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Garrafa 516 – Buraco negro existencial   1 comment

De acordo com o resultado de pesquisas científicas disponíveis na Internet, um buraco negro seria uma região do espaço-tempo com matéria maciça e altamente compactada, resultante da deformação espacial decorrente do colapso gravitacional de uma estrela. No coração desse corpo estelar o tempo, conforme o percebemos, pararia de fluir e o espaço simplesmente deixaria de existir. E, teoricamente, nada, nem mesmo um único raio de luz poderia escapar de suas escuras fronteiras conhecidas como horizonte de eventos.

De minha parte, penso também em buracos negros como uma poderosa metáfora para um estado de depressão severa resultante do colapso emocional de uma pessoa. Um estado mental em que ela se vê esmagada pelo peso de emoções e sentimentos negativos que não consegue mais suportar, e do qual sente-se incapaz de escapar.

Há alguns anos atrás, cruzei perigosamente a região próxima ao horizonte de eventos de um buraco negro. No momento em que minha carreira profissional estava no auge, ascendendo a um novo ambiente e ao exato local onde tinha planejado chegar vinte anos atrás, a área de relacionamentos sofria com a recente perda de uma pessoa muito importante e com a reversão de expectativas e a frustração decorrente do comportamento surpreendente de outra criatura que tinha se tornado muito próxima (estava literalmente refém de sua atração gravitacional). A saúde física, emocional e mental foram afetadas e levaram-me a um quadro emocional que, se bem me recordo, foi classificado como depressão moderada. Não cheguei a mergulhar completamente no fundo do buraco negro, mas cheguei muito próximo para sentir uma amostra dos seus efeitos devastadores: sob uma enorme pressão existencial, não era capaz de ver as coisas ao meu redor com um mínimo de clareza e tinha enorme dificuldade de tomar decisões rotineiras simples.

Em 2016, um dos maiores físicos teóricos e destacado estudioso dos buracos negros de todos os tempos, Stephen Hawking declarou que já não pensa que o que quer que seja sugado para dentro de um buraco negro seja completamente destruído.  Ele pensa que poderia haver um caminho para se escapar através de um outro universo…

Também penso assim no caso do buraco negro existencial. Uma vez que nosso  próprio “Universo” não passa de uma percepção que construímos através da filtragem que fazemos com as informações que recebemos por meio de nossos sentidos; e que pessoas diferentes veem “Universos” bem diferentes, mesmo quando colocadas lado a lado na mesma região do espaço; tudo o que precisamos fazer é uma mudança desses filtros mentais e pronto! Entramos em um novo Universo! E isso pode funcionar mesmo quando nos encontramos submetidos a uma pressão emocional esmagadora no fundo de um buraco negro existencial!

No meu caso, a mudança de filtros mentais se deu pela leitura de diversos bons livros sobre psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, pelas conversas instigantes com uma psicoterapeuta que adota a abordagem de Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), e com a descoberta e intensa participação em um curso de Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL).

Com o apoio de pessoas queridas que já faziam parte de meu círculo de relacionamentos e com o de outras pessoas especiais que encontrei ao longo do caminho, quando me pus em movimento, empreendi meus melhores esforços com o desejo ardente de sair da região escura em que me vi momentaneamente, e fui capaz de cavalgar a extremidade de um raio de luz que escapou da escuridão, emergindo em uma nova região do espaço.

Naquela ocasião, diante da possibilidade de meu mergulho iminente nas profundezas do buraco negro, observadores externos atentos e bem intencionados eram capazes de perceber meus lamentos, escutando o som da minha voz cada vez mais distorcido pelo Efeito Doppler, enquanto eu ainda encontrava um mínimo de energia para brincar com a métrica de um haicai:

buraaaco neeegro!
fuuugir para não caiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiirrrr…
c    o    m    o         e    s    c    a    a   a   a   p    a    a   a   a   r   r   r   r   r   r?

A solução veio com a compreensão do sábio provérbio indiano que tornou-se um mantra pra mim, depois que o vivenciei:

Nada mudou.
Só eu mudei.
Portanto, tudo mudou!

Esta é a mensagem de encorajamento que envio para todas as pessoas que se encontram na borda de um sombrio horizonte de eventos em qualquer uma das Áreas da Vida, quer seja a do Ambiente Físico, da Saúde, da Carreira, do Desenvolvimento Pessoal, dos Relacionamentos, das Finanças, da Espiritualidade, ou até mesmo na área do Lazer.

Em tempos dessa estupidez chamada de “Baleia Azul” que teria se espalhado pelo mundo a partir de sites localizados na Russia, recuso-me simplesmente a chamar essa atividade de “Jogo”, por propor aos seus participantes a  realização de uma sequencia de 50 atividades, sendo cada uma mais degradante que a outra, incluindo ações de mutilação do próprio corpo e culminando com uma sugestão de suicídio. Escolho agir assim, para não lhe emprestar qualquer caráter lúdico, uma vez que sabemos que as diversas formas de jogo já conhecidas, ou aquelas anunciadas como tal, sejam elas saudáveis ou não, têm o poder de atrair a atenção de jovens e adultos de todas as idades.

Apresento, de acordo com minha própria experiência, uma vez que não sou psicoterapeuta, algumas propostas para se lidar com essa situação ameaçadora: a de captura da atenção de pessoas fragilizadas por um estado depressivo, por parte de verdadeiros criminosos, apenas interessados em exercer o poder de conduzi-las para o fundo de um buraco negro existencial, com o sério risco desse processo culminar com a auto destruição de suas vítimas, se essa situação não for reconhecida e interrompida a tempo pelas próprias vítimas, ou por pessoas presentes no seu ambiente familiar, escolar, pessoal ou de trabalho:

PARA PAIS, EDUCADORES, AMIGOS E COLEGAS DE TRABALHO DE POSSÍVEIS VÍTIMAS:

  1. Procurar conhecer de verdade seus filhos, alunos, amigos e colegas de trabalho, buscando sua companhia com frequência e o estabelecimento de uma conexão genuína;
  2. Buscar ajuda para si próprio, quando for o caso, para evitar ser arrastado para o buraco negro junto com a pessoa que se pretende ajudar;
  3. Durante as diversas conversas, buscar estabelecer formas de comunicação compassiva com foco na escuta com empatia, ao invés de procurar impor a própria opinião;
  4. Incrementar a prática do elogio sincero, o “feedback positivo” que não tem contra-indicações, e reforça a auto-estima de quem o recebe e o reconhece como verdadeiro; e
  5. Buscar o apoio de terapeutas qualificados, ao longo de todo o processo, uma vez que nada substitui sua valiosa orientação.

PARA AS VÍTIMAS DE DEPRESSÃO:

  1.  Buscar estabelecer formas de comunicação compassiva consigo mesmo com foco em uma espécie de investigação apreciativa pessoal para trazer à consciência cada vez mais motivos para reconhecimento e gratidão e não apenas para lamentação;
  2. Buscar o apoio de terapeutas qualificados, ao longo de todo o processo, uma vez que nada substitui sua valiosa orientação.

Isto também pode ser dito de outra maneira, como nos sugeriu Albert Einstein, em um de seus imaginativos experimentos teóricos que o levaram à descoberta da Teoria da Relatividade:

Desenvolver a capacidade de, mentalmente, colocar-nos na extremidade de um intrépido raio de luz, e apreciar o Universo a partir dessa nova perspectiva!

Eduardo Leal
Ilustrações de autores desconhecidos

Buraco NegroEspiral colorida

Garrafa 503 – Arco esticado, íris brilhante!   Leave a comment

Em busca de inspiração para minhas brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai, volta e meia  minha atenção é despertada pela percepção de alguma sensação corporal inesperada; pela visão de alguma imagem interessante ou pela leitura de algum texto instigante; pela escuta de algum som ou música suave ou surpreendente; pela detecção da presença de algum odor agradável ou repulsivo; ou pela degustação de alguma comida saborosa ou estranha ao próprio paladar.

E, muito frequentemente, isso ocorre pela sinestesia, ou a ocorrência simultânea de algumas dessas situações: uma sensação corporal que evoca uma imagem armazenada na memória afetiva, ou vice-versa; a associação do odor e do sabor de determinadas comidas ou bebidas com os lugares e pessoas em companhia de quem elas foram degustadas; ou de um perfume suave e nuvemovente percebido em uma rua movimentada, o que nos faz interromper nossa apressada caminhada, instintivamente mover nosso corpo todo na direção daquela “inspiração” e, muito mais rapidamente do que qualquer promessa enganosa de cartomantes inescrupulosas, traz sim a pessoa amada “de volta” em um segundo!

A visão de um belo arco-íris,  quando o sol explodiu em sete cores e revelou então os sete mil amores que o Tom guardou pra dar para Luiza, despertou minha memória musical. E as gotículas de água ainda em suspensão na atmosfera de outono, em uma tarde chuvosa, trouxeram de volta também as diversas lendas sobre um misterioso e desejado pote de ouro e brilhantes escondido na extremidade distante daquele arco fugaz e colorido. E pensamentos sobre quem possivelmente teríamos que nos tornaro que teríamos que fazer para chegar até lá, e resgatar o cobiçado premio por nossa eventual coragem e persistência. Tornar-me quem, senão eu mesmo? Fazer o que, senão ação amorosa? Fazer quando, senão agora?

E minha imaginação evocou também outro tipo possível de arco esticado em seu limite pelo filosófico arqueiro zen Eugen Herrigel, de minha memória literária. E a flecha de prata, aguardando a súbita liberação, carrega a sua própria alma, sua mensagem de vida e morte lançada na escuridão silenciosa da noite, enquanto a única fonte de luz perceptível naquele instante é o brilho interno da íris do arqueiro.

Apenas outro tipo de conexão arco-íris…

Pausa para um breve haicai:

arco esticado,
com a flecha de prata,
íris brilhante…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido adaptada por Eduardo Leal
Instruções de utilização: Ouvir Luiza, no piano e voz de Tom Jobim

Íris brilhante 3

Garrafa 502 – O fazer é lei!   1 comment

Diz o provérbio oriental que:

“Do que eu ouço, me esqueço; do que eu vejo, me lembro, e o que eu faço eu sei!”

A milenar sabedoria oriental é confirmada pelo corpo de conhecimentos da Programação Neurolinguístca – PNL e ambos nos indicam que, além de complementaridade, há uma hierarquia entre os canais auditivo, visual e cinestésico, com nítida vantagem para esse ultimo, com relação à capacidade de retenção de informações e memórias e, consequentemente, também, com o nosso próprio processo de aprendizagem. Apesar da importância da imagem, que vale mais do que mil palavras, a ação repetida e a prática introjetam a experiência fazendo com que sua assimilação interior seja mais completa e  duradoura. O que eu faço eu sei!

É na prática que uma determinada teoria é comprovada e seus resultados vêm à luz do dia. É na ação que “malhamos os músculos” da memória e do aprendizado.

O aprender está no fazer!

Pausa para um breve haicai:

por onde andei,
aprender o que não sei,
o fazer é lei!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

O que eu faço eu sei

Garrafa 488 – Mestre e Aprendiz   2 comments

Ao cumprimentar uma antiga aluna de Coaching pelo seu aniversário, na semana passada, recebi um generoso e amável feedback positivo a respeito dos ensinamentos que lhe transmiti durante um curso ministrado em 2007. Isso inundou meu coração com o sentimento de gratidão e me fez refletir a respeito dessa curiosa relação Professor-Aluno, Mestre-Discípulo, Instrutor-Aprendiz, Coach-Explorador de novas possibilidades de futuro e de minhas próprias atitudes em cada uma dessas duas posições complementares, ao longo dos meus diversos processos de aprendizado.

Na mesma semana, incluindo na minha rotina semanal novas atividades para melhor harmonizar minha Prática de Vida Integral, depois de um flerte de vários anos com essa arte marcial, iniciei meu treinamento como aprendiz em um Curso de Aikido, após terminar a leitura de “A Arte da Paz” de Morihei Ueshiba. No dojo onde fui acolhido, sou o praticante menos graduado.

Pra começo de conversa, vale a pena ressaltar as palavras do nosso brilhante escritor João Guimarães Rosa quando nos diz que “Mestre não é quem sempre ensina mas aquele que, de repente aprende.” Infeliz daquele que, assumindo uma posição de instrutoria em algum assunto, acha que já sabe tudo sobre o tema em questão e despreza os raros mas valiosos ensinamentos que pode receber de seus respectivos aprendizes. Igualmente infeliz é aquele iniciante em qualquer prática que deixa de ver as coisas com aquele “Olhar de imigrante” ou “Olhar de deslumbramento” de quem vê um novo mundo pela primeira vez, e se deixa abater pela própria falta de conhecimento e experiência, sentindo-se intimidado e deprimido e desperdiçando diversas oportunidades de aprendizado e de autodesenvolvimento. E, como no provérbio em que “A primeira pessoa que escuta o que dizemos somos nós mesmos” podemos obter percepções e “insights” até mesmo ouvindo a nossa própria voz durante o processo, quando estamos citando e usando como referência o trabalho de alguém mais experiente.

Em qualquer situação meu feedback favorito é: “Puxa, nunca tinha pensado nisso dessa maneira!” Maravilha! Provoquei reflexão em alguém, ou eu mesmo fui levado por outra pessoa a ver as coisas de uma maneira ainda não explorada!

Meus questionamentos me levaram a rever o conteúdo de pelo menos dois livros: “From Coach to Awakener” de Robert Dilts e “Duas Perspectivas sobre a Iluminação” de A. S. Dalal.

Robert Dilts, usando seu elegante Modelo de Níveis NeuroLógicos que é amplamente usado pelos adeptos do Coaching com Programação Neurolinguística (PNL), discute os diferentes tipos de apoio que podem ser prestados, segundo sua visão, por um Coach com “C” maiúsculo. Dilts considera que o Coach com “C” minúsculo, que costumo denominar Coach Convencional, focaliza mais no Nível de Mudança Comportamental referindo-se ao processo de apoiar outra pessoa a obter ou melhorar um determinado desempenho comportamental. Essa abordagem é derivada primariamente do modelo esportivo de treinamento. Já o Coach com “C” maiúsculo envolve apoiar as pessoas no processo de obter resultados palpáveis em diversos Níveis de Mudança, enfatizando o fortalecimento da identidade e dos valores e procurando transformar sonhos e metas em realidade. Abrange as habilidades desenvolvidas por um Coach com “C” minúsculo, mas inclui muito mais. Para cada um dos diferentes Níveis de Mudança (Ambiente / Comportamento / Capacidade / Crenças e Valores / Identidade / Espiritual), além das respectivas perguntas poderosas que nos permitem investigar qualquer questão em cada Nível, são apresentados os tipos de apoio que podem/devem ser prestados (Guia / Coach com “C” minúsculo / Professor ou Consultor / Mentor / Patrocinador / Guru) e os respectivos estilos de liderança que melhor se adaptam a cada papel. Se o próprio Coach não puder exercer todos esses papéis, e é esperado que não consiga fazê-lo em todos os Níveis e para todos os tipos de Objetivos ou Metas, deve ajudar seu Explorador de novas possibilidades de futuro a encontrar quem possa complementar seu apoio, dependendo dos tipos de Objetivos/Metas que estejam sendo trabalhados.

TIPOS DE APOIO QUE PODEM SER PRESTADOS DURANTE UM PROCESSO DE COACHING

Tipos de Apoio Prestados por um Coach

No Nível do Ambiente relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Guia, se está familiarizado com esse ambiente, e pode adotar o estilo de liderança de Gerenciamento por exceção. Caso contrário, algum outro Guia que domine esse ambiente deve ser consultado. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com frequência pois não posso pretender estar familiarizado com os ambientes de todos os tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro.

No Nível de Comportamentos relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Coach com “C” minúsculo, atendo-se aos aspectos comportamentais e às melhores práticas recomendadas para essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança Estímulo por recompensa. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com menor frequência pois é possível descobrir um conjunto de boas práticas relacionadas aos diversos tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro, tanto em pesquisas na literatura especializada quanto na Internet. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Capacidades relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Professor ou Consultor, ministrando os conhecimentos julgados necessários para se lidar com essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança de Estímulo intelectual. Essa é uma situação extremamente delicada uma vez que o papel do Consultor (o Professor é um tipo de Consultor) é sugerir o que fazer, enquanto essa é a ultima coisa que um Coach deve fazer, apresentando no máximo sugestões indiretas, quando a pessoa não consegue perceber alternativas para avançar. Sugiro que as eventuais Sessões de Consultoria prestadas pela mesma pessoa que conduz um Processo de Coaching sejam realizadas em outro local e em outro momento, para que não haja confusão de papéis na cabeça do Explorador de novas possibilidades de futuro/Cliente/Aluno. Tenho me sentido confortável em oferecer consultoria em Comunicação Interpessoal, em Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e de Liderança e em Elaboração de Planos de Negócio. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia ou Coach com “C” minúsculo pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Crenças e Valores relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Mentor, buscando identificar e neutralizar eventuais crenças limitantes e implantar e reforçar um conjunto de crenças poderosas que deem permissão para a pessoa avançar em relação à direção desejada. Nesse caso ele pode adotar o estilo de liderança Inspiracional. Esse é o nível em que me sinto mais à vontade, uma vez que a abordagem de Coaching Centrado em Valores, que desenvolvi a partir de 2006, enfatiza a exploração desse nível lógico uma vez que possuímos crenças (limitantes ou não) a respeito de todos os outros níveis de mudança (tanto acima como abaixo desse nível). Além disso, os diversos Níveis de Desenvolvimento de Consciência propostos pela Abordagem de Coaching Integral, que também fazem parte do conjunto de ferramentas que utilizo, são em grande medida relacionados a diferentes Sistemas de Crenças e Valores com os quais nos identificamos, em maior ou menor grau, à medida que avançamos em nosso próprio processo de desenvolvimento.

No Nível de Identidade relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Patrocinador, reforçando a autoestima da pessoa, oferecendo feedback positivo e construtivo, além de fornecer estimulo constante para o reconhecimento e a utilização de seus talentos, transformando-os em pontos fortes para utilização em proveito da conquista de seus respectivos Objetivos e Metas. Em uma Abordagem de Coaching Integral, como a que adoto, o trabalho com a Sombra da pessoa (aqueles conteúdos que são varridos para o inconsciente e que envolvem emoções primárias que não se deseja admitir, mas que volta e meia reaparecem como emoções secundárias sabotando suas ações) pode recomendar a participação, em paralelo ao Processo de Coaching, de um profissional da área de psicanálise ou psicoterapia. O estilo de liderança sugerido é o de Consideração Individualizada. Sinto-me bastante confortável em adotar esse estilo de liderança e atuar nesse nível lógico que tem um profundo impacto nas mudanças que ocorrem em todos os níveis inferiores, e que recebe a influência decisiva das eventuais mudanças promovidas no Nível de Crenças e Valores. Nosso Nível de Identidade é, em grande medida, a expressão de uma crença a respeito de quem pensamos que somos.

Finalmente, no Nível Espiritual relacionado ao Objetivo/Meta, que nada tem necessariamente a ver com religião e sim com “a quem mais nos sentimos conectados e a quem mais incluímos no nosso círculo de preocupações, cuidados e contribuições”, e ainda, “de quem podemos obter apoio para desenvolvimento de nossos projetos pessoais e coletivos”, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Guru (o que promove o despertar), contribuindo para promover a elevação do nível de desenvolvimento de consciência da pessoa, meta recorrente em uma Abordagem de Coaching Integral e, muito mais raramente, no seu despertar para estados/níveis de consciência intuitivos (além da mente). Com muito maior frequência, o que costumo fazer é estimular o questionamento a respeito da necessidade de apoio externo proveniente da família, de amigos, de guias, de consultores e professores, de mentores, de patrocinadores, de gurus espirituais e até mesmo de algum tipo de divindade. Se a pessoa possui uma crença religiosa, a crença em uma Divindade pode exercer uma forte influência na quantidade de esforço que pode ser alocada às suas tarefas de desenvolvimento pessoal. Identificadas essas necessidades, apoio o processo de sua obtenção. O estilo de liderança sugerido é a Liderança Carismática e Visionária.

Os questionamentos provocados pela necessidade de apoio às mudanças no Nível Espiritual me fizeram voltar a consultar o ótimo livro de A. S. Dalal em que ele nos oferece um estudo comparativo das abordagens propostas por dois Mestres Espirituais Iluminados para o despertar de um nível de consciência além da mente: Sri Aurobindo e Echart Tolle. Selecionei alguns comentários apenas referentes ao conteúdo do Anexo II dessa obra em que são apresentados “Os Três Instrumentos do Professor”, assim foi traduzido, mas segundo meu entendimento trata-se mais de um Guru ou Mestre Espiritual, na visão de Sri Aurobindo. Após a definição de cada um desses “Instrumentos” apresento, como sempre gosto de fazer, uma breve brincadeira com as palavras, com a métrica de um haicai, e que foi inspirada nessa releitura. Incluí um título em cada haicai.

“Instrução, exemplo e influência – esses são os três instrumentos do Guru.”

Sobre a Instrução, Sri Aurobindo nos adverte que:

“… o Professor prudente não visará se impor ou impor suas opiniões na aceitação passiva da mente recebedora; ele oferecerá somente o que é produtivo e seguro como uma semente que crescerá sob a proteção interior divina. Ele buscará despertar muito mais do que instruir; objetivará o desenvolvimento das faculdades e das experiências por um processo natural e uma expansão livre. Ele ensinará um método como um apoio, um dispositivo utilizável, não como uma forma imperativa ou uma rotina fixa. E ele estará na guarda contra qualquer transformação dos recursos em uma limitação, contra a mecanização do processo. Sua atividade completa é a despertar a luz divina e iniciar as atividades da força divina da qual ele é, em seus próprios termos, apenas uma ferramenta e um apoio, um corpo ou um canal.”

Germinação

Instrução divina

rota que seduz:
de dentro da semente
impulso de Luz!

Sobre o Exemplo, Sri Aurobindo nos diz que:

“O exemplo é mais poderoso do que a instrução; mas, não é o exemplo dos atos externos nem da natureza pessoal que tem a maior importância. Eles têm seu lugar e sua utilidade; no entanto, o que na maior parte dos casos estimulará aspiração nos outros é o fato central da realização divina dentro dele governando toda sua vida e seu estado interior e todas as suas atividades. Esse é o elemento essencial e universal; o restante pertence à pessoa e às circunstâncias individuais. É essa realização dinâmica que o sadhaka (Praticante de desenvolvimento espiritual) deve sentir e reproduzir em si mesmo de acordo com sua própria natureza; ele não necessita de esforço após uma imitação do exterior que pode muito bem ser mais esterilizador do que gerador de frutos corretos e naturais.”

Exemplo de conduta

Exemplo

mais poderosa
que qualquer informação:
ação amorosa!

Sobre a Influência, essas são as palavras de Sri Aurobindo:

“A influência é mais importante do que o exemplo. A influência não é a autoridade exterior do Mestre sobre seu discípulo, mas sim o poder de seu contato, sua Presença, da proximidade de sua alma com a alma do outro, infiltrando-se por ela, muito embora em silêncio, o que ele propriamente é e possui. Essa é a marca suprema do Mestre. Assim, o maior de todos os Mestres é muito menos um Professor do que uma Presença derramando a consciência divina e sua luz, poder, pureza e êxtase em todos que se mostram receptivos ao seu redor.”

Mestre e discípulo

Influência

em plena calma,
mestre e discípulo,
alma com alma.

Eduardo Leal
Ilustração de Eduardo Leal baseada no conteúdo de “From Coach to Awakener” de Robert Dilts
Haicais de Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 423 – Falo, porque ainda não sei…   Leave a comment

Tenho um pequeno grupo de bons amigos e amigas (e acho que cabem todos numa van) que leem, e às vezes também comentam e compartilham os posts publicados neste Blog. Essas criaturas gentis também se dão ao trabalho de visualizar as fotos e ler os textos que são reproduzidos em minhas páginas nas redes sociais, ou que são divulgados em outros Blogs que mantenho em atividade. Trazem, sempre, novos desafios com seus questionamentos e contribuições, para que eu busque maior clareza na exposição de ideias, quer sejam das poucas que são de minha própria lavra, ou daquela grande maioria que não foi parida por mim mesmo, e sim adotada como valiosa e verdadeira, até prova em contrário.

Os temas do desenvolvimento de consciência e da espiritualidade têm sido aqui frequentemente abordados, por estarem no centro da minha área de interesse, e julgo oportuno reconhecer, desde já, minha total incompetência diante desse enorme desafio.

O salto quântico do nível de desenvolvimento de consciência da Mente (onde se encontra a maioria de nós) para o nível da Alma (onde poucos estiveram por breves períodos, e muito poucos por lá permanecem por temporadas mais prolongadas) é uma experiência individual. É vivenciada sem a interferência ou participação de intermediários, sejam eles padres, pastores, rabinos, aiatolás, gurus, monges, coaches ou consultores. O caminho que leva até a borda do precipício onde esse salto deve ser dado é único. E há tantos caminhos quantos indivíduos existem neste nosso pequeno planeta azul. Mesmo quando duas pessoas parecem caminhar lado a lado, durante algum tempo, seus caminhos são distintos. A senda é estreita como o fio da navalha, para utilizar uma imagem cara aos mestres Zen. E lá chegando, seja que caminho individual tenha sido percorrido e aonde quer que ele tenha levado cada um, é preciso saltar da borda do penhasco no grande Vazio! Sentir essa vertigem!

Além disso, como o nível da Alma transcende e inclui o nível da Mente e, portanto, está além da razão, além da lógica, em contato apenas com a fonte da nossa sabedoria intuitiva, qualquer tentativa de expressar essa experiência em palavras, depois de vivenciá-la, estará fadada ao fracasso. Nosso falatório e escrita serão apenas tímidas tentativas de explicar o inexplicável.

As escrituras Védicas, de milênios atrás, são sábias ao declarar que “Aqueles que sabem, não falam. Os que falam, não sabem”.

E revelador foi o sermão silencioso de Buda, apresentando à sua audiência, por entre os dedos, uma simples flor de cor branca, cujo significado foi percebido apenas por seu discípulo Mahakasyapa.

Com todo respeito por todo esse falatório e suas correspondentes transcrições e publicações em diversas escrituras, de todos os matizes, origens e tendências (várias vezes transcritas neste Blog e posts correspondentes), todo o material disponível sobre esses temas – desenvolvimento de consciência/espiritualidade – pode servir no máximo como um tipo de sinal ou indicação. Uma sinalização que aponta para essa Verdade que pode ser apenas percebida por aqueles que estão prontos e preparados para recebe-la. Verdade essa que também será sempre interpretada no próprio nível de consciência daqueles que vivenciarem essa experiência.

Conforme sugerido nas sábias palavras proferidas pelo Mestre Doogen, que ecoam para nós do fundo do precipício, desde o século XIII, “O dedo que aponta para a lua, não é a lua”. É preciso ver a lua! Olhar na direção indicada pelo dedo, e não para o próprio dedo!

É preciso ver a lua!

E, nesta fase de lua minguante, em que ver a lua se torna uma tarefa sempre um pouco mais desafiadora, situação agravada pelo prenúncio da continuação de um período chuvoso e nublado, em nossa bela cidade do Rio de Janeiro, resta-me apenas brincar com a sabedoria das palavras milenares, usando a métrica do haicai:

não sabe, quem fala.
mas, aquele que sabe,
não fala, cala…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido e
Ilustração de Tsukioka Yoshitoshi – One Hundred Views of the Moon “Moon of Enlightenment”

Lua minguante

O dedo que aponta para a lua

Garrafa 402 – Inciativa e Liderança   Leave a comment

Relendo o clássico “A Lei do Triunfo” de Napoleon Hill, na lição sobre Inciativa e Liderança, encontrei interessante citação de Elbert Hubbard, escritor, editor, artista e filósofo americano. Hubbard, que descrevia a si mesmo como um anarquista e um socialista, morreu junto com sua segunda esposa, no início do século XX, em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, quando o navio em que se encontrava, o RMS Lusitania, afundou após ser torpedeado pelo submarino alemão U-20, na costa da Irlanda.

Entre suas diversas publicações, uma pequena história é bastante conhecida e também está relacionada ao tema da iniciativa, a “Mensagem a Garcia”. E algumas pessoas lhe atribuem a também famosa citação “Quando a vida lhe traz limões, faça uma limonada.”

Transcrevo abaixo a citação feita por Hill, sem saber ao certo de que publicação de Hubbard ela foi retirada.

“O mundo concede os seus grandes prêmios, tanto em dinheiro como em honras, em troca de uma coisa, apenas: a iniciativa.
E que é iniciativa? A iniciativa consiste em fazer o que é preciso, sem ser necessário que alguém nos mande.
Em seguida, vêm aqueles que fazem o que é preciso, bastando para isso que se lhes diga uma vez. Porém os que levam a mensagem adquirem honras elevadas, mas o pagamento nem sempre é proporcionado.
Vem depois os que não fazem o que é preciso senão quando a necessidade a isso os obriga. Esses recebem a indiferença e uma paga mesquinha.
Finalmente, ainda mais abaixo na escala, temos o indivíduo que não faz nada direito, mesmo que alguém lhe mostre a maneira de fazer e o fique observando; está sempre desempregado, e é tratado com o desdém que merece, a menos que tenha um pai rico e, nesse caso, o destino fica pacientemente à sua espera.
A que classe pertenceis?”

Pergunta poderosa – que provoca reflexão – e merece resposta após cuidadoso exame de consciência, fecha a citação.

Pausa para um breve haicai:

líder e sequaz
um segue, o outro faz!
e você, meu rapaz?

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Iniciativa

Garrafa 284 – Falar ou calar?   7 comments

Nas ultimas semanas, tive que lidar com uma situação delicada que me causou alguma frustração e decepção. Não é o caso de explicitá-la aqui. Mas vale a pena refletirmos juntos a respeito de algumas maneiras construtivas que podemos utilizar para sermos assertivos, sem sermos agressivos, tema recorrente em situações de coaching, terapia e consultoria: Expressar desagrado.

Para enfrentar esse desafio, inicialmente busquei inspiração em minha própria experiência, apostilas e artigos publicados e em elaboração e, a seguir, na bibliografia que conheço sobre o assunto. Foi especialmente importante reler “Comunicação não-violenta” de Marshall Rosenberg e “Preciso saber se estou indo bem” de Richard Williams. E, como frequentemente acontece, a sincronicidade com o Universo veio em meu auxilio quando recebi um e-mail, enviado por um bom amigo, que nem sequer suspeitava da situação em que me encontrava, com o seguinte provérbio persa:

“Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.”

Mas o que dizer, e quando, e como fazê-lo, quando desejamos expressar desagrado? Apresento a seguir algumas sugestões, fruto das minhas ultimas pesquisas e reflexões.

1. Nesse caso, vale aquela regra de ouro que diz: “Elogios em público, críticas em particular.” Os comentários elogiosos devem ser feitos na presença de testemunhas, para amplificar os seus efeitos positivos. E a expressão de desagrado deve ser feita em particular, à pessoa que deve tomar conhecimento do problema, para reduzir ao mínimo os constrangimentos inerentes à situação. Entretanto, às vezes, inevitavelmente, outras pessoas terão que tomar conhecimento de que houve alguma manifestação de desagrado, mas somente algum tempo depois do ocorrido, quando os efeitos desse conhecimento terão sido atenuados;

2. Os elogios deverão ser feitos no nível de identidade, com expressões do tipo “Você é ótimo na realização dessa tarefa!”. As críticas deverão ser feitas no nível de comportamento, com expressões do tipo “Você fez, ou deixou de fazer tal coisa.” o que é um fato, que pode ser comprovado, e não um juízo de valor;

3. O momento de fazer os elogios deve ser o mais próximo possível do instante em que ocorreu a situação que motivou o comentário favorável, o que não impede que seja repetido e reforçado em diversas outras ocasiões. Já o momento de fazer a crítica, sempre que possível, deve ser cuidadosamente escolhido e planejado para que seus efeitos sejam mais próximos daqueles desejados, e menos contaminados pelas emoções negativas que motivaram a sua necessidade;

4. E agora, o cerne da questão, como expressar desagrado, de maneira assertiva, sem ser agressiva: O “Método do Hambúrguer”, técnica de Programação Neurolingüística (PNL) que sugere encapsular uma crítica – a carne do hambúrguer – entre dois comentários positivos – os dois pedaços de pão macio – é uma ótima dica. Devemos, entretanto, tomar os seguintes cuidados na aplicação dessa técnica:

a) Os elogios devem ser verdadeiros e não apenas fabricados para compor a técnica. Quem os faz deve acreditar naquilo que está sendo dito. Caso contrário, a expressão corporal e outros elementos da comunicação verbal irão, de alguma maneira, indicar alguma incongruência. Seus efeitos serão mais negativos do que positivos;

b) Se você não tem nada de favorável a falar a respeito daquela pessoa, provavelmente o problema é mais seu do que dela! Cada pessoa é única e valiosa, tem diversos talentos individuais e faz algo de positivo em algum contexto. Você é que ainda não lhe dedicou atenção suficiente. Converse com alguém que a conheça melhor, que conviva com ela. Observe você mesmo, com atenção e, muito provavelmente, encontrará diversos elogios reais dos quais ela é merecedora. Só então inclua esses comentários positivos nos pãezinhos do seu hambúrguer;

c) Os elogios iniciais podem dizer o que a pessoa faz bem e os elogios finais podem dizer, em sua opinião, o que a pessoa faz de melhor; e

d) A carne do hambúrguer – a expressão de desagrado – merece atenção especial. Os cursos de PNL de que participei inicialmente não me ajudaram nessa tarefa. Só descobri um caminho interessante durante algumas sessões de terapia cognitivo-comportamental que vivenciei periodicamente, a partir do ano 2000. Desde então, tenho utilizado uma sequencia de quatro passos proposta por Beck que inclui:

i) Explicitar o comportamento da outra pessoa que nos causa desagrado;

ii) Expor os nossos sentimentos a respeito desse comportamento;

iii) Propor o comportamento que desejamos que seja observado, no lugar daquele indesejado e, finalmente; e

iv) Explicitar para a outra pessoa as consequências positivas dessa mudança de comportamento, e as consequências negativas de se manter a situação atual.

Marshall Rosenberg propõe uma sequencia de quatro passos ligeiramente diferente, incluindo explicitar as nossas necessidades que não estão sendo atendidas com a situação atual ao invés de mencionar as consequências.

5. Nada nos garante que, após a nossa exposição, a outra pessoa irá mudar o seu comportamento na direção sugerida. E então, nesse caso, deveremos agir de acordo com as consequências negativas anunciadas em caso de manutenção da situação atual. E isso é fundamental. A pessoa deverá assumir as consequências de sua escolha.

Aqueles que desejarem saber mais a respeito do assunto FEEDBACK CONSTRUTIVO, que é como tenho chamado esse conjunto de procedimentos em meus cursos, palestras e artigos publicados, em uma sessão de Consultoria em Gestão Pessoal ou de Coaching Centrado em Valores, fiquem à vontade para entrar em contato.

Tenho observado que o desconhecimento dessa ferramenta de comunicação, complementado ou não pela presença de outras crenças limitantes que merecem ser identificadas e consideradas, que não dão permissão para que a pessoa tome determinadas atitudes saudáveis e ecológicas, é o que as impede de expressar seu desagrado, de maneira assertiva. E isso é um fator que contribui para a presença de desarmonia, desequilíbrio e, em ultima análise, de doença.

Pegando carona no provérbio persa, e brincando com as palavras e com a métrica do haicai, deixo essa reflexão final para essa tarde chuvosa, na expectativa de que o tempo melhore, para nos permitir observar, na noite escura que se aproxima, a ultima lua cheia do ano:

nossa fraqueza:
calar, quando o falar
é com justeza…

Eduardo Leal
Foto autor desconhecido

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