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Garrafa 443 – Contra a correnteza   Leave a comment

Pode parecer contraditório para algumas pessoas, mas entendo que “nadar contra a correnteza, em direção à nascente do rio” não é a mesma coisa que “lutar contra a correnteza”. Podemos sempre encontrar caminhos de menor resistência, onde nossa própria força é mais que suficiente pra vencer a corrente existente.

O salmão salta no ar e, quem sabe, pode até contar com um ventinho a favor…

Não luto mais contra coisa alguma. Prefiro agir em favor do que considero importante. Aquilo a que opomos resistência ganha força! Sigo na direção que escolhi e, se alguém resolver me atacar por causa dessa escolha, me defendo…

Ao invés de “lutar contra” a corrupção, podemos “agir em favor” da honestidade (até mesmo prendendo corruptos, dentro da lei)…

Ao invés de “lutar contra a violência”, podemos agir em favor da paz (até mesmo prendendo guerrilheiros e terroristas, dentro da lei)…

Ao invés de “lutar contra” a doença, podemos “agir em favor” da saúde…

Ao invés de “lutar contra” a miséria, podemos “agir em favor” da prosperidade…

A energia flui para onde a atenção está! E ela deve estar em descobrir a nossa verdadeira natureza e, com congruência, em agir de acordo.

Pausa para um breve haicai:

um salmão em mim,
contra a correnteza,
vai até o fim…

Ou, em uma versão estendida, para um poema curto:

um salmão em mim,
contra a correnteza,
o mundo enfim…

um salmão em mim,
vai até o fim…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

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Garrafa 394 – Fogo no cerrado   Leave a comment

Em tempos de Internet, tenho me reconectado com a trilha sonora da minha vida, garimpando com o apoio de ferramentas de busca algumas músicas e discos perdidos no tempo e na memória. E uma das minhas bandas de rock progressivo preferidas, que voltei a ouvir com mais frequência, é o The Alan Parsons Project.

O álbum EVE, lançado em 1979, tinha como “conceito” abordar as características femininas e as dificuldades que as mulheres enfrentam em um mundo predominantemente masculino. Na capa e contracapa apareciam as fotos de três belas mulheres usando véus e com seus rostos parcialmente iluminados. Era possível perceber, nas áreas sombreadas do rosto de cada uma delas, a presença de cicatrizes e mutilações…

Decorridos mais de trinta anos do lançamento desse belo álbum, a paisagem mundial ainda é quase a mesma; e em alguns casos é agravada pela passagem do tempo perdido que não volta mais: violência de todos os tipos contra minorias, contra a mulher e, no caso específico de desrespeito para com a figura feminina, destaco uma em especial, a nossa Terra…

Ouvindo nessa tarde algumas faixas do disco, enquanto pensava no assunto, não pude deixar de me lembrar das cicatrizes que nosso mundo masculino tem produzido na face do planeta. Desrespeito, falta de consciência ecológica, incêndios criminosos ou produzidos por simples desleixo exterminam parques e reservas florestais, espécimes desprotegidas e incapazes de fugir do fogo devastador que mutila a paisagem, a pele do planeta e a face da própria vida.

As vozes e reflexões feitas por parte de pessoas responsáveis, que ouço sobre esse tema, ainda me parecem tímidas e vacilantes, quando comparadas aos altos brados dos interesses que podem ser contrariados pela simples possibilidade de adotarmos atitudes mais respeitosas e ecológicas. Enquanto isso, Lúcifer ateia fogo ao cerrado…

Pausa para um breve haicai:

gemidos nos prados,
nunca em altos brados…
desventurados!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Lucifer” com The Alan Parsons Project

Queimadas nos prados

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