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Garrafa 477 – Sem medo da fera   Leave a comment

Desde as primeiras viagens espaciais orbitais e lunares, é impactante a experiência de se contemplar a visão nosso planeta azul com sua fina atmosfera, percorrendo silenciosamente sua órbita ao redor do sol, acompanhado por seu belo e deserto satélite, ambos suspensos no espaço infinito e escuro. E, ao mesmo tempo, é assustador observar as pequenas marcas e o já perceptível impacto da presença humana na superfície desses dois astros que, mansamente, flutuam nesse ambiente cósmico. Tudo isso pode ser um oportuno convite para o aprofundamento das nossas reflexões e experiências a partir dessas percepções.

Algumas pessoas já se sentem encorajadas a pensar no ambiente mais amplo, o ambiente “Kósmico”, que inclui a não só a matéria, a vida, as emoções e a mente, mas também nossa Alma, em sua caminhada em direção ao nível do Espírito.

Começamos a perceber coletivamente que não vivemos apenas em nossos pequenos apartamentos ou casas, em ilusórias fronteiras internas e externas delimitadas por muros e cercas, em nossas cidades, estados, países ou continentes. Vivemos, isso sim, todos juntos, na grande espaçonave terrestre, abraçada por sua fina e frágil atmosfera, nossa biosfera, nesse encontro delicado e vital que começamos a ameaçar com nossa presença, desde que há cerca de seis milhões de anos, iniciamos nossa trajetória humana, como descrita nas palavras de Plotino, “equilibrados a meio caminho entre os deuses e as feras”.

E a continuação do desenvolvimento de nosso atual nível consciência focado na razão, em direção a transcendê-la e aos seus níveis precedentes (emocional, vital e material), para alcançar a visão a partir do nível do Espírito é nossa única esperança de um futuro sustentável como espécie, cujos integrantes começam a se dar conta de onde vieram, quem são e para onde estão se dirigindo.

Nessa manhã de outono, respiro o ar fresco e cheio de umidade na praia da Barra da Tijuca, e penso comigo mesmo:

atmosfera
abraça o planeta
sem medo da fera…

Eduardo Leal
Foto NASA
Instruções de utilização: Assistir ao documentário “Visão Global – Uma Nova Perspectiva do Nosso Planeta”

Terra

Garrafa 464 – Que desperdício!   Leave a comment

Sexo e Política são sempre temas instigantes. Para quem gosta disso, é claro!

Vamos primeiro à Política.

Nas ultimas semanas, a sociedade brasileira foi surpreendida com notícias infundadas dando conta de que, em uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 65,1% dos participantes teriam declarado que as mulheres seriam responsáveis pelas situações de estupro de que foram vítimas, tendo concordado inteiramente ou parcialmente com a afirmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Embora haja pessoas de baixíssimo Nível de Consciência que podem pensar assim, esse absurdo estatístico foi desmentido uma semana depois, quando o instituto afirmou que o percentual correto é 26%. Esse erro grosseiro vindo de um instituto até então respeitado, demonstrou que poderia apenas se tratar de mais uma tentativa, entre tantas outras que temos testemunhado, de utilização de órgãos públicos “aparelhados ideologicamente” em benefício (!!!???) da criação de um clima, inicialmente de surpresa e, a seguir, de revolta contra uma suposta atitude machista que prevaleceria em grandes parcelas de nossa população.

Pode-se supor que essa manobra de comunicação terrorista tenha tido dois propósitos bem definidos:

a) Desviar a atenção das pessoas, em um momento em que pesquisas de todos os tipos indicam uma insatisfação crescente da população esclarecida com a gestão da atual presidente, com os rumos autocráticos e totalitários (ditadura de esquerda modelos cubano e venezuelano) que sinaliza que deseja que o Brasil trilhe, com suas próprias atitudes e as de seus principais assessores, e as roubalheiras e falcatruas de seu partido que vêm sendo expostas em livros e artigos na mídia independente que ainda temos; e

b) Fazer com que, de alguma maneira transversa, a população se sinta inclinada a apoiar, simpatizar e legitimar quaisquer atitudes e iniciativas de mulheres que estejam em qualquer cargo ou posição de mando ou de influência, por serem supostamente vítimas de uma sociedade machista e abusiva e contra a qual estão legitimamente lutando e em processo de promoção de mudanças. A direção dessas mudanças não viria ao caso, pela indignação criada contra a situação atual, algo como “qualquer coisa será melhor do que esse atual estado de coisas”.

Um verdadeiro Estado de “Coisas” é o que vejo na área política, mas não é isso o que desejo enfatizar nesta mensagem.

Vamos ao sexo, então.

Na mesma época de divulgação dessas notícias e dos comentários que se seguiram, ainda reverberavam em minha mente e no meu coração as informações recebidas em um Curso de Cabala de que estou participando dando conta que os cabalistas acreditam que a oportunidade de se gerar a maior quantidade de Luz, nesse plano de existência em que nos encontramos, é no momento do saudável encontro amoroso físico e sexual entre um homem e uma mulher.

Isso não foi dito, mas posso supor e intuir por contraste e oposição, que um estupro seja uma das oportunidades de se gerar máxima escuridão: O momento em que uma pessoa é submetida por outra, de maneira não consentida e, muito ao contrário com enorme repulsa, a uma situação de máxima intimidade sexual. Muito mais escuridão certamente para o autor desse crime hediondo, mas de alguma forma também reverberando em zonas de penumbra para a vítima, forçada a uma caminhada pelo inferno, na terra.

E minhas reflexões me conduziram para outra questão: Em época de escassez generalizada de Luz (de maneira literal, de luz elétrica e também metafórica, de Luz do Espírito), a situação de enorme desperdício de “Geração de Luz” que são todas aquelas situações de falta e ausência de consumação do amor pleno entre um homem e uma mulher pelas mais variadas razões.

Muitos desses motivos estão associados ao medo, em suas diversas formas, e outros tantos por puro e simples preconceito, seja de cunho religioso, racial ou social, e levando todos a situações de abstinência de amor por escolha consciente ou inconsciente.

Algumas situações desse tipo podem ser explicadas por uma separação física real, quando um ou ambos os parceiros estão na prisão, ou vivendo em locais separados por grandes distâncias, em continentes diferentes, em países diferentes, em cidades diferentes. Mas, e quando essas pessoas, morando na mesma cidade, apenas em bairros diferentes, e algumas provavelmente vivendo no mesmo bairro, no mesmo edifício, quem sabe, se abstém de gerar Luz simplesmente por não se permitirem vivenciar o amor pleno entre duas almas gêmeas que se buscam, e que se encontram ao longo do caminho?

Como pode uma coisa dessas ainda acontecer no Século XXI?

Que desperdício!

Atenção vocês aí dos porões da escuridão! Não se trata aqui de se fazer uma apologia da promiscuidade. Com uma desculpa e argumentos cabalísticos, vamos lá! Sair “Gerando Luz” por aí criando curtos circuitos de gratificação imediata de sexo por simples diversão e lazer, isso é vício! Muito pelo contrário!

A seleção da pessoa que está em condições de merecer esse convite para mergulhar conosco no grande abismo, de compartilhar aquela vertigem, deve ser feita de maneira extremamente cuidadosa. E a intenção durante esse voo compartilhado deve ser muito mais de oferecer prazer para nossos parceiros e parceiras do que a de simples obtenção de prazer para nós mesmos. E não perdem nada por esperar aqueles que aguardam pela pessoa certa, pelo momento certo. Mas, tendo essa pessoa sido encontrada, esperar o que, esperar por que?

Felizes daqueles que já encontraram parceiros e parceiras confiáveis, ao longo do caminho, e não desperdiçaram essa tremenda oportunidade de amar que nos é oferecida, e de dar esse grande salto no vazio, ao longo de nossa passagem por esse pequeno planeta azul. E felizes daqueles que ainda buscam, e se permitem encontrar o amor, onde e quando ele possa ser alcançado.

Como sempre faço, também de maneira amorosa, brinco com as palavras com a métrica de um breve haicai:

que desperdício!
amor pleno macho-fêmea,
que vira vício…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Bittersweet” com Spyro Gyra

Salto duplo wingsuit

Publicado 12/04/2014 por Eduardo Leal em Cabala, Coaching, Crenças, Espiritualidade, Filosofia, Fotografias, Gestão Pessoal, Haicai, Haikai, Haiku, Kabbalah, Música, Política, Prosa, Saúde e bem-estar

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Garrafa 435 – O Poder do Silêncio 5   Leave a comment

Conforme compromisso assumido anteriormente comigo mesmo, destaco mais uma citação de “O Poder do Silêncio” em que Eckhart Tolle nos aponta um caminho:

“Quando você olha para uma árvore e percebe a calma da árvore, você também se acalma. Você se conecta à árvore num nível muito profundo. Você sente uma unidade com tudo o que percebe na calma e através dela. Sentir a sua unidade com todas as coisas é amor.”

Pausa para um breve haicai:

raiz na terra,
a árvore da vida,
sem medo da serra…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado na leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Garrafa 364 – Intolerância   1 comment

Volta e meia releio “A Lei do Triunfo”, clássico de Napoleon Hill publicado em 1928, em busca de inspiração e novas percepções e “insights”.

Nas ultimas semanas, durante a visita da cubana Yoani Sanchez ao Brasil, enquanto testemunhava com tristeza diversas demonstrações de intolerância política em várias partes do país por onde ela passou, encontrei esse texto sobre a importância da tolerância:

“Quando a aurora da Inteligência tiver espalhado as suas asas sobre o horizonte do progresso humano, e a ignorância e a superstição tiverem deixado as suas ultimas pegadas nas areias do Tempo, será registrado, no último capítulo do livro que registra os crimes e erros dos homens, que o seu pecado mais grave foi a intolerância.

A intolerância mais cruel nasce dos preconceitos religiosos, raciais e econômicos e das diferenças de opinião, como resultado da educação. Por quanto tempo ó Senhor dos destinos humanos, nós, os pobres mortais, viveremos ainda sem compreender que é loucura procurar destruir um ao outro, unicamente por diferença de dogmas e crenças religiosas, tendências raciais e outras questões superficiais?

Nossa vida na terra é apenas um breve momento!

Como a luz de uma vela, ardemos, brilhamos por um instante e logo em seguida nos extinguimos. Por que não podemos fazer essa breve jornada terrestre de tal maneira que, quando a grande caravana da morte anunciar que está terminada a nossa visita, estejamos prontos para dobrar as nossas tendas e silenciosamente, como os árabes do deserto, seguir para o grande mistério, sem medo e sem temor?

Espero não encontrar judeus nem pagãos, católicos nem protestantes, alemães nem ingleses, franceses ou russos, brancos ou pretos, vermelhos ou amarelos, quando tiver cruzado a barreira para o outro lado.

Então, espero encontrar lá apenas almas humanas, todos irmãos, sem distinção de raça, credo ou cor; desejo que não haja então intolerância, pois quero repousar em paz, livre da ignorância, da superstição e das incompreensões mesquinhas que tornam a nossa vida terrestre um caos de tristeza e sofrimento.”

Pausa para um breve haicai:

intolerantes
falam em democracia…
como em Cuba?

Eduardo Leal
Foto de Ueslei Marcelino (Reuters)

Protestos orquestrados por Cuba e partidos de esquerda, durante visita de Yoani

Protestos orquestrados por Cuba e partidos de esquerda, durante visita de Yoani

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Garrafa 301 – Desejo ardente   Leave a comment

do que o medo,
deixar que o desejo
cresça muito mais!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de Samuel Caldeira

Garrafa 214 – Palavras são janelas (ou são paredes)   4 comments

Sinto-me tão condenada por tuas palavras,
tão julgada e dispensada.
Antes de ir, preciso saber:
Foi isso que você quis dizer?
Antes que eu me levante em minha defesa,
antes que eu fale com mágoa ou medo,
antes que eu erga aquela muralha de palavras,
responda: eu realmente ouvi isso?

Palavras são janelas ou paredes.
Elas nos condenam ou nos libertam.

Quando eu falar e quando eu ouvir,
que a luz do amor brilhe através de mim.

Há coisas que preciso dizer,
coisas que significam muito para mim.
Se minhas palavras não forem claras,
você me ajudará a me libertar?
Se pareci menosprezar você,
se você sentiu que não me importei,
tente escutar por entre as minhas palavras
os sentimentos que compartilhamos.

Ruth Bebermeyer
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Nothing to say” na voz de Ian Anderson com Jethro Tull

Garrafa 177 – O Fator Confiança   Leave a comment

Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados para o cargo.
Nosso medo mais profundo é que sejamos excessivamente poderosos.
É nossa luz e não nossas sombras, o que nos amedronta.
Perguntamos a nós mesmos: quem somos nós para sermos brilhantes, maravilhosos, talentosos, fabulosos?
Na verdade, quem não devemos ser?
Vós sois filhos de Deus.
Ser humilde nos atos em nada serve ao mundo.
Não há nada de iluminado em retrair-se para que os demais não se sintam inseguros em vossa presença.
Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus que está em nós.
E na medida em que deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente damos aos demais permissão para que façam o mesmo.
Na medida em que nos libertamos de nossos medos, nossa presença liberta automaticamente os demais.
 
Fonte: A Return to Love – Marianne Williamson
Discurso de Posse de Nelson Mandela, 1984
Foto de autor desconhecido
 

Publicado 27/12/2008 por Eduardo Leal em Crenças

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