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Garrafa 539 – E quando chegarmos ao poder teremos de matá-lo   2 comments

Meu interesse permanente pela literatura e pela filosofia tem sido saciado, nos últimos anos, pela participação em diversos cursos e por muitas leituras sugeridas pelos instrutores de cada um deles. E isso, claro, complementado por minhas próprias pesquisas realizadas tanto na Internet como em obras de referência.

Foi assim que descobri, no ano passado, a existência do filósofo alemão Eric Voegelin, um dos maiores filósofos do Século XX (1901-1985), que adotou a cidadania americana a partir de 1942, depois de ter emigrado para os EUA em 1938, escapando do nazismo. Infelizmente ainda pouco divulgado e explorado no Brasil, quase nada sabia a seu respeito, até a semana passada, além das muitas referências elogiosas por parte de escritores e filósofos da minha confiança.

Autor de vasta obra intelectual, também descobri que a melhor maneira de travar conhecimento com sua vida e seu pensamento seria iniciando pela leitura do livro Reflexões Autobiográficas, da É Realizações Editora, e que faz parte da Coleção Filosofia Atual. Esse conteúdo  foi ditado em 1973 a um de seus alunos e discípulos, Ellis Sandoz,  ao longo de vários encontros. Naquela ocasião, o texto foi registrado pela secretária do autor e essa transcrição foi corrigida pelo próprio Voegelin. No livro “The Voegelinian Revolution: A Biografical Introduction”, em 1981, Ellis Sandoz citou esse texto in extenso. E em 1989, também foi publicado o livro “Autobiographical Reflections”, de Eric Voegelin, que foi a base para essa tradução, em 2007, para o nosso idioma. Quem quiser, veja: https://images.app.goo.gl/75KnfubkdYtmdFEc8

Neste post não pretendo fazer uma resenha do livro e incluir comentários extensos sobre tudo que pude perceber e que me encantou sobre o autor e sua obra. Deixo essa tarefa para quem possa se interessar e dispor de mais tempo para alocar a essa atividade. Basta mencionar que, após sua leitura, encomendei, recebi e já iniciei a leitura de “Anamnese – Da Teoria da História e da Política”, e estou tendo dificuldades para obter meu exemplar de “Hitler e os Alemães”, que se encontra esgotado e pretendo ler em seguida, todos de Eric Voegelin.

Vale lembrar que a Viena onde se encontrava Voegelin vivia um ambiente fortemente marcado pelo colapso do Império Austro-Húngaro ao fim da Primeira Guerra Mundial, mas conservava ao longo de toda a década de 1920 um horizonte intelectual vastíssimo e era internacionalmente reconhecida como pioneira em muitas áreas do conhecimento. Assim foi, até que começaram a se fazer sentir os efeitos do nacional-socialismo, no início dos anos 30. Foi nessa cidade que ele passou a maior parte do tempo de sua vida, estudando e trabalhando, antes de decidir fugir dos nazistas, embarcando em um trem para a Suíça.

A Universidade de Viena, onde Voegelin foi aluno da Faculdade de Direito de 1919 a 1922, era um dos maiores centros acadêmicos da Europa. E foi onde também estudou o austríaco Otto Maria Carpeaux (1900-1978), judeu convertido ao cristianismo e outro gênio de mesmo quilate que escolheu fugir para o Brasil, em 1939, ao invés dos EUA. Carpeaux formou-se em Direito e doutorou-se em Matemática, Física e Química. Estudou Sociologia e Filosofia na França, Literatura Comparada na Itália  e Política na Alemanha. Doutorou-se também em Filosofia e Letras na Universidade de Viena.

Menciono também algumas de suas primeiras viagens internacionais de Voegelin que, em seu conjunto, foram responsáveis por proporcionar ao autor uma experiência vivida das pluralidades humanas realizadas em várias civilizações: conseguiu bolsa de estudos para um curso de férias sobre o idioma inglês em Oxford (1921); e com outra bolsa de pesquisa da Fundação Rockefeller, estendida a estudantes europeus, passou um ano (1925/1926) em Nova York, na Universidade Columbia, e no seguinte, um semestre em Harvard e outro em Winsconsin. No terceiro ano (1927), esteve em Paris, em cursos na Faculdade de Direito. Voegelin destaca a importância de uma grande ruptura ocorrida na sua formação intelectual, nos dois anos que passou nos EUA, proporcionada pelo conhecimento do vasto mundo que existia além do continente europeu. Segundo ele mesmo, essa experiência rompeu o seu provincianismo centro-europeu, sem permitir que caísse no provincianismo americano.

Tendo feito esses comentários preliminares, o evento que mais chamou minha atenção na leitura dessa obra introdutória, e tem a ver com o título perturbador do post, foi mencionado no Capítulo 21, que trata da experiência docente de Eric Voegelin, que trabalhou por cinquenta anos como professor. O fato marcante aconteceu quando ele lecionava na Volks-hochschule Wien-Volksheim, nos anos 1930. Essa instituição era um projeto de educação para adultos financiado pelo governo socialista da cidade de Viena. Era algo como uma universidade para trabalhadores e jovens de classe média baixa.

Em contato com os militantes do meio sindical mais intelectualizados, que eram seus alunos na Volks-hochschule, Voegelin tinha diante de si esses socialistas consideravelmente radicais, muitos deles, comunistas descarados, segundo suas próprias palavras. E recordava de seu próprio flerte com o marxismo, que durou apenas três meses, no verão de 1919, e decididamente já tinha ficado no seu passado. O antídoto tinha vindo do estudo das disciplinas de teoria econômica e história da teoria econômica, ficando claro para ele o que estava errado em Marx. Foi também decisiva para sua imunização contra essa ideologia pestilenta a leitura dos ensaios de Max Weber sobre o marxismo, documentos que datavam de 1904-1905.

Durante as aulas, não tardaram a surgir debates acalorados aos quais não podia renunciar, sem perda de autoridade, já que lecionava disciplinas como ciência política e história das ideias. Apesar desse choque ideológico,  Voegelin conseguiu desenvolver uma relação permanente e saudável com esses jovens marxistas radicais, preservando as relações pessoais no melhor nível possível. Eis o fato que destaco:

“Às nove horas, após as palestras e o seminário do fim da tarde, o grupo sempre se reunia e dava sequência às discussões em algum dos inúmeros cafés das redondezas. Ainda me lembro de uma cena dos anos 1930 em que, após um entusiástico debate que terminou em desacordo, um desses rapazes, não muito mais jovem que eu, exclamou, com lágrimas nos olhos: ‘E quando chegarmos ao poder teremos de matá-lo.'”

E destaco esse fato pela simples razão de que nossas sociedades ocidentais, e a nossa em particular, que falam com horror das mortes causadas pelo nazi-fascismo, simplesmente se calam quando o assunto é o número simplesmente cinco vezes maior de mortes causadas pelo comunismo. E essas sementes malignas foram plantadas em situações como essa mencionada por Voegelin, e cresceram e deram muitos frutos, e novas sementes continuam sendo adubadas e regadas, diariamente, nos corações e mentes das novas gerações.

No Brasil de 1964, Leonel Brizola já tinha sua lista de pessoas que deveriam ser eliminadas, caso o movimento comunista do qual fazia parte fosse bem sucedido. Felizmente, foi o contra-golpe da sociedade democrática que acabou sendo o vencedor momentâneo, naquela ocasião. O covarde fugiu para o Uruguai, mas os jornais da época noticiaram o fato, como apareceu na manchete do jornal “O Globo” de 17/04/1964 – “Brizola tinha lista dos que seriam mortos se a esquerda vencesse.” Sim, além de “planos de execução de oficiais de alta patente, pondo de lado qualquer espécie de sentimentalismo”, havia uma “lista de execução de civis anticomunistas, que deveriam ir imediatamento ao paredão”, para eliminar resistências e impedir a reação ao golpe comunista que estava em andamento. E é assim que os comunistas se comportam. Foi assim na Russia, e depois nas Repúblicas Soviéticas que foram incorporadas à URSS, e nos países da chamada “Cortina de Ferro” ocupados depois da Segunda Guerra Mundial. E foi assim na China de Mao Tsé Tung. E foi assim no Vietnam, no Laos, no Camboja, na Coreia do Norte. E foi assim em Cuba, trazendo a memória dos fatos para o nosso desmemoriado continente americano.

E porque não se fala disso, como se fala do holocausto nazista e seus 20 milhões de mortos, quando o número de mortos pelo comunismo chega ao numero de pelo menos cem milhões?

O que? Como? Cem milhões? Onde está essa informação? Basta consultar, por exemplo, “O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão” publicado pela Editora Bertrand Brasil, que traduziu “Le Livre Noir du Communisme”, de 1997, publicado na França no 80º aniversário da Revolução de Outubro de 1917, na Russia. Meu exemplar é de 2019, e está na 16ª edição. Só não vê quem não quer. E quem quiser, veja: https://images.app.goo.gl/GSPRPhMrHB25tmgj6

Por que isso não é noticiado com o mesmo destaque que se costuma dar quando, por exemplo, a questão é falar sobre as mortes promovidas por regimes totalitários como os de Hitler e Mussolini? A resposta simples e direta: porque a imprensa mundial está ocupada em sua grande maioria por simpatizantes, militantes e integrantes da quadrilha ideológica de esquerda. E a imprensa brasileira parece ser uma caso ainda mais representativo dessa visão. E não só a imprensa, mas também a maior parte dos setores ligados à “cultura” e às “artes”. Portanto, esse assunto só é abordado em alguns sites na Internet e nas redes sociais, e só é encontrado quando se sabe onde procurar. E, é claro, aparece também em alguns livros de pouca divulgação no país. Caso contrário, silêncio… E essa é a razão pela qual a todo momento surgem projetos de parlamentares integrantes dessa quadrilha propondo, “em nome da liberdade de expressão e da transparência”, a implementação de censura na Internet e nas redes sociais. Não se pode falar nisso!

De minha parte, penso, falo, escrevo e ajo de acordo. O movimento comunista internacional, com suas diversas ideologias camaleônicas embarcadas é o maior promotor de crimes, terror e repressão no planeta!

É o que penso e sinto, e sinto muito!

Eduardo Leal
Imagem de autor desconhecido

Cemitério visto do alto

Garrafa 538 – Lembranças de viagem   Leave a comment

Conheci Nara no inverno. Cheguei em um final de tarde, em janeiro de 2008, e passei uma noite fria e sua madrugada gelada em um hotel local.

A manhã surgiu luminosa e pude então explorar seu território, admirar seus belos jardins e parques, seus silenciosos templos e monumentos e respirar a atmosfera encantadora de seus castelos. Visita breve, que deixou meu coração apertado na despedida. Queria permanecer, mas não podia ficar nem mais um instante sequer.

Registrei timidamente minhas impressões dessa visita na Garrafa 131 – Nara.

E permanece inabalável o desejo de regressar.

Sei que tudo será diferente na próxima visita: somos outros agora, essa cidade dos sonhos e eu.

E sonho reencontrá-la em uma brilhante manhã de primavera, quem sabe enternecido com o espetáculo da floração das cerejeiras; ou quem sabe em um dia quente de verão ao abrigo de suas sombrinhas coloridas; ou ainda em uma luminosa tarde de outono, já antecipando as cores quentes do por do sol em sua silhueta recortada no horizonte.

Mas pode ser que isso só aconteça novamente em outra manhã gelada de inverno. E o dia pode estar nublado ou chuvoso. Não importa. Quero apenas poder caminhar novamente nesse território ainda tão pouco explorado, e em que tive um vislumbre do que poderia ser uma vida plena e um prolongado encontro afortunado.

Quem sabe um dia…

Enquanto isso, aguardo e guardo na lembrança as imagens dessa viagem de sonho em que me senti acolhido e em que estava em contato comigo mesmo. E sinto de novo a sensação de grata surpresa que me invadia a cada passo, dado ora de maneira hesitante, ora com grande firmeza, e ao dobrar cada curva do caminho até a hora da partida.

E sou grato por isso!

E antes que essas lembranças se esvaneçam, rabisco no meu bloco de notas:

inexorável
erosão da memória
bloco de notas

Eduardo Leal
Ilustrações de autor desconhecido: Veja em: https://www.visitnara.jp/travel-to-nara/

Garrafa 537 – Toffoli, o desqualificado

A decisão estapafúrdia tomada pelo plenário do STF, na noite de ontem, de mudança de jurisprudência para beneficiar o farsante profissional que cumpre pena na sede da PF, com a cumplicidade e o voto decisivo do seu presidente desqualificado já estava delineada há tempos.

Sinais de alerta não faltaram e foram emitidos sob a forma de declarações, ações e omissões, por cada um dos simpatizantes, militantes e integrantes da quadrilha ideológica de esquerda, todos confortavelmente instalados na mais alta corte de “justiça” do país. Fazem pose de defensores da lei, enquanto na prática defendem as ações do crime organizado em suas diversas modalidades, já que foram indicados de maneira premeditada pela pior safra de presidentes que a população brasileira já elegeu nas últimas décadas, na verdade os mandantes dos crimes hediondos que vêm sendo praticados contra o futuro das próximas gerações de brasileiros.

Mesmo aqueles “ministros” que votaram a favor da manutenção da prisão após a condenação em segunda instância, como era o entendimento anterior, não são merecedores da minha confiança. Mais se prestaram a um arremedo de disputa jurídica com votos contra e a favor da mudança de jurisprudência, do que qualquer outra coisa, encenando peça miserável nesse fuleiro supremo teatro nacional.

E sinto muito que assim seja! E por que assim penso e sinto? Serei sucinto na minha justificativa.

A indicação mais clara, indecente e descarada do que estava por vir surgiu de descabidas declarações prestadas em recente entrevista do atual presidente desse supremo teatro, quando fez comentários desqualificando uma pretensa preferência pela “ordem”, como um dos entraves para o desenvolvimento do pais.

Ora bolas, desqualificado é ele próprio! Será que simplesmente não poderíamos imaginar que “ordem” seria o apelido carinhoso da constituição federal, que esses canalhas deveriam garantir e usar como documento de referência para garantia da manutenção de uma desejável “ordem jurídica” nesse país de distraídos profissionais? Não é para isso que recebem seus salários? Não é esse o seu trabalho?

É concebível que uma coisa desse tipo, mesmo que referindo-se a algo que o Brasil há muito somente reconheça no lema inscrito na bandeira nacional, e não na prática diária onde reina a desordem, seja dita pelo titular da instituição responsável pela manutenção da ordem jurídica do país, sem que ele tivesse sido imediatamente afastado do cargo por óbvia desqualificação demonstrada para exercê-lo?

Houve alguma reação dos seu pares diante desse disparate? De que vale uma declaração de voto favorável à prisão após condenação em segunda instância, quando o que está em curso é o patrocínio da desordem jurídica nas intenções e ações do atual presidente do stf?

Algum sinal visível de indignação ou pressão das outras instituições responsáveis pelo equilíbrio democrático, do legislativo e do executivo?

Alguma grande manifestação de pressão popular, em todos os cantos do território nacional para sua saída imediata? Alguém viu ou ouviu? Nem eu!

Será que fui o único a tomar conhecimento do teor dessa entrevista pelas redes sociais?

Essa foi a senha para testar a reação do país com relação ao prosseguimento desse verdadeiro crime de lesa-pátria perpetrado pela organização criminosa que, infelizmente, em grande medida, ainda domina as instituições do judiciário e do legislativo, tendo sido apenas recentemente afastada do executivo. Como nada aconteceu, fizeram o que fizeram sem medo de represálias.

Um destino triste e sombrio estará sempre à espreita daquelas nações que assistem, sem contestação, a uma infiltração sistemática de simpatizantes, militantes e integrantes do crime organizado em suas instituições.

O tempo dirá!

O momento atual exige que as pessoas de bem tenham a mesma ousadia dos canalhas!

Eduardo Leal

Foto de Eduardo Leal (Nuvens carregadas)

Garrafa 536 – Testemunha silenciosa   Leave a comment

O alarme está ajustado para despertar às seis horas, mas normalmente já estou acordado um pouco antes disso. Tem sido assim pelo menos desde o início dos anos sessenta.

Costumava despertar às cinco e meia, com o céu ainda escuro, para entrar antes das sete no Colégio Militar. Nos anos setenta, o toque de alvorada do corneteiro soava na Escola Naval às seis, mas o som das gaivotas da Ilha de Villegagnon já entrava pela janela aberta bem antes disso, junto com a brisa impregnada de maresia da Baía de Guanabara. Depois de formado, essa se tornou a rotina para chegar ao trabalho antes das oito, deixando, antes, as meninas no colégio. E isso se entendeu até o início de 2002, ou seja, por mais de quarenta anos.

Após a transferência para a reserva, iniciei nova carreira com outras atividades profissionais e maior flexibilidade com relação a horários, que ficam agora a meu quase exclusivo critério. Mas o hábito de acordar cedo se mantém, apesar de não ser mais tão necessário. Agora é uma escolha do corpo!

Lembro-me de, na infância, precisar de pelo menos dez horas de sono por dia. E esse número foi sendo reduzido para nove na adolescência, e para oito na juventude e início da vida adulta. A partir dos anos 80, seis horas já eram suficientes. Hoje, dificilmente adormeço antes de uma da manhã. Fico bem disposto com apenas cinco horas de sono por noite. Indicaçao da inexorável aproximação da velhice, dizem. Parece que ficamos com mais sede de vida, ao pressentirmos o seu fim, e queremos dormir menos para viver mais. Quem sabe?

Quando estou em casa, ao levantar da cama, meus primeiros passos costumam me levar direto para a varanda, que aponta para o sul da paisagem da Barra da Tijuca. Fico de olho no céu em busca de nuvens cor de rosa ou acinzentadas, ansioso pelo contato com as primeiras luzes da manhã que aparecem do lado esquerdo, a leste, na direção de onde fica a Praia de São Conrado. E procuro pistas sobre a intensidade e direção do vento, no movimento das folhas dos coqueiros, amendoeiras e mangueiras da pracinha, como se ainda estivesse no convés de algumas das embarcações que tripulei ou comandei. As gaivotas silenciosas ficam muito alto no céu matinal e a algazarra da passarinhada é uma composição do canto de sabiás, cambaxirras e de muitos bem-te-vis. Sua plumagem em tons de marrom e amarelo é percebida por entre os galhos e troncos que se mostram já bem secos ou ainda molhados, indicando como transcorreu a madrugada e como promete ser o novo dia, se já choveu ou se teremos céu azul, nublado ou chuvoso.

Aqui no sítio, onde já estou há alguns dias, a rotina é parecida. Salto da cama e corro para fora da casa que é cercada de muitas árvores diferentes. São jaqueiras, mangueiras, jambeiros, o bananal e um grande bambuzal que nos protegem dos ventos que sobem a partir do fundo do vale, a oeste. Preciso me afastar de suas paredes e telhado para olhar em direção das pequenas elevações cercadas de vegetação que cercam a casa por cerca de cento e oitenta graus, na direção do nascente. O sol presencial só depois das oito, em dias de céu claro, apesar de anunciado a partir das quatro pelos galos da vizinhança. Aqui é mais fácil ver o dourado do poente que o do nascer do sol, já que o setor oeste é mais livre de obstáculos próximos, e as montanhas avistadas no fundo do vale ficam muito distantes, no limite do horizonte. No sítio, a sinfonia matinal de passarinhos também é extremamente variada mas, ultimamente, tem sido abafada pela estridência insolente de bandos de maritacas.

Hoje é uma data especial em que é celebrado o dia dos pais e lembro-me do meu bom amigo que já nos deixou há vinte anos. Teria completado cem anos, se ainda estivesse entre nós, e despediu-se precocemente deste mundo aos oitenta. Estou aproveitando a companhia do meu sogro, o patriarca da família que tem noventa e três, e hoje acordou mais cedo para moer cana para todos nós. Meu filho mais velho, que será pai pela primeira vez a partir de janeiro já me chamou em vídeo agora há pouco, diretamente da Alemanha, onde vive. Estava fazendo a barba do meu sogro durante a chamada, e conversamos, ao mesmo tempo, três gerações: avô, pai e filho. Muito riso e pouco sizo! Minhas filhas já estão a caminho, subindo a serra para participar do almoço em família, regado a caldo de cana. Trazem o pequeno Damião, netinho amado, representante da quarta geração que em breve terá a companhia de um priminho ou priminha. Seu sexo, para arrepio dos idiotas defensores da ideologia de gênero, ainda não sabemos, mas sim descobriremos em breve. Vida que segue seu curso!

Sou grato por isso!

De olho na entrada do sítio, no fim da manhã, permaneço pensativo aguardando o barulho e a visão do carro que traz minhas filhas, genro e neto. Como testemunha silenciosa, sinto e ouço o vento mensageiro.

Chegaram!

Hoje, mais cedo, rabisquei no meu bloco de notas:

ah! no bambuzal!
de onde? para onde vai
rajada de vento?

Eduardo Leal

Foto de Eduardo Leal

Garrafa 535 – Aristotolices   Leave a comment

A época do aniversário é, tradicionalmente, momento de realização de balanços de perdas e danos e de celebrações. E a cada ano o resultado é sempre diferente! Como já nos dizia Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim.”

O dia de ontem foi ótimo! Caminhada rotineira na manhã ensolarada e, à noite, recebi em casa a parcela local da família: mãe, irmã e filhas, com seus respectivos companheiros (genros) e, como sempre, o personagem de destaque da família, até a chegada de outros componentes já anunciados, o pequeno Damião, netinho querido.

Várias ligações do filho, de amigos e amigas, algumas internacionais, e muitas mensagens recebidas pelas redes sociais temperaram a tarde, enquanto as panelas já estavam no fogo, antecipando na agitação da cozinha, a chegada do pequeno grupo de convidados.

Uma garrafa de vinho tinto espanhol, de uva tempranillo, hábito adquirido durante o Caminho de Santiago – 2015, molhou a palavra durante as animadas conversas noturnas.

Sobre a minha inescapável e complexa circunstância, apenas algumas notas de rodapé, a título de leitura recomendada:

  1. Terminei a leitura da pequena joia “Aristóteles em nova perspectiva – A Teoria dos Quatro Discursos” de Olavo de Carvalho. Li e reli o seu conteúdo ao longo de duas semanas, deliciando-me com a sua proposta original e inovadora de considerar como uma Teoria Geral do Discurso as quatro obras do filósofo estagirita: as duas primeiras, a Poética e a Retórica se prolongando e aprofundando nas duas ultimas, a Dialética e a Lógica – Analítica. E não menos deliciosa foi a leitura do texto suplementar “Aristóteles no Dentista – Polêmica entre o Autor e a SBPC”, na época do encaminhamento de seu trabalho “Uma filosofia aristotélica da cultura” para avaliação e eventual publicação na revista Ciência Hoje. Essa situação insólita se iniciou em 1983, com o envio do trabalho, e se estendeu por 1984 e 1985, com artigos publicados em jornais e a correspondência pessoal e institucional trocada entre os envolvidos. Segundo o autor, foi nesse instante que nasceu a inspiração para o livro “O Imbecil Coletivo”, como uma espécie de tratamento de choque para despertar a nossa moribunda intelectualidade;
  2. Motivado pela leitura do livro sobre Aristóteles, dei continuidade à leitura de “O Imbecil Coletivo”, também de Olavo de Carvalho, igualmente espetacular e dessa vez profético, do qual destaco o artigo “Bandidos & Letrados” que explicita com precisão a trajetória de uma revolução cultural que se encontra em curso, e que só poderia resultar na atual situação de decrepitude moral do STF, instituição transformada por seus atuais integrantes em defensora de bandidos e do crime organizado. Destaco o parágrafo inicial: “Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo mundo conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há sessenta anos, os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de idealização da malandragem, do vício e do crime. Como isso poderia deixar de contribuir, ao menos a longo prazo, para criar uma atmosfera favorável à propagação do banditismo?” Recomendo a leitura pelo menos desse artigo, já que as reflexões produzidas pela obra completa podem levar a um estado de depressão grave, com consequências devastadoras para as pessoas mais sensíveis, de boa fé e de bom senso, e ainda com alguma esperança residual nos destinos do nosso país;
  3. A leitura da Teoria dos Quatro Discursos me induziu também a reler, pela quarta vez, “A Estratégia da Genialidade – Volume 1” de Robert Dilts. Nessa série composta de três volumes, Dilts utiliza as ferramentas de modelagem e princípios da PNL – Programação Neurolinguística para investigar os padrões cognitivos de pessoas reconhecidamente geniais. No Capítulo 1 desse livro espetacular, o alvo da investigação é justamente Aristóteles! E constatamos que o seu reconhecimento como gênio não adveio simplesmente daquilo que ele sabia, mas da sua capacidade de expressar o que sabia. A estratégia de Aristóteles para identificar a relação entre o geral e o particular, encontrando a causa ou o `meio´, foi a base dos seus famosos `silogismos´: Todos os homens são mortais; Sócrates é homem; Sócrates é mortal. Para quem se interessa por filosofia e também por PNL, penso que essa pode ser uma leitura complementar proveitosa;
  4. Finalmente, atualmente também estou lendo “A Vida Intelectual” de A.-D. Sertillanges, que tem prefácio de Olavo de Carvalho. É leitura recomendada para quem se interessa por filosofia e já atendeu, ou pretende atender em breve ao chamado vocacional do trabalho intelectual e do desenvolvimento do espírito. Tudo isso, mesmo para quem só disponha de duas horas por dia para dedicar a essa nobre atividade.

Dito isto, sentado no banco da pracinha em frente ao meu prédio, sentindo na pele o calor do sol da manhã no dia seguinte ao do meu aniversário, folheando o meu exemplar de “A Vida Intelectual”, fiquei perdido em reflexões depois de ler o seguinte trecho:

“O homem isolado demais torna-se tímido, abstrato, um pouco bizarro, titubeia no mundo real como um marinheiro recém-desembarcado; não tem mais o senso de seu destino; parece olhar-nos como uma `proposição´que deve ser inserida em um silogismo, ou como um exemplo a ser registrado em um bloco de notas.”

Ainda processando as mensagens de aniversário que recebi, fiquei imaginando  também aquelas que, por diversas razões, deixaram de ser a mim enviadas e rabisquei na borda do livro o seguinte haicai:

apaixonado,
do silogismo, o meio,
você é termo.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

O Convite

Garrafa 533 – Diante da vastidão do tempo e do espaço   Leave a comment

Como já mencionei na página Minhas Razões, algumas das garrafas que lanço no mar da Internet trazem informações sobre o endereço de destino, e esta é uma delas. Nesta bela manhã de outono, ou de primavera, dependendo do hemisfério em que estejam os endereços do remetente e o de destino, quero dizer apenas que foi ótimo ter conhecido você há algum tempo atrás. Que coisa espetacular você ter nascido, e nesta época do ano! E mais ainda por termos nos encontrado!

Ontem mesmo tropecei nesta citação do astrônomo Carl Sagan, enquanto pensava no que dizer na mensagem que pretendia postar no dia de hoje. Sincronicidade em ação:

“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

Hoje à noite, surgirá no horizonte mais uma Lua Cheia de Outono, como tantas outras têm surgido desde que o planeta e seu satélite existem. E fico feliz que ainda possamos testemunhar algumas delas (que registro por aqui), nesta nossa curta existência, diante da vastidão do tempo e do espaço.

Você surgiu pra mim como uma bela lua cheia, em uma noite de outono!

Sou grato por isso!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Fases da lua

Garrafa 531 – Um país à beira do abismo 2   Leave a comment

MINHA DECLARAÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE DO BRASIL EM 2018

Vamos direto ao ponto: meu voto é em Jair Bolsonaro, o único candidato com coragem moral e ousadia suficientes que, além de não estar implicado nas investigações da Operação Lava Jato, conta com o apoio da maioria da população, e tem a disposição necessária para enfrentar essa situação de beira do abismo, perigosamente do lado esquerdo dessa ponte sem corrimão que pode levar o nosso país a despencar no precipício de uma ditadura do proletariado de modelo cubano.

Este não é o tipo de país que desejo que nossa geração deixe de legado para nossos filhos e netos, geração essa que é responsável pela situação em que vivemos e, também, pelas escolhas e implementação das mudanças que ainda são possíveis. O futuro do país estará em nossas mãos, mais precisamente na ponta dos nossos dedos, ao apertarmos os botões nessas urnas eletrônicas nas eleições de amanha.

O momento exige uma guinada forte à direita, e rápido!

Estou apenas sendo congruente com as ideias que já expus na Garrafa 510 – O Caminho do Meio na Política, postado em 2016, e em minha declaração de voto nas ultimas eleições municipais que consta da Garrafa 507 – Eleições Municipais de Outubro de 2016.

Apresento a seguir, mais uma vez, minhas razões. E o faço sem esperança de mudar a opinião de ninguém que pense de maneira diferente, neste ultimo dia de campanha eleitoral, mas para mostrar claramente para as pessoas que pensam como eu que elas não estão sozinhas.

Comentários sobre Candidatos de Partidos integrantes do Foro de São Paulo:

Nunca votei em candidatos do Partido dos Trabalhadores – PT (Lula e Dilma) para o Executivo Federal, nem em outros candidatos desse “partido” para cargos do Executivo Estadual, Executivo Municipal, ou do Legislativo (Federal/Estadual ou Municipal). E nunca o farei! É o partido que recebeu o maior volume de recursos de empresas envolvidas na operação Lava Jato (mais de 131 Milhões) e com cerca de 20 políticos implicados. Há processos envolvendo doze deputados federais, quatro senadores, três ex-ministros e um governador.

Haddad? Não merece maiores comentários, acusado que é pelo Ministério Público de São Paulo de “Enriquecimento ilícito”, “Dano ao erário” e de “Improbidade administrativa” em dezenas de processos. Tudo isso, além é claro do fato de ser apenas um fantoche e capacho do canalha do Lula que, por sua vez, está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, condenado a doze anos e um mês de cadeia apenas no primeiro dos diversos processos que pesam contra ele. Outras seis acusações ainda serão julgadas no futuro e desejo firmemente que não saia da cadeia nunca mais. A recentemente divulgada delação premiada de seu antigo comparsa Palocci contem material para qualquer pessoa de bom senso ficar estarrecida, isto sem contar com as outras delações já conhecidas de integrantes das empresas corruptoras/corruptas do porte da Odebrecht, JBS, etc. O “anjinho que não sabia de nada”, segundo suas próprias declarações e alegações de sua defesa, na verdade sabia e sabe de tudo e continua comandando sua organização criminosa travestida de partido político de dentro da cadeia, com o inestimável apoio e atitude de leniência com o crime organizado de boa parte da nossa “justiça” e a militância de seus comparsas, é claro. Em que outro país decente isso acontece? Que eu saiba em nenhum outro! Campanha política comandada de dentro da cadeia? Desconheço e, ao mesmo tempo, me entristeço. E há quem vote nas indicações desse traste! Os estúpidos, os ingênuos e as pessoas de má-fé de sempre. Consta da delação do Palocci que o criminoso condenado costuma se referir ao povo brasileiro, quando está apenas cercado de integrantes da sua quadrilha como sendo “um bando de otários e filhos da puta”. No caso dos seus eleitores, isso faz sentido. Os otários seriam os estúpidos e os ingênuos, e os filhos da puta seriam as pessoas de má-fé e os hipócritas que, usando a liberdade de expressão que ainda temos, defendem a implantação no país do modelo restritivo de liberdades existente em Cuba, a ditadura mas antiga das Américas…

Não voto em candidatos de partidos que participam do Foro de São Paulo. Portanto, além dos candidatos do PT, nunca votei e nem votarei em candidatos dos seguintes “partidos”:

  • Partido Democrático Trabalhista – PDT (Ciro Gomes é um jagunço de gravata. Responde a mais de 70 processos no Tribunal de Justiça do Ceará, em sua maioria ações civis que pedem indenização por danos morais, além de queixas criminais por calúnia, injúria e difamação.  Por falar nisso, “cadela no cio” ele sabe muito bem quem é! Causa-me espanto que sua declaração de que “o papel mais importante que sua ex-mulher (a atriz global Patricia Pilar) tinha desempenhado até então era o de dormir com ele”, não seja usado omo um exemplo claro do tipo de machismo que as feministas que apoiam sua candidatura dizem combater. Busca o apoio de partidos e eleitores de esquerda e pretende ser um dos beneficiários do “espólio político” do Lula. Disse em entrevista que o ex-presidente presidiário só será solto se ele for eleito presidente. Pode? O seu partido recebeu recursos da ordem de de 5,5 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato. Tem como candidata a vice na sua chapa a Katia Abreu, que foi ministra e defensora do desgoverno Dilma, o que também é atestado de péssimos antecedentes);
  • Partido Comunista do Brasil – PC do B (não tem candidato próprio, mas a “sem noção” da Manuela D’ Ávila é candidata a vice na chapa do Haddad, o que também é atestado de péssimos antecedentes. O partido recebeu recursos da ordem de de 4 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato e tem um deputado e uma senadora implicados);
  • Partido Comunista Brasileiro – PCB (não tem candidato próprio, mas apoia o candidato do PSOL, que merecerá comentários em um parágrafo adiante);
  • Partido Pátria Livre – PPL (João Goulart Filho tem como candidato a vice Léo da Silva Alves – Quem? O que? Onde? Quando? O partido recebeu recursos da ordem de de 25 Mil de empresas envolvidas na Lava Jato);
  • Partido Popular Socialista – PPS (não tem candidato próprio e, no site do partido, parece que não vai haver nenhuma disputa para eleição de um presidente da república… O partido recebeu recursos da ordem de de 1 Milhão de empresas envolvidas na Lava Jato e tem um deputado federal implicado)
  • Partido Socialista Brasileiro – PSB (não tem candidato próprio e, em acordo com o PT, para não beneficiar o candidato do PDT, teria se declarado “neutro”, não apoiando abertamente nenhum dos outros candidatos do Foro. O partido recebeu recursos da ordem de de 21,7 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato e possui dois senadores e dois deputados implicados).

Foro de São Paulo – O que é?

Para quem ainda não sabe, essa organização criminosa (na minha opinião) denominada Foro de São Paulo foi criada em julho de 1990, com o apoio de Fidel Castro e Lula, entre outros idiotas (uso aqui o enquadramento como idiota proposto nos dois brilhantes livros prefaciados pelo Premio Nobel de Literatura, o peruano Mário Vargas Llosa “Manual do perfeito idiota latino-americano” e “A volta do idiota”, cuja leitura recomendo com empenho), com o propósito de transformar os países latino-americanos que ainda não o são em ditaduras de esquerda de modelo cubano. Esse “projeto”  já está em curso com grande sucesso na Venezuela, e com menor grau de êxito em outros países do continente americano, inclusive aqui no Brasil, para minha tristeza. Participam desse organismo partidos de esquerda da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e, é claro, da Venezuela.

No caso brasileiro, esses partidos de esquerda são:

1. Partido Democrático Trabalhista (PDT)
2. Partido Comunista do Brasil (PC do B)
3. Partido Comunista Brasileiro (PCB)
4. Partido Pátria Livre (PPL)
5. Partido Popular Socialista (PPS)
6. Partido Socialista Brasileiro (PSB) e
7. Partido dos Trabalhadores (PT)

O modelo de tomada do poder sugerido pela Direção do Foro de São Paulo e que portanto é seguido pelos “partidos” indicados acima é, em grande medida, inspirado em ideias que surgiram a partir da primeira metade do Século XX e que foram propostas por Antônio Gramsci, que foi filiado ao Partido Socialista Italiano e, posteriormente, participou da criação do Partido Comunista Italiano, chegando a assumir a sua liderança. De maneira bastante simplificada, para lidar com a cultura existente nas democracias ocidentais, além da ênfase na influência exercida pelos “intelectuais de esquerda” em aspectos relacionados à “educação da sociedade”, ele propôs a assunção do poder pelas urnas, “fazer o diabo” para se manter no poder (para usar uma expressão utilizada pelo ex-presidente Lula e amplamente adotada pelos lideres, militantes e simpatizantes do PT) e, progressivamente, ir propondo e aprovando alterações na Constituição e na legislação decorrente para que o regime vigente se aproxime progressivamente de um modelo socialista e comunista (estatizante, ditatorial e restritivo de liberdades). Para isso é necessário ir corrompendo o legislativo para aprovação das matérias de seu interesse (vide Mensalão), e promovendo o aparelhamento da mais alta Corte do Judiciário com pessoas simpatizantes de suas bandeiras (para livrar a cara de integrantes de sua “quadrilha” cuja existência nunca é admitida pois simplesmente “ninguém sabia de nada do que estava acontecendo” nas antessalas e gabinetes de integrantes do Executivo e Legislativo), enquanto algumas instâncias da polícia e do próprio judiciário ainda funcionam (de maneira cada vez mais precária).

Qualquer semelhança com o processo utilizado na Venezuela e atualmente em curso no Brasil não é mera coincidência. Em alinhamento com esse plano sinistro, o canalha do José Dirceu, acaba de declarar em entrevista ao jornal espanhol  El País que a tomada do poder no Brasil por sua quadrilha de malfeitores é apenas uma questão de tempo. Desejo firmemente que isso nunca aconteça e esse projeto idiota sempre receberá minha oposição e resistência ferrenhas. Essa é a principal razão para declarar publicamente meus votos a cada eleição, como estou fazendo mais uma vez agora.

Uma das estratégias adotadas em caráter permanente por seus integrantes é simplesmente a da mentira descarada (omitindo e distorcendo os fatos quando a realidade não se ajusta ao seu projeto de tomada e manutenção no poder). Simples assim: se o resultado do julgamento do Processo do Mensalão não nos favorece, vamos negar que ele tenha existido, apesar da colossal quantidade de evidencias e provas colocadas à disposição da justiça e que resultaram na condenação da maior parte dos réus, e vamos “recontar e reescrever essa história” quando assumirmos o controle total do país, especialmente de todos os seus meios de comunicação (de preferencia, eliminando imediatamente essa indesejável área de “jornalismo investigativo” ainda existente em alguns veículos de comunicação, que sempre acaba descobrindo e divulgando as mentiras e atitudes hipócritas de alguns governantes e de integrantes de todas as áreas e setores de uma sociedade ainda livre e democrática).

No caso específico do PT, que esteve no poder em nosso país por cerca de treze anos, apenas mais um comentário: considero que um partido que tem um ex-presidente da república cumprindo pena, e cuja cúpula dirigente (os quatro últimos presidentes do partido e respectivos tesoureiros) também se encontra na cadeia, ou cumprindo pena em regime semiaberto, transformou-se em uma verdadeira quadrilha e deveria ser extinto e começar de novo do zero. Tudo isso aconteceu depois de vários julgamentos conduzidos em várias instâncias até chegar à mais alta Corte da Justiça (o Supremo Tribunal Federal, antes do aprofundamento do seu aparelhamento ideológico no caso do Mensalão, e depois, no caso do Petrolão), com amplo direito de defesa de todos os réus, que contrataram os melhores advogados do país (pagos a peso de ouro e provavelmente, por vias transversas, financiados com dinheiro dos nossos infelizes contribuintes, haja vista a enorme quantidade de desvios e falcatruas que continuam a aparecer até hoje no noticiário diário.  Se o partido não for (e não será) extinto por uma legislação eleitoral que não prevê essa situação, deveria sê-lo por iniciativa de seus próprios correligionários, se tivessem um pingo de bom senso, vergonha na cara e identificação com valores éticos. Infelizmente esse não é o caso.

Comentários sobre Outras Candidaturas de Esquerda:

Um partido cujo espectro político é tido como de esquerda e extrema esquerda, e que adota a estratégia de não participar do Foro de São Paulo (um simulacro para se apresentar como “esquerda vegetariana” quando na verdade é “esquerda carnívora” até a raiz dos cabelos), e cujos candidatos também não contam com meu voto é o Partido Socialismo e Liberdade – PSOL. O nome do partido já contém uma curiosa contradição uma vez que, historicamente, a primeira coisa que os socialistas fazem ao assumir definitivamente o poder é inicialmente restringir e em seguida simplesmente eliminar a liberdade de expressão e de locomoção das pessoas. A mesma “brincadeirinha” é feita pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB  que também usa como slogan “Socialismo e Liberdade”. Piada de péssimo gosto, como aquela feita pela antiga Alemanha Oriental (Comunista e fantoche da ex-União Soviética) de se intitular de República Democrática Alemã. Democracia é o cacete! Liberdade é o cacete! A ala de estrema esquerda do PSOL ainda aposta em algum tipo de revolução violenta como forma de tomada do poder, ao invés do modelo proposto por Gramsci, e adotado pela maioria dos atuais partidos de esquerda latino-americanos. A aproximação de políticos do PSOL, especialmente no Rio de Janeiro, com movimentos do tipo Black Blocs, como foi amplamente denunciado na imprensa (apoiando e patrocinando ações de depredação de patrimônio público e privado, que tumultuaram as manifestações públicas pacíficas por mudanças que emergiram em todo o país, há algum tempo atrás, e oferecendo ajuda para defesa de seus manifestantes eventualmente presos durante os tumultos) é um claro sintoma da maneira de pensar de alguns de seus integrantes. Não é portanto surpresa que o candidato à presidência do PSOL seja o recém filiado (março de 2018) e perfeito idiota do Guilherme Boulos. Suas qualificações estão certamente, na visão desse partido, o fato de ter ingressado no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, em 2002, e de participar de sua “Coordenação Nacional”. Por conta dessa atuação, já foi preso acusado de cometer desobediência judicial e incitação à violência. O MTST foi organizado, a partir de 1987, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, para atuar nas grandes cidades. Sim, o MST, aquele mesmo movimento que  doutrina crianças e jovens com suas “cartilhas” e prepara seus integrantes para ações de invasão de terras e propriedades privadas e para a luta armada no campo.  A candidata a vice pelo PSOL é a “líder indígena” Sônia Guajajara.

O nanico Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU tem como candidata Vera Lucia Salgado, que foi uma de suas fundadoras  e já foi filiada anteriormente ao PT. É sindicalista ligada à CUT e tem concorrido a diversos cargos desde 2002, sem nunca ter vencido uma eleição. O site do partido contém erros grosseiros de português, e seu veículo de comunicação, o “Opinião Socialista”, não passa de um panfleto marxista-leninista, pregando uma revolução operaria. O candidato a vice é Hertz Dias.

Marina Silva é a candidata da Rede Sustentabilidade, partido que foi fundado em 2013  por pessoas que já tinham sido filiadas ao PT, PSOL, PV, PCB e PPS, incluindo ex-guerrilheiros que participaram de sequestros e da luta armada durante os governos militares. Pelo fato do partido recém criado não conseguir o numero de assinaturas para concorrer oficialmente às eleições de 2014, foi estabelecida uma aliança estratégica com quem? Com o PSB, integrante do Foro de São Paulo, o que já representava naquela época, pelo menos para mim, um atestado de péssimos antecedentes de seus integrantes. O partido recebeu seu reconhecimento definitivo a partir de 2015 e, apesar de ter uma aparência de modernidade e buscar um discurso e retórica renovadores, pelo passado e afiliações anteriores das pessoas envolvidas, tudo isso me parece mais do mesmo modelo que identifico com o máximo de atraso em termos de desenvolvimento econômico e social. E com altíssimo risco de perda de LIBERDADE (valor inegociável) de acordo com diversas iniciativas com as quais esse partido volta e meia se alinha, ora por conveniência, ora por convicção, apesar das promessas e discursos demagógicos e moralizantes utilizados nas atuais promessas de campanha. Seu candidato a vice é  Eduardo Jorge,  que já disputou a Presidência em 2014, e é filiado ao único partido aliado à Rede, o Partido Verde – PV, que recebeu recursos da ordem de de 1,2 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato.

O Geraldo Alckmin é o candidato do PSDB e do Fernando Henrique Cardoso, que é um Lula com diploma universitário e um dedo a mais. São amigos, Lula e FHC e compartilham as mesmas crenças e valores há décadas. O ciclo de governos do PSDB e do PT durou 21 anos e é uma das razões para nos encontrarmos, em termos ideológicos à beira do precipício de uma ditadura de esquerda nos dias atuais. Diversos dispositivos foram sendo incorporados à nossa legislação, de acordo com o modelo proposto pelo Foro de São Paulo, de modo a tornar o país mais próximo possível, em termos de arcabouço legal, do de uma republiqueta socialista. Isso foi acontecendo progressivamente, a ponto da pateta da Jandira Feghali  (do PC do B) dizer que só faltava trocar a nossa bandeira por outra de cor vermelha, com o símbolo da foice e o martelo e, ouso imaginar, trocar também o hino nacional por uma versão funk da “Internacional Socialista”, que a Daniela Mercury certamente adoraria receber muito dinheiro para cantar. Em tempo: Nunca votei no FHC e tive sempre sérias restrições à sua “Diplomacia Presidencial” que iniciou a fase de desprestígio crescente do Itamarati, agravada nos desgovernos de Lula e Dilma, e à maneira com que Fernando Henrique tratou os integrantes das Forças Armadas ao escolher pessoas desqualificadas para assumir o Ministério da Defesa, e pelos arrochos (salarial e orçamentário) a que foram submetidas as três Forças. Reconheço, sim, o legado de FHC em assuntos econômicos, apesar de discordar da maneira com que foram conduzidas algumas privatizações em setores estratégicos. Votei sim no canalha do Aécio Neves, no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, como ultimo recurso para evitar a reeleição da histérica da Dilma, um mal muito maior. Como afirmei em minha declaração de voto que consta da Garrafa 490 – Um país à beira do abismo, o fiz apesar das sérias restrições que tinha ao seu candidato a vice-presidente por sua militância e atuação em ações de guerrilha, que já tinham como propósito, desde aquela época, instalar uma ditadura de esquerda no país. Fico estarrecido ao constatar que ainda haja mineiros dispostos a votar no Aécio, depois dos escândalos envolvendo o senador que foram divulgados amplamente pelos diversos meios de comunicação, e pasmo ao constatar que a candidatura da Dilma ao Senado, por Minas Gerais, também possa ser conquistada com a ajuda desse mesmo bando de idiotas. Alckmin tem recebido o apoio dos cinco partidos que compõem o chamado Centrão (PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade), além de PTB, PPS e PSD e, apesar de contar com cerca 40% do tempo da propaganda eleitoral em rádio e TV, só alcança cerca de 7% das intenções de voto, segundo diversas pesquisas eleitorais. Sua candidata a vice é a senadora Ana Amélia do PP-RS. O partido recebeu recursos da ordem de de 68,2   Milhões (só perde para o PT) de empresas envolvidas na Lava Jato e possui 11 políticos implicados, sendo um ministro, sete senadores e três deputados federais implicados.

Henrique Meirelles, filiado apenas a partir de abril de 2018, é o candidato do Movimento Democrático Brasileiro – MDB, novo nome do PMDB, desde o fim do ano passado, partido que não disputa eleição para presidente com candidato próprio há 24 anos, mas compartilha ou exerce efetivamente o poder de governar e legislar há décadas. É, certamente, um dos partidos com maior responsabilidade pela atual situação do país em termos ideológicos e econômicos. O partido recebeu recursos da ordem de de 64,7 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato (o terceiro, depois do PT e do PSDB) e tem 19 políticos implicados, entre eles o atual presidente da republica que assumiu depois do impedimento da Dilma, três ministros, o atual presidente do senado, seis senadores, um ex-senador, três deputados federais,  dois governadores e o ex-prefeito do Rio. O candidato foi ex-presidente do Banco Central durante os governos de Lula e ex-ministro da Fazenda do governo Temer. Ele é competente em termos de economia? Não tenho dúvidas! Mas há outros com experiência igual ou maior e que não tenham servido a um projeto tão prejudicial ao país, a médio e longo prazos, como o levado a efeito nesse ciclo de mais de duas décadas de governos do PSDB e do PT. Conta como aliado apenas ao nanico Partido Humanista da Solidariedade – PHS, que recebeu recursos da ordem de 60 Mil de empresas envolvidas na Lava Jato. Meirelles, que já foi deputado federal pelo PSDB, antes de fazer parte do governo Lula, tem como candidato a vice o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto.

Tendo apresentado o cenário atual com o envolvimento dos partidos com candidatos de espectro de esquerda, apresento a seguir minha visão sobre essa escolha ideológica.

 Minha breve visão sobre o Comunismo e o Socialismo:

Penso que as propostas da ideologia comunista e socialista provaram ser um flagrante fracasso, testadas que foram à exaustão desde o início do Século XX com a revolução russa, passando pelas revoluções chinesa, cubana, vietnamita, coreana, etc. e, após a Segunda Guerra Mundial, também nos países da cortina de ferro (leste europeu) que a União Soviética invadiu e tomou posse, sem nenhuma cerimônia. A meu ver, nada pode ser maior sinônimo de atraso, neste início de Século XXI, do que essas tentativas de reviver o modelo comunista e socialista no nosso continente, usando como modelo a ditadura sangrenta cubana. E essas pessoas que abraçam esse projeto ainda se dizem “progressistas” e chamam de “reacionários” quem quer que ouse discordar desses disparates e idiotices. O socialismo é o que o socialismo faz e não o que ele diz que vai fazer. A meu ver, claro retrocesso em direção a fórmulas já testadas e fracassadas.

Perguntinha inconveniente: no caso da queda do muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas metades durante décadas (vivi na Alemanha Ocidental durante parte do final dos anos 80 e vi muito bem o que estava acontecendo), os comunistas e socialistas estavam de que lado do muro? Do lado das pessoas que o derrubaram? Ou do lado das pessoas que, o tendo construído, não conseguiram mais esconder as mazelas e a situação de miséria e indigência de suas populações, em contraste com as democracias ocidentais?

Independentemente de números econômicos e indicadores sociais, o valor que deve estar entre os mais apreciados pra qualquer pessoa realmente interessada em promover o desenvolvimento e a elevação do nível de consciência das pessoas é a LIBERDADE! E sabemos muito bem que esse é o primeiro item suprimido nessas funestas experiências comunistas e socialistas, em nome do controle. O discurso é de igualdade, mas a prática é a de tentativa de controle do incontrolável, de restrição de liberdade para tentativa de controle do espírito humano livre!

Depois de todo esse palavrório, e as reflexões correspondentes, constato que todas as alternativas de esquerda propostas acima me soam e cheiram muito mal e, portanto, não atendem aos meus requisitos mínimos e não as tornam merecedoras do meu voto!

A Única Candidatura que se Autodenomina como sendo de Centro:

Alvaro Dias, ex-governador do Paraná e senador em terceiro mandato é o candidato do Podemos – PODE e concorre à Presidência pela primeira vez. Esse é o novo nome do Partido Trabalhista Nacional – PTN que recebeu recursos da ordem de 690 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não possui políticos implicados. Apresenta um discurso de “refundação da República” e na promessa de que convidará o juiz federal Sergio Moro para ser seu ministro da Justiça.  O candidato é mais conhecido no sul do país e conta com apenas 1% de intenções de voto, segundo pesquisas. O candidato a vice é Paulo Rabello de Castro, do Partido Social Cristão – PSC, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além do PSC, estabeleceu alianças também com os nanicos Partido Republicano Progressista – PRP, que recebeu recursos da ordem de 36 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, e não tem políticos implicados, e o Partido Trabalhista Cristão – PTC, que recebeu recursos da ordem de 250 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato e tem implicado o senador Fernando Collor. Embora seja simpático a posições de centro, que se mantenham em posição equidistante dos extremos da direita e da esquerda, como estamos no final de um ciclo de mais de vinte anos de guinada para a esquerda, para nos aproximarmos de uma posição central, para o país seguir em frente com segurança, serão necessários pelo menos vinte anos de uma guinada franca em direção à direita para chegarmos lá. Talvez possa votar em algum candidato desse tipo de legenda, nesse futuro de longo prazo. Agora, nem pensar!

Comentários sobre as Duas Únicas Candidaturas de Direita Disponíveis:

João Amoêdo fundou o Partido Novo em 2011 e disputa a Presidência da República pela primeira vez. É ex-executivo dos bancos Unibanco e Itaú-BBA, e se apresenta com um discurso liberal e favorável a privatizações. Dispôs de apenas cinco segundos no horário eleitoral e não teve direito a participar de debates na TV aberta. O partido apostou na campanha via redes sociais para se apresentar ao eleitor. Entretanto, o candidato teria apenas 2% das intenções de voto, segundo algumas pesquisas. Seu candidato a vice é o cientista político Christian Lohbauer. Já votei em candidatos desse partido em eleições anteriores, especialmente para o governo do Estado do Rio de Janeiro, e confesso que pensei em me filiar ao Novo, na época do impedimento da Dilma. O partido não recebeu um tostão de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, nem possui políticos implicados uma vez que o critério ficha-limpa é é utilizado tanto para filiações quanto para candidaturas. Concordo com várias propostas da plataforma do partido, mas já identifico algumas disputas e dissidências internas importantes, tanto entre os seus fundadores como entre candidatos o que indica um ambiente com sinergia positiva reduzida. No atual momento, em que me parece que temos uma unica bala de prata para matar vários vampiros ao mesmo tempo (temos que colocá-los em fila e atirar uma vez só), em que as maiores chances de reversão desse quadro sinistro de beira do abismo é a de uma vitória do outro candidato de direita já no primeiro turno, pois no segundo essas urnas eletrônicas não merecem a minha confiança (vide a disputa Dilma Aécio há quatro anos atrás), os candidatos desse partido não contarão com meu voto nestas eleições.

Jair Bolsonaro,  o Capitão da reserva do Exército Brasileiro e deputado federal eleito com o maior numero de votos no Estado do Rio de Janeiro pelo Partido Progressista – PP, nas ultimas eleições é o candidato do Partido Social Liberal – PSL. Esta ultima legenda recebeu recursos da ordem de 373 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não possui nenhum político implicado. Já o PP recebeu recursos da ordem de 14 Milhões de empresas envolvidas na Operação Lava Jato e possui 10 políticos implicados, sendo três senadores, seis deputados federais  e uma prefeita. Bolsonaro lidera todas as pesquisas de intenção de voto à Presidência, havendo uma chance real de se eleger ainda no primeiro turno. Isso, enfrentando oposição ferrenha e patrulhamento da mídia, de artistas e pretensos “intelectuais”, além de todos os partidos de esquerda, que sabotaram sistematicamente e procuraram desqualificar praticamente todas as suas iniciativas e projetos, desde que assumiu o primeiro mandato de deputado federal. É conhecido por suas posições em defesa da família, da soberania nacional, do direito à propriedade e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Todos os hipócritas que cruzaram seu caminho foram sistematicamente desmascarados, nos corredores, no ambiente das comissões parlamentares e no plenário do Congresso, em todas as oportunidades que se apresentaram com discurso firme e olho no olho. Ficha limpa, é um dos poucos políticos que, após sete mandatos,  não tem seu nome associado aos desvios e falcatruas que, infelizmente, são costumeiros na prática política brasileira. Destacou-se, também, na luta contra a erotização infantil nas escolas e por um maior rigor disciplinar nesses estabelecimentos, pela redução da maioridade penal, pelo armamento do cidadão de bem e direito à legítima defesa, pela segurança jurídica na atuação policial e pelos valores cristãos. Foi idealizador do voto impresso, que certamente poderá contribuir para a realização de eleições mais confiáveis e passíveis de auditagem, no futuro. Depois de algumas negociações pela indicação de seu companheiro de chapa, que não prosperaram, (senador Magno Malta (PR-ES), a advogada Janaina Paschoal, e o “príncipe” Luiz Philippe de Orleans e Bragança) seu candidato a vice é o general da reserva Hamilton Mourão, do nanico Partido Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB que é a única aliança do PSL. O PRTB recebeu recursos da ordem de 1,4 Milhões de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não tem nenhum político implicado.

Tendo dito tudo isto, e é o que penso e sinto, e sinto muito, reitero meu voto em Jair Bolsonaro para Presidente do Brasil.

Ele é o único candidato com coragem moral e ousadia suficientes que, além de não estar implicado nas investigações da Operação Lava Jato, conta com o apoio da maioria da população, e tem a disposição necessária para enfrentar essa situação de beira do abismo, perigosamente do lado esquerdo dessa ponte sem corrimão que pode levar o nosso país a despencar no precipício de uma ditadura do proletariado de modelo cubano.

Cuba e Venezuela não são modelos de democracia nem aqui nem na China! São ditaduras sangrentas!

Convido os amigos a uma leitura do artigo postado na Garrafa 461 – O Conceito de Reenquadramento que, a meu juízo, é amplamente utilizado de maneira destrutiva pelos integrantes, militantes e simpatizantes dos partidos filiados ao Foro de São Paulo, especialmente os do PT.

É hora da onda verde e amarela engolir essa marola vermelha que ameaça nossa sociedade e sua ainda frágil democracia.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

urna-eletronica

Garrafa 530 – Até que ponto?   Leave a comment

Ultimo dia do mês de julho, na próxima semana dia de celebração de aniversário.

Como sempre acontece, época de balanços e inventário de perdas e ganhos.

E, nas ultimas semanas, releitura, pela terceira vez, de um livro recebido de presente de pessoa muito querida, no ano de 2009. Tema denso e instigante, sobre “O Quarto Caminho”, a primeira leitura completa só terminou em 2011. A segunda leitura foi em 2014.

Encontrei no rodapé de uma das páginas um haicai,  parido em junho de 2011, e ainda não postado. Parece justo como dedo no ouvido para o momento atual.

Posto agora:

minhas escolhas:
saber para onde ir…
até que ponto?

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Destino

Garrafa 529 – Dança sagrada   Leave a comment

Ele vinha sonhando com ela, com frequência, nas ultimas semanas.

E, como sempre faz, ao despertar, desejou que estivesse bem, onde quer que se encontrasse.

A imagem que lhe veio à mente quando acordou, numa daqulelas ocasiões, foi a da primeira vez em que a convidou pra dançar.

Havia uma música animada no ambiente, no intervalo entre duas aulas daquele curso. E ele apenas seguiu o impulso de caminhar em sua direção, segurar sua mão e, delicadamente, puxar e apertar o corpo dela contra o seu. Ela aceitou.

As pessoas à sua volta ficaram surpresas. Ela, aparentemente não. Esperava por esse convite, quem sabe, quando percebeu sua aproximação…

Rodopiaram por apenas alguns minutos, se tanto, e, durante aqueles instantes, o tempo simplesmente parou. Nunca tinham ficado tão próximos, antes disso. Sentiram o cheiro um do outro, naquela região do pescoço, bem atrás da orelha.

A música acabou, sorriram um para o outro, e o curso foi reiniciado. Olhares furtivos e sorrisos contidos foram registrados entre eles, durante o resto da aula.

Será que ela ainda consegue se lembrar do forró que estava tocando naquela ocasião?

Não importa. É provável que nem ele se lembre.

Pausa para um breve haicai:

mãos que se tocam
pernas entrelaçadas
danças sagradas...

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sanfona” com Egberto Gismonti

Dançar

Garrafa 528 – Guardando encontros à luz do dia   2 comments

Aproveito cada momento da minha vida, em qualquer época do ano, em qualquer lugar, e em qualquer hora do dia. Esse é um compromisso que assumi comigo mesmo há muito tempo: o de viver intensamente cada instante.

E, como acredito firmemente que as coisas mais importantes que fazemos são aquelas que podem ser compartilhadas com alguém, que assim tudo fica muito melhor, sempre que possível dou preferência por fazê-las em ótima companhia.

E, ao mesmo tempo, fico muito bem sozinho, quando não tenho a companhia de outra pessoa ou de um grupo, ou escolho eventualmente não tê-la por vontade própria. Aliás, preciso de muitos momentos de recolhimento e introspecção para recarga de minhas baterias. Pratico meditação várias vezes por dia e faço longas e frequentes caminhadas sozinho.

Apesar dessa disposição incondicional (em qualquer lugar, em qualquer tempo), tenho que admitir que os meses de outono são minha época do ano favorita, seguidos dos meses de primavera. Há algo na qualidade da luz dos meses de abril, maio e junho que me encanta, e aguardo por eles alegremente, antecipando o gozo já a partir de meados de março. Céus de um azul profundo, algumas nuvens brancas aqui e ali e temperaturas sempre amenas e agradáveis. Isso sem falar das frutas, especialmente dos saborosos caquis que alegram meus dias com suas explosões de cor, textura e doçura.

Essa é também uma época em que eu mesmo e muitas pessoas importantes pra mim celebramos datas especiais nos nossos calendários pessoais e afetivos. E celebro comigo mesmo e com elas, de maneira presencial ou virtual, estejam onde estiverem.

E esse é também um dos motivos para ter criado e ainda manter em atividade este blog, enviando garrafas com mensagens pelos mares da Internet, como já mencionado na página Minhas Razões : o de viver e celebrar encontros especiais.

Assim sendo, uma das mensagens que costumo enviar nesta época do ano desta vez está sendo postada com mais de dez dias de atraso, em função de uma conjuntura pessoal bem específica, que escolho não mencionar neste momento.

E o que escolho compartilhar agora nesta postagem?

Nas ultimas semanas tive minha atenção atraída por um poema de Antonio Cicero e, desde então essas palavras têm ecoado e reverberado em minha alma ao mesmo tempo com força e delicadeza.

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

É o que faço agora, e o que tenho feito em muitas postagens deste blog: escrevo, digo, publico, declaro e declamo, guardo à plena luz do dia o valor desse encontro em pequenos contos e em poemas curtos, para mantê-los à vista. Para olhá-los, fitá-los, mirá-los, admirá-los, iluminá-los ou ser por eles iluminado. Para vigiá-los, fazer vigília e velar por eles, estar acordado por eles, estar por eles e ser por eles.

Selecionei um desses poemas curtos, já postado na Garrafa 460, para trazê-lo novamente à luz e dizer o que escolho dizer novamente nesta noite de lua cheia de outono:

talvez não devesse…
mas, apesar de tudo,
amo e pronto!

Eduardo Leal

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