Arquivo para dezembro 2007

Garrafa 125 – Desejo   Leave a comment

Desejo primeiro que você ame, e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
 
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
 
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
 
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
 
Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
 
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
 
Desejo por sinal que você seja triste,
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
 
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
acima e a respeito de tudo,
que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
e que estão à sua volta.
 
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco
e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal
porque, assim, você se sentirá bem por nada.
 
Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
 
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga `Isso é meu`,
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
 
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
 
Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher, tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
 
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a lhe desejar.
 
Victor Hugo
Foto de Rosalina Afonso em http://olhares.aeiou.pt/i_wish/foto1655908.html
 
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Publicado 28/12/2007 por Eduardo Leal em Poesia

Garrafa 124 – Iluminados   Leave a comment

O amor tem feito coisas
Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta ferida

O amor junta os pedaços
Quando um coração se quebra
Mesmo que seja de aço
Mesmo que seja de pedra

Fica tão cicatrizado
Que ninguém diz que é colado
Foi assim que fez em mim
Foi assim que fez em nós

Esse amor iluminado…

Ivan Lins e Vitor Martins
Foto de Alberto Viana d Almeida em – http://olhares.aeiou.pt/332____/foto1353231.html

Garrafa 123 – Natal no Japão   Leave a comment

casa do filho
um Natal em família
melhor presente…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Garrafa 122 – Mala suerte   Leave a comment

vôo Paris-Tokyo
quatro malas perdidas!
Japão sem cuecas…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 121 – Check-in   Leave a comment

check-in da Air France
uma mala esquecida!
quase não voo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 120 – Pelo correio   Leave a comment

na caixa do correio
meto a mão e encontro
quatro folhas secas

Eduardo Bacellar
Foto de Filomena Chito. Veja em: http://olhares.aeiou.pt/pelo_correio/foto1416220.html

Garrafa 119 – Ausência   Leave a comment

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
Foto de F. Monteiro (Noite) em http://olhares.aeiou.pt/noite/foto451136.html%3cbr

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