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Garrafa 158 – As Estações da Alma   1 comment

Para cada coisa há uma estação, e um tempo para cada propósito sobre a terra:
um tempo para nascer e um tempo para morrer;
um tempo para plantar e um tempo para colher o que foi plantado;
um tempo para matar e um tempo para curar;
um tempo para destruir e um tempo para construir;
um tempo para chorar e um tempo para rir;
um tempo para lamentar e um tempo para dançar;
um tempo para se desfazer das pedras e um tempo para recolhê-las;
um tempo para abraçar e um tempo para abster-se do abraço;
um tempo para ganhar e um tempo para perder;
um tempo para guardar e um tempo para jogar fora;
um tempo para rasgar e um tempo para costurar;
um tempo para se calar e um tempo para falar;
um tempo para amar e um tempo para odiar;
um tempo de guerra e um tempo de paz.
Eclesiastes
Foto de autor desconhecido.
Veja em: http://inusitatus.blogtvbrasil.com.br/img/Image/Inusitatus/2007/Setembro/quatro_estacoes_1a.jpg

Garrafa 119 – Ausência   Leave a comment

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
Foto de F. Monteiro (Noite) em http://olhares.aeiou.pt/noite/foto451136.html%3cbr

Garrafa 12 – Canção   Leave a comment

Viver não dói. O que dói
é a vida que não se vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.

Emílio Moura

Ilustração de autor desconhecido.
Instruções de utilização: Ouvir “A Song for You” na voz de Karen Carpenter

Solidão 2

 

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