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Garrafa 502 – O fazer é lei!   1 comment

Diz o provérbio oriental que:

“Do que eu ouço, me esqueço; do que eu vejo, me lembro, e o que eu faço eu sei!”

A milenar sabedoria oriental é confirmada pelo corpo de conhecimentos da Programação Neurolinguístca – PNL e ambos nos indicam que, além de complementaridade, há uma hierarquia entre os canais auditivo, visual e cinestésico, com nítida vantagem para esse ultimo, com relação à capacidade de retenção de informações e memórias e, consequentemente, também, com o nosso próprio processo de aprendizagem. Apesar da importância da imagem, que vale mais do que mil palavras, a ação repetida e a prática introjetam a experiência fazendo com que sua assimilação interior seja mais completa e  duradoura. O que eu faço eu sei!

É na prática que uma determinada teoria é comprovada e seus resultados vêm à luz do dia. É na ação que “malhamos os músculos” da memória e do aprendizado.

O aprender está no fazer!

Pausa para um breve haicai:

por onde andei,
aprender o que não sei,
o fazer é lei!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

O que eu faço eu sei

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Garrafa 213 – Curso de Escutatória   2 comments

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular…

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, […]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas.

Na nossa civilização, se eu falar logo a seguir são duas as possibilidades.

Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”.

Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio, na verdade deve querer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio.

A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

RUBEM ALVES
Ilustração de autor desconhecido

Garrafa 1 – Três coisas e Garrafa 0 (Zero) – Primeiras palavras   1 comment

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…

Portanto, devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo…
Da queda um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro…

Fernando Sabino
Foto Galáxia Messier-81

Galáxia Messier-81

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Garrafa 0 (zero) – Primeiras palavras

A melhor metáfora que encontro para a atitude de criar um BLOG, e mantê-lo em atividade, é aquele curioso hábito que algumas pessoas sonhadoras têm de escrever mensagens, colocá-las dentro de pequenas garrafas e lançá-las ao mar. Algumas trazem informações sobre o remetente e o endereço de destino; outras guardam, para sempre, mais esse segredo. Mas todas, sem exceção, são lançadas na esperança de que alguém, em algum lugar, em algum momento, irá recolhê-las intactas e, com curiosidade e talvez algum assombro, tomar conhecimento do seu conteúdo.

Sou uma dessas estranhas criaturas. Lanço garrafas ao mar…

Que correntes as levarão, e que pessoas as encontrarão?

E o que estarão vendo, ouvindo e sentindo, quando isso ocorrer?

Quem sabe?

Vivemos na Era da Informação e a maior parte das notícias que leio nos jornais, nas revistas e na própria Internet; ouço no rádio e vejo na TV não me agrada.

Meu propósito é, simplesmente, lançar garrafas com mensagens positivas e agradáveis, de acordo com a minha “Visão de Mundo”. E mesmo quando abordar temas pesados e desconfortáveis, pois a vida também é feita dessas coisas, estarei buscando enfocar o seu lado construtivo.

Minhas garrafas contém, entre outras coisas:

• Contos, metáforas, poemas e pequenos haicai (“Um haicai não é um poema, não é literatura: é um aceno de mão, uma porta entreaberta, um espelho polido.” Allan Watts);
• Letras de músicas que encontro de maneira apressada na Internet, após ouvi-las no radio do carro, durante um terrível engarrafamento, e que foram capazes de me emocionar e iluminar, mesmo que tenha sido por um breve momento;
• Minha trilha sonora: música, música e mais música, que sem ela, a vida seria muito triste;
• Dicas sobre meus livros preferidos (tenho sempre algum deles ao alcance da mão);
• Informações sobre outros Sites e Blogs interessantes;
• Frases soltas, lembranças e fragmentos de sonhos; e
• Imagens, fotografias de amigos e da família, paisagens e pinturas.

A autoria de todo esse material, desde que seja do meu conhecimento, será sempre mencionada e peço que me complementem e corrijam, quando for o caso.

Enfim, são visões compartilhadas; é tudo o que me mantém vivo, desperto e apaixonado.

Se alguém, em algum lugar, em algum momento, encontrando uma dessas garrafinhas, ao bisbilhotar o seu conteúdo:

• esboçar o mais leve sorriso;
• ouvir aquele ruído característico de uma ficha caindo dentro da própria cabeça;
• se lembrar, com carinho, de algum amor antigo ou atual, que já não veja há muito tempo (às vezes cinco minutos parecem uma eternidade); ou
• for levado a refletir sobre a própria vida, a dos seus semelhantes e sobre os destinos desse nosso pequeno planeta azul…

Já terá valido a pena.

Eduardo Leal
Composição fotográfica de Carlos Fernando Souza Leal com fotos de autores desconhecidos

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