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Garrafa 400 – Despedidas   Leave a comment

Dentro de um livro esquecido, haicai parido em noite escura de 2010 e ainda não postado.

Após reencontro comigo mesmo, o barco finalmente partiu…

pra voltar jamais
barco pronto pra partir
é noite no cais…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir Harbor Nights com Spyro Gyra

Noite no cais

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Garrafa 293 – Mão na maçaneta 2   1 comment

não quero ficar,
a menos que eu saiba
que posso partir…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Eu te amo”, de Tom Jobim e Chico Buarque, na voz de Chico Buarque.

P.S. A respeito da escolha da trilha sonora, feita há alguns anos atrás, devo dizer que admiro a obra poética e musical do Chico Buarque, mas discordo completamente de sua militância política, defendendo abertamente regimes autocráticos e ditatoriais, e desejando que o modelo cubano seja a opção para o nosso país e seus vizinhos latino-americanos. Atitude hipócrita de quem necessita do máximo de liberdade para criação e divulgação de sua obra, como do próprio ar que respira, e flerta descaradamente com regimes restritivos de liberdade de expressão. E ainda deseja posar de “defensor da democracia”. Idiotice e incongruência, a meu juízo. Isso, sem falar da defesa da maior quadrilha de malfeitores que o país já viu instalada no governo e em um mesmo partido político, nos últimos 13 anos. Vade retro! Fazendo um exercício de tolerância, separando obra poética e musical de opções ideológicas, decidi manter, por enquanto, essa música como complemento do texto. É o que penso e sinto. E sinto muito!

Garrafa 292 – Mão na maçaneta 1   1 comment

No ano de 2001, recebi um presente na forma de um apelo para viver uma vida plena no livro “O convite” da escitora canadense Oriah, que na ocasião usava também um sobrenome ritual de “Mountain Dreamer”.

Desde então, essa publicação da Editora Sextante tem me acompanhado e tem sido objeto, ao mesmo tempo, de prazerosa e sofrida reflexão. Transcrevi o texto do convite na Garrafa 84, e mencionei outros trechos que me inspiram na Garrafa 86 e Garrafa 112.

Meu interesse pelas brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai é anterior a isso, mas ganhou um canal de expressão a partir da criação deste Blog em 2005. Neste ano de 2012, em que o Blog completa 7 anos no mês de outubro, escolhi o mês de abril, que é para mim uma das épocas mais bonitas e significativas do ano, para me propor o desafio de publicar um haicai por dia. E escolhi usar a inspiração que me proporcionam as imagens e reflexões que já surgiram, e ainda vão surgir, a partir desse “convite”.

Meu desejo é que as pessoas que têm o hábito de bisbilhotar o conteúdo dessas garrafinhas que lanço no mar da Internet possam, pelo menos, esboçar um leve sorriso…

Recebam todos o meu melhor abraço!

intensamente,
sabendo que posso ir,
desejar ficar…

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Todo sentimento” de Cristovão Bastos e Chico Buarque, na voz de Chico Buarque

P.S. A respeito da escolha da trilha sonora, feita há alguns anos atrás, devo dizer que admiro a obra poética e musical do Chico Buarque, mas discordo completamente de sua militância política, defendendo abertamente regimes autocráticos e ditatoriais, e desejando que o modelo cubano seja a opção para o nosso país e seus vizinhos latino-americanos. Atitude hipócrita de quem necessita do máximo de liberdade para criação e divulgação de sua obra, como do próprio ar que respira, e flerta descaradamente com regimes restritivos de liberdade de expressão. E ainda deseja posar de “defensor da democracia”. Idiotice e incongruência, a meu juízo. Isso, sem falar da defesa da maior quadrilha de malfeitores que o país já viu instalada no governo e em um mesmo partido político, nos últimos 13 anos. Vade retro! Fazendo um exercício de tolerância, separando obra poética e musical de opções ideológicas, decidi manter, por enquanto, essa música como complemento do texto. É o que penso e sinto. E sinto muito!

Garrafa 167 – Devia ser proibido   Leave a comment

devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido

devia ser proibido
estar do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido

Itamar Assumpção e Alice Ruiz
Ilustração de autor desconhecido

devia-ser-proibido

Garrafa 156 – O Explorador   1 comment

We shall not cease from exploration
and the end of all our exploring
will be to arrive where we started
and know the place for the first time.
Não devemos parar de explorar
e o fim de toda a nossa exploração
será chegar onde partimos
e conhecer o lugar pela primeira vez.
T. S. Eliot
Foto de autor desconhecido
explorador

Garrafa 119 – Ausência   Leave a comment

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
Foto de F. Monteiro (Noite) em http://olhares.aeiou.pt/noite/foto451136.html%3cbr

Garrafa 24 – É preciso dizer adeus   Leave a comment

É inútil fingir
Não te quero enganar
É preciso dizer adeus
É melhor esquecer
Sei que devo partir
Só me resta dizer adeus

Ah, eu te peço perdão
Mas te quero lembrar
Como foi lindo
O que morreu

E essa beleza do amor
Que foi tão nossa
E me deixa tão só
Eu não quero perder
Não quero enganar
Não devo trair
Porque tu foste pra mim
Meu amor
Como um dia de sol

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes – 1958
Ilustração de autor desconhecido

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