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Garrafa 520 – Em direção à noite   2 comments

Os belos dias de outono são sempre especiais pra mim. Junto com os dias de primavera, longe dos extremos de calor e frio mais intenso, são minha época preferida ao longo do ano.

Sou seduzido pela qualidade da luz que ilumina o céu com seu azul profundo e, filtrada pela copa das árvores, salpica a calçada e projeta minha sombra aqui e ali durante as caminhadas diárias.

Hoje à tarde, breves rajadas de vento sudoeste trouxeram ao quadrante de Universo em que me encontro algumas nuvens de algodão. Elas se destacam contra o azul intenso que parece se aprofundar cada vez mais rumo ao infinito do espaço.

Nuvens silenciosas acompanhadas de bandos de aves marinhas tagarelas não deixam rastros em seu caminho na direção oposta ao por do sol, rumo à noite que se avizinha. A sombra movente envolve silenciosamente meus pensamentos com sua capa cada vez mais escura.

Onde o azul? Agora, azul negro… Agora, negrume.

Pausa para outro breve haicai.

no fim da tarde,
em direção à noite,
aves marinhas.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Aves marinhas

Garrafa 424 – Mil vagalumes   Leave a comment

Tenho andado interessado em investigar meu lado sombrio, estimulado por um curso de Cabala, do qual estou participando e já inspirou um post no início do mês passado.

Compartilho uma dica com os amigos, fruto da leitura de “O Efeito Sombra” escrito em coautoria por Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson.

A definição de sombra proposta por Debbie Ford me pareceu interessante e apresento alguns trechos de sua fala:

O grande psicólogo C. G. Jung dizia que a sombra é a pessoa que preferíamos não ser…
A sombra é tudo o que nos irrita, horroriza ou descontenta em relação às pessoas e a nós mesmos. Com essa sabedoria à mão, começamos a ver que a sombra é tudo o que tentamos esconder daqueles que amamos e tudo o que não queremos que os outros saibam a nosso respeito.
Nossa sombra é feita de pensamentos, emoções e impulsos que julgamos excessivamente dolorosos, constrangedores ou desagradáveis de aceitar. Portanto, em vez de lidar com eles nós os reprimimos – e os lacramos em alguma parte de nossa psique, para que não seja preciso sentir o peso e a vergonha que carregamos por causa deles.
É nosso lado sombrio – o lado reprimido e os aspectos repudiados de nossa personalidade.

Diante disso, Debbie Ford sugere que tornar-se intimo de sua sombra é uma das investigações mais fascinantes e frutíferas que você poderá fazer. É uma jornada misteriosa que o conduzirá a descobrir o seu self mais autêntico – um lugar onde você se sente à vontade com quem você é, onde reconhece suas fraquezas e seus pontos fortes, onde pode apreciar seus talentos, admitir suas imperfeições e admirar sua grandeza…

Ela nos diz ainda que é irônico que para encontrar a coragem de levar uma vida autêntica, você terá que entrar nos cantos escuros do seu self mais forjado. Você precisa confrontar exatamente aquelas suas partes que mais teme e encontrar o que estava procurando, porque o mecanismo que o leva a esconder sua escuridão é o mesmo que o faz esconder a luz. Aquilo do que você anda se escondendo pode, na verdade, lhe dar o que você vem tentando encontrar com tanto afinco.

Dito isto, apresento um resumo da sugestão proposta por Deepak Chopra para lidarmos com a nossa sombra:

1. Reconheça sua sombra, quando ela trouxer negatividade para sua vida;
2. Abrace e perdoe sua sombra. Transforme um obstáculo indesejado em um aliado;
3. Pergunte a si mesmo que condições estão dando origem à sombra: estresse, anonimato, permissão para causar danos, pressão de colegas, passividade, condições desumanas, uma mentalidade “nós versus eles”;
4. Compartilhe seus sentimentos com alguém em quem confie: um terapeuta, um amigo de confiança, um bom ouvinte, um conselheiro ou confidente;
5. Inclua um componente físico: trabalho corporal, liberação de energia, respiração de ioga, cura interativa;
6. Para mudar o coletivo, mude a si mesmo – projetar e julgar “os outros” como malfeitores só aumenta o poder da sombra;
7. Pratique a meditação, de modo a experimentar a consciência pura, que está além da sombra.

Assim, como nos propõe Debbie, quando a sombra é abraçada, ela irá curar nosso coração e nos abrir a novas oportunidades, novos comportamentos e um novo futuro.

Instigado por esse grande desafio e partidário que sou de um bom abraço, já me vejo nos próximos meses tateando na escuridão em busca de minha sombra, sem nenhuma dúvida com o coração ainda bastante assustado, mas recitando silenciosamente um breve haicai:

puro negrume,
abraço minha sombra…
mil vagalumes!

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Assistir ao filme “The Sahadow Effect”

Mil vagalumes

Garrafa 255 – Relâmpago!   Leave a comment

no meio da noite…
oh! olha lá! você viu?
depois… negrume…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Publicado 28/06/2011 por Eduardo Leal em Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku

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