Arquivo para agosto 2011

Garrafa 273 – Linha da vida   1 comment

Há alguns anos, uma bela mulher com alma cigana tocou de leve minha mão, acenou com lindas promessas e se foi…

na palma da mão,
linha da vida… via
de mão única!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “The witch´s promise” na voz de Ian Anderson com Jethro Tull

Garrafa 272 – Na cozinha, como na vida   1 comment

Cena 1: Domingo chuvoso: Meu vizinho Bem-te-vi, silencioso… Dieta de notícias, no jornal que recebo na porta de casa pela manhã – só leio o que faz bem pra minha saúde mental. Vontade enorme de continuar vendo a programação esportiva que começou cedinho: GP de motociclismo, Globo Esporte com Meia Maratona do Rio… Depois pegar um bom livro e continuar sua leitura interrompida na noite de ontem, até a hora do almoço.

Após uma semana de intenso e prazeroso trabalho, acho que não seria pedir muito… Entretanto, é dia de folga da empregada e cozinheira; nenhuma animação para comer fora de casa; companheira resfriada e dengosa…

Cena 2: – Mozinho, to tão cansada e resfriada, me ajuda aqui com o almoço?

Em tempo: Minha especialidade na cozinha – água fervendo, olhando na receita…

Inércia! Sair da zona de conforto, argh! Impulso mental para o destempero: – Mozi, você sabe que eu não entendo nada disso! Tenho tanta coisa pra fazer!

MINHA LIÇÃO DE DOMINGO: SABER QUANDO PARAR – Nesse caso, de não fazer absolutamente nada! PRA NÃO DESTEMPERAR!

Ainda bem que não disse nada, ou melhor: – Tá bem Mozi, vamolá! Vamos ver o que acontece.

Cena 3: Ingredientes já cortadinhos, shimeji, shitake e cebola. Panela no fogo com manteiga sendo derretida. Adiciono a cebola cortada e mexo sem parar. Sensação interessante, por a mão na massa, território pouco explorado… Só me lembro de algo parecido em acampamento com amigos, onde um pacote de miojo e uma lata de salsichas faziam o maior sucesso. Ou quando morei na Alemanha em companhia de meu amigo Matsuda, grande cozinheiro, que sabiamente me mantinha a uma distância segura do fogão. Adiciono os cogumelos e continuo mexendo sem parar. Não precisa por água? Não Mozi, é assim mesmo! E AGORA, QUANDO PARAR de mexer? Qual o próximo passo? Quando a Chef faz um sinal, hora de adicionar creme de leite natural e continuar mexendo. Uma pitada de sal. Provinha de sabor – essa parte eu gostei! Não bota a colher de volta na panela! Lava primeiro! Argh! Enquanto isso, em outra panela, minha especialidade! Água fervendo! A seguir, colocar na água os “ninhos” de pasta, mexendo com um garfo com todo o cuidado, prá não embolar. E AGORA, QUANDO PARAR de mexer? Agora, prova de cozimento e consistência: Está “al dente”?…

Cena 4: Minha filha chega e não acredita no que vê. Espanto! Tempo de dilúvio se aproxima! Fotos! Meu pai na cozinha!

Cena 5: Comida na mesa, olhares de surpresa, degustação aprovada. Não foi tão difícil assim… Graças à Chef de cozinha, que sabia a hora certa de parar, seja lá o que for que estivesse acontecendo, ou deixando de acontecer, prá não destemperar…

Cena 6: Beijim, e pausa para um breve haicai…

quando cozinhar,
saber quando parar pra
não destemperar!

Eduardo Leal
Fotos de Fatima & Eduardo Leal

Garrafa 271 – Um outro tempo   6 comments

Fazia já alguns dias que não passava por esse caminho, em minhas andanças diárias. Ontem à noite, durante a caminhada, enquanto avançava em direção à maresia, fui envolvido por uma atmosfera suavemente perfumada, que me transportou para um outro tempo. Dois jasmineiros, espalhando seu perfume aos ventos, davam um tom de primavera a uma agradável noite de inverno.

Hoje à tarde, apesar do dia nublado, trouxe meu corpo de volta a esse espaço, para reencontrar um outro tempo…

cheiro de jasmim
traz o tempo do seu corpo
de volta pra mim

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal – Jardim Oceânico, 20/08/2011
Instruções de utilização: Ouvir “Some other time” com Alan Parsons Project

Garrafa 270 – Vi o bem-te-vi   2 comments

Tenho mantido um relacionamento cordial com um bem-te-vi, desde que me mudei para o meu novo endereço e me tornei seu vizinho, no ano passado. Sua casa fica na pracinha arborizada que vejo, afortunado que sou, da minha varanda e pela janela do meu quarto.

Duas coisas me indicam a chegada de um novo dia: o olhar amoroso de minha companheira de vida, sempre ao meu lado, e o canto do bem-te-vi.

Ouço seu canto matinal, mas quase nunca o vejo, camuflado que fica entre as folhagens. Quando bem-nos-vemos, é motivo de celebração. Bem-te-vi! Bom dia!

vi o bem-te-vi
que bem-me-vê de manhã
bem-vindo dia!

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal – A casa do Bem-te-vi
Instruções de utilização: Ouvir “I am the day” com Libera

Garrafa 269 – Despertador   2 comments

Amor interrompido… haverá evento mais dolorido?

noite de amor…
o som do despertador
deperta a dor.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 268 – Pomba perdida   1 comment

Há alguns dias, um susto provocado por uma pomba desastrada inspirou um breve haicai. Uma peninha minúscula ainda permaneceu por um tempo na minha janela… que pena…

pomba perdida
na minha janela blam!
alma ferida

Eduardo Leal
Fotos de autor desconhecido e de Eduardo Leal
Instruções de utilização: Ouvir “Wings of a dove” com Libera

Garrafa 267 – Pegar ou largar?   2 comments

pegar ou largar
no fio da navalha
como não sangrar?

Eduardo Leal
Inspirado no livro “A felicidade, desesperadamente” de André Comte-Sponville
Foto de autor desconhecido

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