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Garrafa 40 – Às vezes   Leave a comment

Às vezes, quando algum pássaro chama
ou entre os ramos algum vento sopra
ou nalgum pátio longe ladra um cão,
por longo tempo eu escuto e me calo.

Minha alma voa para o passado,
para onde, há mil esquecidos anos,
o pássaro e o vento que soprava
mais pareciam meus irmãos e eu.

Minha alma faz-se uma árvore,
um animal, um tecido de nuvens…
Transfigurada e estranha, volta a mim
e me interroga. Que resposta lhe darei?

Hermann Hesse – Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sometimes” na voz de Karen Carpenter

Vento que passa

Garrafa 39 – A Carta   Leave a comment

Sopra do oeste um vento,
as tílias choram mais;
entre os ramos, a lua
vem espiar meu quarto.

Eu tinha, à amada minha
que me deixara já,
escrito uma longa carta:
na folha reluz o luar.

Ao seu tranquilo clarão
que nas pautas vai pisando
esquece meu coração
lua e prece, choro e sono.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido

A carta

Garrafa 4 – Contemplando o pessegueiro   Leave a comment

No vento da primavera,
as florescências do pêssego
começam a se destacar.

Dúvidas não fazem crescer
ramos e folhas.

Eihei Dogen
Foto de Luciano Lema
Instruções de utilização: Assistir ao vídeo “The Secret of Life” com Alan Watts

 Flor do pessegueiro - Luciano Lema

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