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Garrafa 533 – Diante da vastidão do tempo e do espaço   Leave a comment

Como já mencionei na página Minhas Razões, algumas das garrafas que lanço no mar da Internet trazem informações sobre o endereço de destino, e esta é uma delas. Nesta bela manhã de outono, ou de primavera, dependendo do hemisfério em que estejam os endereços do remetente e o de destino, quero dizer apenas que foi ótimo ter conhecido você há algum tempo atrás. Que coisa espetacular você ter nascido, e nesta época do ano! E mais ainda por termos nos encontrado!

Ontem mesmo tropecei nesta citação do astrônomo Carl Sagan, enquanto pensava no que dizer na mensagem que pretendia postar no dia de hoje. Sincronicidade em ação:

“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

Hoje à noite, surgirá no horizonte mais uma Lua Cheia de Outono, como tantas outras têm surgido desde que o planeta e seu satélite existem. E fico feliz que ainda possamos testemunhar algumas delas (que registro por aqui), nesta nossa curta existência, diante da vastidão do tempo e do espaço.

Você surgiu pra mim como uma bela lua cheia, em uma noite de outono!

Sou grato por isso!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Fases da lua

Garrafa 477 – Sem medo da fera   Leave a comment

Desde as primeiras viagens espaciais orbitais e lunares, é impactante a experiência de se contemplar a visão nosso planeta azul com sua fina atmosfera, percorrendo silenciosamente sua órbita ao redor do sol, acompanhado por seu belo e deserto satélite, ambos suspensos no espaço infinito e escuro. E, ao mesmo tempo, é assustador observar as pequenas marcas e o já perceptível impacto da presença humana na superfície desses dois astros que, mansamente, flutuam nesse ambiente cósmico. Tudo isso pode ser um oportuno convite para o aprofundamento das nossas reflexões e experiências a partir dessas percepções.

Algumas pessoas já se sentem encorajadas a pensar no ambiente mais amplo, o ambiente “Kósmico”, que inclui a não só a matéria, a vida, as emoções e a mente, mas também nossa Alma, em sua caminhada em direção ao nível do Espírito.

Começamos a perceber coletivamente que não vivemos apenas em nossos pequenos apartamentos ou casas, em ilusórias fronteiras internas e externas delimitadas por muros e cercas, em nossas cidades, estados, países ou continentes. Vivemos, isso sim, todos juntos, na grande espaçonave terrestre, abraçada por sua fina e frágil atmosfera, nossa biosfera, nesse encontro delicado e vital que começamos a ameaçar com nossa presença, desde que há cerca de seis milhões de anos, iniciamos nossa trajetória humana, como descrita nas palavras de Plotino, “equilibrados a meio caminho entre os deuses e as feras”.

E a continuação do desenvolvimento de nosso atual nível consciência focado na razão, em direção a transcendê-la e aos seus níveis precedentes (emocional, vital e material), para alcançar a visão a partir do nível do Espírito é nossa única esperança de um futuro sustentável como espécie, cujos integrantes começam a se dar conta de onde vieram, quem são e para onde estão se dirigindo.

Nessa manhã de outono, respiro o ar fresco e cheio de umidade na praia da Barra da Tijuca, e penso comigo mesmo:

atmosfera
abraça o planeta
sem medo da fera…

Eduardo Leal
Foto NASA
Instruções de utilização: Assistir ao documentário “Visão Global – Uma Nova Perspectiva do Nosso Planeta”

Terra

Garrafa 349 – Acenos de mão   2 comments

Mais uma madrugada insone, pensamento disperso e, ao mesmo tempo, com a atenção volta e meia guiada pelos ruídos, vultos, sombras e luzes que entram pela janela do quarto, enquanto passam silenciosos os minutos e as horas…

Na lua nova, por três dias ela se torna escura e “desaparece” para renascer e ressuscitar, outra vez, em um novo ciclo.

Lua escura vagando noite adentro e em algum lugar escondida, céu sem nuvens e o Cruzeiro do Sul cintilando acima das árvores fracamente iluminadas pelos postes da pracinha… Sim, minha paisagem aponta para o sul! Sul do ego, sul da noite, sul do planeta, sul da galáxia, sul do Universo… E tão ao sul como um sultão, permaneço ao sul de mim mesmo.

As folhas de duas amendoeiras, algumas bem verdes e outras em diversos tons de marrom, que preservo na memória do dia que passou e que não volta mais, se destacam nessa paisagem noturna, todas agora em tons de cinza claro ou mais escuro.

Olhar desfocado no intervalo entre dois pensamentos, de repente a brisa fresca da madrugada de inverno move gentilmente as folhas das amendoeiras. E parece que uma multidão de mãos, em suave sincronia, acena silenciosamente pra mim do sul da noite, do sul do planeta… E percebo também que, às vezes, algumas folhas se desprendem e, parecendo ainda acenar, só que agora de maneira mais confusa, desaparecem na escuridão…

Quem serão essas pessoas? Porque me acenam na penumbra? O que podem querer me dizer? Amigos e amigas que conheci e nunca mais verei? Onde estarão e para onde irão? Parentes, parceiros e parceiras que se foram ou se vão? Amores que nunca terei?

Surpreendo-me acenando de volta, grito preso na garganta, gesto impensado com o coração sobressaltado… E me levanto silencioso, em busca de papel e lápis.

Pausa para um breve haicai…

folhas ao vento.
de pessoas que se vão,
acenos de mão…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Folhas ao Vento” na voz de Lanna Rodrigues

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