Arquivo para a Tag ‘oração

Garrafa 287 – Em uma manhã de sol   Leave a comment

Em sua obra “Grande Sertão: Veredas”, repleta da sabedoria de homens simples profundamente conectados com seu ambiente natural, já nos dizia João Guimarães Rosa: “Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo.” Ou, na linguagem da moderna neurociência: percebemos o mundo por meio dos nossos sentidos, filtrados pelas nossas crenças e valores atuais e experiências anteriores, num processo de contínuo aprendizado. O mesmo fato, presenciado por duas pessoas diferentes, suscitará diferentes interpretações.

Mas gosto de pensar que possa haver algo mais, além de nossas limitadas e relativas interpretações individuais: O todo! O Absoluto! O Uno!

Enquanto o dia amanhece, refletindo a respeito a partir das minhas próprias percepções, imagino que talvez somente aqueles mestres iluminados, que alcançaram um nível de consciência além da mente, vejam as coisas tais como elas realmente são, com sua vibração unica e, ao mesmo tempo, conectadas de maneira harmônica com todas as outras coisas do Universo. Para os ainda não iluminados, como a maioria de nós, talvez um breve lampejo dessa visão nos seja permitida apenas no silêncio de uma fervorosa oração, em um estado de profunda meditação ou amorosa contemplação. Ou talvez ainda, quem sabe, para duas pessoas verdadeiramente apaixonadas, durante aquele beijo, no encontro de corpos que se entregam naquela doce vertigem ou, simplesmente, naquela troca de olhares… Quem sabe também, em decisão de copa do mundo, minuto final e gol de desempate a favor da nossa seleção… Nesses breves momentos, parece que vemos o mundo como ele realmente é… e ele é perfeito do jeito que está!

Enquanto isso não acontece, nessa linda manhã de sol, ouço o canto de uma cigarra e penso comigo mesmo:

nem todos verão,
no canto da cigarra,
o mesmo verão.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Estrada do sol” na voz de Nana e Dori Caymmi

Garrafa 283 – Message in a bottle   Leave a comment

Na madrugada de hoje vi novamente, e sempre que vejo me emociono: o filme baseado no romance de Nicholas Sparks “Message in a bottle”, lançado em 1999.

Transcrevo a mensagem de Catherine, que também lanço no mar da Internet:

“To all the ships at sea, and all the ports of call. To my family and to all friends and strangers. This is a message, and a prayer.

The message is that my travels taught me a great truth. I already had what everyone is searching for and few ever find. The one person in the world who I was born to love forever.

A person, like me, of the outer banks and the blue Atlantic mystery. A person rich in simple treasures. Self-made. Self-taught. A harbor where I am forever home. And no wind, or trouble or even a little death can knock down this house.

The prayer is that everyone in the world can know this kind of love and be healed by it.

If my prayer is heard, there will be an erasing of all guilt and all regret and an end to all anger.

Please, God. Amen.”

—————————————————————————————————————

“A todos os navios no mar, e a todos os portos de chamada. À minha família e a todos os amigos e desconhecidos. Esta é uma mensagem, e uma oração.

A mensagem é que minhas jornadas me ensinaram uma grande verdade. Eu já tive o que todos estão procurarando e poucos encontram. Aquela pessoa no mundo que eu nasci para amar para sempre.

Uma pessoa, como eu, dos bancos exteriores e dos mistérios do Atlântico azul. Uma pessoa rica em tesouros simples. Que se fez por si própria. Que aprendeu consigo mesma. Um porto onde eu me sinto sempre em casa. E nenhum vento, ou problema ou mesmo uma pequena morte podem fazer desmoronar esta casa.

A oração é que todos no mundo possam conhecer esse tipo do amor e possam ser curados por ele.

Se minha prece for ouvida, haverá um apagamento de toda a culpa e de todo o pesar e um fim para toda a raiva.

Por favor, Deus. Amem.”

Garrafa 35 – É preciso não esquecer nada   Leave a comment

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a ideia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles
Ilustração de autor desconhecido

Aprendizado

%d blogueiros gostam disto: