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Garrafa 462 – Em um breve momento de destempero   2 comments

Li outro dia na Internet que Jesus Cristo, isso apenas em Mateus 23, teria xingado 16 vezes os escribas e fariseus.

Os nomes seriam: “hipócritas” (7 vezes), “filhos do inferno” (1), “guias cegos” (2), “tolos e cegos” (3), “sepulcros caiados” (1), “serpentes” (1) e “raça de víboras” (1).

Ora bolas! Se, como acreditam os cristãos, o Evangelho é a “Palavra de Deus” e “Jesus Cristo era isento de pecado”, não podemos concluir que xingar como tal não é em si um pecado? Se tudo o que Ele fez foi justo e virtuoso, não podemos então também deduzir que a atitude de xingar corretamente, no momento certo e pelos motivos certos pode ser encarada como uma virtude?

Não vou aqui nomear quem são os meus assim chamados de “escribas e fariseus”, nem os meus bons motivos. Um dia depois desse primeiro de abril, por muitos celebrado como “o dia da mentira”, eles sabem muito bem quem são e sobre o que estamos falando.

Digo então, apenas uma vez, com o auxílio do meu megafone virtual:

Hipócritas!
Filhos do inferno!
Guias cegos!
Tolos e cegos!
Sepulcros caiados!
Serpentes!
Raça de víboras!

Apesar de minha indignação, ainda encontro bom humor e uma pitada de gentileza para colocar o que penso na métrica de um breve haicai:

por gentileza,
vão pra cuba queos pariu!
antes que esqueça…

Eduardo Leal
Ilustrações de autores desconhecidos

Circuito de megafone caseiro

Megafone

Garrafa 364 – Intolerância   1 comment

Volta e meia releio “A Lei do Triunfo”, clássico de Napoleon Hill publicado em 1928, em busca de inspiração e novas percepções e “insights”.

Nas ultimas semanas, durante a visita da cubana Yoani Sanchez ao Brasil, enquanto testemunhava com tristeza diversas demonstrações de intolerância política em várias partes do país por onde ela passou, encontrei esse texto sobre a importância da tolerância:

“Quando a aurora da Inteligência tiver espalhado as suas asas sobre o horizonte do progresso humano, e a ignorância e a superstição tiverem deixado as suas ultimas pegadas nas areias do Tempo, será registrado, no último capítulo do livro que registra os crimes e erros dos homens, que o seu pecado mais grave foi a intolerância.

A intolerância mais cruel nasce dos preconceitos religiosos, raciais e econômicos e das diferenças de opinião, como resultado da educação. Por quanto tempo ó Senhor dos destinos humanos, nós, os pobres mortais, viveremos ainda sem compreender que é loucura procurar destruir um ao outro, unicamente por diferença de dogmas e crenças religiosas, tendências raciais e outras questões superficiais?

Nossa vida na terra é apenas um breve momento!

Como a luz de uma vela, ardemos, brilhamos por um instante e logo em seguida nos extinguimos. Por que não podemos fazer essa breve jornada terrestre de tal maneira que, quando a grande caravana da morte anunciar que está terminada a nossa visita, estejamos prontos para dobrar as nossas tendas e silenciosamente, como os árabes do deserto, seguir para o grande mistério, sem medo e sem temor?

Espero não encontrar judeus nem pagãos, católicos nem protestantes, alemães nem ingleses, franceses ou russos, brancos ou pretos, vermelhos ou amarelos, quando tiver cruzado a barreira para o outro lado.

Então, espero encontrar lá apenas almas humanas, todos irmãos, sem distinção de raça, credo ou cor; desejo que não haja então intolerância, pois quero repousar em paz, livre da ignorância, da superstição e das incompreensões mesquinhas que tornam a nossa vida terrestre um caos de tristeza e sofrimento.”

Pausa para um breve haicai:

intolerantes
falam em democracia…
como em Cuba?

Eduardo Leal
Foto de Ueslei Marcelino (Reuters)

Protestos orquestrados por Cuba e partidos de esquerda, durante visita de Yoani

Protestos orquestrados por Cuba e partidos de esquerda, durante visita de Yoani

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