Arquivo para a Tag ‘sombra

Garrafa 236 – Ying forte   1 comment

dentro da noite
a semente do dia
brilho no olhar!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

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Garrafa 235 – Manhã de outono   Leave a comment

moça bonita!
encolho a barriga
andando na praia…

Eduardo Leal
Cartoon de autor desconhecido

Garrafa 192 – A sombra   Leave a comment

em outra pessoa
o que nos incomoda
é nossa sombra

Eduardo Leal
Foto de Celso Rubens Vieira e Silva

Garrafa 189 – Cinco homens   Leave a comment

1.
Eles os levaram de manhã
para o pátio de pedra
e os puseram contra o muro

cinco homens
dois deles muito jovens
os outros de meia-idade
nada mais
pode ser dito sobre eles

2.
quando o pelotão
aponta seus fuzis
tudo aparece de repente
à luz berrante
da obviedade

o muro amarelo
o azul frio
o arame preto no muro
em vez de um horizonte

esse é o momento
em que os cinco sentidos se rebelam
eles escapariam de bom grado
como ratos de um navio que afunda

antes que a bala chegue a seu destino
o olho perceberá o vôo do projétil
o ouvido registrará o sussurro afiado

as narinas se encherão de fumaça cáustica
uma pétala de sangue roçará o palato
o toque se contrairá e depois se afrouxará
agora jazem no chão
cobertos de sombra até os olhos
o pelotão se afasta
suas abotoaduras
e capacetes de aço
estão mais vivos
que os homens prostrados junto ao muro

3.
Não aprendi isto hoje
Sabia antes de ontem

por que então andei escrevendo
poemas sem importância sobre flores
sobre o que falaram os cinco
na noite antes da execução
de sonhos proféticos
de uma escapada num bordel
de peças de automóvel
de uma viagem por mar
de como quando ele tinha a seqüência de espadas
não a devia ter aberto
de como vodca é o melhor
depois do vinho você tem dor de cabeça
de moças
de frutas
de vida
assim podemos usar em poesia
nomes de pastores gregos
podemos tentar captar a cor do céu da manhã
escrever sobre amor
e também
mais uma vez
com completa gravidade
oferecer ao mundo desiludido
uma rosa

Zbigniew Herbert
Foto de autor desconhecido

Garrafa 114 – Nem sempre sou igual   Leave a comment

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo. 
Mudo, mas não mudo muito.
 
A cor das flores não é a mesma ao sol 
de que quando uma nuvem passa 
ou quando entra a noite 
e as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores. 
 
Por isso quando pareço não concordar comigo,
reparem bem para mim: 
Se estava virado para a direita, 
voltei-me agora para a esquerda, 
mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés — 
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra 
e aos meus olhos e ouvidos atentos 
e à minha clara simplicidade de alma …
 
Alberto Caeiro/Fernando Pessoa
em O Guardador de Rebanhos
 

 
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