Arquivo para a Tag ‘memórias

Garrafa 496 – Os nós de todos nós   2 comments

Nos últimos dias, mais precisamente no dia 13 de maio, data simbólica remota e recente, já respirando novos ares com a possibilidade de recuperação do nosso país depois de estar submetido a uma espécie de escravatura política ao longo de 13 anos de governos corruptos e de viés autoritário, iniciei a prazerosa leitura de “Relembramentos – João Guimarães Rosa, meu pai” de Vilma Guimarães Rosa, editado pela Nova Fronteira.

Recomendo com empenho essa leitura aos interessados na vida e na obra desse nosso grande escritor brasileiro, que também foi médico de cidade do interior e, mais tarde, ativo diplomata. Ganhou o mundo com suas viagens, seu profícuo trabalho, e suas obras fantásticas. Trata-se de um livro que apresenta detalhes da vida do imortal autor de “Grandes Sertões: Veredas”, como vista pelo olhar amoroso e sensível de sua filha mais velha, ela que também seguiu a carreira de escritora, e que é reconhecida por uma obra que inclui diversos livros de contos. Desta vez, envereda pelas próprias memórias do seu venerado pai, nas palavras da própria autora organizadas com amor e fidelidade, não uma biografia, apenas um “abreviado de tudo”.

Um trecho extraído de um Curso de Extensão Universitária que a autora ministrou na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras, em Londrina, no Paraná, em 1970, atraiu especialmente minha atenção. Fala com beleza e delicadeza a respeito do ofício do escritor e da natureza da própria vida:

“O infindável fio da vida entreprende os homens na travessia das épocas. Ninguém inventa nada. Tudo preexiste e nos sucede. O escritor percebe e reconta, olhando o fio, desenovelando-o, tecendo tramas, rebordando tapeçarias finas. É o seu encargo.”

Estive afastado de minhas habituais brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai, desde o ano passado, em grande medida por andar atormentado e mergulhado em tristeza profunda por conta desse período acentuado de trevas e de ausência de esperança que o país vem atravessando nos últimos anos. Confesso que não via solução a curto ou médio prazos para os enormes problemas que desafiam a sociedade brasileira. Mais do que isso, pressentia um ambiente propício a uma prolongada guerra civil fratricida, e já me via de alguma maneira sendo empurrado em direção à clandestinidade, se essa quadrilha de malfeitores não saísse do poder. Agora, já consigo ver alguma luz no final do túnel, apesar de persistirem riscos de retrocesso.  A leitura dessa passagem, entretanto, me trouxe de volta alguma inspiração para me aventurar em um breve haicai:

nós infinitos,
de cada vida, fios
entretecidos.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Leitura recomendada: “Relembramentos – João Guimarães Rosa, meu pai” de Vilma Guimarães Rosa, Editora Nova Fronteira.

Nós de todos nós 3

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Garrafa 441 – Déjà vu   1 comment

Fazia muito tempo que não lhe batia uma saudade tão grande!
Saudade salgada! De travar a língua!
Saudade doce sentia todo dia…

Naquele dia foi diferente.

Um passeio matinal por algumas ruas da cidade, disparou na memória aquela intensa sensação de “déjà vu”…
Lugares sagrados em cada bairro, em cada esquina, verdadeira mina…

E todos os caminhos levavam ao mar… Um mar de lágrimas?

A pequena embarcação há muito havia partido. No atracadouro, no espaço vazio, reflexos do sol na água, como diamantes.

Melhor usar óculos escuros…

O vento marinho pareceu sussurrar em seus ouvidos um breve haicai:

como dois amantes,
estivemos aqui antes…
choro diamantes.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Déjà vu” Com Crosby, Stills, Nash & Young

choro diamantes

Garrafa 409 – Passado, passa!   Leave a comment

adocicado,
meu fruto ressecado:
passado, passa!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Tendo a lua” com Paralamas do Sucesso

passas

Garrafa 311 – Minhas memórias   Leave a comment

minhas memórias…
na paisagem interna,
abrir caminhos!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido

Publicado 20/04/2012 por Eduardo Leal em Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku, Livros

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Garrafa 211 – O Perdão   Leave a comment

Divino criador, pai, mãe, filho como um só…
Se eu, a minha família, os meus parentes e os meus ancestrais ofendemos a ti, tua família, teus parentes e teus ancestrais em pensamentos, palavras, realizações e ações desde o início da criação até o presente, pedimos o teu perdão…
Permita que isto limpe, purifique, libere, interrompa todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativos, e transmute essas energias em uma luz pura…
E está feito.
 
Morrnah Nalamaku Simeona
Foto de autor desconhecido
 
 

Publicado 12/03/2010 por Eduardo Leal em Crenças

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Garrafa 161 – Memória   Leave a comment

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

 
Carlos Drummond de Andrade
Foto de autor desconhecido
 

Publicado 28/08/2008 por Eduardo Leal em Poesia

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Garrafa 135 – Pés descalços   Leave a comment

benditas fotos
que me trazem de volta,
seus pés descalços…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

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