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Garrafa 498 – Pressentimentos   1 comment

De onde viemos?

Quem somos?

Para onde vamos?

Pausa para um breve haicai:

só pressentido,
no corpo e na alma,
onde sentido?

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Busca de sentido

Garrafa 497 – Elos encadeados   Leave a comment

A credito firmemente que no Universo tudo está interconectado, que vivemos em um mundo interdependente e que nossa simples presença, aqui e agora, reverbera de alguma maneira até os confins da galáxia e da eternidade. E, mais ainda, que cada uma de nossas escolhas, por ação ou omissão, desencadeia nesse mesmo Universo uma série de consequências. Alguns desses resultados podem nos ser favoráveis, de uma perspectiva egóica, e outros, nem tanto. Mas são todos inescapáveis.

Outra maneira de expressar a mesma coisa, como teria feito Pablo Neruda, é  dizer que somos livres para fazer nossas próprias escolhas mas, assim fazendo, nos tornamos prisioneiros de cada uma de suas consequências.

Esse encadeamento de ações e reações, e de fatos e suas respectivas consequências me leva às vezes a pensar na vida como uma grande corrente com elos já previamente “encadeados”, mas cuja conexão efetiva apenas se dá a cada instante, a cada momento. E é interessante notar que a palavra cadeia, de onde a palavra encadeados procede, tanto pode ter como significado uma determinada sequencia de etapas ou estruturas, como também pode significar uma prisão.  Na corrente da vida, quando examinamos cada um dos seu elos, o do nosso momento atual, por exemplo, constatamos que ele está inexoravelmente atrelado aos elos que o precederam, com todas as escolhas que lá ficaram registradas no “Moleskine” do Universo. E, da mesma maneira, estará conectado aos elos que lhe sucederão. E é essa a mesma corrente que nos mantem aprisionados ao nosso passado, pelas consequências de nossas escolhas anteriores no momento atual. Nosso futuro, entretanto,  em alguma medida permanece em nossas próprias mãos, uma vez que os elos seguintes serão automaticamente selecionados apenas após as escolhas que fizermos no aqui e agora. As consequências serão automáticas, ou seja, já há diversos elos prontinhos para entrarem no gramado, fecharem permanentemente sua conexão, dependendo de cada uma das escolhas que fizermos no momento atual. Mas essas mesmas escolhas não precisam ser automáticas, e não o são, estão em aberto! Aqui! Agora! Aqui! Agora! Aqui! Agora! Agora!

Creio que é esse o principal trabalho de nossa consciência, o de iluminar nossas opções, nossas escolhas no momento atual. E de examinar, também, com um olhar apreciativo, as consequências de nossas escolhas do passado. Sistemas adaptativos complexos que somos, podemos e devemos aprender com nossas escolhas anteriores. E a famosa pergunta de aprendizado deve estar sempre presente em nossa consciência, no momento presente:

O que escolho fazer diferente, na próxima vez?

Pausa para um breve haicai:

corrente da vida
um elo de cada vez
encadeado

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Correntes 2

Garrafa 487 – Mudança de casca   Leave a comment

mudança de casca
na pele e na alma:
pronto pra outra!

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Mudança de casca

Garrafa 485 – O pássaro   Leave a comment

Recebi na tarde de ontem, pelo correio, presente de aniversário que enviei para mim mesmo: o último livro de poesias de Zélia Guardiano “Caderno de Desapontamentos”, da Editora Penalux.

Obra cheia de delicadezas poéticas, que sorvi sofregamente de um só gole assim que chegou, será novamente degustada lentamente como convém fazer com o conteúdo das garrafas de vinho das melhores safras e procedências.

Transcrevo abaixo um dos poemas que me encantou:

Parece empalhado
O pássaro que
Ensimesmado
Pousa
Sobre o mourão
Da cerca
De arame farpado

Suas tênues penas
(Só as penas)
Sutilmente
Movem-se
Ao sopro
De uma leve brisa

Ninguém precisa
Perguntar-lhe:
Em que pensa?

Vê-se:
Com olhos
Embaçados
Fixos num ponto
Tenta decifrar
Enigma

(Seria a vida?)

Zélia Guardiano
Foto de autor desconhecido

Anu-branco rabo-de-palha

Garrafa 457 – O Poder do Silêncio 9   Leave a comment

Conforme compromisso assumido anteriormente comigo mesmo, destaco mais uma citação de “O Poder do Silêncio” em que Eckhart Tolle nos aponta um caminho:

“A calma é a única coisa no mundo que não tem forma. Na verdade, ela não é uma coisa e nem pertence a este mundo.”

Pausa para um breve haicai:

calma sem forma,
como coisa alguma,
antes que eu durma…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado na leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Garrafa 445 – Hortênsias em festa   Leave a comment

casa da Vovó,
chuva de primavera,
hortênsias em festa…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Casa da Vovó 012

Garrafa 442 – Acendendo as luzes   Leave a comment

Durante a retomada da leitura de “A Idade dos Milagres – Valorizando a Maturidade” de Marianne Williamson, um trecho que anteriormente tinha passado despercebido, agora me chama a atenção:

“Não existe nada mais satisfatório na vida do que o sentimento de tomar posse de si mesmo. Você não tem mais medo de que alguma fração ainda não integrada à sua personalidade separe-se de você. Finalmente você tem um lar. Explorou todos os quartos, acendeu todas as luzes e tomou posse.”

Bela metáfora do trabalho com a sombra, de explorar todos os cômodos da casa, de abrir aquelas portas que têm permanecido fechadas por muito tempo. De acender as luzes para explorar esse território deliberadamente esquecido e tomar posse de si mesmo, com tudo de luminoso e sombrio que há para ser visto e acolhido.

Pausa para um breve haicai:

nos quartos escuros,
tomando posse de mim,
acendendo luzes…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

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