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Garrafa 487 – Mudança de casca   Leave a comment

mudança de casca
na pele e na alma:
pronto pra outra!

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Mudança de casca

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Garrafa 485 – O pássaro   Leave a comment

Recebi na tarde de ontem, pelo correio, presente de aniversário que enviei para mim mesmo: o último livro de poesias de Zélia Guardiano “Caderno de Desapontamentos”, da Editora Penalux.

Obra cheia de delicadezas poéticas, que sorvi sofregamente de um só gole assim que chegou, será novamente degustada lentamente como convém fazer com o conteúdo das garrafas de vinho das melhores safras e procedências.

Transcrevo abaixo um dos poemas que me encantou:

Parece empalhado
O pássaro que
Ensimesmado
Pousa
Sobre o mourão
Da cerca
De arame farpado

Suas tênues penas
(Só as penas)
Sutilmente
Movem-se
Ao sopro
De uma leve brisa

Ninguém precisa
Perguntar-lhe:
Em que pensa?

Vê-se:
Com olhos
Embaçados
Fixos num ponto
Tenta decifrar
Enigma

(Seria a vida?)

Zélia Guardiano
Foto de autor desconhecido

Anu-branco rabo-de-palha

Garrafa 457 – O Poder do Silêncio 9   Leave a comment

Conforme compromisso assumido anteriormente comigo mesmo, destaco mais uma citação de “O Poder do Silêncio” em que Eckhart Tolle nos aponta um caminho:

“A calma é a única coisa no mundo que não tem forma. Na verdade, ela não é uma coisa e nem pertence a este mundo.”

Pausa para um breve haicai:

calma sem forma,
como coisa alguma,
antes que eu durma…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado na leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Garrafa 445 – Hortênsias em festa   Leave a comment

casa da Vovó,
chuva de primavera,
hortênsias em festa…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Casa da Vovó 012

Garrafa 442 – Acendendo as luzes   Leave a comment

Durante a retomada da leitura de “A Idade dos Milagres – Valorizando a Maturidade” de Marianne Williamson, um trecho que anteriormente tinha passado despercebido, agora me chama a atenção:

“Não existe nada mais satisfatório na vida do que o sentimento de tomar posse de si mesmo. Você não tem mais medo de que alguma fração ainda não integrada à sua personalidade separe-se de você. Finalmente você tem um lar. Explorou todos os quartos, acendeu todas as luzes e tomou posse.”

Bela metáfora do trabalho com a sombra, de explorar todos os cômodos da casa, de abrir aquelas portas que têm permanecido fechadas por muito tempo. De acender as luzes para explorar esse território deliberadamente esquecido e tomar posse de si mesmo, com tudo de luminoso e sombrio que há para ser visto e acolhido.

Pausa para um breve haicai:

nos quartos escuros,
tomando posse de mim,
acendendo luzes…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 427 – Um certo ar matinal   1 comment

Pensativo, nesse final de uma tarde chuvosa de primavera, vasculhei a estante em busca de inspiração para encerrar o dia com dignidade, após ouvir que os problemas com o servidor de e-mail da minha conta mais antiga, que está “instável” desde segunda-feira, ainda não têm previsão de solução. Enquanto isso, alertas de erro aparecem a todo instante, sempre que tento baixar minhas mensagens, sem sucesso. Pequenas frustrações do dia-a-dia com reflexos indesejados no meu bom-humor habitual.

Lembrei-me imediatamente de um poema de Hermann Hesse que falava da importância de estarmos prontos para novos começos e expedi um mandado de busca e apreensão para mim mesmo. Encontrei-o em dois lugares diferentes, com dois títulos também distintos e com duas traduções ligeiramente diferentes. Em “O Jogo das Contas de Vidro” ele aparece como uma das obras póstumas do personagem José Servo com o título “Degraus”. Já na antologia poética “Andares”, aparece como o poema que emprestou seu nome à obra, com o título “Andares”.

Transcrevo e compartilho com os amigos essa pequena e delicada reflexão poética, retirada de “O Jogo das Contas de Vidro”, cuja tradução me agrada um pouco mais:

Assim como as flores murchas e a juventude
Dão lugar à velhice, assim floresce
Cada período de vida, e a sabedoria e a virtude,
Cada um a seu tempo, pois não podem
Durar eternamente. O coração,
A cada chamado da vida deve estar
Pronto para a partida e um novo início,
Para corajosamente e sem tristeza,
Entregar-se a outros, novos compromissos.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver.
Os espaços, um a um, devíamos
Com jovialidade percorrer,
Sem nos deixar prender a nenhum deles
Qual uma pátria;
O Espírito Universal não quer atar-nos
Nem nos quer encerrar, mas sim
Elevar-nos degrau por degrau, nos ampliando o ser.
Se nos sentimos bem aclimatados
Num círculo de vida e habituados,
Nos ameaça o sono; e só quem de contínuo
Está pronto a partir e a viajar,
Se furtará à paralisação do costumeiro.

Mesmo a hora da morte talvez nos envie
Novos espaços recenados
O apelo da vida que nos chama não tem fim…
Sus, coração, despede-te e haure saúde!

Confesso que fui tocado por esse pequeno poema, que fala da inexorável passagem do tempo e de nosso inevitável destino de percorrer o espaço que nos corresponde, de preferência com jovialidade. Desde que o vi pela primeira vez, em algum momento da década de 1970, sinto que gosto especialmente dessa fala: “O coração, a cada chamado da vida deve estar pronto para a partida e um novo início, para corajosamente e sem tristeza, entregar-se a outros, novos compromissos. Em todo o começo reside um encanto que nos protege e ajuda a viver. Os espaços, um a um, devíamos com jovialidade percorrer, sem nos deixar prender a nenhum deles…”

Quando penso nisso, sinto novamente o frescor da manhã, mesmo daquelas mais nubladas, quando iniciamos cada novo dia com renovada disposição. E pensando que esse é um dos nossos grandes desafios, gostaria de transportar esse mesmo frescor para cada momento que se sucede, um após o outro, a cada chamado da vida, especialmente nesse fim de tarde chuvoso.

Um certo ar matinal… Acho que essa atitude mental deveria ser a minha ideal… Uma meta espiritual…

Isso! Corro para encontrar uma imagem que passe essa ideia de frescor matinal e organizar as ideias com a métrica de um haicai:

espiritual,
a atitude mental,
do ar matinal…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Morning Dance” com Spyro Gyra

Ar matinal

Garrafa 409 – Passado, passa!   Leave a comment

adocicado,
meu fruto ressecado:
passado, passa!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Tendo a lua” com Paralamas do Sucesso

passas

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