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Garrafa 494 – Desde o começo…   Leave a comment

desde o começo,
naquele que sempre fui…
me reconheço.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
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Aquele que sempre fui

Garrafa 464 – Que desperdício!   Leave a comment

Sexo e Política são sempre temas instigantes. Para quem gosta disso, é claro!

Vamos primeiro à Política.

Nas ultimas semanas, a sociedade brasileira foi surpreendida com notícias infundadas dando conta de que, em uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 65,1% dos participantes teriam declarado que as mulheres seriam responsáveis pelas situações de estupro de que foram vítimas, tendo concordado inteiramente ou parcialmente com a afirmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Embora haja pessoas de baixíssimo Nível de Consciência que podem pensar assim, esse absurdo estatístico foi desmentido uma semana depois, quando o instituto afirmou que o percentual correto é 26%.

Esse erro grosseiro vindo de um instituto até então respeitado, demonstrou que poderia apenas se tratar de mais uma tentativa, entre tantas outras que temos testemunhado, de utilização de órgãos públicos “aparelhados ideologicamente” em benefício (!!!???) da criação de um clima, inicialmente de surpresa e, a seguir, de revolta contra uma suposta atitude machista que prevaleceria em grandes parcelas de nossa população.

Pode-se supor que essa manobra de comunicação terrorista tenha tido dois propósitos bem definidos:

a) Desviar a atenção das pessoas, em um momento em que pesquisas de todos os tipos indicam uma insatisfação crescente da população esclarecida com a gestão da atual presidente, com os rumos autocráticos e totalitários (ditadura de esquerda modelos cubano e venezuelano) que sinaliza que deseja que o Brasil trilhe, com suas próprias atitudes e as de seus principais assessores, e as roubalheiras e falcatruas de seu partido que vêm sendo expostas em livros e artigos na mídia independente que ainda temos; e

b) Fazer com que, de alguma maneira transversa, a população se sinta inclinada a apoiar, simpatizar e legitimar quaisquer atitudes e iniciativas de mulheres que estejam em qualquer cargo ou posição de mando ou de influência, por serem supostamente vítimas de uma sociedade machista e abusiva e contra a qual estão legitimamente lutando e em processo de promoção de mudanças. A direção dessas mudanças não viria ao caso, pela indignação criada contra a situação atual, algo como “qualquer coisa será melhor do que esse atual estado de coisas”.

Um verdadeiro Estado de “Coisas” é o que vejo na área política, mas não é isso o que desejo enfatizar nesta mensagem.

Vamos ao sexo, então.

Na mesma época de divulgação dessas notícias e dos comentários que se seguiram, ainda reverberavam em minha mente e no meu coração as informações recebidas em um Curso de Cabala de que estou participando dando conta que os cabalistas acreditam que a oportunidade de se gerar a maior quantidade de Luz, nesse plano de existência em que nos encontramos, é no momento do saudável encontro amoroso físico e sexual entre um homem e uma mulher.

Isso não foi dito, mas posso supor e intuir por contraste e oposição, que um estupro seja uma das oportunidades de se gerar máxima escuridão: O momento em que uma pessoa é submetida por outra, de maneira não consentida e, muito ao contrário com enorme repulsa, a uma situação de máxima intimidade sexual. Muito mais escuridão certamente para o autor desse crime hediondo, mas de alguma forma também reverberando em zonas de penumbra para a vítima, forçada a uma caminhada pelo inferno, na terra.

E minhas reflexões me conduziram para outra questão: Em época de escassez generalizada de Luz (de maneira literal, de luz elétrica e também metafórica, de Luz do Espírito), a situação de enorme desperdício de “Geração de Luz” que são todas aquelas situações de falta e ausência de consumação do amor pleno entre um homem e uma mulher pelas mais variadas razões.

Muitos desses motivos estão associados ao medo, em suas diversas formas, e outros tantos por puro e simples preconceito, seja de cunho religioso, racial ou social, e levando todos a situações de abstinência de amor por escolha consciente ou inconsciente.

Algumas situações desse tipo podem ser explicadas por uma separação física real, quando um ou ambos os parceiros estão na prisão, ou vivendo em locais separados por grandes distâncias, em continentes diferentes, em países diferentes, em cidades diferentes. Mas, e quando essas pessoas, morando na mesma cidade, apenas em bairros diferentes, e algumas provavelmente vivendo no mesmo bairro, no mesmo edifício, quem sabe, se abstém de gerar Luz simplesmente por não se permitirem vivenciar o amor pleno entre duas almas gêmeas que se buscam, e que se encontram ao longo do caminho?

Como pode uma coisa dessas ainda acontecer no Século XXI?

Que desperdício!

Atenção vocês aí dos porões da escuridão! Não se trata aqui de se fazer uma apologia da promiscuidade. Com uma desculpa e argumentos cabalísticos, vamos lá! Sair “Gerando Luz” por aí criando curtos circuitos de gratificação imediata de sexo por simples diversão e lazer, isso é vício! Muito pelo contrário!

A seleção da pessoa que está em condições de merecer esse convite para mergulhar conosco no grande abismo, de compartilhar aquela vertigem, deve ser feita de maneira extremamente cuidadosa. E a intenção durante esse voo compartilhado deve ser muito mais de oferecer prazer para nossos parceiros e parceiras do que a de simples obtenção de prazer para nós mesmos. Atribuo grande valor ao sábio “Conselho de Kamala”. E não perdem nada por esperar aqueles que aguardam pela pessoa certa, pelo momento certo. Mas, tendo essa pessoa sido encontrada, esperar o que, esperar por que?

Felizes daqueles que já encontraram parceiros e parceiras confiáveis, ao longo do caminho, e não desperdiçaram essa tremenda oportunidade de amar que nos é oferecida, e de dar esse grande salto no vazio, ao longo de nossa passagem por esse pequeno planeta azul. E felizes daqueles que ainda buscam, e se permitem encontrar o amor, onde e quando ele possa ser alcançado.

Como sempre faço, também de maneira amorosa, brinco com as palavras com a métrica de um breve haicai:

que desperdício!
amor pleno macho-fêmea,
que vira vício…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
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Salto duplo wingsuit

Publicado 12/04/2014 por Eduardo Leal em Cabala, Coaching, Crenças, Espiritualidade, Filosofia, Fotografias, Gestão Pessoal, Haicai, Haikai, Haiku, Kabbalah, Música, Política, Prosa, Saúde e bem-estar

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Garrafa 460 – Amo e pronto!   1 comment

talvez não devesse…
mas, apesar de tudo,
amo e pronto!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
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Amo e pronto

Garrafa 427 – Um certo ar matinal   1 comment

Pensativo, nesse final de uma tarde chuvosa de primavera, vasculhei a estante em busca de inspiração para encerrar o dia com dignidade, após ouvir que os problemas com o servidor de e-mail da minha conta mais antiga, que está “instável” desde segunda-feira, ainda não têm previsão de solução. Enquanto isso, alertas de erro aparecem a todo instante, sempre que tento baixar minhas mensagens, sem sucesso. Pequenas frustrações do dia-a-dia com reflexos indesejados no meu bom-humor habitual.

Lembrei-me imediatamente de um poema de Hermann Hesse que falava da importância de estarmos prontos para novos começos e expedi um mandado de busca e apreensão para mim mesmo. Encontrei-o em dois lugares diferentes, com dois títulos também distintos e com duas traduções ligeiramente diferentes. Em “O Jogo das Contas de Vidro” ele aparece como uma das obras póstumas do personagem José Servo com o título “Degraus”. Já na antologia poética “Andares”, aparece como o poema que emprestou seu nome à obra, com o título “Andares”.

Transcrevo e compartilho com os amigos essa pequena e delicada reflexão poética, retirada de “O Jogo das Contas de Vidro”, cuja tradução me agrada um pouco mais:

Assim como as flores murchas e a juventude
Dão lugar à velhice, assim floresce
Cada período de vida, e a sabedoria e a virtude,
Cada um a seu tempo, pois não podem
Durar eternamente. O coração,
A cada chamado da vida deve estar
Pronto para a partida e um novo início,
Para corajosamente e sem tristeza,
Entregar-se a outros, novos compromissos.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver.
Os espaços, um a um, devíamos
Com jovialidade percorrer,
Sem nos deixar prender a nenhum deles
Qual uma pátria;
O Espírito Universal não quer atar-nos
Nem nos quer encerrar, mas sim
Elevar-nos degrau por degrau, nos ampliando o ser.
Se nos sentimos bem aclimatados
Num círculo de vida e habituados,
Nos ameaça o sono; e só quem de contínuo
Está pronto a partir e a viajar,
Se furtará à paralisação do costumeiro.

Mesmo a hora da morte talvez nos envie
Novos espaços recenados
O apelo da vida que nos chama não tem fim…
Sus, coração, despede-te e haure saúde!

Confesso que fui tocado por esse pequeno poema, que fala da inexorável passagem do tempo e de nosso inevitável destino de percorrer o espaço que nos corresponde, de preferência com jovialidade. Desde que o vi pela primeira vez, em algum momento da década de 1970, sinto que gosto especialmente dessa fala: “O coração, a cada chamado da vida deve estar pronto para a partida e um novo início, para corajosamente e sem tristeza, entregar-se a outros, novos compromissos. Em todo o começo reside um encanto que nos protege e ajuda a viver. Os espaços, um a um, devíamos com jovialidade percorrer, sem nos deixar prender a nenhum deles…”

Quando penso nisso, sinto novamente o frescor da manhã, mesmo daquelas mais nubladas, quando iniciamos cada novo dia com renovada disposição. E pensando que esse é um dos nossos grandes desafios, gostaria de transportar esse mesmo frescor para cada momento que se sucede, um após o outro, a cada chamado da vida, especialmente nesse fim de tarde chuvoso.

Um certo ar matinal… Acho que essa atitude mental deveria ser a minha ideal… Uma meta espiritual…

Isso! Corro para encontrar uma imagem que passe essa ideia de frescor matinal e organizar as ideias com a métrica de um haicai:

espiritual,
a atitude mental,
do ar matinal…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
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Ar matinal

Garrafa 422 – Na casca de noz   4 comments

Sempre fiquei intrigado com a semelhança de uma noz, dentro de sua casca, com imagem que temos da estrutura do cérebro dentro do crânio. Aberta a casca, vemos uma miniatura dos hemisférios direito e esquerdo, e até uma estrutura fina e marrom que faz as vezes do corpo caloso…

Acessando minhas memórias afetivas a respeito, desde a infância, lembro-me bem das épocas natalinas e festivas, do sabor meio amargo da noz e do trabalho que dava para abrir aquela casca, de preferência sem lhe causar maiores danos no processo, para que pudesse ser utilizada como pequena embarcação lançada nas enxurradas que se formavam na minha rua, depois de cada chuva de verão.

Na última semana, instigado por uma ótima palestra a que assisti sobre física quântica e espiritualidade, ministrada pelo Professor Helio Daldegan, voltei a consultar algumas obras que já tinha lido do famoso físico Stephen Hawking (“Uma Breve História do Tempo” e “O Universo numa Casca de Noz”). Nesse último livro, uma citação de Hamlet (Ato 2, Cena 2) de Shakespeare foi usada para ilustrar a capacidade e liberdade de nossa mente para, apesar de nossas limitações físicas, explorar todo o universo em busca de compreensão e entendimento:

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito…”

E vi apresentada novamente, ao longo do seu Capitulo 3, a maneira de pensar a mecânica quântica de Richard Feynman que o levou a ganhar o Nobel de Física em 1965, de que as partículas se deslocam de um local para outro ao longo de todas as trajetórias possíveis no espaço-tempo. Para cada trajetória Feynman associou dois números, um para o tamanho de onda (amplitude) e outro para a fase (crista ou vale) e a probabilidade de uma partícula passar de um ponto A para um ponto B é encontrada somando-se as ondas associadas a cada trajetória possível que passe por A e B. Para objetos grandes, como constatamos no dia-a-dia, em que observamos que os objetos seguem uma única trajetória entre sua origem e seu destino final, isso também está de acordo com a ideia de histórias múltiplas de Feynman porque a aplicação da regra assegura que todas as trajetórias, exceto uma, anulam-se quando suas contribuições se combinam.

Pude constatar nessa leitura instigante que, apesar das teorias científicas modernas terem avançado enormemente no último século, seu viés materialista insiste em apenas considerar ou privilegiar como sua fronteira final o Cosmos (a realidade objetiva das três dimensões do espaço e o tempo revelada principalmente através dos cinco sentidos ou ampliada por equipamentos que estendem nossa percepção), desprezando a realidade subjetiva ligada às dimensões consciente e inconsciente individual e coletiva.

Entretanto, conclusões perturbadoras vindas dos próprios desdobramentos da mecânica quântica, apontam para a importância e interferência causada por um observador dotado de consciência, nos resultados de uma determinada observação de uma partícula elementar. A Superposição Quântica é um princípio fundamental que afirma que um sistema físico (como um elétron) existe parcialmente em todos os estados teoricamente possíveis simultaneamente antes de ser medido. Porém, quando medido ou observado, o sistema se mostra em um único estado.

Felizmente, encontro em minha própria biblioteca pessoal, refúgio e um contraponto a essa postura materialista e incompleta. Em seu livro “Espiritualidade Integral”, o filósofo Ken Wilber nos propõe uma elegante estrutura teórica (Modelo Integral) para organizar o mundo e suas atividades em cinco categorias simples que são, ao mesmo tempo, aspectos de nossa própria experiência: os Quadrantes, Níveis, Linhas, Estados e Tipos. Essa abordagem nos ajuda a ver a nós mesmos e o mundo que nos cerca de um modo mais abrangente que inclui as realidades objetivas (Cosmos) e subjetivas, individuais e coletivas e que estão associadas a um conceito mais abrangente de Kosmos, palavra grega que significa o Todo padronizado de toda a existência, incluindo os reinos físico, emocional, mental e espiritual.

Quando analisamos qualquer situação com o apoio dos quatro Quadrantes propostos por Wilber, podemos perceber como qualquer evento Físico – Matéria/Energia (do quadrante superior direito) representa apenas um quarto da história. E que as dimensões da Consciência (do quadrante superior esquerdo) com nossas emoções, estados psicológicos, imaginação e intenções; da Cultura (do quadrante inferior esquerdo) com nossos valores culturais, religiosos e visão de mundo comuns e dos Sistemas Sociais (quadrante inferior direito) com nossas estruturas materiais, sociais e econômicas surgem simultaneamente à ocorrência desse evento e interagem entre si. E podemos perceber também como esses Quadrantes se desdobram em Níveis de Consciência, Linhas de Desenvolvimento (Inteligências Múltiplas), Estados de Consciência e Tipos.

Em nossa trajetória de elevação do nosso Nível de Consciência, por exemplo, de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica de Don Beck e Christopher Cowan, baseado no trabalho pioneiro de Clare Graves, o mecanismo chave é “transcender e incluir”. O nível de cima “transcende e inclui” o nível precedente e, como menciona Wilber em “Uma Teoria de Tudo”, trazendo novas capacidades e ao mesmo tempo a possibilidade de novos desastres; não só novos potenciais, mas também novas patologias; novas forças e novas doenças…

Em uma visão com pouca granulação do processo evolutivo, constatamos que da Matéria, em algum momento surgiu um Corpo que a transcendeu (possui vida) e a incluiu; e esse mesmo Corpo, em algum momento desenvolveu uma Mente que o transcendeu (capaz de ter consciência de si mesma) e o incluiu…

Assumindo que o impulso evolutivo ainda nos move, estamos, portanto, em um momento em que temos a possibilidade de transcender a Mente e de elevar ainda mais o nosso Nível de Consciência despertando a nossa Alma (que inclui a Mente, o Corpo e a Matéria). Isso, em busca de também transcende-la em algum momento em direção ao que podemos chamar de Espírito. Quando nos permitimos, em nossa prática meditativa, mergulhar no espaço silencioso entre dois pensamentos, temos a oportunidade de deixar que a Mente, levando com ela nosso cérebro/casca de noz, flua mansamente para sua foz, no grande lago da Alma, e que ela, também por sua vez, se conecte ao grande oceano do Espírito.

Depois de um dia inteiro de trabalho e leituras, durante uma pausa na varanda com o olhar perdido na copa das árvores da pracinha, a brisa da tarde sopra ao meu ouvido esse breve haicai:

na casca de noz,
nos ecos da Tua voz,
do rio, a foz…

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos, uma delas adaptada com texto complementar (Quadrantes) por Eduardo Leal
Intruções de utilização: Ouvir “Awakening” com Spyro Gyra

Casca de nozQuadrantes Ken Wilber 3

Garrafa 400 – Despedidas   Leave a comment

Dentro de um livro esquecido, haicai parido em noite escura de 2010 e ainda não postado.

Após reencontro comigo mesmo, o barco finalmente partiu…

pra voltar jamais
barco pronto pra partir
é noite no cais…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir Harbor Nights com Spyro Gyra

Noite no cais

Garrafa 346 – Clareza de visão, impulso para a ação!   Leave a comment

Uma das crenças que adotei, depois que tomei conhecimento da Programação Neurolingüística, é a de que “para o bem ou para o mal, tudo começa com um pensamento.” E acredito também que criar uma clara visão do tipo de pessoa que desejamos nos tornar, com o auxílio da nossa imaginação, alinhada com nossos valores mais profundos, é uma poderosa fonte de motivação.

Estou sempre à procura de situações e exemplos que confirmem essa pressuposição e fico feliz em compartilhar o que encontro e que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido! Da leitura de “Madre Teresa, CEO” e seu princípio “Sonhe simples, fale com força”, destaco o seguinte trecho:

“Seu sonho era ajudar os mais pobres entre os pobres. Tudo que fez em vida derivou do fato de ter definido sua visão, alinhando e mobilizando todos os seus recursos e seguidores na direção dessa meta.”

Para reflexão: Qual é a sua visão pessoal? Quem (que tipo de pessoa) você quer se tornar dentro de 10/15/20 anos?

Pausa e inspiração para um breve haicai:

um sonho simples
dito com paixão… fogo,
lenha, convicção!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “Madre Teresa, CEO” de Ruma Bose e Lou Faust
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “I Believe in You” com Spyro Gyra

Garrafa 299 – Corro esse risco!   Leave a comment

parecer tolo
por amor, pelo sonho…
corro esse risco!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sueño” com Spyro Gyra

Publicado 08/04/2012 por Eduardo Leal em Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku, Livros, Música

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Garrafa 253 – Ser simples, sem ser simplista   9 comments

Como já nos advertia Albert Einstein: “Tudo deve ser o mais simples possível, nunca mais simples do que isso.”

Da leitura de “A Estratégia da Genialidade – Einstein” de Robert Dilts posso depreender que ele queria dizer que cada situação ou sistema tem uma complexidade inerente que lhe é própria e que deve ser respeitada. Se tentarmos ir além de determinados limites impostos pela natureza do próprio sistema, descaracterizaremos completamente a situação e ela se tornará outra coisa e não a expressão mais simples do sistema que desejamos representar. Nesse ultimo caso nos tornamos simplistas e corremos o risco de jogar fora o bebe junto com a água suja do banho de simplicidade que lhe pretendemos aplicar.

E para se definir complexidade é sempre necessário especificar o grau de detalhe com que o sistema é descrito, sendo os detalhes mais finos ignorados. E sempre é necessário deixar algo de fora. Os físicos chamam isso de granulação grosseira. Como no caso de uma antiga fotografia, sua granulosidade estabelecia um limite sobre a quantidade de informação que ela podia oferecer. Quando numa fotografia um detalhe era tão pequeno que necessitava ser ampliado para ser identificado, a ampliação podia mostrar os grãos fotográficos individuais. E se o filme fosse muito granulado e o melhor que a fotografia como um todo pudesse dar fosse uma impressão grosseira do que tinha sido fotografado, o filme apresentaria uma granulação grosseira.

E não é simples definir “simples”. Como nos adverte Murray Guell-Mann em “O Quark e o Jaguar”: “provavelmente não há um único conceito de complexidade que possa exprimir adequadamente nossas noções intuitivas do que a palavra deve significar”. Entretanto, pelo menos uma maneira de se definir a complexidade de um sistema é fazer uso do tamanho de sua descrição. E, além disso, qualquer definição de complexidade depende necessariamente do contexto, e é mesmo subjetiva. O tamanho da descrição variará, portanto, com a linguagem utilizada, e também com o conhecimento e a compreensão do mundo que aqueles que se comunicam repartem entre si.

Eliminando-se descrições desnecessariamente longas, poderemos chegar a uma definição do que pode ser chamado de complexidade rudimentar:

“o tamanho da mensagem mais curta que descreverá o sistema, para um dado nível de granulosidade grosseira, para alguém distante, empregando uma linguagem, conhecimento e compreensão que ambas as partes repartem (e sabem que repartem) de antemão”.

É o que todos procuramos fazer em nossas tentativas de comunicação, sistemas adaptativos complexos que somos, ao lidarmos com as complicações da vida, da poesia e da filosofia. E é por isso também que me aventuro, impondo-me o desafio de utilizar em minha expressão poética e filosófica, sempre que possível, a métrica do haicai tradicional de 5/7/5 silabas, embora a temática nem sempre seja a do haicai tradicional. E sei muito bem que quase nunca sou bem-sucedido em minhas tentativas de explicar o inexplicável, mas gosto de registrar que quase sempre me divirto tentando.

É assim! É da natureza das coisas! Temos que conviver com nossa incapacidade de descrever os sistemas complexos em sua completude e totalidade e admitir um determinado grau de granulosidade, de incompletude, de imperfeição. E nossos amigos japoneses, em sua sabedoria milenar, inventaram uma expressão para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. Trata-se de Wabi-Sabi. Um termo que é de difícil tradução e que talvez possa ser entendido como uma maneira de se perceber as coisas através das lentes da simplicidade, da naturalidade e da aceitação da realidade que simplesmente insiste em ser como é.

Em minhas pesquisas pela internet encontrei quem afirmasse que esse conceito surgiu por volta do século XV. Quem sabe? E como grande apreciador de historinhas e metáforas, não resisti à tentação de reproduzir e incorporar neste texto pelo menos uma delas:

“Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá, e foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim do mosteiro e o jovem Rikyu lançou-se feliz à tarefa. Limpou o jardim até que não restasse fora do lugar nem uma folhinha sequer.
Ao terminar, Rikyu examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas ajeitadas com o máximo de capricho. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre, o jovem chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez com que caíssem algumas flores, que se espalharam de maneira displicente pelo chão.
Mestre Joo, impressionado, admitiu imediatamente o jovem no seu mosteiro.
Rikyu veio a se tornar um grande Mestre da Cerimonia do Chá e, desde então, foi reverenciado como uma daquelas poucas pessoas que entendeu a verdadeira essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição”.

E por que todo esse palavrório em um texto que se propõe a falar de simplicidade? Em um texto que, em sua versão original, constava apenas de um breve haicai que supostamente deveria resumir a ideia central a ser transmitida – “retirar mais do que por“ – e apenas silenciar diante de qualquer comentário posterior? Foi o que fiz até agora…

Acontece que a primeira e única pessoa que comentou este post no Blog, alguns meses depois de sua publicação, aliás um bom amigo, disse o seguinte: “É melhor dar que receber…” E nada mais foi dito a respeito. Só ontem à noite, em uma rede social, foi que uma segunda pessoa, outra boa amiga, me alertou para uma possível interpretação equivocada da ideia central do haicai, a de que “é melhor retirar do que por” e uma ficha caiu na minha cabeça. Ela questionou se a mensagem deveria ser interpretada como “Retirar mais de si, despojar-se? Ou retirar mais do outro?” Respondi que penso que só o outro poderia tirar de si mesmo, se assim o desejasse… E que o sentido que queria dar era realmente o de despojar-se, despir-se, desnudar-se. De espremer o caldinho em busca da essência, enfim… Mas só então percebi a força da interpretação alternativa. Não tinha pensado nela até então. A de alguém “tipo sanguessuga” que não contribui com nada e ainda retira do sistema. Fiquei realmente pensativo. E todos nós conhecemos gente que age dessa maneira… E não pretendo oferecer incentivo para essa atitude com esse haicai… Pois é!

Imaginava que a imagem que acompanha o post pudesse deixar claro a que tipo de retirada estava me referindo no haicai. Trata-se de um desenho de John Lennon em que ele retrata a si próprio e à sua companheira Yoko Ono com grande economia de traços, retirando mais do que pondo, desenhando apenas uma metade de cada figura individual e fundindo-as em uma figura única para transmitir a ideia original. Penso que o título do desenho traduzido também é significativo: “Dois é Um”. Apesar disso, muita gente realmente pode pensar que a mensagem transmitida é a de que vale a pena, e é até melhor, apenas sacar e retirar sem fazer nenhum depósito prévio, sem oferecer nenhuma contribuição. E me dei conta de que muitas centenas de pessoas viram o post original de acordo com as estatísticas de acesso do Blog… Esse foi meu insight tardio. E toda essa conversa fiada é apenas para deixar claro para os futuros leitores e aqueles que, tendo visto o post original, desejarem voltar a nos visitar, que essa não é a ideia.

Algumas pessoas se perguntarão: isso fará alguma diferença para alguém cujo entendimento aceite tranquilamente essa prática de saque oportunista sem nenhum questionamento? Provavelmente não! E esse também não é o tipo de leitor que acha interessante permanecer por mais de um minuto no meu Blog. E daí? Penso comigo mesmo: Ok, podem se sentir encorajados a saquear e retirar à vontade… Mas quem sabe se ao tomarem conhecimento desses comentários iniciais não poderão oferecer de volta pelo menos um sorriso? Isso seria suficiente pra mim. Se não, paciência… É questão de Nível de Desenvolvimento de Consciência.

Dito isto, decidi agregar essas considerações iniciais ao texto do post e manter o haicai quase da mesma maneira como foi parido, alterando apenas sua ultima linha substituindo “é o caminho” por “é um caminho”. A primeira forma agora me soou pretensiosa. Esse pode ser apenas mais um caminho… Quem sabe?

Pausa para um breve haicai:

simplicidade!
retirar, mais do que por,
é um caminho…

Eduardo Leal
Desenho de John Lennon “Two is one”
Instruções de utilização: Ouvir “Swept Away” com Spyro Gyra

Garrafa 226 – Questão de ponto de vista   2 comments

acreditar que…
o sol continua a brilhar,
depois do por-do-sol!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Catching the Sun” com Spyro Gyra

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