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Garrafa 499 – Cinquenta tons de saudade   Leave a comment

Como costumava acontecer desde que se conheceram, e mesmo tendo se passado já muitos anos desde que tinham se visto pela ultima vez, ele tinha adormecido acalentando com ternura a memória de sua imagem quase sempre sorridente, e sonhado com ela na noite anterior àquele dia especial.

Sonhou que tinham se reencontrado brevemente, a sós, e que conversaram animadamente, sem mágoas nem rancores, revendo os detalhes da fina tapeçaria entretecida com os fios da vida de cada um, tanto durante o período em que estiveram próximos, quanto depois que cada um seguiu o seu próprio caminho. Ela estava feliz com as escolhas que tinha feito no passado, e com sua situação atual, e ele se alegrou de verdade com isso. O que aconteceu foi a única e melhor coisa que poderia ter acontecido.

Ele tinha acordado bem cedo, como costumava fazer todas as manhãs. Mas, naquele dia de celebração do seu aniversário, como também já há muito tempo acontecia, não poderia vê-la pessoalmente. Não poderia estar com ela, nem que fosse apenas por alguns minutos. Não poderia segurar suas mãos e nem lhe dar um abraço longo e apertado. Isso estava simplesmente fora de questão.

Abandonando sentimentos de frustração e tristeza que imediatamente inundaram seu coração, mas que de nada serviriam naquela linda manhã de outono, deu um longo e profundo suspiro, e silenciosamente se perguntou: O que poderia ser feito? Como sentir-se um pouco mais próximo, mesmo que fisicamente muito distante? Como lhe enviar boas vibrações e energia amorosa, estando a criatura em outro hemisfério? E como entrar ele próprio em um estado mais positivo, apesar de uma grande e incômoda saudade da amiga aniversariante?

Procurou então agarrar-se a algumas pequenas lembranças, na verdade alguns objetos transformados em relíquias amorosas, que ele sabia tinham sido manuseados e tocados por ela, há muito tempo atrás. Eles ainda guardavam quem sabe algo de sua presença, de sua vibração original, de sua energia, do seu toque. Assim acreditava, e assim podia sentir, quando os invocava em sua memória cinestésica e os tocava de novo também.

Vasculhou suas gavetas e enfiou-se então dentro daquele short que tinha recebido de presente em um dia do seu próprio aniversário, e com o qual ela o havia surpreendido na saída do trabalho. Gostava dele de verdade, e o usava de vez em quando em suas caminhadas diárias pelas redondezas. Fazia isso também para matar a saudade, e sentia-se acompanhado por ela, quem sabe até dentro dela, em cada uma dessas ocasiões. Naquela manhã, entretanto, a título de uma distante e silenciosa celebração naquela data tão significativa, sentiu que só isso não seria o suficiente, já que era uma atitude rotineira. Precisava de algo mais.

Buscou então na sua estante um livro que ela tinha tomado emprestado por algumas semanas, e que tinha utilizado como referência para o seu trabalho de conclusão de curso. No seu interior encontravam-se preservadas diversas anotações feitas com uma versão de sua letra intencionalmente miúda e compactada, para caber e se acomodar nas laterais, no topo e nos rodapés de inúmeras daquelas páginas.

Lá estavam registrados seus comentários, suas observações, ora usando seu próprio código taquigráfico, ora apenas atribuindo uma nota “10” ou um “M” para longos parágrafos assinalados ou sublinhados a lápis de maneira suave: tudo aquilo que tinha despertado sua atenção e interesse, naquela ocasião.

E muitas emoções há muito tempo represadas voltaram com força, com a releitura de cada trecho, com a visão de cada rabisco, imediatamente associadas à memória do som de sua voz, durante os encontros que ocorreram ao longo do processo de pesquisa para aquele trabalho, e após a devolução do precioso livro para o seu zeloso proprietário.

Lembrou-se de que, nas semanas seguintes, seguiram-se diversas conversas, com a discussão das observações de parte a parte, com suas vozes interrompidas por longos silêncios, acompanhados de olhares ora divertidos ora curiosos, e por longas carícias e beijos apaixonados.

Ele nunca teve acesso ao texto final daquele trabalho. Não importa. Ficou feliz em poder contribuir de alguma maneira naquele projeto acadêmico, como ela já tinha feito em ocasião anterior em um projeto seu, elaborando slides para uma apresentação em PowerPoint, que complementaram e ilustraram a monografia entregue no seu curso de pós-graduação. Por algum tempo, tinham sido muito felizes na companhia um do outro. E não é isso que um sentimento de amor verdadeiro nos sugere fazer? Sempre e muito? Aproveitar a companhia do outro, e torcer e contribuir para o seu sucesso?

Sentiu-se melhor assim, tendo definido o seu ritual de celebração especial incluindo essas duas etapas.

Naquela mesma manhã, realizou uma longa caminhada usando seu short-relíquia. E procurou respirar longa e profundamente o ar fresco da manhã, cumprimentado gentilmente cada árvore e pessoa que encontrou pelo caminho que costumava percorrer para chegar até a praia. E sentiu a brisa levemente salgada fluindo entre suas pernas, no tronco suado, no próprio rosto e nos fios do cabelo. Pele arrepiada, permaneceu longamente com o olhar perdido na linha do horizonte, onde os diversos tons de verde e de azul do mar se encontravam com o azul luminoso e profundo do céu de abril. Cinquenta tons de verde, de azul e de saudade. Voltou para casa em paz.

Já com o livro reencontrado, a decisão foi diferente. Apenas alguns momentos de rápida leitura não seriam o bastante. Resolveu fazer uma celebração mais prolongada, à altura da ocasião. Decidiu reler o livro inteiro, ao longo dos próximos trinta dias, mesmo já estando envolvido com a leitura de outras obras em paralelo. E isso fazia todo o sentido também, em função de quem era o seu autor, seu principal mentor em assuntos de PNL, do tema da modelagem de estratégias de sucesso, e do momento profissional que estava vivenciando. Sincronicidade com o Universo, e o simples reconhecimento e aceitação da presença de coincidências significativas, que sempre aconteciam com ele, com ela, e com cada um de nós, sempre e quando nos mantemos atentos para reconhece-las em nossas vidas. E assim foi feito.

Decorridos os trinta dias de releitura e celebração, deu-se conta de que o livro foi o complemento perfeito para as investigações pessoais que estava realizando na ocasião. Alguns trechos mais significativos podem ter sido os seguintes:

“A solução de conflitos relacionados à identidade implica ‘segmentar’ num nível acima ao da própria identidade. Se cumprirmos esse requisito seremos capazes de ampliar nossos mapas de mundo para percebermos a nós mesmos como parte de sistemas mais amplos que estão à nossa volta, e alcançarmos um senso de missão e propósito global.”

“Uma identidade completa é um oceano inteiro, não simplesmente cada peixe diferente que nada nele. A identidade verdadeira de uma pessoa não é uma determinada imagem ou um sistema de medida, mas preferencialmente a luz que torna ambos possíveis.”

“Talvez não seja acidental que tantas pessoas ao longo da História tenham relacionado identidade e espírito com luz. Quando alguém alinha ou identifica a si mesmo com “matéria” ou “espírito”, corpo ou mente, Ego ou Id, o lado esquerdo do cérebro ou o lado direito do cérebro, lógica ou imaginação, estabilidade ou mudança, então essa pessoa está criando um desequilíbrio e um conflito em potencial. Quando alguém identifica a si mesmo com algo mais parecido com a luz, então a pessoa pode ver que o importante é o relacionamento entre esses elementos. Evolução e adaptação, por exemplo, são uma função de um processo de mudança no nível individual e de um processo de estabilização no nível do ambiente mais amplo. A evolução pessoal requer o mesmo equilíbrio de forças nos diferentes níveis lógicos.”

Recordando o sonho que tinha vivenciado há trinta dias atrás, e desejando que um breve encontro daquele tipo pudesse acontecer em algum momento do futuro, rabiscou no seu bloco de notas:

sem nenhum rancor,
conversa animada,
motivos certos.

Eduardo Leal
Pintura de Waldomiro Sant’ Anna – Leitura a dois
Leitura recomendada: “A Estratégia da Genialidade – Einstein” de Robert Dilts, Summus Editorial

Leitura a dois,

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Garrafa 360 – O Ciclo da Abundância   Leave a comment

Nas ultimas semanas de dezembro, como costuma acontecer a cada fim de ano, ou a qualquer momento, a cada fim de ciclo, faço um balanço dos acontecimentos significativos do período considerado. E isso, às vezes, no caso do balanço anual, se estende aos primeiros dias de janeiro. O principal propósito dessa atividade reflexiva é trazer para o campo da consciência algumas percepções e insights e, a partir de cada um deles, estabelecer algumas ações de desenvolvimento e, é claro, ações de celebração e agradecimento por cada uma dessas oportunidades de aprendizado.

Uma das crenças que dão permissão para essa atividade, conforme já mencionado na Garrafa 170 é a escolha assumida de que o Universo é um lugar amistoso, acolhedor e abundante. Como sugere Albert Einstein, podemos, então, usar toda a nossa tecnologia, nossas descobertas cientificas e os recursos naturais disponíveis para criar ferramentas e modelos que nos ajudarão a compreender esse Universo. E o nosso poder e a nossa segurança virão pela compreensão dos seus mecanismos e motivos.

A adoção dessa premissa me faz valorizar o compartilhamento de recursos e, em especial, nas minhas áreas de atuação, o compartilhamento de informações e conhecimentos. E observo que, na mesma medida em que compartilho e ofereço o que tenho de melhor, outras pessoas também se sentem encorajadas a compartilhar comigo seus valiosos recursos, informações e conhecimentos.

Será que com essa atitude já não fui vítima de aproveitadores, parasitas e sanguessugas que só pensam em seu próprio benefício, sem desejar oferecer nada, ou quase nada, em retribuição? Claro que sim! E será que isso não pode voltar a acontecer no futuro? A resposta é a mesma! Mas acho que vale a pena pagar esse preço. Acredito que essas pessoas permanecem estáticas, com o produto do seu pretenso saque, enquanto eu continuo em movimento em direção a outros horizontes de desenvolvimento e conhecimento. E algumas delas, quem sabe, podem até refletir a respeito da eficácia desse tipo de atitude e, no futuro, adotar novas respostas compatíveis com níveis mais elevados de consciência. E isso é positivo também.

Assim, essas crenças permitem que eu dê o primeiro passo na direção do estabelecimento de um Ciclo de Abundância que se inicia com a formulação de um pedido explícito e claro a esse Universo amistoso, acolhedor e abundante. Se acredito que haja espaço, oportunidades e recursos disponíveis para todos, é legítimo que eu formule com clareza meu pedido. E é também provável que eu seja atendido por esse mesmo Universo, que tudo sabe. Por que não seria?

Compartilho, a seguir, meu entendimento a respeito do que podem ser as etapas desse Ciclo de Abundância:

PASSO 1: PEDIR!

Trata-se de, após a realização de um processo de planejamento simplificado, definir um Plano de Vida, ou seja, de estabelecer com clareza, em cada uma das áreas da vida, os objetivos e metas que são valiosos pra mim, de acordo com o meu Nível de Consciência, que condiciona o meu Sistema de Crenças e Valores. Além disso, devem ser definidos nesse passo os respectivos indicadores que vão permitir avaliar o progresso em direção a esses objetivos e metas e, também, que estratégias ou caminhos devem ser utilizados com esse propósito.

Além dos indicadores corporais (ver, ouvir, sentir) também posso estabelecer e utilizar indicadores quantitativos (menos subjetivos) para cada tipo de objetivo ou meta definido em cada área da vida, tais como:

Ambiente Físico: o estado de conservação e conforto do mobiliário do meu apartamento, o estado de conservação, conforto e funcionalidade do mobiliário do meu ambiente de trabalho, o estado de conservação e conforto do veículo com que me desloco de casa para o atendimento dos meus clientes e uso para atividades de lazer, no período considerado;

Saúde: meus indicadores de estado de saúde física, emocional e mental, no período considerado;

Carreira: o número de clientes que procuram meus serviços de coaching, de consultoria e de treinamento; a quantidade de leitores que enviam feedback sobre o que escrevo, no período considerado;

Relacionamentos: a quantidade e qualidade das interações nos meus relacionamentos familiares, de trabalho e pessoais (amigos e relacionamento afetivo), no período considerado;

Espiritualidade (Contribuição aos outros): tempo que dedico a sessões de coaching gratuito e quantidade de pessoas e organizações que atendo cobrando valores simbólicos; quantidade e qualidade do que considero como minha prática meditativa espiritual (esforço individual), no período considerado;

Finanças: saldo da minha conta bancária e de poupança, valor das minhas despesas mensais, renda obtida com cada tipo de serviço prestado, no período considerado;

Lazer: quantidade e qualidade de viagens e pequenos passeios programados e realizados, quantidade e qualidade de peças e espetáculos teatrais, de filmes e shows musicais a que pude comparecer ou assistir, numero de horas dedicados a ouvir minha trilha sonora preferida, no carro ou em casa, e também o número de livros lidos (pelo menos dois por mês), no período considerado.

E por mais que isso seja fundamental, isto é, definir mentalmente e emocionalmente, com a maior clareza possível o que se quer, transcrevendo a seguir cada ideia no papel (atividade neuropsicomotora) e de maneira afirmativa explicitando nosso desejo para nós mesmos e para o Universo, isso não é, por si só, suficiente. É apenas o primeiro passo. O que costuma cair do céu, se ficamos apenas esperando de maneira passiva, é chuva fria e cocô de passarinho… A seguir, precisamos entrar em ação!

PASSO 2: AGIR!

Trata-se da implementação do planejamento desenvolvido no passo anterior. É o processo de execução das decisões tomadas, seguindo as estratégias estabelecidas. É quando ocorre a ação efetiva.

E quando entro em ação, em busca da conquista dos objetivos e metas declarados que constam do meu Plano de Vida, sempre recebo uma resposta do Universo. Basta contemplar, tocar e escutar com atenção, consultando os indicadores que também estabeleci para cada objetivo ou meta: Já estou vendo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos? Já estou ouvindo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos? Já estou sentindo o que deveria, se meus pedidos tivessem sido atendidos?

O passo seguinte é analisar os resultados obtidos com minhas ações, as respostas que o Universo sempre me dá.

PASSO 3: ACOLHER E INTERPRETAR AS RESPOSTAS DO UNIVERSO!

Em minha contemplação, tato e escuta silenciosos, seguidos de um breve processo de reflexão, costumo perceber o seguinte:

Às vezes recebo mais do que pedi;

Às vezes recebo exatamente o que pedi;

Entretanto, às vezes recebo menos do que pedi ou, o que é ainda mais surpreendente, recebo uma coisa completamente diferente do que pedi. Nessas situações, prefiro acreditar que isso significa apenas que há algo que preciso aprender. Algo que me passou despercebido e que a Vida, que simplesmente é como é, me apresenta com todas as suas cores, volumes, sons, texturas e odores, para meu crescimento, desenvolvimento e aprendizado.

O passo seguinte é, sejam quais forem os resultados obtidos, novamente entrar em ação! Só que, dessa vez, com foco em ações de agradecimento, de celebração e, é claro, de correção de rumo.

PASSO 4: AGRADECER, CELEBRAR E REALIZAR AÇÕES CORRETIVAS!

Com um pensamento, sentimento e atitude de gratidão, cada pequeno avanço, cada passo e cada resultado obtido, mesmo que ainda um resultado desfavorável, deve ser celebrado.

Os benefícios da gratidão, segundo pesquisas realizadas e divulgadas em universidades norte-americanas, a partir do ano de 2007, indicam que essa é a atitude que pode produzir o maior impacto positivo na nossa qualidade de vida.

E o que dizer sobre a atitude de celebração? Ainda impactados pela espetacular queima de fogos, sincronizada com música, que nos foi oferecida pela cidade do Rio de Janeiro, na virada do ano de 2012 para 2013, poderíamos ser levados a pensar que celebração é só assim, com fogos de artifício de investimentos altíssimos, com o consumo de champanhe importado e charutos havana… Será que devemos estar limitados também apenas a ocasiões especiais? À conquista de grandes objetivos e metas?

Proponho que, a partir de 2013, para aqueles que desejem compartilhar essa minha crença, possamos adotar uma postura diferente: todos os dias e várias vezes ao dia, realizarmos um maior número de pequenas celebrações de baixíssimo investimento. Podem ser realizadas acompanhadas com agua filtrada sem gás, com um saquinho de pipoca salgada, com uma barra de chocolate ou um saquinho de balas de leite. Ou, em tempos de maior contenção de despesas ainda, com uma simples respiração profunda e um olhar amoroso dirigido a quem esteja ao nosso lado na ocasião. E para celebrar o que? O dom da vida, o reflexo do sol nos cabelos cacheados de uma criança, cada pequeno avanço e o aprendizado com nossos acertos e erros. Posso garantir que, assim, nossa vida tem grandes chances de se tornar uma festa permanente!

E quando recebermos menos ou algo completamente diferente do que pedimos, que a pergunta de aprendizado que poderemos nos fazer, depois dessas percepções seja apenas: “Da próxima vez, o que escolho fazer diferente?” E isso nos colocará em movimento e com a possibilidade de realizar ações corretivas.

Enfim, com outras palavras, essa é minha receita para para experimentarmos mais momentos de contentamento, durante a nossa passagem por esse nosso pequeno planeta azul.

E o Ciclo de Abundância pode ser reiniciado…

Para alguns observadores mais atentos e familiarizados com o Processo de Gestão, neste momento devem estar claras as grandes semelhanças do Ciclo da Abundância, como o percebo, com o Ciclo de Gestão PDCA (Plan/Do/Check/Act) de Shewhart/Deming. Planejar, Executar, Monitorar e Corrigir! E isso não é simples coincidência. É como os utilizo no Processo de Coaching Centrado em Valores, entendido como uma maneira personalizada de apoiar a realização da Gestão Pessoal dos Exploradores de Novas Possibilidades de Futuro.

Na primeira semana de 2013, será que essa informação pode ser útil para vocês? Já estabeleceram o seu Plano de Vida? Estão prontos para dar início a um novo Ciclo de Abundância? Que tal buscar mais informações a esse respeito e agendar uma sessão inicial gratuita de Coaching Centrado em Valores?

Pensem nisso! Tudo começa com um pensamento!

Eduardo Leal
Ilustrações de Eduardo Leal

Ciclo de Abundância 3

Ciclo PDCA

Garrafa 353 – A Prática da Respiração Abdominal   Leave a comment

No processo de Coaching, quando desempenho o papel de Coach Centrado em Valores, a ultima coisa que faço é sugerir o que fazer. E quando o faço, por sentir que a pessoa está completamente paralisada e incapaz de vislumbrar saídas para a situação que se apresenta no seu momento atual, sempre procuro fazê-lo de maneira indireta. Normalmente digo que, tendo vivido situação semelhante, naquela ocasião escolhi experimentar tal ou qual alternativa que, por sua vez, produziram tais e quais resultados. Uso minha própria experiência ou, então, apresento o exemplo de alguém que conheça que, tendo passado por situação semelhante, escolheu fazer algo de determinada maneira e experimentou algum tipo de resultado. Posso perguntar, a seguir, algo do tipo: “será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?”. Isso normalmente faz com que a pessoa que estava paralisada comece, pelo menos, a examinar algumas possíveis alternativas.

Já quando estou realizando algum processo de Consultoria em Planejamento Estratégico, em Planos de Negócio, em Organização, Sistemas e Métodos, em Comunicação ou em Gestão Pessoal, no meu papel de Consultor, o que faço, e o que o meu cliente espera que eu faça, é exatamente isso: sugerir o que fazer. Entretanto, para fazê-lo, devo usar o meu melhor julgamento e sugerir a melhor solução de acordo com meu conhecimento especializado sobre o assunto. Não são muitas as áreas em que me sinto confortável em fazê-lo de maneira categórica. E mesmo quando poderia fazê-lo dessa maneira, prefiro adotar o estilo coach de fazer consultoria: com perguntas que provoquem reflexão, após realizar a escuta com empatia e, quando oportuno, apresentando sugestões de maneira indireta.

E você provavelmente já deve estar se perguntando a respeito da razão para a apresentação desses dois parágrafos anteriores, a título de introdução, em um post sobre a prática da respiração abdominal.

Isso é porque uma das perguntas que recebo com maior frequência, tanto em minha prática de Coaching quanto na de Consultoria é: qual a melhor maneira que você sugere para se lidar com o estresse e a tensão do dia a dia?

Como não me considero consultor nem especialista nesse assunto, aqui reproduzo a fala do coach, apenas sugerindo indiretamente, o que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido…

Desde muito cedo, em minha juventude, senti grande atração pela cultura oriental e pelas artes marciais. Meu primeiro mestre nas aulas de Karate, de que participei a partir de 1970, iniciava e encerrava os treinamentos com uma breve sessão de meditação com respiração abdominal. Desde então, sempre busquei literatura a esse respeito e, a partir dos anos 80, encontrei em um Mosteiro Zen localizado na localidade de Ibiraçu, no Espírito Santo, informações e oportunidade para o inicio de uma pratica meditativa, mesmo que ocasional. E o desafio sempre foi o de torná-la parte do meu dia a dia, incorporando-a à minha rotina. Vários anos se passaram e, no final dos anos 90, mais precisamente em 1999, vivi uma situação real extremamente estressante, em que tive que usar todas as ferramentas à minha disposição. Naquela ocasião, li todos os livros de psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, descobri a existência e fiz cursos de Programação Neurolinguística, fiz terapia Cognitivo-Comportamental e voltei a fazer Alongamentos, Corridas e Caminhadas, regularmente. E sim, retomei a prática da Respiração Abdominal! É sobre esse ultimo assunto que gostaria de compartilhar algumas ideias, por ser uma alternativa que pode ser posta em prática quase que imediatamente, pela sua simplicidade, e que apresenta ótimos resultados, fruto da minha experiência pessoal.

Porque Realizar

A respiração não ocorre nem no passado nem no futuro, só no momento presente e é a chave para vivermos uma vida mais consciente nessa encarnação física. É a primeira coisa que fazemos ao nascer e a ultima que faremos antes que a energia abandone cada uma das células do nosso corpo. Seu ritmo superficial e agitado, ou profundo e relaxado, acompanha e induz nossos diferentes estados de espírito. A respiração abdominal é a respiração dos bebês saudáveis e dos mestres espirituais iluminados. Se você aspira entrar e se manter em contato com a sua natureza essencial, procure respirar de maneira cada vez mais lenta, profunda e relaxada.

Quando Realizar

Essa é uma prática especialmente recomendada para o início e o final de cada dia. Ao se levantar e antes de iniciar as atividades programadas para cada manhã, e antes de dormir, quando se pode fazer um balanço de tudo que aconteceu após um longo e produtivo dia de realizações e aprender com os resultados favoráveis ou desfavoráveis de cada uma delas. Pode ser utilizada, também, ao longo do dia, em alguma pausa ou intervalo, ou ainda antes de alguma atividade importante em que é especialmente recomendável estarmos em conexão com o momento presente e com a nossa orientação interior mais profunda.

Características do Ambiente

Encontre um lugar tranquilo e bem ventilado, de preferência em alguma praça ou jardim ou, se não for possível, em um cômodo de sua casa ou escritório. Sente-se em posição confortável sobre almofadas no chão ou em algum banco, cadeira ou sofá, disponíveis no ambiente, ou levados por você especificamente para essa finalidade.

Sua Postura

Mantenha as costas eretas e o olhar voltado ligeiramente para baixo, como se estivesse visando um ponto situado cerca de dois metros à sua frente, se estiver sentado em uma cadeira, ou a cerca de um metro, se estiver sentado no chão sobre almofadas. Deixe que as mãos permaneçam pousadas naturalmente sobre as coxas com as palmas abertas e voltadas para cima. Mantenha os olhos fechados, pelo menos ao início do exercício, para aumentar a sensação de contato com o próprio corpo sem a presença de estímulos visuais externos. Você pode optar por mantê-los semicerrados ou completamente abertos, à medida que sua prática lhe permite manter o foco da sua atenção na própria respiração, de maneira independente de estímulos visuais presentes no ambiente.

O Processo

Quando se sentir confortável para iniciar a sua prática, mantendo a boca fechada, comece a respirar profundamente pelo nariz levando o ar até a base do pulmão na região abdominal, contando até cinco na inspiração e até cinco novamente na expiração. Sinta como a barriga se expande na inspiração e se contrai na expiração e deixe que esses movimentos e ritmo respiratório ocorram naturalmente durante pelo menos cinco minutos. Ao longo desse período, à medida que vá se sentindo cada vez mais confortável, você pode ir aumentando gradativamente a contagem para seis, sete, oito ou nove, enquanto seus pulmões se adaptam a esse novo ritmo e à maior quantidade de ar movimentada.
Apenas observe os pensamentos que afloram a cada instante, sem se fixar em nenhum deles em especial, voltando a focalizar sua atenção no ritmo respiratório, quando isso ocorrer, e perceba como você começa a se sentir cada vez mais profundamente relaxado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente alerta. Você começa a perceber que o passado e o futuro se desvanecem e que surge uma sensação de centramento no momento presente, onde e quando a vida realmente acontece. O céu e a terra se encontram quando seu coração e sua mente se unem em respeitoso silêncio, apenas testemunhando e celebrando a dádiva do momento presente.

Será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?

Pausa para um breve haicai:

noite escura…
ilumina caminhos,
luz interior.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Monsieur Binot” na voz de Joyce

meditação com respiração abdominal

Meditação sentado

respiração abdominal

Garrafa 319 – Palavras não ditas   1 comment

palavras não ditas…
liberando a tensão,
na respiração…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Talking out of turn” com Moody Blues

Garrafa 318 – De madrugada   Leave a comment

doce silêncio…
respiro invisível,
de madrugada.

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido

Publicado 27/04/2012 por Eduardo Leal em Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku, Livros

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Garrafa 307 – Tudo o que preciso   Leave a comment

na meditação,
tudo o que preciso!
só respiração…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido

Publicado 16/04/2012 por Eduardo Leal em Filosofia, Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku, Livros

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Garrafa 188 – Um pensamento   1 comment

um pensamento,
respiração e vento,
depois, o silêncio…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Mudança dos ventos” na Voz de Nana Caymmi

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