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Garrafa 531 – Um país à beira do abismo 2   Leave a comment

MINHA DECLARAÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE DO BRASIL EM 2018

Vamos direto ao ponto: meu voto é em Jair Bolsonaro, o único candidato com coragem moral e ousadia suficientes que, além de não estar implicado nas investigações da Operação Lava Jato, conta com o apoio da maioria da população, e tem a disposição necessária para enfrentar essa situação de beira do abismo, perigosamente do lado esquerdo dessa ponte sem corrimão que pode levar o nosso país a despencar no precipício de uma ditadura do proletariado de modelo cubano.

Este não é o tipo de país que desejo que nossa geração deixe de legado para nossos filhos e netos, geração essa que é responsável pela situação em que vivemos e, também, pelas escolhas e implementação das mudanças que ainda são possíveis. O futuro do país estará em nossas mãos, mais precisamente na ponta dos nossos dedos, ao apertarmos os botões nessas urnas eletrônicas nas eleições de amanha.

O momento exige uma guinada forte à direita, e rápido!

Estou apenas sendo congruente com as ideias que já expus na Garrafa 510 – O Caminho do Meio na Política, postado em 2016, e em minha declaração de voto nas ultimas eleições municipais que consta da Garrafa 507 – Eleições Municipais de Outubro de 2016.

Apresento a seguir, mais uma vez, minhas razões. E o faço sem esperança de mudar a opinião de ninguém que pense de maneira diferente, neste ultimo dia de campanha eleitoral, mas para mostrar claramente para as pessoas que pensam como eu que elas não estão sozinhas.

Comentários sobre Candidatos de Partidos integrantes do Foro de São Paulo:

Nunca votei em candidatos do Partido dos Trabalhadores – PT (Lula e Dilma) para o Executivo Federal, nem em outros candidatos desse “partido” para cargos do Executivo Estadual, Executivo Municipal, ou do Legislativo (Federal/Estadual ou Municipal). E nunca o farei! É o partido que recebeu o maior volume de recursos de empresas envolvidas na operação Lava Jato (mais de 131 Milhões) e com cerca de 20 políticos implicados. Há processos envolvendo doze deputados federais, quatro senadores, três ex-ministros e um governador.

Haddad? Não merece maiores comentários, acusado que é pelo Ministério Público de São Paulo de “Enriquecimento ilícito”, “Dano ao erário” e de “Improbidade administrativa” em dezenas de processos. Tudo isso, além é claro do fato de ser apenas um fantoche e capacho do canalha do Lula que, por sua vez, está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, condenado a doze anos e um mês de cadeia apenas no primeiro dos diversos processos que pesam contra ele. Outras seis acusações ainda serão julgadas no futuro e desejo firmemente que não saia da cadeia nunca mais. A recentemente divulgada delação premiada de seu antigo comparsa Palocci contem material para qualquer pessoa de bom senso ficar estarrecida, isto sem contar com as outras delações já conhecidas de integrantes das empresas corruptoras/corruptas do porte da Odebrecht, JBS, etc. O “anjinho que não sabia de nada”, segundo suas próprias declarações e alegações de sua defesa, na verdade sabia e sabe de tudo e continua comandando sua organização criminosa travestida de partido político de dentro da cadeia, com o inestimável apoio e atitude de leniência com o crime organizado de boa parte da nossa “justiça” e a militância de seus comparsas, é claro. Em que outro país decente isso acontece? Que eu saiba em nenhum outro! Campanha política comandada de dentro da cadeia? Desconheço e, ao mesmo tempo, me entristeço. E há quem vote nas indicações desse traste! Os estúpidos, os ingênuos e as pessoas de má-fé de sempre. Consta da delação do Palocci que o criminoso condenado costuma se referir ao povo brasileiro, quando está apenas cercado de integrantes da sua quadrilha como sendo “um bando de otários e filhos da puta”. No caso dos seus eleitores, isso faz sentido. Os otários seriam os estúpidos e os ingênuos, e os filhos da puta seriam as pessoas de má-fé e os hipócritas que, usando a liberdade de expressão que ainda temos, defendem a implantação no país do modelo restritivo de liberdades existente em Cuba, a ditadura mas antiga das Américas…

Não voto em candidatos de partidos que participam do Foro de São Paulo. Portanto, além dos candidatos do PT, nunca votei e nem votarei em candidatos dos seguintes “partidos”:

  • Partido Democrático Trabalhista – PDT (Ciro Gomes é um jagunço de gravata. Responde a mais de 70 processos no Tribunal de Justiça do Ceará, em sua maioria ações civis que pedem indenização por danos morais, além de queixas criminais por calúnia, injúria e difamação.  Por falar nisso, “cadela no cio” ele sabe muito bem quem é! Causa-me espanto que sua declaração de que “o papel mais importante que sua ex-mulher (a atriz global Patricia Pilar) tinha desempenhado até então era o de dormir com ele”, não seja usado omo um exemplo claro do tipo de machismo que as feministas que apoiam sua candidatura dizem combater. Busca o apoio de partidos e eleitores de esquerda e pretende ser um dos beneficiários do “espólio político” do Lula. Disse em entrevista que o ex-presidente presidiário só será solto se ele for eleito presidente. Pode? O seu partido recebeu recursos da ordem de de 5,5 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato. Tem como candidata a vice na sua chapa a Katia Abreu, que foi ministra e defensora do desgoverno Dilma, o que também é atestado de péssimos antecedentes);
  • Partido Comunista do Brasil – PC do B (não tem candidato próprio, mas a “sem noção” da Manuela D’ Ávila é candidata a vice na chapa do Haddad, o que também é atestado de péssimos antecedentes. O partido recebeu recursos da ordem de de 4 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato e tem um deputado e uma senadora implicados);
  • Partido Comunista Brasileiro – PCB (não tem candidato próprio, mas apoia o candidato do PSOL, que merecerá comentários em um parágrafo adiante);
  • Partido Pátria Livre – PPL (João Goulart Filho tem como candidato a vice Léo da Silva Alves – Quem? O que? Onde? Quando? O partido recebeu recursos da ordem de de 25 Mil de empresas envolvidas na Lava Jato);
  • Partido Popular Socialista – PPS (não tem candidato próprio e, no site do partido, parece que não vai haver nenhuma disputa para eleição de um presidente da república… O partido recebeu recursos da ordem de de 1 Milhão de empresas envolvidas na Lava Jato e tem um deputado federal implicado)
  • Partido Socialista Brasileiro – PSB (não tem candidato próprio e, em acordo com o PT, para não beneficiar o candidato do PDT, teria se declarado “neutro”, não apoiando abertamente nenhum dos outros candidatos do Foro. O partido recebeu recursos da ordem de de 21,7 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato e possui dois senadores e dois deputados implicados).

Foro de São Paulo – O que é?

Para quem ainda não sabe, essa organização criminosa (na minha opinião) denominada Foro de São Paulo foi criada em julho de 1990, com o apoio de Fidel Castro e Lula, entre outros idiotas (uso aqui o enquadramento como idiota proposto nos dois brilhantes livros prefaciados pelo Premio Nobel de Literatura, o peruano Mário Vargas Llosa “Manual do perfeito idiota latino-americano” e “A volta do idiota”, cuja leitura recomendo com empenho), com o propósito de transformar os países latino-americanos que ainda não o são em ditaduras de esquerda de modelo cubano. Esse “projeto”  já está em curso com grande sucesso na Venezuela, e com menor grau de êxito em outros países do continente americano, inclusive aqui no Brasil, para minha tristeza. Participam desse organismo partidos de esquerda da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e, é claro, da Venezuela.

No caso brasileiro, esses partidos de esquerda são:

1. Partido Democrático Trabalhista (PDT)
2. Partido Comunista do Brasil (PC do B)
3. Partido Comunista Brasileiro (PCB)
4. Partido Pátria Livre (PPL)
5. Partido Popular Socialista (PPS)
6. Partido Socialista Brasileiro (PSB) e
7. Partido dos Trabalhadores (PT)

O modelo de tomada do poder sugerido pela Direção do Foro de São Paulo e que portanto é seguido pelos “partidos” indicados acima é, em grande medida, inspirado em ideias que surgiram a partir da primeira metade do Século XX e que foram propostas por Antônio Gramsci, que foi filiado ao Partido Socialista Italiano e, posteriormente, participou da criação do Partido Comunista Italiano, chegando a assumir a sua liderança. De maneira bastante simplificada, para lidar com a cultura existente nas democracias ocidentais, além da ênfase na influência exercida pelos “intelectuais de esquerda” em aspectos relacionados à “educação da sociedade”, ele propôs a assunção do poder pelas urnas, “fazer o diabo” para se manter no poder (para usar uma expressão utilizada pelo ex-presidente Lula e amplamente adotada pelos lideres, militantes e simpatizantes do PT) e, progressivamente, ir propondo e aprovando alterações na Constituição e na legislação decorrente para que o regime vigente se aproxime progressivamente de um modelo socialista e comunista (estatizante, ditatorial e restritivo de liberdades). Para isso é necessário ir corrompendo o legislativo para aprovação das matérias de seu interesse (vide Mensalão), e promovendo o aparelhamento da mais alta Corte do Judiciário com pessoas simpatizantes de suas bandeiras (para livrar a cara de integrantes de sua “quadrilha” cuja existência nunca é admitida pois simplesmente “ninguém sabia de nada do que estava acontecendo” nas antessalas e gabinetes de integrantes do Executivo e Legislativo), enquanto algumas instâncias da polícia e do próprio judiciário ainda funcionam (de maneira cada vez mais precária).

Qualquer semelhança com o processo utilizado na Venezuela e atualmente em curso no Brasil não é mera coincidência. Em alinhamento com esse plano sinistro, o canalha do José Dirceu, acaba de declarar em entrevista ao jornal espanhol  El País que a tomada do poder no Brasil por sua quadrilha de malfeitores é apenas uma questão de tempo. Desejo firmemente que isso nunca aconteça e esse projeto idiota sempre receberá minha oposição e resistência ferrenhas. Essa é a principal razão para declarar publicamente meus votos a cada eleição, como estou fazendo mais uma vez agora.

Uma das estratégias adotadas em caráter permanente por seus integrantes é simplesmente a da mentira descarada (omitindo e distorcendo os fatos quando a realidade não se ajusta ao seu projeto de tomada e manutenção no poder). Simples assim: se o resultado do julgamento do Processo do Mensalão não nos favorece, vamos negar que ele tenha existido, apesar da colossal quantidade de evidencias e provas colocadas à disposição da justiça e que resultaram na condenação da maior parte dos réus, e vamos “recontar e reescrever essa história” quando assumirmos o controle total do país, especialmente de todos os seus meios de comunicação (de preferencia, eliminando imediatamente essa indesejável área de “jornalismo investigativo” ainda existente em alguns veículos de comunicação, que sempre acaba descobrindo e divulgando as mentiras e atitudes hipócritas de alguns governantes e de integrantes de todas as áreas e setores de uma sociedade ainda livre e democrática).

No caso específico do PT, que esteve no poder em nosso país por cerca de treze anos, apenas mais um comentário: considero que um partido que tem um ex-presidente da república cumprindo pena, e cuja cúpula dirigente (os quatro últimos presidentes do partido e respectivos tesoureiros) também se encontra na cadeia, ou cumprindo pena em regime semiaberto, transformou-se em uma verdadeira quadrilha e deveria ser extinto e começar de novo do zero. Tudo isso aconteceu depois de vários julgamentos conduzidos em várias instâncias até chegar à mais alta Corte da Justiça (o Supremo Tribunal Federal, antes do aprofundamento do seu aparelhamento ideológico no caso do Mensalão, e depois, no caso do Petrolão), com amplo direito de defesa de todos os réus, que contrataram os melhores advogados do país (pagos a peso de ouro e provavelmente, por vias transversas, financiados com dinheiro dos nossos infelizes contribuintes, haja vista a enorme quantidade de desvios e falcatruas que continuam a aparecer até hoje no noticiário diário.  Se o partido não for (e não será) extinto por uma legislação eleitoral que não prevê essa situação, deveria sê-lo por iniciativa de seus próprios correligionários, se tivessem um pingo de bom senso, vergonha na cara e identificação com valores éticos. Infelizmente esse não é o caso.

Comentários sobre Outras Candidaturas de Esquerda:

Um partido cujo espectro político é tido como de esquerda e extrema esquerda, e que adota a estratégia de não participar do Foro de São Paulo (um simulacro para se apresentar como “esquerda vegetariana” quando na verdade é “esquerda carnívora” até a raiz dos cabelos), e cujos candidatos também não contam com meu voto é o Partido Socialismo e Liberdade – PSOL. O nome do partido já contém uma curiosa contradição uma vez que, historicamente, a primeira coisa que os socialistas fazem ao assumir definitivamente o poder é inicialmente restringir e em seguida simplesmente eliminar a liberdade de expressão e de locomoção das pessoas. A mesma “brincadeirinha” é feita pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB  que também usa como slogan “Socialismo e Liberdade”. Piada de péssimo gosto, como aquela feita pela antiga Alemanha Oriental (Comunista e fantoche da ex-União Soviética) de se intitular de República Democrática Alemã. Democracia é o cacete! Liberdade é o cacete! A ala de estrema esquerda do PSOL ainda aposta em algum tipo de revolução violenta como forma de tomada do poder, ao invés do modelo proposto por Gramsci, e adotado pela maioria dos atuais partidos de esquerda latino-americanos. A aproximação de políticos do PSOL, especialmente no Rio de Janeiro, com movimentos do tipo Black Blocs, como foi amplamente denunciado na imprensa (apoiando e patrocinando ações de depredação de patrimônio público e privado, que tumultuaram as manifestações públicas pacíficas por mudanças que emergiram em todo o país, há algum tempo atrás, e oferecendo ajuda para defesa de seus manifestantes eventualmente presos durante os tumultos) é um claro sintoma da maneira de pensar de alguns de seus integrantes. Não é portanto surpresa que o candidato à presidência do PSOL seja o recém filiado (março de 2018) e perfeito idiota do Guilherme Boulos. Suas qualificações estão certamente, na visão desse partido, o fato de ter ingressado no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, em 2002, e de participar de sua “Coordenação Nacional”. Por conta dessa atuação, já foi preso acusado de cometer desobediência judicial e incitação à violência. O MTST foi organizado, a partir de 1987, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, para atuar nas grandes cidades. Sim, o MST, aquele mesmo movimento que  doutrina crianças e jovens com suas “cartilhas” e prepara seus integrantes para ações de invasão de terras e propriedades privadas e para a luta armada no campo.  A candidata a vice pelo PSOL é a “líder indígena” Sônia Guajajara.

O nanico Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU tem como candidata Vera Lucia Salgado, que foi uma de suas fundadoras  e já foi filiada anteriormente ao PT. É sindicalista ligada à CUT e tem concorrido a diversos cargos desde 2002, sem nunca ter vencido uma eleição. O site do partido contém erros grosseiros de português, e seu veículo de comunicação, o “Opinião Socialista”, não passa de um panfleto marxista-leninista, pregando uma revolução operaria. O candidato a vice é Hertz Dias.

Marina Silva é a candidata da Rede Sustentabilidade, partido que foi fundado em 2013  por pessoas que já tinham sido filiadas ao PT, PSOL, PV, PCB e PPS, incluindo ex-guerrilheiros que participaram de sequestros e da luta armada durante os governos militares. Pelo fato do partido recém criado não conseguir o numero de assinaturas para concorrer oficialmente às eleições de 2014, foi estabelecida uma aliança estratégica com quem? Com o PSB, integrante do Foro de São Paulo, o que já representava naquela época, pelo menos para mim, um atestado de péssimos antecedentes de seus integrantes. O partido recebeu seu reconhecimento definitivo a partir de 2015 e, apesar de ter uma aparência de modernidade e buscar um discurso e retórica renovadores, pelo passado e afiliações anteriores das pessoas envolvidas, tudo isso me parece mais do mesmo modelo que identifico com o máximo de atraso em termos de desenvolvimento econômico e social. E com altíssimo risco de perda de LIBERDADE (valor inegociável) de acordo com diversas iniciativas com as quais esse partido volta e meia se alinha, ora por conveniência, ora por convicção, apesar das promessas e discursos demagógicos e moralizantes utilizados nas atuais promessas de campanha. Seu candidato a vice é  Eduardo Jorge,  que já disputou a Presidência em 2014, e é filiado ao único partido aliado à Rede, o Partido Verde – PV, que recebeu recursos da ordem de de 1,2 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato.

O Geraldo Alckmin é o candidato do PSDB e do Fernando Henrique Cardoso, que é um Lula com diploma universitário e um dedo a mais. São amigos, Lula e FHC e compartilham as mesmas crenças e valores há décadas. O ciclo de governos do PSDB e do PT durou 21 anos e é uma das razões para nos encontrarmos, em termos ideológicos à beira do precipício de uma ditadura de esquerda nos dias atuais. Diversos dispositivos foram sendo incorporados à nossa legislação, de acordo com o modelo proposto pelo Foro de São Paulo, de modo a tornar o país mais próximo possível, em termos de arcabouço legal, do de uma republiqueta socialista. Isso foi acontecendo progressivamente, a ponto da pateta da Jandira Feghali  (do PC do B) dizer que só faltava trocar a nossa bandeira por outra de cor vermelha, com o símbolo da foice e o martelo e, ouso imaginar, trocar também o hino nacional por uma versão funk da “Internacional Socialista”, que a Daniela Mercury certamente adoraria receber muito dinheiro para cantar. Em tempo: Nunca votei no FHC e tive sempre sérias restrições à sua “Diplomacia Presidencial” que iniciou a fase de desprestígio crescente do Itamarati, agravada nos desgovernos de Lula e Dilma, e à maneira com que Fernando Henrique tratou os integrantes das Forças Armadas ao escolher pessoas desqualificadas para assumir o Ministério da Defesa, e pelos arrochos (salarial e orçamentário) a que foram submetidas as três Forças. Reconheço, sim, o legado de FHC em assuntos econômicos, apesar de discordar da maneira com que foram conduzidas algumas privatizações em setores estratégicos. Votei sim no canalha do Aécio Neves, no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, como ultimo recurso para evitar a reeleição da histérica da Dilma, um mal muito maior. Como afirmei em minha declaração de voto que consta da Garrafa 490 – Um país à beira do abismo, o fiz apesar das sérias restrições que tinha ao seu candidato a vice-presidente por sua militância e atuação em ações de guerrilha, que já tinham como propósito, desde aquela época, instalar uma ditadura de esquerda no país. Fico estarrecido ao constatar que ainda haja mineiros dispostos a votar no Aécio, depois dos escândalos envolvendo o senador que foram divulgados amplamente pelos diversos meios de comunicação, e pasmo ao constatar que a candidatura da Dilma ao Senado, por Minas Gerais, também possa ser conquistada com a ajuda desse mesmo bando de idiotas. Alckmin tem recebido o apoio dos cinco partidos que compõem o chamado Centrão (PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade), além de PTB, PPS e PSD e, apesar de contar com cerca 40% do tempo da propaganda eleitoral em rádio e TV, só alcança cerca de 7% das intenções de voto, segundo diversas pesquisas eleitorais. Sua candidata a vice é a senadora Ana Amélia do PP-RS. O partido recebeu recursos da ordem de de 68,2   Milhões (só perde para o PT) de empresas envolvidas na Lava Jato e possui 11 políticos implicados, sendo um ministro, sete senadores e três deputados federais implicados.

Henrique Meirelles, filiado apenas a partir de abril de 2018, é o candidato do Movimento Democrático Brasileiro – MDB, novo nome do PMDB, desde o fim do ano passado, partido que não disputa eleição para presidente com candidato próprio há 24 anos, mas compartilha ou exerce efetivamente o poder de governar e legislar há décadas. É, certamente, um dos partidos com maior responsabilidade pela atual situação do país em termos ideológicos e econômicos. O partido recebeu recursos da ordem de de 64,7 Milhões de empresas envolvidas na Lava Jato (o terceiro, depois do PT e do PSDB) e tem 19 políticos implicados, entre eles o atual presidente da republica que assumiu depois do impedimento da Dilma, três ministros, o atual presidente do senado, seis senadores, um ex-senador, três deputados federais,  dois governadores e o ex-prefeito do Rio. O candidato foi ex-presidente do Banco Central durante os governos de Lula e ex-ministro da Fazenda do governo Temer. Ele é competente em termos de economia? Não tenho dúvidas! Mas há outros com experiência igual ou maior e que não tenham servido a um projeto tão prejudicial ao país, a médio e longo prazos, como o levado a efeito nesse ciclo de mais de duas décadas de governos do PSDB e do PT. Conta como aliado apenas ao nanico Partido Humanista da Solidariedade – PHS, que recebeu recursos da ordem de 60 Mil de empresas envolvidas na Lava Jato. Meirelles, que já foi deputado federal pelo PSDB, antes de fazer parte do governo Lula, tem como candidato a vice o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto.

Tendo apresentado o cenário atual com o envolvimento dos partidos com candidatos de espectro de esquerda, apresento a seguir minha visão sobre essa escolha ideológica.

 Minha breve visão sobre o Comunismo e o Socialismo:

Penso que as propostas da ideologia comunista e socialista provaram ser um flagrante fracasso, testadas que foram à exaustão desde o início do Século XX com a revolução russa, passando pelas revoluções chinesa, cubana, vietnamita, coreana, etc. e, após a Segunda Guerra Mundial, também nos países da cortina de ferro (leste europeu) que a União Soviética invadiu e tomou posse, sem nenhuma cerimônia. A meu ver, nada pode ser maior sinônimo de atraso, neste início de Século XXI, do que essas tentativas de reviver o modelo comunista e socialista no nosso continente, usando como modelo a ditadura sangrenta cubana. E essas pessoas que abraçam esse projeto ainda se dizem “progressistas” e chamam de “reacionários” quem quer que ouse discordar desses disparates e idiotices. O socialismo é o que o socialismo faz e não o que ele diz que vai fazer. A meu ver, claro retrocesso em direção a fórmulas já testadas e fracassadas.

Perguntinha inconveniente: no caso da queda do muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas metades durante décadas (vivi na Alemanha Ocidental durante parte do final dos anos 80 e vi muito bem o que estava acontecendo), os comunistas e socialistas estavam de que lado do muro? Do lado das pessoas que o derrubaram? Ou do lado das pessoas que, o tendo construído, não conseguiram mais esconder as mazelas e a situação de miséria e indigência de suas populações, em contraste com as democracias ocidentais?

Independentemente de números econômicos e indicadores sociais, o valor que deve estar entre os mais apreciados pra qualquer pessoa realmente interessada em promover o desenvolvimento e a elevação do nível de consciência das pessoas é a LIBERDADE! E sabemos muito bem que esse é o primeiro item suprimido nessas funestas experiências comunistas e socialistas, em nome do controle. O discurso é de igualdade, mas a prática é a de tentativa de controle do incontrolável, de restrição de liberdade para tentativa de controle do espírito humano livre!

Depois de todo esse palavrório, e as reflexões correspondentes, constato que todas as alternativas de esquerda propostas acima me soam e cheiram muito mal e, portanto, não atendem aos meus requisitos mínimos e não as tornam merecedoras do meu voto!

A Única Candidatura que se Autodenomina como sendo de Centro:

Alvaro Dias, ex-governador do Paraná e senador em terceiro mandato é o candidato do Podemos – PODE e concorre à Presidência pela primeira vez. Esse é o novo nome do Partido Trabalhista Nacional – PTN que recebeu recursos da ordem de 690 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não possui políticos implicados. Apresenta um discurso de “refundação da República” e na promessa de que convidará o juiz federal Sergio Moro para ser seu ministro da Justiça.  O candidato é mais conhecido no sul do país e conta com apenas 1% de intenções de voto, segundo pesquisas. O candidato a vice é Paulo Rabello de Castro, do Partido Social Cristão – PSC, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além do PSC, estabeleceu alianças também com os nanicos Partido Republicano Progressista – PRP, que recebeu recursos da ordem de 36 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, e não tem políticos implicados, e o Partido Trabalhista Cristão – PTC, que recebeu recursos da ordem de 250 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato e tem implicado o senador Fernando Collor. Embora seja simpático a posições de centro, que se mantenham em posição equidistante dos extremos da direita e da esquerda, como estamos no final de um ciclo de mais de vinte anos de guinada para a esquerda, para nos aproximarmos de uma posição central, para o país seguir em frente com segurança, serão necessários pelo menos vinte anos de uma guinada franca em direção à direita para chegarmos lá. Talvez possa votar em algum candidato desse tipo de legenda, nesse futuro de longo prazo. Agora, nem pensar!

Comentários sobre as Duas Únicas Candidaturas de Direita Disponíveis:

João Amoêdo fundou o Partido Novo em 2011 e disputa a Presidência da República pela primeira vez. É ex-executivo dos bancos Unibanco e Itaú-BBA, e se apresenta com um discurso liberal e favorável a privatizações. Dispôs de apenas cinco segundos no horário eleitoral e não teve direito a participar de debates na TV aberta. O partido apostou na campanha via redes sociais para se apresentar ao eleitor. Entretanto, o candidato teria apenas 2% das intenções de voto, segundo algumas pesquisas. Seu candidato a vice é o cientista político Christian Lohbauer. Já votei em candidatos desse partido em eleições anteriores, especialmente para o governo do Estado do Rio de Janeiro, e confesso que pensei em me filiar ao Novo, na época do impedimento da Dilma. O partido não recebeu um tostão de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, nem possui políticos implicados uma vez que o critério ficha-limpa é é utilizado tanto para filiações quanto para candidaturas. Concordo com várias propostas da plataforma do partido, mas já identifico algumas disputas e dissidências internas importantes, tanto entre os seus fundadores como entre candidatos o que indica um ambiente com sinergia positiva reduzida. No atual momento, em que me parece que temos uma unica bala de prata para matar vários vampiros ao mesmo tempo (temos que colocá-los em fila e atirar uma vez só), em que as maiores chances de reversão desse quadro sinistro de beira do abismo é a de uma vitória do outro candidato de direita já no primeiro turno, pois no segundo essas urnas eletrônicas não merecem a minha confiança (vide a disputa Dilma Aécio há quatro anos atrás), os candidatos desse partido não contarão com meu voto nestas eleições.

Jair Bolsonaro,  o Capitão da reserva do Exército Brasileiro e deputado federal eleito com o maior numero de votos no Estado do Rio de Janeiro pelo Partido Progressista – PP, nas ultimas eleições é o candidato do Partido Social Liberal – PSL. Esta ultima legenda recebeu recursos da ordem de 373 Mil de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não possui nenhum político implicado. Já o PP recebeu recursos da ordem de 14 Milhões de empresas envolvidas na Operação Lava Jato e possui 10 políticos implicados, sendo três senadores, seis deputados federais  e uma prefeita. Bolsonaro lidera todas as pesquisas de intenção de voto à Presidência, havendo uma chance real de se eleger ainda no primeiro turno. Isso, enfrentando oposição ferrenha e patrulhamento da mídia, de artistas e pretensos “intelectuais”, além de todos os partidos de esquerda, que sabotaram sistematicamente e procuraram desqualificar praticamente todas as suas iniciativas e projetos, desde que assumiu o primeiro mandato de deputado federal. É conhecido por suas posições em defesa da família, da soberania nacional, do direito à propriedade e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Todos os hipócritas que cruzaram seu caminho foram sistematicamente desmascarados, nos corredores, no ambiente das comissões parlamentares e no plenário do Congresso, em todas as oportunidades que se apresentaram com discurso firme e olho no olho. Ficha limpa, é um dos poucos políticos que, após sete mandatos,  não tem seu nome associado aos desvios e falcatruas que, infelizmente, são costumeiros na prática política brasileira. Destacou-se, também, na luta contra a erotização infantil nas escolas e por um maior rigor disciplinar nesses estabelecimentos, pela redução da maioridade penal, pelo armamento do cidadão de bem e direito à legítima defesa, pela segurança jurídica na atuação policial e pelos valores cristãos. Foi idealizador do voto impresso, que certamente poderá contribuir para a realização de eleições mais confiáveis e passíveis de auditagem, no futuro. Depois de algumas negociações pela indicação de seu companheiro de chapa, que não prosperaram, (senador Magno Malta (PR-ES), a advogada Janaina Paschoal, e o “príncipe” Luiz Philippe de Orleans e Bragança) seu candidato a vice é o general da reserva Hamilton Mourão, do nanico Partido Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB que é a única aliança do PSL. O PRTB recebeu recursos da ordem de 1,4 Milhões de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, mas não tem nenhum político implicado.

Tendo dito tudo isto, e é o que penso e sinto, e sinto muito, reitero meu voto em Jair Bolsonaro para Presidente do Brasil.

Ele é o único candidato com coragem moral e ousadia suficientes que, além de não estar implicado nas investigações da Operação Lava Jato, conta com o apoio da maioria da população, e tem a disposição necessária para enfrentar essa situação de beira do abismo, perigosamente do lado esquerdo dessa ponte sem corrimão que pode levar o nosso país a despencar no precipício de uma ditadura do proletariado de modelo cubano.

Cuba e Venezuela não são modelos de democracia nem aqui nem na China! São ditaduras sangrentas!

Convido os amigos a uma leitura do artigo postado na Garrafa 461 – O Conceito de Reenquadramento que, a meu juízo, é amplamente utilizado de maneira destrutiva pelos integrantes, militantes e simpatizantes dos partidos filiados ao Foro de São Paulo, especialmente os do PT.

É hora da onda verde e amarela engolir essa marola vermelha que ameaça nossa sociedade e sua ainda frágil democracia.

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

urna-eletronica

Garrafa 491 – Muro de Berlim X Muro da Cisjordânia   2 comments

O Muro de Berlim foi um monumento à estupidez construído pelo regime comunista instalado na República “Democrática” Alemã (piada de péssimo gosto dos dirigentes da Alemanha Oriental) logo após o término da segunda guerra mundial. Foi derrubado há 25 anos atrás, em 09/11/1989. O vídeo apresentado ao final do post, elaborado pela rede de televisão da República Federal da Alemanha, em uma época em que o muro ainda não tinha sido derrubado, é bastante ilustrativo a respeito da quantidade de esforço e energia que eram empregados pelos comunistas na manutenção desse disparate.

Outro muro desse mesmo tipo, que tem 250 quilômetros de extensão e inda permanece de pé, é aquele que separa as duas Coreias, a do Norte (República “Democrática” Popular da Coreia) que é considerada uma ditadura totalitarista stalinista, e a do Sul (República da Coreia), ao longo do Paralelo 38, a faixa de terra que divide a península coreana em dois países.

Infelizmente, lições que deveriam ser cristalinas a respeito do tipo de consequências que a opção política e ideológica pelo comunismo e socialismo têm sido desprezadas por parcelas significativas da população do nosso país: onde quer que esses regimes tenham sido implantados, produziram sociedades tristes, infantilizadas e oprimidas. Os motivos, imagino, passam pela ignorância dos iletrados, a simples estupidez de quem lê a respeito e é incapaz de entender o que leu (os analfabetos funcionais), a ingenuidade de alguns outros bem-intencionados seduzidos por promessas de igualdade e políticas sociais mais justas, esquecendo-se de que terão que pagar o preço inaceitável de redução significativa seguido de completa eliminação de sua própria liberdade, ou a velha má-fé mesmo.

Imagino, também, que os diretores das empreiteiras presos na “Operação Lava-jato” estejam loucos para construir muros similares aqui no Brasil, certamente com despesas superfaturadas, caso o projeto de poder de inspiração cubana levado a efeito pelo atual partido governista seja bem-sucedido. Uma ideia idiota como essa, seja de construção ao longo de nossas fronteiras terrestres, de 16.886 quilômetros, seja internamente, em algum tipo de divisão promovida pelos atuais dirigentes, em caso de guerra civil, certamente seria uma obra com dimensões suficientes para encher os bolsos de muita gente desse grupo de dirigentes, parlamentares e empresários que, diariamente, transita pelo noticiário ora político, ora policial. É a possibilidade de mais um encontro perfeito entre corruptos e corruptores, em que fica cada vez mais difícil distinguir quem exatamente exerce cada um dos dois papeis complementares. Espero estar morto antes de ver um muro desse tipo ser erguido aqui no nosso país. Enquanto houver um sopro de vida em meu corpo, atuarei com todas as minhas forças e recursos à minha disposição para contribuir para evitar que isso se torne realidade.

Refletindo nas ultimas semanas a respeito da construção ou derrubada de muros de diversos tipos, após conversas com amigos que aparentemente defendem a ideia romântica de “abaixo todos os muros” (especialmente daquele localizado no barril de pólvora do oriente médio), mas ao mesmo tempo bem longe de quem diz que “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos”, fiz para mim mesmo o breve resumo que apresento abaixo.

Não me considero seguidor de nenhuma religião formal. Minha atividade que pode ser chamada de “espiritual” se resume à prática meditativa diária, além de algumas ações de contribuição, normalmente doando parte do meu tempo e energia em prol de algumas causas que julgo valiosas nas áreas de educação e de desenvolvimento pessoal. Já atendi pessoas gratuitamente mas, ultimamente, para que elas sintam que estão investindo mesmo que seja um valor mínimo, prefiro receber apenas alguns valores simbólicos de quem acredita que posso realmente ajudar, me pede apoio e, momentaneamente não dispõe de recursos para investir no próprio processo de aprendizado. Entretanto, tenho simpatia pela filosofia e sabedoria embutidas em algumas escrituras a que pude ter acesso, da maioria das principais tradições religiosas (Cristã, Judaica, Muçulmana, Espírita, Budista e Hinduísta). A ideia do “Caminho do meio”, da religião budista, é um tópico dentro desse conjunto de conceitos que faz muito sentido pra mim. As generalizações absolutas do tipo sempre/nunca; tudo/nada são normalmente problemáticas e sinto que a virtude se encontra em algum ponto intermediário que procura incluir as demandas e justificativas posicionadas no amplo espectro de opiniões entre ambos os extremos de algum tema importante. E meu interesse pela Abordagem Integral proposta por Ken Wilber também me leva a examinar cada assunto de vários pontos de vista diferentes (quadrantes, níveis, linhas, tipos e estados). A partir disso, penso as ideias simplistas do tipo “abaixo todos os muros” e “temos sempre que construir muros e barreiras cada vez mais altas para proteção contra nossos inimigos” não se sustentam por muito tempo.

Tenho muito claro que todos aqueles muros construídos e mantidos por ditadores e que servem principalmente para impedir que uma população inteira seja impedida de exercer seu direito de sair livremente de onde está, em busca de outras oportunidades mais alinhadas com seu conjunto de crenças e valores, esses muros devem sim ser derrubados sem demora (esse foi, a meu juízo, o caso do muro de Berlim). Não passa pela cabeça de ninguém de bom senso que o muro de Berlim servisse para impedir uma invasão de populações inteiras do lado ocidental em busca dos “benefícios” encontrados no regime comunista oriental, podendo causar um colapso de sua economia. Por outro lado, os muros das penitenciárias que mantem isolados cumprindo pena por crimes hediondos, depois de julgados e condenados em processos que lhes permitiram ampla defesa, indivíduos que demonstraram claramente que não têm condições de conviver em sociedade sem colocar a segurança de pessoas inocentes em sério risco, esses muros devem ser mantidos sim. E alguns outros tipos de muros que possam servir de barreira de proteção contra ataques declarados e intenções hostis contra pessoas ou populações inteiras, ameaçadas que são de aniquilação total por algum tipo de adversário, rival ou inimigo (seja por questões raciais, religiosas, ideológicas, econômicas ou por qualquer outro motivo), podem ser necessários e até mesmo indispensáveis, sob pena de enquadramento de suas lideranças em crime de responsabilidade com relação à segurança de suas respectivas populações. O Estado de Israel, por exemplo, está cercado por inimigos declarados que fomentam sua completa aniquilação e, por algum tempo, posso entender que medidas extremas de proteção possam e devam ser adotadas nessas circunstâncias especiais. Mas confesso que não estive por lá para ver pessoalmente o que realmente acontece, como no caso de minha experiência de vida na Alemanha. Mas os bons livros de história contemporânea estão à nossa disposição para consultas eventuais, e já os li, e procuro me manter bastante atualizado a respeito. Não passa pela cabeça de ninguém esclarecido, também, que os holandeses pretendam abrir mão dos muros e barreiras que construíram ao longo de muito tempo e que os protegem temporariamente contra a fúria do oceano (às vezes tendo que ser reconstruídos de maneira emergencial antes que uma nova tempestade se apresente). E também não creio que alguém, em sã consciência, deseje abrir mão do seu sistema imunológico que exerce uma barreira contra infecções oportunistas provocadas por bactérias e virus, em nome de um “abaixo todos os muros”.

Desejo que muros do tipo da Cisjordânia sejam derrubados no tempo mais breve possível, fruto principalmente de uma elevação do nível de desenvolvimento de consciência de ambas as partes em confronto. Penso firmemente que a virtude está em algum lugar no meio entre posições extremadas, e que tanto árabes como israelenses poderiam se beneficiar, enquanto fazem suas orações e práticas religiosas diárias, em suas casas e templos localizados no oriente médio, se aceitassem receber apenas um leve sopro de filosofia budista vinda do extremo oriente. E desejo que, tendo recebido esse sopro, possam reorientar suas prioridades a partir dessas novas percepções e reflexões…

A liberdade é simplesmente um valor inegociável para quem está verdadeiramente interessado e comprometido com a elevação do nível de desenvolvimento de consciência das pessoas. Ao mesmo tempo, reconheço como legítimas todas as iniciativas para exercício da autodefesa de pessoas e populações ameaçadas de completa aniquilação.

Desejo que, em 2015, todas as ações que contribuam para a elevação do nível de desenvolvimento das pessoas possam ser exitosas.

Eduardo Leal
Vídeo elaborado pela rede de televisão da antiga Alemanha Ocidental

Garrafa 472 – Hierarquia não é palavrão!   2 comments

Tenho observado em meus círculos de relacionamento, e vejo isso com grande curiosidade e atenção, e também com alguma preocupação e tristeza, um discurso cada vez mais frequente que alardeia aos quatro ventos que “Todas as hierarquias são opressoras” ou “Abaixo todas as formas de hierarquia”. Essas pessoas aparentemente não se dão conta de que, quando sobem em seu pequeno caixote de madeira com seu megafone na mão, vociferando palavras de ordem, na verdade estão pretendendo, de uma maneira hierárquica, se colocar acima das outras pessoas “inferiores” que não pensam como elas e que ainda não foram esclarecidas pelo sopro do conhecimento da verdade que só elas detêm. E não se dão conta, também, de que há pelo menos dois tipos bem diferentes de hierarquias: as “hierarquias de dominação” e as “hierarquias de crescimento”.

Hierarquias de Dominação X Hierarquias de Crescimento

Uma hierarquia de dominação, como seu próprio nome indica é opressiva, um sistema de categorias e castas que de alguma maneira domina, explora e oprime as pessoas. E toda hierarquia que impede o crescimento individual ou coletivo é uma hierarquia de dominação. O sistema de castas, com a divisão da sociedade indiana em grupos sociais rígidos, com raízes na sua história milenar e que ordenou a vida dos indianos por milênios, tendo sido abolido em sua ultima Constituição, mas não dos corações e mentes de muitas pessoas, é um exemplo desse tipo. O comunismo, com sua ideia utópica de que é possível eliminar todas as classes, criando uma classe “única” em uma “ditadura do proletariado” e, é claro, controlada por uma “classe dirigente” autocrática, é outro exemplo de hierarquia de dominação. Já as hierarquias de crescimento, também chamadas de hierarquias de realização são, por sua vez, os próprios estágios ou níveis do desenvolvimento que se pretende alcançar ao longo de um processo de crescimento e realização de qualquer natureza. No mundo natural, as hierarquias de crescimento estão espalhadas em todas as partes, sendo a mais comum a que envolve a transformação de átomos em moléculas, de moléculas em células e de células em organismos. E nesse caso os níveis mais elevados não oprimem os menos elevados, mas os abraçam, os abarcam, os incluem, os abrangem. São sempre hierarquias aninhadas (nidiformes), implicando que cada nível mais elevado transcende e inclui os seus precedentes.

Dando seguimento ao meu impulso de buscar novas formas de apoiar o desenvolvimento de pessoas e organizações com as quais estabeleço contato, em novembro de 2005, em um Curso de Coaching Integral, fui apresentado a uma elegante estrutura teórica (Modelo Integral) para organizar o mundo e suas atividades em cinco categorias simples que são, ao mesmo tempo, aspectos de nossa própria experiência: os Quadrantes, os Níveis, as Linhas, os Estados e os Tipos. Essa abordagem, proposta pelo filósofo Ken Wilber, nos ajuda a ver a nós mesmos e o mundo que nos cerca de um modo mais abrangente que inclui as realidades objetivas (Cosmos) e as subjetivas, e tudo isso de um ponto de vista individual e também do coletivo. Essas realidades estão associadas a um conceito mais abrangente de Kosmos, palavra grega que significa o Todo padronizado de toda a existência, incluindo os reinos físico, emocional, mental e espiritual.

Quadrantes Ken Wilber 3

Relendo, nas últimas semanas, trechos de “A Visão Integral” (Editora Cultrix), “Boomerite” (Editora Madras), “Éden queda ou ascensão?” (Verus Editora) esses dois últimos brilhantemente traduzidos por meu bom amigo Ari Raynsford, e “A Brief History of Everything” (Shambhala) vejo novamente que quando analisamos qualquer situação com o apoio dos quatro Quadrantes propostos por Wilber, podemos perceber como qualquer evento Físico – Matéria/Energia – ISTO (do quadrante superior direito) representa apenas um quarto da história. E que as dimensões da Consciência – EU (do quadrante superior esquerdo) com nossas emoções, estados psicológicos, imaginação e intenções; da Cultura – NÓS (do quadrante inferior esquerdo) com nossos valores culturais, religiosos e visão de mundo comuns e dos Sistemas Sociais – ISTOS (quadrante inferior direito) com nossas estruturas materiais, sociais e econômicas surgem simultaneamente à ocorrência desse evento e interagem entre si. E podemos perceber também como esses Quadrantes se desdobram em Níveis de Consciência, Linhas de Desenvolvimento (Inteligências Múltiplas), Estados de Consciência e Tipos.

A partir dessas leituras renovadas de parte da obra de Ken Wilber, resolvi fazer um resumo do Modelo Integral e de sua relação, conforme a percebo, com a questão da hierarquia. E o faço para mim mesmo, como parte do meu processo de reflexão e, é claro, para compartilhar com os amigos que também podem se interessar por esses temas. E, principalmente, como um estímulo para que os interessados possam buscar mais informações nas fontes originais, cuja leitura recomendo com empenho.

O crescimento, desenvolvimento e evolução que ocorrem em cada um dos quadrantes se apresentam em alguns tipos de estágios ou níveis, não como os degraus rígidos de uma escada, mas como ondas que fluem e se desdobram naturalmente e abraçam, abarcam, incluem e abrangem os níveis antecedentes. E o aumento dos níveis interiores de consciência vem acompanhado de um aumento de níveis exteriores de complexidade física do sistema que a abriga. E o mecanismo chave desse desenvolvimento é o de “transcender e incluir”. O nível de cima “transcende e inclui” o nível precedente e, como menciona Wilber, traz novas capacidades e ao mesmo tempo a possibilidade de novos desastres; não só novos potenciais, mas também novas patologias; novas forças e novas doenças.

No Quadrante Físico – Matéria/Energia – ISTO (quadrante superior direito), em que se vê qualquer evento individual de fora, no caso de cada um de nós como indivíduos temos nossos comportamentos físicos, componentes materiais (neurotransmissores, sistema límbico, neocórtex, estruturas moleculares complexas, células, sistemas orgânicos, DNA), corpo concreto, e a energia do “isto” se expande fenomenologicamente de grosseira para sutil e causal. No Quadrante da Consciência – EU (quadrante superior esquerdo) com nossos pensamentos, emoções, estados psicológicos, imaginação e intenções, o “eu” passa do estágio egocêntrico para o etnocêntrico e para o mundicêntrico, ou do corpo, para a mente e para o espírito. No Quadrante da Cultura – NÓS (quadrante inferior esquerdo) com nossos valores culturais, religiosos e visão de mundo comuns, o “nós” expande-se do estágio egocêntrico (“eu”) para o etnocêntrico (“nós”) e para o mundicêntrico (“todos nós”). No Quadrante dos Sistemas Sociais – ISTOS (quadrante inferior direito) com nossas estruturas materiais, sociais e econômicas essas estruturas se expandem de simples grupos, para nações e, finalmente, para sistemas globais.

Quatro Quadrantes nos Seres Humanos

Em nossa trajetória de elevação do nosso Nível de Consciência, podemos fazê-lo também em cada uma das diversas Linhas de Desenvolvimento ou Inteligências Múltiplas de que somos dotados de maneira potencial e que podemos desenvolver e explorar. Diversos pesquisadores respeitados realizaram trabalhos notáveis de estabelecimento das características de cada estágio ou nível que poderia ser alcançado em cada Linha de Desenvolvimento. Abraham Maslow explorou a Linha de Necessidades e demonstrou que as pessoas tendem a se mover através de uma sequencia crescente de necessidades (Fisiológicas; Segurança; Pertencimento; Autoestima; Realização Pessoal; e Transcendência de si mesmo) e com a satisfação de cada uma tende a surgir outra mais elevada; Jean Gebser explorou a Linha de Visões de Mundo (Arcaica; Mágica; Mítica; Racional; Pluralista; Integral; e Transcendência de si mesmo); Michael Commons & Francis Richards, Jean Piaget e Sri Aurobindo exploraram suas respectivas ideias a respeito da Linha Cognitiva [Sensório-motora; Pré-operacional (Simbiótica); Pré-operacional (Conceitual); Operacional concreta (Mente regra/papel); Operacional formal (Mente racional); Mente pluralista (Mente Meta-sistêmica, Mente planetária); Baixa Visão-lógica (Paradigmática); Alta Visão-lógica (Transparadigmática, Mente global); Mente intuitiva, Meta mente; Mente iluminada, Para-mente; Mente transcendental (Overmind); e Supermente]. Robert Kegan explorou as Ordens de Consciência (Ordem 0; Ordem 1; Ordem 2; Ordem 3; Ordem 4; Ordem 4,5; e Ordem 5). Loevinger e Cook-Greuter exploraram a Linha de Auto-identidade (Simbiótica; Impulsiva; Autodefensiva; Conformista; Conscienciosa; Individualista; Autônoma; Ciente do seu papel (Integrada); Consciente do Ego; e Transpessoal). E Clare Graves, Don Beck & Christopher Cowan, e Wade exploraram a Linha de Valores [Sobrevivência (Bege, Arcaico-Instintivo); Espírito de Agregação (Roxo, Mágico-Animista); Deuses de Poder (Vermelho, Egocêntrico); Força da Verdade (Azul, Absolutista, Ordem Mítica); Instinto de Luta (Laranja, Multiplista); Vínculo Humano (Verde, Relativista); Flexibilidade e Fluidez (Amarelo, Sistêmico); Visão Global (Turquesa, Sistêmico); Transcendente; e Unidade].

Linhas de Desenvolvimento

Deixo de incluir neste resumo a abordagem de aspectos relacionados a Estados de Consciência e Tipos, para não tornar o texto ainda mais extenso, e em virtude de que esses aspectos, mais propriamente os Tipos, têm menos a ver com a questão da hierarquia.

E o que tudo isso que foi anteriormente mencionado tem a ver com a questão da hierarquia?

Para responder a essa pergunta, uma vez que desenvolvi minha própria abordagem de Coaching Centrado em Valores em grande medida a partir da Linha de Desenvolvimento de Valores conhecida como o Modelo da Espiral Dinâmica de Don Beck e Christopher Cowan, apresentarei a seguir, com base em alguns conteúdos dos livros citados anteriormente, um breve resumo de cada um dos Níveis de Desenvolvimento que emergiram desses estudos e com os quais estou um pouco mais familiarizado. Lembrando sempre que:

a) O Modelo da Espiral Dinâmica é baseado no trabalho pioneiro de Clare Graves que, procurando identificar o que seria um adulto psicologicamente saudável, trouxe à luz o seu Modelo Gravesiano (modelo emergente, cíclico, de hélice dupla, do desenvolvimento de sistemas biopsicossociais adultos);
b) O modelo é emergente porque ninguém nasce com ele completo, mas apenas em potencial. Ele vai emergindo, surgindo na vida das pessoas. A ontogenia (desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até a maturidade para reprodução) recapitula a filogenia (gênese e história evolucionária das espécies);
c) O modelo é cíclico porque os níveis alternam ciclos de preocupações individuais (auto-expressão, com referencial interno) com os de preocupações coletivas (sacrifício pelo bem geral, com referencial externo). É como um pêndulo que oscila do “eu” para o “nós” e de volta do “nós” para o “eu”, indefinidamente, de um lado para o outro.
d) O modelo é de hélice dupla porque em cada nível são identificadas novas condições de vida que estimulam o surgimento de uma nova estrutura de resposta (capacidade mental/cerebral, psiconeurológica) formando binômios distintos (condição de vida-estrutura de resposta);
e) O modelo é de desenvolvimento de sistemas biopsicossociais adultos porque depende do desenvolvimento de fatores biológicos, psicológicos e sociais em pessoas adultas considerando a maturidade inerente a cada ser humano; e
f) O nível de cima “transcende e inclui” o nível precedente.

Níveis de Primeira Camada:

Sobrevivência (Bege, Arcaico-Instintivo, Eu)
“Nível básico de sobrevivência; alimento, água, abrigo, sexo e segurança são prioritários. Usa hábitos e instintos apenas para sobreviver. A individualidade está no início do despertar e quase não se sustenta. Reúne-se em bandos de sobrevivência para perpetuar a vida. Onde é encontrado: primeiras sociedades humanas, recém-nascidos, pessoas senis, pessoas em estágio avançado do Mal de Alzheimer, moradores de rua mentalmente doentes, massas famintas, pessoas com traumas de guerra. Aproximadamente 0,1% da população mundial adulta, 0% de poder.”

Espírito de agregação (Roxo, Mágico-Animista, Nós)
“O pensamento é animista; espíritos mágicos, bons e maus, fervilham pela Terra trazendo bênçãos, maldições e encantamentos que determinam os acontecimentos. Reúnem-se em tribos étnicas. Os espíritos existem nos antepassados e aglutinam a tribo. Parentesco e linhagem estabelecem vínculos políticos. Aparenta ser “holístico”, mas na verdade é atomístico: Há um nome para cada curva do rio, mas nenhum nome para o rio. Onde é encontrado: crença em maldições do tipo vodu, juramentos de sangue, mágoas antigas, amuletos de boa sorte, rituais de família, superstições e crenças étnicas mágicas; forte em comunidades do terceiro mundo, gangues, equipes esportivas e “tribos” corporativas; também em crenças mágicas da New Age, cristais, tarô, astrologia. 10% da população, 1% de poder.”

Deuses de poder (Vermelho, Egocêntrico, Eu)
“Primeira emergência de um eu distinto da tribo; poderoso, impulsivo, egocêntrico, heroico. Espíritos, arquétipos, dragões e feras místicos. Deuses e deusas arquetípicos, seres poderosos, forças com que se pode contar, tanto boas quanto más. Senhores feudais protegem os súditos em troca de obediência e trabalho. A base dos impérios feudais – poder e glória. O mundo é uma selva cheia de ameaças e de predadores. Conquista, engana e domina; aproveita ao máximo, sem pena ou remorso; aqui e agora. Onde é encontrado: Os “terríveis dois” (referência aos dois anos de idade, quando a criança “nasce” realmente para um “eu” com emoções e sentimentos separados, o seu nascimento psicológico), juventude rebelde, mentalidades limítrofes, reinos feudais, heróis épicos, vilões de James Bond, líderes de gangues, soldados mercenários, astros de rock pesado, Átila rei dos Hunos, “Senhor das Moscas” (Romance de William Golding que descreve em detalhes a transição de um bando de crianças da civilização para a barbárie), envolvimento mítico. 20% da população, 5% de poder.”

Força da Verdade (Azul, Absolutista, Ordem Mítica, Nós)
“A vida tem significado, direção e propósito, com eventos determinados por um ‘Outro’ ou ‘Ordem’ todo-poderosos. Esta Ordem justa impõe um código de conduta baseado em princípios absolutos e invariáveis de certo e errado. A violação do código ou das regras apresenta severas, e talvez permanentes repercussões. A obediência ao código gera recompensas para os fiéis. Base das nações antigas. Hierarquias sociais rígidas; paternalista; um, e apenas um, modo correto de pensar sobre tudo. Lei e ordem; impulsividade controlada através da culpa; crença concreto-liberal e fundamentalista; obediência à regra da Ordem; fortemente convencional e conformista. Frequentemente religioso no sentido mítico-fundamentalista; Graves e Beck referem-se a ele como o nível ‘religioso/absolutista’, mas pode ser também uma Ordem ou Missão secular ou ateísta. Onde é encontrado: América Puritana, China Confucionista, Inglaterra Dickensiana, disciplina de Singapura, totalitarismo, códigos de cavalaria e de honra, obras de caridade, fundamentalismo religioso (por exemplo, cristão e islâmico), Escoteiros e Bandeirantes, maioria moralista, patriotismo. 40% de população, 30% de poder.”

Instinto de Luta (Laranja, Conquista Científica, Multiplista, Eu)
“Nesta onda, o indivíduo escapa da ‘mentalidade de rebanho’ do nível azul e procura a verdade e o significado em termos individualistas e científicos. O mundo é uma máquina racional, bem lubrificada, com leis naturais que podem ser aprendidas, controladas e manipuladas visando a interesses próprios. Altamente orientado para a conquista de objetivos; especialmente na América para ganhos materiais. As leis da ciência regulam a política, a economia e os acontecimentos humanos. O mundo é um tabuleiro de xadrez onde partidas são jogadas e os vencedores conquistam superioridade e privilégios em detrimento dos perdedores. Alianças de mercado; manipulação dos recursos naturais visando a ganhos estratégicos. Base dos estados corporativos. Onde é encontrado: No Iluminismo, ‘A Revolta de Atlas’ Romance de Ayn Rand em que um homem diz que pararia o motor do mundo – e o faz, Wall Street, classe média emergente em todo o mundo, indústria de cosméticos, caça a troféus, colonialismo, Guerra Fria, indústria da moda, materialismo, capitalismo de mercado, auto-interesse liberal. 30%da população, 50% de poder.”

Vínculo humano (Verde, O Eu Sensível, Relativista, Nós)
“Comunitário, sensibilidade ecológica, operação em rede. O espírito humano deve se livrar da ganância, dos dogmas, das divergências; sentimentos e cuidados substituem a fria racionalidade; acalentar a Terra, Gaia, a vida. Contra hierarquias; estabelece vínculos e ligações laterais. Eu permeável relacional, inter-relacionamento de grupos. Ênfase no diálogo e nos relacionamentos. Base das comunidades coletivas (isto é, afiliações, baseadas em sentimentos comuns, escolhidas livremente). Decide através da reconciliação e do consenso (lado negativo: ‘processamento’ interminável e incapacidade de chegar a decisões). Renova a espiritualidade, cria harmonia, enriquece o potencial humano. Fortemente igualitário, anti-hierárquico, valores pluralistas, construção social da realidade, diversidade, multiculturalismo, sistemas de valores relativos; esta visão de mundo é frequentemente denominada de ‘relativismo pluralista’. Pensamento subjetivo, não linear, demonstra um alto grau de calor humano, sensibilidade e cuidado pela Terra e por todos os seus habitantes. Onde é encontrado: ecologia profunda, pós-modernismo, idealismo holandês, terapia rogeriana, sistema de saúde canadense, psicologia humanista, teologia da libertação, cooperativismo, Conselho Mundial de Igrejas, Greenpeace, eco psicologia, direitos dos animais, eco feminismo, pós-colonialismo, Foucault/Derrida, o politicamente correto, movimentos de diversidade, tema de direitos humanos. 10% da população, 15% de poder.”

Características dos Níveis de Primeira e de Segunda Camada:

Quando as pessoas fazem seu centro de gravidade e se identificam com o conjunto de crenças e valores dominantes em cada um desses estágios de primeira camada (do nível bege até o verde) apresentados anteriormente, acreditam firmemente que seus valores sejam os únicos verdadeiros e corretos e que todos os outros estejam profundamente equivocados; reagem negativamente quando desafiadas e agridem, usando suas armas, quando se sentem ameaçadas.

É como se esquecessem, como se não conseguissem sequer perceber a existência, quando estão em um determinado nível, que de fato já percorreram e se identificaram fortemente, em algum momento do passado, com os níveis precedentes em resposta a alguma condição de vida: não se lembram de que em situações de emergência ativamos impulsos vermelhos poderosos; que em resposta ao caos, temos necessidade de ativar a ordem azul; que ao procurar um novo emprego, precisamos de impulsos laranjas de conquista; que no casamento e com amigos, buscamos os laços íntimos verdes. “E na verdade a ordem azul se sente extremamente desconfortável tanto com a impulsividade vermelha quanto com o individualismo laranja. O individualismo laranja pensa que a ordem azul é para trouxas e o igualitarismo verde é para fracos e frescos.” Ou ainda: “O igualitarismo verde não consegue aguentar facilmente a excelência e a classificação de valores, grandes imagens, hierarquias ou qualquer coisa que pareça autoritária; portanto, o verde tende a bater no azul, no laranja e em tudo que for pós-verde”.

“De maneira bem objetiva: qualquer nível de primeira camada contribuirá para impedir a paz mundial.”

“Tudo, entretanto, começa a mudar com o pensamento de segunda camada que será apresentado a seguir. Porque a consciência de segunda camada está completamente ciente dos estágios anteriores de desenvolvimento; ela se recorda de que já pensou assim, dá um passo atrás e capta a imagem global, percebendo, portanto, o papel necessário que cada nível desempenha para que se possa avançar. A consciência de segunda camada pensa em termos da espiral completa de desenvolvimento, e não, simplesmente, em termos de um nível específico. Daí, com a consciência de segunda camada, o mundo passa a fazer sentido, a transformar-se como um todo, a tornar-se consistente pela primeira vez. Enquanto o nível verde – o mais elevado dos estágios de primeira camada – começa a perceber a rica diversidade e o maravilhoso pluralismo das diferentes culturas, o pensamento de segunda camada dá um passo adiante, um salto quântico. Ele procura por elos que liguem e juntem essas diferentes culturas e, portanto, considera esses sistemas separados e começa a abraça-los, incluí-los e integrá-los em espirais holísticas e malhas integrais. Ele é fundamental para passarmos do pluralismo para o integralismo.”

Operando-se com a consciência de segunda camada, como diz Wilber, abre-se, convidativa, no horizonte, a possibilidade de paz genuína.

Níveis de Segunda Camada:

Flexibilidade e fluidez (Amarelo, Sistêmico, Eu)
“A vida é um caleidoscópio de sistemas fluentes, inter-relacionados. Flexibilidade, espontaneidade, e funcionalidade têm a máxima prioridade. Diferenças e pluralismos podem ser integrados em fluxos naturais interdependentes. Igualitarismo é complementado por graus naturais de excelência, distinções e julgamentos qualitativos. Conhecimento e competência devem substituir posição, poder, status ou grupo. A ordem mundial prevalecente é resultado da existência de diferentes níveis de realidade (ou Memes) e dos inevitáveis padrões de movimento para cima e para baixo na Dinâmica da Espiral. Um bom governo facilita a emergência de entidades por meio dos níveis de crescente complexidade (hierarquia nidiforme). 1% da população, 5% de poder.”

Visão Global (Turquesa, Sistêmico, Nós)
“Sistema holístico universal, ondas de energias integrativas; une sentimento e conhecimento; múltiplos níveis interconectados num sistema consciente; a base da totalidade extensiva. Ordem universal, mas de modo vivo e consciente, não baseado em regras externas (azul) ou vínculos de grupo (verde). É possível uma “grande unificação” ou uma grande imagem em teoria e na prática. Algumas vezes envolve a emergência de uma nova espiritualidade como uma teia de toda a existência. Pensamento turquesa é totalmente integral e usa a espiral completa; vê múltiplos níveis de interação; detecta harmônicos, as forças místicas e os estados de fusos de fluxos que permeiam todas as organizações. 0,1% da população e 1 % do poder.”

E, depois do nível turquesa, desde que novas condições de vida sejam percebidas e sejam favoráveis, o pêndulo da evolução desenvolve novas respostas em termos de estruturas psiconeurológicas e inclina-se mais uma vez na direção de um “eu” com um nível de desenvolvimento ainda mais elevado do que aquele dos níveis amarelo e turquesa, cujos contornos em termos de conjunto de crenças e valores ainda não foram suficientemente definidos.

Espiral Dinâmica

Condições de Vida

E vale a pena tecer algumas considerações a respeito do que Graves se referia quando falava de condições de vida. Condição de vida é o meio em que vive o ser humano. Seu estudo leva em conta fatores interdependentes tais como: tempo histórico, espaço geográfico, condições sociais e circunstâncias econômicas. Portanto, não existe apenas uma condição de vida, mas inúmeras! E isso também não significa que uma pessoa, ao ativar um novo sistema de crenças e valores, tenha abandonado suas antigas visões de mundo. Ela simplesmente as incluiu e transcendeu. E antigos modos de pensar podem ser reativados em caso de degradação das condições de vida. Um hipotético professor de filosofia residente no Haiti, anteriormente operando no nível de consciência turquesa, pode estar operando agora a partir de um conjunto de crenças e valores roxo e/ou vermelho, quando tem que disputar com outras pessoas uma ração de água e comida para levar para sua família e para o próprio consumo, nos postos de distribuição assistencial organizados pela Força de Paz da Organização das Nações Unidas, no espaço geográfico, social e econômico seu país ainda devastado, depois do terrível terremoto de 2010.

E o que pode ser um entrave para esse desejado salto quântico da humanidade dos níveis de primeira camada para os de segunda camada? Excluindo-se situações de degradação das condições de vida, ou seja, supondo-se que as condições evoluam de maneira favorável, ainda assim temos o seguinte: o fundamentalismo religioso (azul) frequentemente sente-se afrontado pela segunda camada, na qual vê uma tentativa de derrubar sua Ordem instituída; o egocentrismo (vermelho) também ignora a segunda camada; o mágico (roxo) lança um feitiço contra ela; e o verde acusa a consciência de segunda camada de ser autoritária, hierárquica, patriarcal, marginalizadora, opressora, racista e sexista. Exatamente o fato de que o nível de consciência verde, o mais elevado da primeira camada, ele próprio ser ainda um nível de primeira camada, com suas novas capacidades com relação ao nível laranja e, ao mesmo tempo, com a possibilidade de novos desastres; não só novos potenciais, mas também novas patologias; novas forças e novas doenças. E é essa “doença” do nível verde que Ken Wilber chama de Boomerite.

O Conceito de Boomerite

Os Boomers nascidos após a Segunda Guerra Mundial – a geração Baby Boom – formam a primeira geração a crescer nesta aldeia global: um tempo em que todas as culturas estão disponíveis umas para as outras. Isto nunca aconteceu antes no planeta Terra. Como nos aponta Wilber:
“Desde alguns milhões de anos até agora uma pessoa nascia numa cultura que não sabia praticamente nada sobre nenhuma outra. Você nascia chinês, crescia chinês, casava com uma chinesa, seguia uma religião chinesa e muitas vezes vivia na mesma cabana a vida inteira, num espaço de terra em que seus ancestrais se fixaram havia séculos. Uma vez ou outra, este isolamento cultural era interrompido por uma estranha e grotesca forma de Eros conhecida por guerra, onde culturas se uniam violentamente por meios brutais de violação, embora o resultado misterioso sempre fosse um tipo de relacionamento cultural erótico. As culturas passavam a conhecer-se num sentido bíblico – um feliz sadomasoquismo oculto que norteou a história até a presente aldeia global. Das tribos e bandos isolados aos pequenos povoados, às cidades-estados antigas, aos gloriosos impérios feudais, aos vastos estados internacionais, até a atual aldeia global: muitos ovos foram quebrados para se fazer essa extraordinária omelete global.”

E quando reli esse parágrafo não resisti à tentação de rabiscar no rodapé do livro:

ovos quebrados,
na omelete global:
sangue derramado…

E como nos aponta Wilber:

“E nesta aldeia global – a única que temos – sobreviveremos juntos ou nos destruiremos.”

E não se trata de forçar uma uniformidade comunista tentando nivelar ou eliminar todas as maravilhosas diferenças existente mas, isso sim, no sentido de se buscar uma unidade-na-diversidade, de se vivenciar crenças e valores comuns, apesar de nossas diferenças: substituindo rancor por reconhecimento mútuo, hostilidade por respeito, convidando a todos a estabelecer e compartilhar um espaço do entendimento mútuo. Não há necessidade de se concordar com tudo que é dito mas, pelo menos, de se procurar entender o que é dito por cada uma das pessoas em cada um dos níveis de consciência. Entender que cada nível é crucialmente importante para a saúde de toda a espiral, devendo ser abraçado e tratado com carinho.

Voltando a abordar alguns aspectos dessa doença que pode acometer a geração Baby Boom, os Boomers responsáveis pelo desenvolvimento do nível de consciência verde, a primeira geração verde da história, Wilber às vezes usa outra terminologia que tomou emprestada de um romance de Edwin A. Abbott “Flatland: A Romance of Many Dimensions” que é uma história do Século XIX sobre um mundo de duas dimensões inspirado particularmente na geometria. Flatland é a crença de que a realidade é plana, que não há níveis de consciência. E nos lembra que “não podemos sequer falar em ajudar as pessoas a crescer e desenvolver-se através dos níveis de consciência se elas, em primeiro lugar, não souberem que existem níveis de consciência.”

“Os Boomers moveram-se além do tradicionalismo dos azuis e do modernismo científico dos laranjas e foram os primeiros de uma compreensão multicultural, pluralista, pós-moderna – o nível verde e o eu sensível. Exatamente por isso os Boomers lideraram os direitos civis, as preocupações ecológicas, o feminismo e a diversidade multicultural. Esta é a parte ‘alta’ da mistura, a parte verdadeiramente comovente da geração Boomer e das revoluções explosivas dos anos 60, o amplo movimento do azul para o laranja, até o verde.”

“Mas todo nível tem seu lado negativo, sua sombra, sua possível patologia e, no caso do verde, seu lado negativo foi que ele realmente transformou-se num imenso ímã para o narcisismo – eu faço o meu, você faz o seu, com ênfase em ‘eu’ e ‘meu’. E este é o lado desastroso da equação dos Boomers, a parte ‘baixa’ da mistura, a parte que causou quase tantos danos quanto a parte alta causou benefícios.”

“Pluralismo, igualitarismo, e multiculturalismo, no que têm de melhor, provêm de uma postura desenvolvimentista muito elevada – o nível verde – e desta posição de integridade e preocupação, o nível verde tenta tratar todos os níveis anteriores com igual atenção e compaixão, um intento verdadeiramente nobre. Mas porque ele abraça um intenso igualitarismo, falha em ver que sua própria postura – que é a primeira capaz de igualitarismo – é muito elitista (algo em torno de 10% da população mundial). Pior, o nível verde nega ativamente os estágios que o produziram, em primeiro lugar, o próprio nível verde, porque deseja visualizar todos os níveis igualitariamente. Mas o igualitarismo verde é produto, como já vimos, de pelo menos seis principais estágios de desenvolvimento, um desenvolvimento contra o qual se volta e nega agressivamente em nome do igualitarismo!”

“Sob a nobre aparência do pluralismo, todas as ondas prévias de existência, não importa quão superficiais, egocêntricas ou narcisistas, são encorajadas a ‘serem elas mesmas’, já que nenhuma delas é considerada, intrinsecamente, melhor que as outras. Mas se o ‘pluralismo’ for realmente verdadeiro, então devemos convidar os nazistas e a Ku Klux Klan para o banquete multicultural, pois supõe-se que nenhuma postura seja melhor ou pior que as outras e, portanto, todas devem ser tratadas de uma maneira igualitária – neste ponto, a autocontradição do pluralismo vem à tona de maneira gritante.”

“Assim, o ponto de vista extremamente elevado do pluralismo – o produto de pelo menos seis estágios de transformação – vira-se de costas e nega-se o próprio caminho que produziu sua nobre postura. Abraça igualitariamente todas as posturas, não importa quão superficiais ou narcisistas. Desse modo, quanto mais o igualitarismo é implementado, tanto mais ele convida, na verdade encoraja, a cultura do Narcisismo. E a Cultura do Narcisismo é a antítese da cultura integral, o oposto de um mundo em paz.”

“No dicionário, a definição de narcisismo é ‘interesse excessivo em si mesmo, em sua importância, em sua grandeza, em sua capacidade; egocentrismo.’ Os terapeutas nos explicam que o estado interior de narcisismo é, frequentemente, o de um eu vazio e fragmentado, que tenta, desesperadamente, preencher o espaço inflando seu ego e desinflando o dos outros. A disposição emocional é: ‘Ninguém vai me dizer o que fazer!’

“Em resumo, a postura relativamente elevada do pluralismo transforma-se num super-ímã para o estágio relativamente baixo de narcisismo egóico. E isso nos leva diretamente a Boomerite.”

“Boomerite é, simplesmente, pluralismo infectado por narcisismo: é a estranha mistura de capacidade cognitiva muito elevada (o nível verde e o pluralismo nobre) infectada por narcisismo emocional bem baixo (níveis roxo e vermelho) – exatamente a mistura que vem sendo notada por tantos críticos sociais. O eu sensível, tentando honestamente ajudar, exagera excitadamente em sua própria importância.”

A Falácia Pré-Pós ou Pré-Trans

Tendo sito definidos os contornos de Boomerite, ou do “pluralismo infectado de narcisismo”, e de como as coisas podem dar errado ao longo do desejável processo de desenvolvimento de consciência – de egocêntrico, para etnocêntrico, para globocêntrico – como nos sugere Wilber, vemos que uma fonte de narcisismo é, simplesmente, a falha no crescimento e evolução.

“Particularmente, no difícil crescimento de egocêntrico para etnocêntrico, aspectos da consciência que recusem esta transição podem ficar ‘empacados’ nos domínios egocêntricos, com dificuldades de adaptação às regras e papéis da sociedade. É lógico que algumas dessas regras e papéis não merecem respeito; podem apresentar uma necessidade muito grande de crítica e rejeição. Mas essa atitude pós-convencional – que verifica, reflete sobre e critica as normas sociais – somente pode ser atingida passando primeiramente pelos estágios pré-convencionais, porque as capacidades obtidas nesses estágios são pré-requisitos para a consciência pós-convencional. Em outras palavras, alguém que não consiga superar os estágios convencionais fará, não uma crítica pós-convencional da sociedade, mas uma rebelião pré-convencional. ‘Ninguém vai me dizer o que fazer!’

“Os críticos concordam que os Boomers foram uma geração notoriamente rebelde. Parte dessa rebeldia, sem dúvida, surgiu de indivíduos pós-convencionais, sinceramente engajados em reformar aspectos errados, injustos ou imorais da sociedade. Mas tão certo quanto isso – e há suficientes evidencias empíricas – uma alarmante fatia dessa atitude rebelde partiu de impulsos pré-convencionais que apresentavam muita dificuldade de crescer para as realidades convencionais.”

E algumas de suas palavras de ordem, que ecoam desde os anos 1960, podem ser: “Combatam o sistema”; “Questionem a autoridade”; “Todas as hierarquias são opressoras” ; “Abaixo todas as formas de hierarquia”.

“O estudo de caso clássico são os protestos estudantis de Berkeley no final dos anos 60 – protestos especialmente contra a Guerra do Vietnã. Os estudantes afirmavam, em uníssono, que estavam agindo de uma elevada posição moral. Mas quando foram aplicados testes reais de desenvolvimento moral, a larga maioria foi enquadrada em níveis pré-convencionais, não pós-convencionais (houve poucos tipos convencionais ou conformistas porque, por definição, eles não são muito rebeldes). Obviamente, a moralidade pós-convencional e globocêntrica da minoria dos participantes do protesto deve ser aplaudida – não necessariamente suas crenças, mas o fato de chegarem a elas a partir de um raciocínio moral altamente desenvolvido. Entretanto, o egocentrismo pré-convencional da vasta maioria dos participantes do protesto deve ser igualmente reconhecido.”

“O ponto mais fascinante dessa pesquisa é algo geralmente definido como situações ‘pré’ e ‘pós’ – pois, uma vez que tanto pré-X quanto pós-X são não-X, frequentemente são confundidos. Isto é, tanto pré-convencional quanto pós-convencional são não-convencionais, estão fora das normas e regras convencionais, e, assim, são muitas vezes confundidos e até mesmo igualados. Em tais situações, ‘pré’ e ‘pós’ frequentemente usarão a mesma retórica e a mesma ideologia, mas, de fato, estão efetivamente separados por um imenso abismo de crescimento e desenvolvimento. Nos protestos de Berkeley, praticamente todos os estudantes afirmaram agir de acordo com princípios morais universais – por exemplo, ‘A Guerra do Vietnã viola direitos humanos universais e, portanto, como um ser moral, recuso-me a lutar nessa guerra.’ Porém, testes provaram inequivocamente que somente uma minoria – menos de 20% – agia de acordo com princípios morais pós-convencionais; a grande maioria dos estudantes agia seguindo impulsos egocêntricos pré-convencionais: ‘Ninguém vai me dizer o que fazer!’; Pegue essa guerra e desapareça.’

“Parece que nesse caso ideais genéricos muito nobres foram usados para apoiar, de fato, impulsos muito desprezíveis. A estranha semelhança superficial de estágios de desenvolvimento ‘pré’ e ‘pós’ permite esse subterfúgio – permite, em outras palavras, que o narcisismo pré-convencional frequente os salões daquilo que é ruidosamente aclamado como idealismo pós-convencional. Esta confusão entre pré-convencional e pós-convencional, porque ambos são não-convencionais, é chamada de falácia pré-pós e parece que pelo menos parte do idealismo dos Boomers deve ser interpretada ou reinterpretada sob esse enfoque mais severo. Quase todo mundo notou, naquela época, que quando cessou a convocação para a guerra, os protestos perderam muito da sua intensidade – chega de moralidade, não é?”

“Este é um ponto crucial, pois alerta-nos para o fato de que, não importa quão generosa, idealista e altruísta uma causa possa parecer – da ecologia para a diversidade cultural, para a espiritualidade, para a paz mundial – o simples falar da boca para fora em apoio à causa não é suficiente para determinar por que, de fato, a causa está sendo abraçada. Muitos críticos sociais simplesmente assumiram que, se os Boomers clamavam por ‘harmonia, amor, respeito mútuo e multiculturalismo’, eles se moviam nesse rumo idealista. Entretanto, em muitos casos, não só os Boomers não estavam se movendo naquela direção, em termos do seu crescimento interior, como estavam abraçando, espalhafatosamente, uma perspectiva idealista, precisamente para esconder sua postura egocêntrica. A hipocrisia aqui é absolutamente impressionante!”

O Imperativo Moral do Desenvolvimento de Consciência

A título de conclusão desse Resumo da Abordagem Integral, em que procurei enfatizar os diversos aspectos da hierarquia de crescimento dos nossos níveis de consciência, que penso ser a direção do desenvolvimento de um adulto psicologicamente saudável, apresento em minha tradução livre o conceito que Ken Wilber denomina “Intuição Básica Moral” (“Basic Moral Intuition”) que ele acredita ser a verdadeira forma e estrutura da intuição espiritual.

“… quando intuímos o Espírito, nós O estamos intuindo como aparece nos quatro quadrantes (porque o Espírito se manifesta nos quatro quadrantes – ou de maneira simplificada no Eu, no Nós, e no Isto/Istos). Portanto, quando estou intuído claramente o Espírito, eu intuo sua preciosidade não apenas em mim mesmo, na minha própria profundidade, no meu domínio do Eu, mas igualmente O intuo no domínio de todos os outros seres, que compartilham comigo o mesmo Espírito (em sua própria profundidade). E portanto desejo proteger e promover esse Espírito, não somente em mim mesmo, mas em todos os seres possuindo esse Espírito, e sou movido, e intuo claramente esse Espírito, no sentido de implementar esse desdobramento Espiritual em tantos seres quanto seja possível: intuo o Espírito não somente como Eu, e não somente como Nós, mas também como um impulso para implementar essa realização como Fatos Objetivos (Isto) no mundo.”

“Assim, precisamente porque o Espírito realmente se manifesta como todos os quatro quadrantes (ou como Eu, Nós e Isto), então a intuição Espiritual, quando claramente apreendida, o faz como um desejo para estender a profundidade do “Eu” para a abrangência do “Nós”, como Fatos Objetivos (A verdade), “Istos” no mundo… Assim, protegendo e promovendo a maior profundidade na maior abrangência possível.”

A ideia é que, na tentativa de promover a maior profundidade na maior abrangência, devemos fazer julgamentos objetivos sobre diferenças de valor intrínseco e sobre o grau de profundidade que eventualmente destruímos, nas tentativas de atender às nossas necessidades vitais.

Colocando essa conclusão em minhas próprias palavras, como tenho feito em diversas oportunidades, e particularizando nossas ações como indivíduos em cada uma de nossas sociedades:

“Devemos pensar, falar e agir de maneira congruente, procurando contribuir para a elevação do nível de desenvolvimento de consciência de todas as pessoas, cada uma a seu tempo.”

Mistério 1

Publicado 21/05/2014 por Eduardo Leal em Abordagem Integral, Coaching, Crenças, Espiritualidade, Filosofia, Gestão Organizacional, Gestão Pessoal, Haicai, Haikai, Haiku, Ilustrações, Livros, Política, Prosa, Saúde e bem-estar

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