Arquivo para dezembro 2012

Garrafa 359 – Celebração e Novo Blog   1 comment

Alcançamos a marca de 14.000 acessos, no dia de hoje, desde que fizemos a migração do Blog “Três Coisas” para o WordPress, em 2011, e isso é motivo de celebração e agradecimentos.

Temos, desde 2005, certamente um numero muito maior de acessos, mas que apenas deixaram de ser contabilizados no processo de migração.

Agradecemos aos visitantes que nos alegram periodicamente com suas presenças e, em especial, àqueles que deixam seus comentários e contribuições em cada post. É sempre um prazer lançar garrafas no mar da Internet e tomar conhecimento de que alguém, em algum lugar, em algum momento, ao encontrar alguma delas e bisbilhotar o seu conteúdo, esboçou o mais leve sorriso…

Aproveito a oportunidade para divulgar o mais novo Blog, que acabou de ser lançado na Grande Rede: o “Dieta de Notícias”.

Sejam os primeiros a visitá-lo e a deixar seus comentários. Conheçam as razões para sua criação em:

http://apenasboasnoticias.wordpress.com/minhasrazoes/

Vejam, também, o primeiro post em:

http://apenasboasnoticias.wordpress.com/2012/12/30/o-mundo-nao-acabou/

Tanto aqui como lá, todos são sempre muito bem-vindos!

Eduardo Leal
Ilustração de Eduardo Leal para o Blog “Dieta de Notícias”

Dieta de Notícias 2

Garrafa 358 – Lua Maya   Leave a comment

dezembro maya,
fim de ano, fim de mundo…
ah! que linda lua!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Lua Maya

Garrafa 357 – Espelho meu   Leave a comment

Nas cartas de linhagem dos mestres Zen chineses, o Quinto Patriarca Hung-Jen foi sucedido por Hui-Neng, que veio a se tornar o Sexto Patriarca, no século VII DC. Foi uma transmissão surpreendente, uma vez que todos os seus discípulos esperavam que seu sucessor fosse Jinshu, o monge mais erudito do mosteiro.

Hung-Jen havia solicitado que seus discípulos expressassem seu estado de espírito por meio de gathas (poemas) que deveriam ser apresentados para sua apreciação. Pretendia transferir o manto e a escudela, que estavam sendo transmitidos desde o Primeiro Patriarca, para aquele que tivesse alcançado a Verdadeira Iluminação.

O único discípulo que se atreveu a transcrever um poema na parede do mosteiro foi de fato Jinshu, que assim se expressou:

O Corpo é a Árvore da Sabedoria Búdica,
A Mente é semelhante a um espelho brilhante;
Trata de limpá-la constantemente,
Não deixes que sobre ela se acumule o pó.

Jinshu afirmava que a prática consistia em polir o espelho da mente, em outras palavras, removendo o pó de nossos pensamentos e ações ilusórios, o espelho poderia brilhar e estaríamos purificados.

Ao tomar conhecimento da existência do poema de Jinshu, um simples serviçal analfabeto que trabalhava no mosteiro, pediu que um monge transcrevesse na mesma parede seus pensamentos:

A Sabedoria Búdica nunca foi uma árvore,
A Mente nunca foi um espelho brilhante;
Na verdade, não existe coisa alguma!
Onde irá então acumular-se o pó?

Esse serviçal, de nome Lu, teve o seu poema apreciado e escolhido como um sinal da Verdadeira Iluminação, vindo então a se tornar o Sexto Patriarca, com o nome de Hui-Neng. Afirmava que, desde o princípio só existe o vazio, a não-mente, não há espelho onde se mirar, não há espelho a ser polido e não há onde o pó se apegar.

O paradoxo que nos aponta Charlotte Joko Beck em seu livro “Sempre Zen” é que, desde sempre, embora o verso do Sexto Patriarca seja o entendimento verdadeiro, temos que praticar com o verso que não foi aceito! Uma vez que ainda não enxergamos com clareza, ainda não somos capazes de ver com nitidez, precisamos, por meio do Zazen (meditação sentado), polir o espelho da mente; de fato tomar consciência de nossos pensamentos e atos, de nossas falsas reações à vida, até que possamos sentir a verdade em nossas vísceras. Assim, poderemos, em algum momento, enxergar que, já desde o princípio, nada era necessário.

Refletindo a respeito, me arrisco a recitar um breve haicai, antes de cada uma de minhas práticas diárias de Zazen:

retirar o pó,
do espelho que não há…
ah! polir sem dó!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado na leitura de “Sempre Zen” de Charlotte Joko Beck

Espelho meu

Garrafa 356 – Pensamento são   1 comment

Há alguns anos atrás, explorando uma ferramenta desenvolvida pelo Instituto Gallup – o Teste de Pontos Fortes – descobri que um dos meus talentos dominantes é a Intelecção. Gosto de pensar. Gosto de atividade mental. E essa atividade mental pode ser focada, direcionada por meus outros talentos dominantes, ou desprovida de foco. Gosto do tempo que passo sozinho porque é meu momento de concentração e introspecção. Em diversos momentos, sou minha melhor companhia, fazendo a mim mesmo diversas perguntas e buscando respostas que façam sentido. Esse rumor mental é uma constante em minha vida.

Uma vez que meu primeiro talento é ser Estudioso, o foco do meu pensamento tem sido direcionado aos processos de aprendizado e envolvimento com várias experiências de participação em cursos de graduação, pós-graduação e outros tipos de cursos livres e de autodesenvolvimento. A Psicologia, o Coaching, a Filosofia, a Poesia e a Espiritualidade têm sido interesses constantes e é aí que mora o problema. Minha curiosidade filosófica me levou a conhecer mais a respeito da filosofia budista, mais especialmente sobre o Zen-budismo. Hoje considero que minha prática espiritual se resume à meditação sentado (zazen), sem nenhum “verniz religioso” budista, caminho que escolhi para elevar o meu nível de consciência.

E por que isso poderia se tornar um problema? Acontece que todos escritos Zen apontam para a necessidade de se silenciar a mente e o pensamento, para o desenvolvimento de uma não-mente. Desde Buda, na Índia (atual Nepal) do século IV AC, as escolas Ninaiana e Maaiana na Índia, os “patriarcas” na China, a partir de Bodhidarma, entre os séculos I e VI DC, e com a chegada do Zen ao Japão a partir do século VI, as escolas Shingon e Tendai no século XI DC, o Budismo de Kamakura entre os séculos XII e XIII DC, as escolas Zen-Budistas Soto (Dogen) e Rinzai (Eisai), chegando aos mestres e estudiosos orientais (Suzuki) e ocidentais todos batem na mesma tecla: silenciar a mente e o pensamento. Sacaram?

Nas ultimas semanas, li novamente o ótimo livro de Charlotte Joko Beck “Sempre Zen” – sobre como introduzir a prática do Zen no seu dia a dia – e iniciei a leitura de “Zen no Trabalho” – sobre a experiência empresarial de um mestre Zen – de Les Kaye. Isso é claro, disparou uma série de consultas a outras obras que constam da minha pequena biblioteca tais como “A Lua numa Gota de Orvalho” – com os escritos do Mestre Dogen – organizado por Kazuaki Tanahashi, “Textos Budistas e Zen-Budistas” organizado por Ricardo M. Gonçalves, “A Tigela e o Bastão” – com 120 contos Zen – narrados pelo mestre Taisen Deshimaru, “A Doutrina Zen da Não-Mente” e “Manual of Zen Buddhism” de D. T. Suzuki e “How to Practice Zazen” do Institute for Zen Studies.

Transcrevo abaixo algumas citações que ficam dando voltas na minha mente:

Há um Real, um Absoluto inacessível ao pensamento e à linguagem que está em todas as coisas e também dentro delas. O Tathata (aquilo que é assim mesmo) ou Sunyata (Vazio). No Budismo é expresso dialeticamente como o contínuo vir-a-ser, a perpétua transformação de todas as coisas. (Verdades metafísicas apresentadas pelo Budismo e pelo Hinduísmo)

– A mente é senhora dos cinco sentidos. Por isso deveis disciplinar vossa mente. A mente é mais perigosa que uma cobra venenosa, uma fera ou um salteador. É como uma pessoa que, entretida com o mel que transporta em suas mãos, não enxerga um buraco e cai nele. Se deixardes vossa mente entregue a si mesma, perdereis as boas coisas. Se a vigiardes, tudo correrá bem. Por isso, ó monges, deveis vos esforçar e dominar vossa mente. (Butsuyuikyô-gyô – O último sermão de Buda)

– Ó monges, todo aquele que tem uma intenção firme, conserva sua mente em estado de concentração. Por isso, ele sabe os Darmas do nascimento e da dissolução do mundo. Por isso, deveis vos esforçar e praticar as diversas concentrações. Aquele que consegue praticar a concentração não tem uma mente dispersiva. É como aquele que economiza água e a guarda com cuidado. O praticante exercita-se na concentração, a fim de bem guardar a água da Sabedoria. (Butsuyuikyô-gyô – O último sermão de Buda)

– Por isso, ó Sariputra, sendo todas as coisas vazias de substância própria, não há fenômenos materiais, não há sensações, não há ideias, não há vontade e não há consciência. Não há olhos, não há ouvidos, não há nariz, não há língua, não há corpo, não há mente, não há forma, não há ruído, não há cheiro, não há gosto, não há coisa palpável nem coisa perceptível através da mente. Nada há, desde a esfera de influência da vista até a esfera de influência da mente.

– … nós seres humanos, não somos como os cães. Temos mentes centradas em si mesmas que nos remetem a muitos problemas. Se não entendermos o equivoco da nossa forma de pensar, nossa autopercepção, que é nossa maior benção, torna-se também nossa perdição. (Iniciando a prática Zen – em “Sempre Zen”)

– A iluminação não é algo que se atinge. É a ausência de alguma coisa. A vida inteira, a pessoa vai atrás de algo, perseguindo suas metas. A iluminação está em deixar tudo isso de lado. (Iniciando a prática Zen – em “Sempre Zen”)

– Nossa prática é, de momento a momento, como uma escolha, uma encruzilhada no caminho: podemos ir por aqui ou por ali. É sempre uma escolha, a cada momento, entre o belo mundo que desejamos criar em nossas mentes, e aquilo que de fato existe. (Iniciando a prática Zen – em “Sempre Zen”)

Enfrentar a tensão provocada pela oposição entre minha tendência a viver no mundo mental e minha prática espiritual que me leva a buscar silenciar a mente e o pensamento, tem sido um desafio quase insuportável. Ainda mais quando tenho que conciliar tudo isso com o meu próprio Autocoaching, revendo meu Plano de Vida para 2013, e a realização de diversas sessões de Coaching Centrado em Valores em que meu papel é o de orientar meus Exploradores de Novas Possibilidades de Futuro a direcionar seus desejos e seus egos, no sentido de estabelecimento de seus próprios objetivos e metas, estratégias e indicadores de desempenho.

Aliás, Pensamento Estratégico é outro de meus talentos dominantes e tem me capacitado a abrir caminho em meio à desordem e encontrar a melhor rota. Às vezes consigo perceber padrões, onde outros veem simplesmente complexidade. Vivo às voltas com o estabelecimento de cenários alternativos e me perguntando: “E se isso acontecesse?” É com base nesse tipo de pensamento que estabeleço minhas estratégias e assessoro meus clientes de consultoria.

Enfim, vivo no fio da navalha. Pensar ou não pensar é a questão! E às vezes me questiono: Será que, ao contrário do que dizem os Zen-budistas, não passa pela minha cabeça pelo menos um pensamento são?

Hoje cedo, na pracinha em que me encontrava pensativo, ao mesmo tempo em que o ruído produzido pelos fiéis que saíam de uma igreja evangélica quebrou o silêncio da manhã, um sopro de vento me sussurrou ao ouvido:

do jeito que são,
confiar que as coisas
são o que são…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Cosmic mind affair” com Acqua Fragile

Zazen

Garrafa 355 – No fim do mundo   Leave a comment

buraco negro,
no centro da galáxia,
enorme ogro…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Buraco Negro

Publicado 21/12/2012 por Eduardo Leal em Haicai, Haikai, Haiku, Ilustrações

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Garrafa 354 – Hoje, só maquiagem!   3 comments

Da mesma maneira que procuro adotar uma dieta alimentar saudável, faço também uma dieta de notícias.

Por trás dessa atitude está a crença de que muitas coisas boas também estão acontecendo, ao mesmo tempo em que imagens e textos sobre catástrofes, tragédias e desgraças nos alcançam, com a velocidade da Internet. Prefiro colocar o foco da atenção em um jardim florido, ao invés de mantê-lo na lata de lixo, que é a dieta sugerida pelos meios de comunicação.

Mesmo assim, não passo incólume pelas principais manchetes e pelas imagens que capturam minha atenção no noticiário diário.

Nos últimos dias, o mais recente massacre na escola americana de Newtown, praticado por um jovem fora de si e armado pelas legislações federal e estadual, ambas do tempo e ao estilo do velho oeste americano, foi o que me entristeceu e provocou reflexão.

As imagens que mais me tocaram, foram as das crianças que sobreviveram, conduzidas e amparadas pelos professores, pais e policiais, chorando a perda de seus amigos e colegas, brutalmente assassinados há poucos instantes atrás. Foram capturadas pelas câmeras de fotógrafos profissionais e amadores ainda trêmulas, pela consciência do risco que correram de encontrar o mesmo triste destino de seus companheiros e com seu choro, ora convulsivo ora contido, emoldurado por uma expressão de confusão e perplexidade.

Esses meninos e meninas deveriam estar sorrindo agora, os que sobreviveram e os que se foram, permanentemente encorajados, amados e estimulados por seus pais, em suas casas, e pelos professores e professoras, na sua escola. E mais ainda por todos nós, os integrantes de nossa aldeia cada vez mais global, em cada oportunidade que aproveitamos ao avistar ou encontrar com uma criança ou com um jovem, em cada uma de nossas instituições e organizações, formais e informais, de maneira presencial ou virtual.

Quando penso em um ambiente de aprendizado saudável, para crianças e jovens de todas as idades, sempre me vem à mente uma atmosfera “quase circense” em que o bom humor e a alegria andam juntos com o trato de temas importantes. Algum tipo de “Cirque du Soleil acadêmico”. Um ambiente em que os limites do picadeiro e da vida se interpenetram e onde o risco do trapezista está sempre presente, mas, ao mesmo tempo, é enfrentado com competência, beleza e coragem. Sinto que, no melhor estilo Patch Adams, acreditando que a amizade é o melhor remédio, todos nós educadores, formais ou não, podemos incorporar em algum momento, de maneira amorosa, o papel do bom palhaço, com ou sem maquiagem, de modo a tornar o aprendizado mais lúdico e divertido, mas nem por isso menos verdadeiro e profundo. Um ambiente em que as regras são as da “Escuta com Empatia”, das “Perguntas Poderosas”, do “Feedback Positivo”, sempre e muito e, quando necessário, o uso do “Feedback Construtivo”.

As motivações para esse crime ainda permanecem obscuras e pode ser que nunca venham a ser esclarecidas completamente… Mas algumas perguntas me assaltam:

Independentemente de problemas no “hardware” ou estrutura de consciência desse jovem assassino, de problemas de desequilíbrio químico ou hormonal, como terá se desenvolvido o seu “software” ou nível de consciência? Que ambiente e condições de vida lhe foram oferecidos para o propósito de um desenvolvimento saudável?

Que tipos de exemplos ele terá modelado? A que tipo de influências terá sido submetido de maneira constante?

Terá sido ele permanentemente encorajado, amado e estimulado por seus pais, em sua casa, e pelos professores e professoras, na sua escola? Terá sido escutado com empatia?

E, mais ainda, como ele foi tratado por todos nós, os integrantes de nossa aldeia cada vez mais global, em cada oportunidade que aproveitamos ou deixamos de aproveitar ao avistá-lo ou encontrá-lo, em cada uma de nossas instituições e organizações, formais e informais, de maneira presencial ou virtual?

Imaginar as respostas mais prováveis para cada uma dessas perguntas me entristece. Meu bom humor habitual se recolhe e meu palhaço interior, com maquiagem e tudo, chora silenciosamente.

Pausa para um breve haicai:

triste miragem…
sorriso no rosto… ah!
só maquiagem!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Tears of a Clown” na voz de Udo Dirkschneider do U.D.O.

sorriso maquiado

Garrafa 353 – A Prática da Respiração Abdominal   Leave a comment

No processo de Coaching, quando desempenho o papel de Coach Centrado em Valores, a ultima coisa que faço é sugerir o que fazer. E quando o faço, por sentir que a pessoa está completamente paralisada e incapaz de vislumbrar saídas para a situação que se apresenta no seu momento atual, sempre procuro fazê-lo de maneira indireta. Normalmente digo que, tendo vivido situação semelhante, naquela ocasião escolhi experimentar tal ou qual alternativa que, por sua vez, produziram tais e quais resultados. Uso minha própria experiência ou, então, apresento o exemplo de alguém que conheça que, tendo passado por situação semelhante, escolheu fazer algo de determinada maneira e experimentou algum tipo de resultado. Posso perguntar, a seguir, algo do tipo: “será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?”. Isso normalmente faz com que a pessoa que estava paralisada comece, pelo menos, a examinar algumas possíveis alternativas.

Já quando estou realizando algum processo de Consultoria em Planejamento Estratégico, em Planos de Negócio, em Organização, Sistemas e Métodos, em Comunicação ou em Gestão Pessoal, no meu papel de Consultor, o que faço, e o que o meu cliente espera que eu faça, é exatamente isso: sugerir o que fazer. Entretanto, para fazê-lo, devo usar o meu melhor julgamento e sugerir a melhor solução de acordo com meu conhecimento especializado sobre o assunto. Não são muitas as áreas em que me sinto confortável em fazê-lo de maneira categórica. E mesmo quando poderia fazê-lo dessa maneira, prefiro adotar o estilo coach de fazer consultoria: com perguntas que provoquem reflexão, após realizar a escuta com empatia e, quando oportuno, apresentando sugestões de maneira indireta.

E você provavelmente já deve estar se perguntando a respeito da razão para a apresentação desses dois parágrafos anteriores, a título de introdução, em um post sobre a prática da respiração abdominal.

Isso é porque uma das perguntas que recebo com maior frequência, tanto em minha prática de Coaching quanto na de Consultoria é: qual a melhor maneira que você sugere para se lidar com o estresse e a tensão do dia a dia?

Como não me considero consultor nem especialista nesse assunto, aqui reproduzo a fala do coach, apenas sugerindo indiretamente, o que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido…

Desde muito cedo, em minha juventude, senti grande atração pela cultura oriental e pelas artes marciais. Meu primeiro mestre nas aulas de Karate, de que participei a partir de 1970, iniciava e encerrava os treinamentos com uma breve sessão de meditação com respiração abdominal. Desde então, sempre busquei literatura a esse respeito e, a partir dos anos 80, encontrei em um Mosteiro Zen localizado na localidade de Ibiraçu, no Espírito Santo, informações e oportunidade para o inicio de uma pratica meditativa, mesmo que ocasional. E o desafio sempre foi o de torná-la parte do meu dia a dia, incorporando-a à minha rotina. Vários anos se passaram e, no final dos anos 90, mais precisamente em 1999, vivi uma situação real extremamente estressante, em que tive que usar todas as ferramentas à minha disposição. Naquela ocasião, li todos os livros de psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, descobri a existência e fiz cursos de Programação Neurolinguística, fiz terapia Cognitivo-Comportamental e voltei a fazer Alongamentos, Corridas e Caminhadas, regularmente. E sim, retomei a prática da Respiração Abdominal! É sobre esse ultimo assunto que gostaria de compartilhar algumas ideias, por ser uma alternativa que pode ser posta em prática quase que imediatamente, pela sua simplicidade, e que apresenta ótimos resultados, fruto da minha experiência pessoal.

Porque Realizar

A respiração não ocorre nem no passado nem no futuro, só no momento presente e é a chave para vivermos uma vida mais consciente nessa encarnação física. É a primeira coisa que fazemos ao nascer e a ultima que faremos antes que a energia abandone cada uma das células do nosso corpo. Seu ritmo superficial e agitado, ou profundo e relaxado, acompanha e induz nossos diferentes estados de espírito. A respiração abdominal é a respiração dos bebês saudáveis e dos mestres espirituais iluminados. Se você aspira entrar e se manter em contato com a sua natureza essencial, procure respirar de maneira cada vez mais lenta, profunda e relaxada.

Quando Realizar

Essa é uma prática especialmente recomendada para o início e o final de cada dia. Ao se levantar e antes de iniciar as atividades programadas para cada manhã, e antes de dormir, quando se pode fazer um balanço de tudo que aconteceu após um longo e produtivo dia de realizações e aprender com os resultados favoráveis ou desfavoráveis de cada uma delas. Pode ser utilizada, também, ao longo do dia, em alguma pausa ou intervalo, ou ainda antes de alguma atividade importante em que é especialmente recomendável estarmos em conexão com o momento presente e com a nossa orientação interior mais profunda.

Características do Ambiente

Encontre um lugar tranquilo e bem ventilado, de preferência em alguma praça ou jardim ou, se não for possível, em um cômodo de sua casa ou escritório. Sente-se em posição confortável sobre almofadas no chão ou em algum banco, cadeira ou sofá, disponíveis no ambiente, ou levados por você especificamente para essa finalidade.

Sua Postura

Mantenha as costas eretas e o olhar voltado ligeiramente para baixo, como se estivesse visando um ponto situado cerca de dois metros à sua frente, se estiver sentado em uma cadeira, ou a cerca de um metro, se estiver sentado no chão sobre almofadas. Deixe que as mãos permaneçam pousadas naturalmente sobre as coxas com as palmas abertas e voltadas para cima. Mantenha os olhos fechados, pelo menos ao início do exercício, para aumentar a sensação de contato com o próprio corpo sem a presença de estímulos visuais externos. Você pode optar por mantê-los semicerrados ou completamente abertos, à medida que sua prática lhe permite manter o foco da sua atenção na própria respiração, de maneira independente de estímulos visuais presentes no ambiente.

O Processo

Quando se sentir confortável para iniciar a sua prática, mantendo a boca fechada, comece a respirar profundamente pelo nariz levando o ar até a base do pulmão na região abdominal, contando até cinco na inspiração e até cinco novamente na expiração. Sinta como a barriga se expande na inspiração e se contrai na expiração e deixe que esses movimentos e ritmo respiratório ocorram naturalmente durante pelo menos cinco minutos. Ao longo desse período, à medida que vá se sentindo cada vez mais confortável, você pode ir aumentando gradativamente a contagem para seis, sete, oito ou nove, enquanto seus pulmões se adaptam a esse novo ritmo e à maior quantidade de ar movimentada.
Apenas observe os pensamentos que afloram a cada instante, sem se fixar em nenhum deles em especial, voltando a focalizar sua atenção no ritmo respiratório, quando isso ocorrer, e perceba como você começa a se sentir cada vez mais profundamente relaxado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente alerta. Você começa a perceber que o passado e o futuro se desvanecem e que surge uma sensação de centramento no momento presente, onde e quando a vida realmente acontece. O céu e a terra se encontram quando seu coração e sua mente se unem em respeitoso silêncio, apenas testemunhando e celebrando a dádiva do momento presente.

Será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?

Pausa para um breve haicai:

noite escura…
ilumina caminhos,
luz interior.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Monsieur Binot” na voz de Joyce

meditação com respiração abdominal

Meditação sentado

respiração abdominal

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