Arquivo para março 2012

Garrafa 291 – Cara ou coroa   Leave a comment

Nos ultimos dois Posts, abordei alguns aspectos do Metaprograma “Aproximação X Afastamento”, conceito de Programação Neurolinguística – PNL, usando cada um dos dois lados da moeda freudiana sobre nossas motivações, ou seja, “Busca do prazer X Fuga da dor”. Agreguei alguns breves comentários sobre como entendo que esses fatores podem ser levados em consideração em um processo de Coaching: Embora nosso mecanismo psiquico tenha uma preferência pelo padrão de fuga da dor, podemos e devemos fazer um esforço consciente para persistir em nossa busca do prazer, em suas diversas formas, da maneira mais ecológica possível com as nossas crenças e valores e nosso nível de consciência.

Além de minha prática como Coach Centrado em Valores, que serve de laboratório para muitas reflexões a esse respeito, as outras áreas da minha vida, nos ultimos tempos em especial as de Saúde (física, emocional, mental) e de Relacionamentos (familiares, de trabalho e afetivos), têm me trazido materia prima permanente para percepções e insights.

Acabei de chegar de mais um sepultamento de um integrante da nossa família. O terceiro desde dezembro do ano passado. Idades de 54, 86 e 49 anos, o que indica que não é preciso ter idade avançada para deixar este mundo. E pude testemunhar a vontade de viver de cada um deles, em sua tagarelice nos momentos de consciência da iminência da partida e nos longos silêncios ocasionados pelos tubos e anestésicos, ou simplesmente a voluntária, eloquente e silenciosa contemplação do vazio.

Cada vez que me deparo com isso, fico mais convencido da importância de viver intensamente uma vida digna e plena, em que o amor ocupe um lugar central, e que comece com o amor próprio como poderosa fonte de luz e energia compassiva, irradiando em todas as outras dimensões e direções.

Nesta noite de lua em quarto crescente, deixo minha trilha sonora preferida sobre o tema da auto estima e mais uma brincadeira com as palavras com a métrica do haicai…

entre fuga da dor
e busca do prazer,
fico com ambas…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “The greatest love of all” de Michael Masser e Linda Creed, na voz de Whitney Houston

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Garrafa 290 – Busca do prazer   Leave a comment

Depois de refletir sobre a “Fuga da dor”, na Garrafa 289, e ainda movido pelos questionamentos a respeito das nossas fontes de motivação e do Metaprograma “Afastamento X Aproximação”, terminei, nos últimos dias, a leitura do livro de Desmond Morris “A essência da felicidade” – Editora Rocco, uma das referências que podemos utilizar sobre o outro lado da moeda freudiana, a “Busca do prazer”. Ainda sobre esse tema, já se encontra sobre a minha mesa, aguardando o seu momento, “O nascimento do prazer” de Carol Gilligan, também da Editora Rocco.

Em sua definição de felicidade, Desmond procura diferenciá-la de contentamento, satisfação ou paz de espírito, que são estados internos que surgem quando a vida está boa, ao passo que a felicidade é a sensação que experimentamos quando a vida de repente melhora. Em suas próprias palavras: “No momento exato em que algo maravilhoso acontece conosco, há uma onda de emoção, uma sensação de prazer intenso, uma explosão de absoluto deleite – e este é o momento em que estamos verdadeiramente felizes. Infelizmente ele não dura muito. Felicidade intensa é uma sensação transitória, efêmera.”

Em seu livro, após um breve retrospecto do desenvolvimento de nossa espécie ao longo de milhões de anos, de catadores de frutas nas árvores, caçadores nas planícies, e fazendeiros, até os realizadores de atividades especializadas na divisão do trabalho da nova estrutura urbana, ele procura identificar as diferentes fontes possíveis de felicidade e propõe algumas categorias. Algumas delas são, por exemplo, “Felicidade alvo” que deriva do nosso passado ancestral de caçadores; “Felicidade competitiva”, a alegria de vencer de nossa herança social; “Felicidade cooperativa” da necessidade de apoio mútuo para a sobrevivência; “Felicidade sensual” da satisfação de nossas necessidades biológicas; “Felicidade cerebral” da satisfação de nossas necessidades intelectuais.

A felicidade, portanto, surge de diversas formas e pode ser encontrada em diferentes contextos e associada a diferentes papéis. E cada uma dessas formas, para cada pessoa, tem suas vantagens e desvantagens e pode ser mais ou menos atraente. Algumas podem ser até, para a maioria de nós, repulsivas, perigosas ou anti-sociais. Apresentamos abaixo uma classificação que associa fontes de felicidade com alguns tipos de papéis:

Alvo – Conquistador
Competitiva – Vencedor, Sádico, Torturador
Cooperativa – Auxiliador, Ecologista
Genética – Parente
Sensual – Hedonista
Cerebral – Intelectual, Cientista, Artista, Jogador de Xadrez
Rítmica – Bailarino, Cantor, Ginasta, Atleta
Dolorosa – Masoquista, Puritano, Pudico, Suicida
Perigosa – Destemido, Jogador de azar, Esportista radical
Seletiva – Histérico
Tranquila – Meditador
Devota – Crente, Religioso
Negativa – Sofredor
Química – Usuário de drogas
Imaginária – Sonhador, Radialista, Profissional de Cinema e TV e seus Publicos alvo
Cômica – Risonho, Comediante, Humorista
Acidental – Afortunado

Como Coach, esse passeio pelas diferentes fontes da efêmera felicidade, me fez reforçar a percepção da importância de provocar reflexão nos diferentes “Exploradores de novas possibilidades de futuro” a respeito das diversas formas capazes de nos fazer desfrutar momentos de grande felicidade. Essas oportunidades surgem quando acontece uma dramática melhora em algum dos aspectos de nossas vidas, preferencialmente por meio de ações que estão ao nosso alcance, desde que alinhadas com o conjunto de crenças e valores correspondente ao nosso nível de consciência.

Como sempre gosto de fazer, porque me proporciona algum prazer intelectual com essas brincadeiras com as palavras usando a métrica do Haicai, escolho a imagem do lampejo provocado por uma explosão de luz repentina, como uma metáfora dessa nossa breve e fugidia felicidade…

felicidade!
explosão luminosa!
na escuridão…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido – Colisão Galaxias Antennae
Instruções de utilização: Ouvir “A felicidade” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Garrafa 289 – Fuga da dor   Leave a comment

Diversos “Exploradores de novas possibilidades de futuro” que é como gosto de chamar as pessoas com quem tenho a oportunidade de entrar em contato, no meu papel de Coach Centrado em Valores, têm me trazido uma questão recorrente. Trata-se de uma aparente preferência por reconhecer facilmente os problemas e saber o que evitar, porque vêem claramente aquilo que não querem, ao invés de se concentrar em seus objetivos e ir atrás daquilo que realmente querem. Isso normalmente pode trazer uma certa dificuldade para uma boa formulação de Metas e Objetivos, uma das atividades importantes de um processo de Coaching e de Gestão Pessoal, seja qual for a abordagem adotada.

Refletindo e pesquisando sobre esse tema, compartilho algumas idéias a respeito de “Metaprogramas” que são os filtros perceptivos que normalmente usamos para determinar que tipo de informação vai chegar até nós – o que atrai a nossa atenção. Os metaprogramas filtram as nossas experiências para nos ajudar a criar nosso próprio mapa de mundo.

Há muitos padrões que podem ser qualificados como metaprogramas e diferentes autores enfatizam determinados aspectos da questão. Nenhum deles é melhor ou mais correto por si só e tudo depende do contexto e do objetivo que se deseja atingir, já que alguns deles podem funcionar melhor para determinadas tarefas específicas.

Podemos citar alguns desses padrões tais como: Aproximação X Afastamento; Proativo X Reativo; Referência Interna X Referência Externa; Geral X Específico; Semelhança X Diferença, etc.

O padrão Aproximação X Afastamento é especialmente interessante uma vez que nos remete às idéias de Freud a respeito de motivação, quando colocou as coisas em termos de Busca do Prazer (Aproximação) X Fuga da dor (Afastamento). Em sua obra Projeto de uma Psicologia, afirma que “o sistema nervoso tem a mais decidida inclinação para a fuga da dor” e, posteriormente, em Formulações sobre os dois princípios, afirmou que “a atividade psíquica afasta-se de qualquer evento que possa despertar desprazer” de modo que, em princípio, não há nada de errado quando observamos nossos padrões de afastamento e fuga da dor. Estamos apenas utilizando o nosso hardware e software humanos, a cada momento temperados por nossas emoções e níveis de consciência.

O que penso ser importante e procuro provocar reflexão utilizando algumas “perguntas poderosas”, isso sim, é: Em que medida a preferência por esse padrão de fuga da dor, em um determinado contexto ou área da vida, tem me ajudado ou prejudicado? Em especial, no momento de estabelecimento de Objetivos e Metas, mesmo que o padrão de afastamento entre em cena em algum momento, penso que ele deva ser ressignificado utilizando algo como: O que eu quero de verdade, no lugar disso que claramente não quero?

Acreditando firmemente que não há maneiras saudáveis de fugir ou se esconder da própria vida, esses questionamentos podem nos levar a investigar em profundidade nosso Sistema de Valores (com suas Crenças associadas), que está intimamente relacionado ao nosso Nível de Desenvolvimento de Consciência (de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica, por exemplo), e ao estabelecimento de Objetivos e Metas congruentes e alinhados com nossos Valores Centrais e Critérios.

No momento em que damos as boas vindas a um novo ciclo, com a chegada do outono que, com a qualidade da sua luz, conduz à maturidade e ao contentamento, deixo que a inspiração proporcionada pela suave brisa noturna me diga:

da própria vida,
nunca há como fugir,
nem se esconder…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir gravação nostálgica de “Fuga numero 2” com Rita Lee e os Mutantes

Garrafa 288 – Lua cheia de verão   3 comments

Caminhando na praia da Barra da Tijuca, de volta pra casa, depois de encontrar um bom amigo nessa tarde de verão carioca e assistir a um por do sol espetacular, que incendiou o horizonte com todos os tons de rosa, laranja e vermelho, achei que o dia já estivesse ganho… Tinha valido a pena vivenciá-lo… Água de coco geladinha, boa conversa, algumas metas e planos para o futuro compartilhados…

Enquanto meu cabelo se alinhava com o vento fresco e salitrado, que parecia varrer também qualquer sombra de preocupação e agitação dos meus pensamentos, sequer suspeitava do que ainda iria testemunhar…

De repente, o nascer da lua cheia de março me surpreende!

Minha mente tagarela fica muda, em respeitoso silencio, sem palavras, sem pensamentos, sem ação… Sorrindo com o corpo todo, puro espanto e admiração!

Não me lembro de ter visto uma lua cheia com um disco tão claro e tão grande, como quando surgiu espetaculosa, nesse final da tarde… Realmente não tenho registro de outra igual, mesmo em minhas memórias mais distantes, de noites estreladas na fazenda em Minas Gerais, de passeios enluarados nas praias de Angra e de longas travessias cruzando horizontes em alto mar.

Lentamente, saio desse estado hipnótico e a mente se agita novamente… Queria poder compartilhar esse momento com você…

E meu pensamento voa e vai ao seu encontro!
E caminhamos juntos novamente. Mãos entrelaçadas.
Olhares lunáticos no horizonte, enfeitiçados pelo brilho da lua cheia.

De volta ao momento presente, um sopro de vento parece sussurrar esse breve haicai:

Lua gigante
surge no horizonte!
Sol fica mudo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização – Ouvir “Tarde” de Milton Nascimento e Marcio Borges, com participação de Wayne Shorter

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