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Garrafa 116 – Gato que brincas na rua   Leave a comment

Gato que brincas na rua
como se fosse na cama,
invejo a sorte que é tua
porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
que regem pedras e gentes,
que tens instintos gerais
e sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “O Gato” com Egberto Gismonti

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Garrafa 93 – E Mi Viene da Pensare   Leave a comment

E mi viene da pensare
all’entusiasmo cresciuto per strada
quasi un dovere giocarsi tutto in un colpo solo.

E mi sentivo tanto geniale
come un’idea che non puoi fermare.

E mi viene da pensare
a quante volte ho scritto canzoni
con la mano piena di rabbia e di convinzioni.
E l’impossibile era normale
come un’idea che non puoi fermare.
E mi viene da pensare
a questo vento di primavera
fiore selvaggio che cresce tra i sassi
è come un’idea che non puoi fermare
che non puoi, non vuoi cambiare.

Forse è soltanto un’idea che nasce male
forse è un’idea che cresce male
ma la primavera è inesorabile.

E mi viene da pensare
a questo vento di primavera
fiore selvaggio che cresce tra i sassi
è come un’idea che non puoi fermare
che non puoi, non vuoi cambiare.

Forse è soltanto un’idea che nasce male
forse è un’idea che cresce male
ma la primavera è inesorabile.

V. Nocenzi, G. Nocenzi, F. Di Giacomo

Banco del Mutuo Soccorso – 1979

Garrafa 15 – Para você, com carinho   1 comment

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências …
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinícius de Moraes
Foto de divulgação da Prefeitura Municipal de Foz de Iguaçu – Ponte da Amizade

Ponte da Amizade

 

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