Arquivo para maio 2012

Garrafa 328 – Só o tempo dirá…   Leave a comment

Aquele poderia ser apenas mais um encontro do casal apaixonado, depois do trabalho, para um fim de tarde e inicio de noite de amor e troca de confidências. Mas foi mais que isso…

Ela tornou aquele momento mágico, sempre aguardado com ansiedade e doce expectativa, em algo ainda mais digno de ser guardado para sempre, como um momento único e especial.

Planejou cada detalhe…

Na sua bolsa de mulher, além do trivial, trouxe alguns pequenos acessórios para compor um ambiente de sonho que passaram despercebidos quando ela entrou no carro e, depois, subiram juntos no elevador.

Enquanto ele tomava uma ducha rápida, o cenário foi preparado… E o impacto da surpresa visual e olfativa fez seus olhos ficarem úmidos e brilhantes e os passos vacilantes. E fez sua voz, ainda trêmula, pronunciar apenas… Eu amo você.

Três toques de simplicidade e sensibilidade:

Dezenas de pequenas velas aromáticas verdes, que foram espalhadas pelo quarto e delicadamente acesas num ritual calculado para transformá-las em vagalumes perfumados na penumbra do ambiente;

Incenso aromático, que complementava o delicado perfume das velas, havia sido aceso em seguida; e

Um pequeno reprodutor de CDs com um único disco, sua escolha para compor a trilha sonora daquele momento, esperava ao lado da cama pela ocasião de entrar em cena.

Ela estava linda como sempre, olhos brilhantes, sorriso maroto, seu cabelo castanho com cachos de anjinho barroco e seu corpo de formas curvas e firmes, o seu número para o encaixe perfeito. Cada dobrinha da pele suavemente perfumada com seu cheiro natural que sempre o enlouquecia e permanecia nas mãos e na memória olfativa ainda por algum tempo, depois de cada encontro…

Ser tocado por ela era sempre uma experiência cinestésica carregada de energia curativa. E explorar o relevo e textura do seu corpo então…

Nos minutos seguintes, como sempre acontecia quando se encontravam, o tempo passou a andar um pouco mais devagar.

E então, a ultima surpresa da noite… Sua voz acompanhava suavemente as musicas que ela escolheu como trilha sonora para aquele momento, enquanto seus corpos se tocavam delicadamente e as mãos passeavam pelos seus cabelos ainda molhados depois do banho apressado. Ela nunca havia cantarolado para ele antes, nem cantou mais, depois…

Ele descobriu mais tarde que a letra da musica, “Only time”, diz assim:

Who can say where the road goes
Where the day flows, only time
And who can say if your love grows
As your heart chose, only time

Who can say why your heart sighs
As your love flies, only time
And who can say why your heart cries
When your love lies, only time

Who can say when the roads meet
That love might be in your heart
And who can say when the day sleeps
If the night keeps all your heart
Night keeps all your heart

Who can say if your love grows
As your heart chose
Only time
And who can say where the road goes
Where the day flows, only time

Who knows? Only time

E adormeceram abraçados, observando os primeiros vagalumes se apagarem, mãos e bocas silenciosas, depois da festa do amor.

Se isso realmente aconteceu, se ainda vai acontecer no futuro próximo ou distante, ou se não passou de mais um daqueles sonhos de uma noite de verão, só o tempo dirá…

Enquanto penso nessa possibilidade, o vento sopra em meu ouvido um breve haicai:

amor virá, nas
escolhas do coração?
o tempo dirá…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Only time” na voz de Enia

Velas aromáticas

Garrafa 327 – Tat tvan Asi (Tu és Aquilo)   Leave a comment

Nos últimos dias andei à voltas com a leitura de “Ecologia Mental” de Murillo Nunes de Azevedo, pela Editora Pensamento, em que propôs, em 1995, que no problema da ecologia, além das três dimensões básicas da terra, da água e do ar fosse agregada uma quarta – a mental.

Utilizando o conceito de “inconsciente coletivo” de Jung e a ideia de que a tensão psicológica, mesmo contida, se irradia por todos os quadrantes e contamina os que tenham sensibilidade para percebê-la, propõe a hipótese da necessidade de uma “limpeza psíquica” para que possamos nos transformar em instrumentos purificadores do inconsciente coletivo em que estamos constantemente mergulhados, neutralizando os choques, conflitos e violência que predominam à nossa volta.

Ao apresentar a visão hindu da mente, associa o inconsciente coletivo de Jung ao plano ou estado de consciência manásico (mental) que é composto ainda por duas camadas, a concreta (rupa) e a abstrata (arupa). Comenta ainda que nós, seres humanos, estamos normalmente conscientes somente dos planos físico, emocional e mental concreto, raramente excursionando nos domínios do mental abstrato e muito menos ainda nos níveis superiores mais sutis.

A visão de um Todo Supremo ou de uma Realidade Última, que engloba em seu seio todas as coisas, que é imutável e na qual a essência humana tem o seu ser, entretanto, é apontada e reconhecida por diversas tradições espirituais. Os hindus, há milênios chamam essa “super-realidade” em que tudo está mergulhado de TAT, que quer dizer AQUILO. Algo que está além de todos os nomes, de todos os rótulos e que habita no coração do Universo e no coração dos homens. Tat tvan Asi – Tu és Aquilo. Em um dos textos dos Upanishads está dito que: “Aquilo que constitui a essência sutil, aquilo que em tudo que existe tem a sua própria essência, é o Verdadeiro Ser, é o SER. E tu és esse Ser.”

DEUS é AQUILO… Tu és aquilo… DEUS é AQUILO… Tu és aquilo…

E foi envolto nesses pensamentos, que criam uma tensão quase insuportável diante da nossa incapacidade de perceber essa super-realidade, que me vi em frente à balança do restaurante para pesar a minha porção de refeição saudável. E não resisti à inspiração para brincar com as palavras e com a métrica de um breve haicai, escrevendo na borda do guardanapo:

no restaurante,
insight espiritual:
Deus é A…quilo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 326 – Ser mãe   Leave a comment

gerar, dar à luz,
acolher, nutrir, curar…
viver o amor!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Choro de mãe” com Wagner Tiso

Garrafa 325 – Dia chuvoso   1 comment

dentro da roupa,
gotinha assanhada!
dia chuvoso…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Rain is falling” com Electric Light Orchestra

Garrafa 324 – Gostar de alguém   Leave a comment

no mundo não há
nada mais, nem ninguém… ah!
gostar de alguém…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “You gotta love someone” com Elton John

Garrafa 323 – Reflexos   Leave a comment

vejo em você
reflexos de mim mesmo,
em cada gesto…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de Silvio Crisóstomo
Instruções de utilização: Ouvir “Reflexos de nós” com Maria Gadú e Toni Ferreira

Garrafa 322 – Lugares intocados   1 comment

No dia do trabalho, minha homenagem a um trabalhador incansável. Desejo que continue assim por um longo tempo…

há, dentro de mim,
lugares intocados
pelo descanso…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Coração vagabundo” de Caetano Veloso, na voz de Gal Costa e Caetano Veloso

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