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Garrafa 375 – Para a mãe dos meus filhos   1 comment

um mamão docinho
no seu café da manhã
ofereci com carinho

uma mão lova a outra

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Café da manhã

Garrafa 349 – Acenos de mão   2 comments

Mais uma madrugada insone, pensamento disperso e, ao mesmo tempo, com a atenção volta e meia guiada pelos ruídos, vultos, sombras e luzes que entram pela janela do quarto, enquanto passam silenciosos os minutos e as horas…

Na lua nova, por três dias ela se torna escura e “desaparece” para renascer e ressuscitar, outra vez, em um novo ciclo.

Lua escura vagando noite adentro e em algum lugar escondida, céu sem nuvens e o Cruzeiro do Sul cintilando acima das árvores fracamente iluminadas pelos postes da pracinha… Sim, minha paisagem aponta para o sul! Sul do ego, sul da noite, sul do planeta, sul da galáxia, sul do Universo… E tão ao sul como um sultão, permaneço ao sul de mim mesmo.

As folhas de duas amendoeiras, algumas bem verdes e outras em diversos tons de marrom, que preservo na memória do dia que passou e que não volta mais, se destacam nessa paisagem noturna, todas agora em tons de cinza claro ou mais escuro.

Olhar desfocado no intervalo entre dois pensamentos, de repente a brisa fresca da madrugada de inverno move gentilmente as folhas das amendoeiras. E parece que uma multidão de mãos, em suave sincronia, acena silenciosamente pra mim do sul da noite, do sul do planeta… E percebo também que, às vezes, algumas folhas se desprendem e, parecendo ainda acenar, só que agora de maneira mais confusa, desaparecem na escuridão…

Quem serão essas pessoas? Porque me acenam na penumbra? O que podem querer me dizer? Amigos e amigas que conheci e nunca mais verei? Onde estarão e para onde irão? Parentes, parceiros e parceiras que se foram ou se vão? Amores que nunca terei?

Surpreendo-me acenando de volta, grito preso na garganta, gesto impensado com o coração sobressaltado… E me levanto silencioso, em busca de papel e lápis.

Pausa para um breve haicai…

folhas ao vento.
de pessoas que se vão,
acenos de mão…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Folhas ao Vento” na voz de Lanna Rodrigues

Garrafa 345 – Ao alcance da mão   Leave a comment

Nos últimos dias, andei às voltas com a leitura de um livro que me foi apresentado pela minha irmã, por conta de um projeto que estaremos iniciando nas próximas semanas. Trata dos princípios gerenciais que têm sido utilizados pela Ordem das Missionárias da Caridade, organização criada e gerenciada por Madre Teresa de Calcutá, a famosa freira albanesa que se estabeleceu nas favelas de Calcutá. Quando ela morreu, 47 anos depois de ter criado a ordem, ela estava operando 594 missões em mais de cem países, com cerca de um milhão de colaboradores.

Seu trabalho, que se refletiu em sua organização, foi fruto de sua Missão e Visão alinhadas com a idéia de “Servir aos mais pobres, entre os pobres…”

Essa prazerosa leitura tem me proporcionado algumas oportunidades de reflexão e uma citação em especial, atribuída a Madre Teresa, atraiu minha atenção logo nas primeiras páginas: “O amor é um fruto de todas as estações e está ao alcance de cada mão.”

Achei a metáfora genial e, brincando com a métrica de um breve haicai, escrevi ao pé da página:

frutos na sua mão,
em todas as estações:
amor, compaixão!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “Madre Teresa, CEO” de Ruma Bose e Lou Faust
Foto de autor desconhecido

Garrafa 273 – Linha da vida   1 comment

Há alguns anos, uma bela mulher com alma cigana tocou de leve minha mão, acenou com lindas promessas e se foi…

na palma da mão,
linha da vida… via
de mão única!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “The witch´s promise” na voz de Ian Anderson com Jethro Tull

Garrafa 129 – Fases da lua   2 comments

Noite de inverno em um quarto de hotel em Nara.

Minhas duas filhas já se recolheram e permanecem bem encolhidas debaixo das cobertas no quarto ao lado. E meu sobrinho, que me acompanhou nessa viagem pelo sul do Japão, também dorme profundamente no beliche em cima da minha cama.

Na mesinha, ao alcance da mão, um bloco de anotações e uma caneta esperam, há algum tempo, que algum hóspede registre um número de telefone importante, faça alguns rabiscos sem nexo ou, quem sabe, escreva uma carta de amor…

Nenhum ruído do lado de fora, enquanto a luz da lua entra pela janela, filtrada pelo ar gelado…

O quarto pequeno, na penumbra, parece crescer de tamanho enquanto observo um pequeno trecho de céu sem estrelas.

E, de repente, sou invadido por uma saudade enorme!
Saudades de um futuro que não volta mais…

Com um pequeno sobressalto, rabisco no bloco de notas um breve haicai:

quarto crescente,
madrugada gelada,
você minguante…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido

Fases da lua

 

Garrafa 34 – Cantiga para não morrer   Leave a comment

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Ferreira Gullar
Foto de autor desconhecido

Esquecimento

Garrafa 14 – El dia – O dia   Leave a comment

El dia abre la mano
Tres nubes
Y estas pocas palabras

O dia abre a mão
Três nuvens
E estas poucas palavras

Octavio Paz
Foto de Nuno Serrão

Nuvem lenticular - Nuno Serrão

 

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