquadram na classificação de ingênuos. A grande maioria, isso sim, é formada por pessoas de má-fé! Mentem descaradamente, sempre atribuindo aos outros tudo aquilo que constitui a sua prática constante. São canalhas, vis, infames, velhacos. Só não vê quem não quer!

Tendo dito tudo isso, vamos tratar finalmente do julgamento previsto para amanhã, nesse ambiente de elevado grau de cleptocracia em que vivemos, e de seus possíveis desdobramentos.

O STF, infelizmente, se e quando algum desses processos envolvendo o ex-presidente chegar até lá, já apresenta um grau de comprometimento e contaminação com esse esquema de cleptocracia que nem merece maiores comentários. As indicações para a sua composição são políticas! Já apresentei o que penso sobre essa instituição na postagem da Garrafa 523. De seus integrantes, com raríssimas exceções, basta uma breve análise de suas respectivas biografias, orientações ideológicas, currículos (ou sua total ausência de conteúdo como nos casos de lewandowski e toffoli), exame de seus votos recentes (gilmar mendes), e de que presidente os indicou para seus respectivos cargos. Feita essa análise simplificada, constatamos um quadro sinistro com relação à possibilidade de realização de um julgamento imparcial dos integrantes dessa quadrilha ideológica e dos demais integrantes de outras quadrilhas menores, ou seja, daquelas apenas interessadas em crimes do colarinho branco e sem viés ideológico. Não se espera isenção de julgamento por parte dessas criaturas. Já se sabe que todas as quadrilhas  atuam de comum acordo, em algum momento, para preservação de seus integrantes e dos esquemas de que se beneficiam. O julgamento do processo conhecido como “Mensalão”, apesar de apenas puxar o fio da meada do que veio se tornar o “Petrolão”, mostrou tudo isso muito claramente: vimos os integrantes da quadrilha ideológica comprando descaradamente os votos dos integrantes das quadrilhas de colarinho branco comuns (os diversos partidos e coalizões). E, curiosamente, não foi tipificado o crime de “formação de quadrilha” no voto dos integrantes do STF da ocasião, e nem o mais que conhecido chefe da quadrilha ideológica foi incriminado.

De lá para cá sopraram ventos de renovação vindos de alguns tribunais da Justiça de primeira instância, especialmente do grupo que ficou conhecido como “Republica de Curitiba”. Integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal agiram com firmeza, uma produzindo provas e o outro formulando as acusações e, é claro, com a atuação clara e decidida do Juiz Sergio Moro julgando os processos e condenando ou absolvendo os acusados.

O momento atual é de apreensão. Teremos o primeiro julgamento em um tribunal segunda instância (em Porto Alegre), no primeiro processo que envolve o ex-presidente lula, e saberemos em breve em que medida essa instância estará ou não comprometida com o esquema de cleptocracia, pelo voto de seus desembargadores. Isso tem a ver não somente com a condução de um criminoso à prisão, que é o seu lugar “de direito”, mas da possibilidade de participação desse canalha do próximo pleito eleitoral, com todas as repercussões que isso pode trazer para a nossa já triste realidade político-eleitoral.

Há vários placares possíveis para esse julgamento, de acordo com pesquisas que fiz na Internet:

a) Condenado por 3 X 0, com consenso sobre a pena a ser aplicada, que espero chegue aos 21 anos. Nesse caso caberiam como recurso aos seus defensores apenas os embargos de declaração e, estima-se que em cerca de 15 dias ele se tornaria inelegível e estaria fora da corrida eleitoral deste ano;

b) Condenado por 3 X 0, com dissenso sobre a pena a ser aplicada. Nesse caso caberiam os tais embargos infringentes, se a pena que prevalecer for a mais desfavorável ao réu. Nesse caso teremos um prazo de 3 a 7 meses de discussão, sem questionamento do mérito e sim da pena, antes de torná-lo inelegível;

c) Condenado por 2 X 1. Nesse caso caberiam os tais embargos infringentes e, em um prazo estimado entre 3 a 7 meses ele poderia:

  1. ser condenado e considerado inelegível;
  2. ser inocentado e considerado elegível! Pasmem!

d) Inocentado por 2 X 1 ou 3 X 0. Nesse caso ele estaria elegível e poderia participar das eleições de 2018.

Penso sinceramente que qualquer placar diferente de uma condenação por 3 X 0 já indicará uma preocupante contaminação de um Tribunal de Segunda Instância da Justiça com relação a esse esquema de cleptocracia. E suas consequências, no ânimo e nas esperanças da população que sonha com uma limpeza radical a ser promovida nas nossas instituições em futuro próximo será simplesmente devastador.

Mesmo no cenário mais favorável para a sociedade brasileira, com a confirmação da condenação do farsante, ainda teremos um festival de recursos junto ao TSE, STJ e STF.

Sobre a expectativa de atuação do STJ nesse tipo de caso, caso seja acionado, ainda não tenho elementos para formar um juízo sobre o assunto. Mas se as situações forem semelhantes às que ocorreram recentemente no TSE, sob a presidência de gilmar mendes, os resultados serão simplesmente desastrosos! O tempo dirá!

Infelizmente, já considero a possibilidade de existência de um cenário em que os cidadãos brasileiros verdadeiramente comprometidos com a justiça, com a democracia e com a liberdade começarão a se sentir como clandestinos em seu próprio país, e passarão a agir de acordo.

Antes que isso aconteça, como tenho feito em todas as oportunidades em que me encontro na cidade e há algum tipo de movimento popular em curso, é hora de pegar o Metrô e me dirigir ao bairro de Copacabana, onde está programada uma manifestação pública com esse simples objetivo, o de mostrar que esperamos que o lugar desse canalha seja atrás das grades e que, consequentemente, ele se torne inelegível imediatamente. Com relação aos demais integrantes da sua quadrilha que ainda se encontram em liberdade, um problema de cada vez.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Veredicto

Garrafa 491 – Muro de Berlim X Muro da Cisjordânia   2 comments

O Muro de Berlim foi um monumento à estupidez construído pelo regime comunista instalado na República “Democrática” Alemã (piada de péssimo gosto dos dirigentes da Alemanha Oriental) logo após o término da segunda guerra mundial. Foi derrubado há 25 anos atrás, em 09/11/1989. O vídeo apresentado ao final do post, elaborado pela rede de televisão da República Federal da Alemanha, em uma época em que o muro ainda não tinha sido derrubado, é bastante ilustrativo a respeito da quantidade de esforço e energia que eram empregados pelos comunistas na manutenção desse disparate.

Outro muro desse mesmo tipo, que tem 250 quilômetros de extensão e inda permanece de pé, é aquele que separa as duas Coreias, a do Norte (República “Democrática” Popular da Coreia) que é considerada uma ditadura totalitarista stalinista, e a do Sul (República da Coreia), ao longo do Paralelo 38, a faixa de terra que divide a península coreana em dois países.

Infelizmente, lições que deveriam ser cristalinas a respeito do tipo de consequências que a opção política e ideológica pelo comunismo e socialismo têm sido desprezadas por parcelas significativas da população do nosso país: onde quer que esses regimes tenham sido implantados, produziram sociedades tristes, infantilizadas e oprimidas. Os motivos, imagino, passam pela ignorância dos iletrados, a simples estupidez de quem lê a respeito e é incapaz de entender o que leu (os analfabetos funcionais), a ingenuidade de alguns outros bem-intencionados seduzidos por promessas de igualdade e políticas sociais mais justas, esquecendo-se de que terão que pagar o preço inaceitável de redução significativa seguido de completa eliminação de sua própria liberdade, ou a velha má-fé mesmo.

Imagino, também, que os diretores das empreiteiras presos na “Operação Lava-jato” estejam loucos para construir muros similares aqui no Brasil, certamente com despesas superfaturadas, caso o projeto de poder de inspiração cubana levado a efeito pelo atual partido governista seja bem-sucedido. Uma ideia idiota como essa, seja de construção ao longo de nossas fronteiras terrestres, de 16.886 quilômetros, seja internamente, em algum tipo de divisão promovida pelos atuais dirigentes, em caso de guerra civil, certamente seria uma obra com dimensões suficientes para encher os bolsos de muita gente desse grupo de dirigentes, parlamentares e empresários que, diariamente, transita pelo noticiário ora político, ora policial. É a possibilidade de mais um encontro perfeito entre corruptos e corruptores, em que fica cada vez mais difícil distinguir quem exatamente exerce cada um dos dois papeis complementares. Espero estar morto antes de ver um muro desse tipo ser erguido aqui no nosso país. Enquanto houver um sopro de vida em meu corpo, atuarei com todas as minhas forças e recursos à minha disposição para contribuir para evitar que isso se torne realidade.

Refletindo nas ultimas semanas a respeito da construção ou derrubada de muros de diversos tipos, após conversas com amigos que aparentemente defendem a ideia romântica de “abaixo todos os muros” (especialmente daquele localizado no barril de pólvora do oriente médio), mas ao mesmo tempo bem longe de quem diz que “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos”, fiz para mim mesmo o breve resumo que apresento abaixo.

Não me considero seguidor de nenhuma religião formal. Minha atividade que pode ser chamada de “espiritual” se resume à prática meditativa diária, além de algumas ações de contribuição, normalmente doando parte do meu tempo e energia em prol de algumas causas que julgo valiosas nas áreas de educação e de desenvolvimento pessoal. Já atendi pessoas gratuitamente mas, ultimamente, para que elas sintam que estão investindo mesmo que seja um valor mínimo, prefiro receber apenas alguns valores simbólicos de quem acredita que posso realmente ajudar, me pede apoio e, momentaneamente não dispõe de recursos para investir no próprio processo de aprendizado. Entretanto, tenho simpatia pela filosofia e sabedoria embutidas em algumas escrituras a que pude ter acesso, da maioria das principais tradições religiosas (Cristã, Judaica, Muçulmana, Espírita, Budista e Hinduísta). A ideia do “Caminho do meio”, da religião budista, é um tópico dentro desse conjunto de conceitos que faz muito sentido pra mim. As generalizações absolutas do tipo sempre/nunca; tudo/nada são normalmente problemáticas e sinto que a virtude se encontra em algum ponto intermediário que procura incluir as demandas e justificativas posicionadas no amplo espectro de opiniões entre ambos os extremos de algum tema importante. E meu interesse pela Abordagem Integral proposta por Ken Wilber também me leva a examinar cada assunto de vários pontos de vista diferentes (quadrantes, níveis, linhas, tipos e estados). A partir disso, penso as ideias simplistas do tipo “abaixo todos os muros” e “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos” não se sustentam por muito tempo.

Tenho muito claro que todos aqueles muros construídos e mantidos por ditadores e que servem principalmente para impedir que uma população inteira seja impedida de exercer seu direito de sair livremente de onde está, em busca de outras oportunidades mais alinhadas com seu conjunto de crenças e valores, esses muros devem sim ser derrubados sem demora (esse foi, a meu juízo, o caso do muro de Berlim). Não passa pela cabeça de ninguém de bom senso que o muro de Berlim servisse para impedir uma invasão de populações inteiras do lado ocidental em busca dos “benefícios” encontrados no regime comunista oriental, podendo causar um colapso de sua economia. Por outro lado, os muros das penitenciárias que mantem isolados cumprindo pena por crimes hediondos, depois de julgados e condenados em processos que lhes permitiram ampla defesa, indivíduos que demonstraram claramente que não têm condições de conviver em sociedade sem colocar a segurança de pessoas inocentes em sério risco, esses muros devem ser mantidos sim. E alguns outros tipos de muros que possam servir de barreira de proteção contra ataques declarados e intenções hostis contra pessoas ou populações inteiras, ameaçadas que são de aniquilação total por algum tipo de adversário, rival ou inimigo (seja por questões raciais, religiosas, ideológicas, econômicas ou por qualquer outro motivo), podem ser necessários e até mesmo indispensáveis, sob pena de enquadramento de suas lideranças em crime de responsabilidade com relação à segurança de suas respectivas populações. O Estado de Israel, por exemplo, está cercado por inimigos declarados que fomentam sua completa aniquilação e, por algum tempo, posso entender que medidas extremas de proteção possam e devam ser adotadas nessas circunstâncias especiais. Mas confesso que não estive por lá para ver pessoalmente o que realmente acontece, como no caso de minha experiência de vida na Alemanha. Mas os bons livros de história contemporânea estão à nossa disposição para consultas eventuais, e já os li, e procuro me manter bastante atualizado a respeito. Não passa pela cabeça de ninguém esclarecido, também, que os holandeses pretendam abrir mão dos muros e barreiras que construíram ao longo de muito tempo e que os protegem temporariamente contra a fúria do oceano (às vezes tendo que ser reconstruídos de maneira emergencial antes que uma nova tempestade se apresente). E também não creio que alguém, em sã consciência, deseje abrir mão do seu sistema imunológico que exerce uma barreira contra infecções oportunistas provocadas por bactérias e virus, em nome de um “abaixo todos os muros”.

Desejo que muros do tipo da Cisjordânia sejam derrubados no tempo mais breve possível, fruto principalmente de uma elevação do nível de desenvolvimento de consciência de ambas as partes em confronto. Penso firmemente que a virtude está em algum lugar no meio entre posições extremadas, e que tanto árabes como israelenses poderiam se beneficiar, enquanto fazem suas orações e práticas religiosas diárias, em suas casas e templos localizados no oriente médio, se aceitassem receber apenas um leve sopro de filosofia budista vinda do extremo oriente. E desejo que, tendo recebido esse sopro, possam reorientar suas prioridades a partir dessas novas percepções e reflexões…

A liberdade é simplesmente um valor inegociável para quem está verdadeiramente interessado e comprometido com a elevação do nível de desenvolvimento de consciência das pessoas. Ao mesmo tempo, reconheço como legítimas todas as iniciativas para exercício da autodefesa de pessoas e populações ameaçadas de completa aniquilação.

Desejo que, em 2015, todas as ações que contribuam para a elevação do nível de desenvolvimento das pessoas possam ser exitosas.

Eduardo Leal
Vídeo elaborado pela rede de televisão da antiga Alemanha Ocidental

%d blogueiros gostam disto: