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Garrafa 426 – Acesso garantido   Leave a comment

Nas últimas semanas, vários amigos e amigas sofreram perdas de pessoas queridas.

Com muito pouco a ser dito nesses momentos, ofereço meu abraço e minha presença, mesmo que às vezes, pelas grandes distâncias envolvidas, apenas de maneira virtual e espiritual.

Para os que ficam, quase sempre uma sensação de que estão cada vez mais sós, é o que vejo e ouço em alguns comentários e me compadeço da sua dor, que é minha também.

Para os que se vão, quem sabe as coisas não ficam mais claras, quando vistas de um plano superior? Ou não?

Um sopro de vento suspira ao meu ouvido:

ao grande mistério,
garantido acesso,
no cemitério…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Cemitério visto do alto

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Garrafa 372 – Bem-te-vi atônito   1 comment

No terreno ao lado do nosso prédio, onde antes havia uma igrejinha evangélica, será construído um novo edifício, durante os próximos meses.

Nenhum preconceito contra o progresso, a construção civil, ou contra a oferta de novas moradias no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Apenas observações a respeito do que vejo da varanda.

Na entrada desse terreno, trazendo um pouco de saúde e bem-estar para quem tinha olhos para ver, havia um pequeno jardim, com grama, flores e algumas poucas árvores. Destacando-se entre elas, um pinheiro enorme, servia de abrigo e observatório para aves de todos os tipos que o frequentavam de passagem, ou como refúgio noturno em seu sono vigilante. Haveria algum pequeno ninho por lá? Meu amigo bem-te-vi costumava pousar no seu ponto mais alto para espalhar seu canto aos quatro ventos, nas primeiras horas da manhã…

Ontem, da varanda, acompanhado à distância por apenas outra moradora que viu tudo bem de perto, registrando algumas imagens com seu Tablet, assisti penalizado à derrubada desse pinheiro que, certamente, criava obstáculos ao bom desenvolvimento da futura obra. Homens chegaram silenciosos e, machado em punho, colocaram abaixo o pinheiro saudável e majestoso.

Sempre me entristeço ao ver cenas como essa, a derrubada de uma árvore, mesmo que seja por alguma causa que a justifique (confesso que tenho muita dificuldade para encontrá-las) e tudo isso feito com a devida autorização da Prefeitura. E não posso garantir que esse seja o caso. Espero que sim. Que tenha sido inevitável e que suas raízes e início do tronco sejam preservados, já que ainda lá permanecem, para permitir que a árvore cresça novamente e seja incorporada ao futuro jardim que, também espero, esteja presente na entrada do novo prédio. Quem sabe?

Hoje, como sempre faço, depois da meditação matinal, observei a paisagem da varanda, o céu sem nuvens e a passarada que costuma frequentar as árvores da vizinhança: Vários voos erráticos, pousos abortados de maneira frenética no que antes deveria ser um abrigo seguro e que agora é preenchido apenas pelo ar fresco da manhã de outono.

Espaço vazio! Bit zero! Nada! Picas! Porra nenhuma!

Posso imaginar seus cérebros pequeninos, sinapses em polvorosa, buscando explicações para o inexplicável e inesperado… Acompanhando seus voos confusos, e tentativas de pouso frustradas, também fiquei assim…

Pausa para um breve haicai:

pinheiro no chão
bem-te-vi atônito
onde compaixão?

Eduardo Leal
Fotos de Eduardo Leal

Bem-te-vi no topo do pinheiro em 30/03/2013

Bem-te-vi no topo do pinheiro em 30/03/2013

Início da derrubada do pinheiro

Início da derrubada do pinheiro

Preparação final da derrubada

Preparação final da derrubada

Pinheiro no chão...

Pinheiro no chão…

Garrafa 345 – Ao alcance da mão   Leave a comment

Nos últimos dias, andei às voltas com a leitura de um livro que me foi apresentado pela minha irmã, por conta de um projeto que estaremos iniciando nas próximas semanas. Trata dos princípios gerenciais que têm sido utilizados pela Ordem das Missionárias da Caridade, organização criada e gerenciada por Madre Teresa de Calcutá, a famosa freira albanesa que se estabeleceu nas favelas de Calcutá. Quando ela morreu, 47 anos depois de ter criado a ordem, ela estava operando 594 missões em mais de cem países, com cerca de um milhão de colaboradores.

Seu trabalho, que se refletiu em sua organização, foi fruto de sua Missão e Visão alinhadas com a idéia de “Servir aos mais pobres, entre os pobres…”

Essa prazerosa leitura tem me proporcionado algumas oportunidades de reflexão e uma citação em especial, atribuída a Madre Teresa, atraiu minha atenção logo nas primeiras páginas: “O amor é um fruto de todas as estações e está ao alcance de cada mão.”

Achei a metáfora genial e, brincando com a métrica de um breve haicai, escrevi ao pé da página:

frutos na sua mão,
em todas as estações:
amor, compaixão!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “Madre Teresa, CEO” de Ruma Bose e Lou Faust
Foto de autor desconhecido

Garrafa 262 – Grave decisão   1 comment

Algumas ostras “abraçam” o sofrimento e desconforto causados pela presença incômoda de um grão de areia no interior de sua concha, envolvendo-o em sucessivas camadas de acolhimento.

O resultado é uma pérola de amorosa beleza!

E isso é uma escolha!

grave decisão
minha ostra-coração
pérola ou não?

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 195 – A Dança da Vida   2 comments

Se você quiser fazer par com alguém na dança da vida, primeiro finque suas próprias raízes.
Aprenda a ouvir a sua orientação interior. Converse com a criança ferida e com o hóspede divino que moram dentro de você.
Pratique o perdão e a compaixão por si mesmo. Atenha-se à sua própria experiência e aprenda com ela. Entre no compasso da vida.
Não se feche para os outros, mas também não se desvie do seu caminho para encontrá-los.
Aqueles que sabem dançar encontrarão você no meio do caminho.

Não será uma luta. Você encontrará companhia sem precisar fazer esforço algum.

É assim que deve ser.

Paul Ferrini – O Silêncio do Coração
Imagem de Edward Munch – A Dança da Vida

Garrafa 187 – Do fundo do coração   Leave a comment

O que eu quero em minha vida é compaixão,
um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua,
do fundo do coração.

Marshall B. Rosenberg
Foto de autor desconhecido

Garrafa 73 – Ilusão de ótica   1 comment

O ser humano é parte de um todo que chamamos de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço.

Ele vê a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, uma espécie de ilusão de ótica da sua consciência.

Essa ilusão de ótica é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos e afeições pessoais.

Nossa tarefa é nos libertar dessa prisão, aumentando a amplitude de nossa compaixão, para abarcar todas as criaturas vivas e toda a Natureza em sua beleza.

Albert Einstein
Ilustração de autor desconhecido

Ilusão de ótica

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