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Garrafa 503 – Arco esticado, íris brilhante!   Leave a comment

Em busca de inspiração para minhas brincadeiras com as palavras com a métrica do haicai, volta e meia  minha atenção é despertada pela percepção de alguma sensação corporal inesperada; pela visão de alguma imagem interessante ou pela leitura de algum texto instigante; pela escuta de algum som ou música suave ou surpreendente; pela detecção da presença de algum odor agradável ou repulsivo; ou pela degustação de alguma comida saborosa ou estranha ao próprio paladar.

E, muito frequentemente, isso ocorre pela sinestesia, ou a ocorrência simultânea de algumas dessas situações: uma sensação corporal que evoca uma imagem armazenada na memória afetiva, ou vice-versa; a associação do odor e do sabor de determinadas comidas ou bebidas com os lugares e pessoas em companhia de quem elas foram degustadas; ou de um perfume suave e nuvemovente percebido em uma rua movimentada, o que nos faz interromper nossa apressada caminhada, instintivamente mover nosso corpo todo na direção daquela “inspiração” e, muito mais rapidamente do que qualquer promessa enganosa de cartomantes inescrupulosas, traz sim a pessoa amada “de volta” em um segundo!

A visão de um belo arco-íris,  quando o sol explodiu em sete cores e revelou então os sete mil amores que o Tom guardou pra dar para Luiza, despertou minha memória musical. E as gotículas de água ainda em suspensão na atmosfera de outono, em uma tarde chuvosa, trouxeram de volta também as diversas lendas sobre um misterioso e desejado pote de ouro e brilhantes escondido na extremidade distante daquele arco fugaz e colorido. E pensamentos sobre quem possivelmente teríamos que nos tornaro que teríamos que fazer para chegar até lá, e resgatar o cobiçado premio por nossa eventual coragem e persistência. Tornar-me quem, senão eu mesmo? Fazer o que, senão ação amorosa? Fazer quando, senão agora?

E minha imaginação evocou também outro tipo possível de arco esticado em seu limite pelo filosófico arqueiro zen Eugen Herrigel, de minha memória literária. E a flecha de prata, aguardando a súbita liberação, carrega a sua própria alma, sua mensagem de vida e morte lançada na escuridão silenciosa da noite, enquanto a única fonte de luz perceptível naquele instante é o brilho interno da íris do arqueiro.

Apenas outro tipo de conexão arco-íris…

Pausa para um breve haicai:

arco esticado,
com a flecha de prata,
íris brilhante…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido adaptada por Eduardo Leal
Instruções de utilização: Ouvir Luiza, no piano e voz de Tom Jobim

Íris brilhante 3

Garrafa 433 – Ops! O Poder do Silêncio 8   Leave a comment

Quem acompanha o lançamento das minhas garrafas com mensagens, no mar da Internet, deve estar pensando que fiquei caduco, atrapalhado com a minha própria numeração… Garrafa 433, depois de ter lançado hoje cedo, a Garrafa 456?!! Que maluquice é essa?

Na verdade, fazendo um balanço do que já havia postado no BLOG, descobri outra falha de numeração, no mês de novembro do ano passado. Há uma Garrafa 432, lançada em 09/11/2013 e uma Garrafa 434, lançada em 10/11/2013. A Garrafa 433 ficou guardada em algum porão ou sótão da minha memória e não foi lançada…

Fiquei curioso e fui pesquisar, na minha agenda, o que andei fazendo naquela época, que poderia ter contribuído para essa confusão mental e não encontrei nada que pudesse justificar esse fato:

De um dia para o outro, sei apenas que estava relendo meu exemplar de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle. E, naquele período, estava compartilhando com alguns amigos do curso de Cabala, alguns insights a respeito. Vi também, que não concluí minha tarefa assumida de comentar, com o auxílio de algum haicai, todos os tópicos do Capítulo 1, conforme havia me comprometido na Garrafa 428 – O Poder do Silêncio 1.

Diante disso, tendo entrado em contato com a atmosfera daquele momento, retomo a tarefa transcrevendo mais um trecho que me chamou a atenção:

“… a calma e o silêncio são a própria inteligência, a consciência básica da qual provém todas a formas de vida.
…Essa consciência é a essência das galáxias mais complexas e das folhas mais simples…”

E encontro inspiração para mais um breve haicai:

criatividade,
essência da consciência,
em qualquer idade!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Inspirado pela leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Garrafa 436 – 0 Poder do Silêncio 6   Leave a comment

Conforme compromisso assumido anteriormente comigo mesmo, destaco mais uma citação de “O Poder do Silêncio” em que Eckhart Tolle nos aponta um caminho:

“O silêncio ajuda, mas você não precisa dele para encontrar a calma. Mesmo se houver barulho por perto, você pode perceber a calma por baixo do ruído, do espaço em que surge o ruído. Esse é o espaço da percepção pura, da própria consciência.
… Dar-se conta da percepção é o início da calma interior. Qualquer barulho perturbador pode ser tão útil quanto o silêncio. De que forma? Abolindo sua resistência interior ao barulho, deixando-o ser como é…
Sempre que aceitar profundamente o momento como ele é – qualquer que seja sua forma -, você experimenta a calma e fica em paz.
Preste atenção nos intervalos – o intervalo entre dois pensamentos… entre a inspiração e a expiração.
Quando você presta atenção nesses intervalos, a percepção de “alguma coisa” se torna apenas percepção…”

Pausa para um breve haicai:

percepção pura.
entre dois pensamentos,
“algo” procura…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado na leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Garrafa 427 – Um certo ar matinal   1 comment

Pensativo, nesse final de uma tarde chuvosa de primavera, vasculhei a estante em busca de inspiração para encerrar o dia com dignidade, após ouvir que os problemas com o servidor de e-mail da minha conta mais antiga, que está “instável” desde segunda-feira, ainda não têm previsão de solução. Enquanto isso, alertas de erro aparecem a todo instante, sempre que tento baixar minhas mensagens, sem sucesso. Pequenas frustrações do dia-a-dia com reflexos indesejados no meu bom-humor habitual.

Lembrei-me imediatamente de um poema de Hermann Hesse que falava da importância de estarmos prontos para novos começos e expedi um mandado de busca e apreensão para mim mesmo. Encontrei-o em dois lugares diferentes, com dois títulos também distintos e com duas traduções ligeiramente diferentes. Em “O Jogo das Contas de Vidro” ele aparece como uma das obras póstumas do personagem José Servo com o título “Degraus”. Já na antologia poética “Andares”, aparece como o poema que emprestou seu nome à obra, com o título “Andares”.

Transcrevo e compartilho com os amigos essa pequena e delicada reflexão poética, retirada de “O Jogo das Contas de Vidro”, cuja tradução me agrada um pouco mais:

Assim como as flores murchas e a juventude
Dão lugar à velhice, assim floresce
Cada período de vida, e a sabedoria e a virtude,
Cada um a seu tempo, pois não podem
Durar eternamente. O coração,
A cada chamado da vida deve estar
Pronto para a partida e um novo início,
Para corajosamente e sem tristeza,
Entregar-se a outros, novos compromissos.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver.
Os espaços, um a um, devíamos
Com jovialidade percorrer,
Sem nos deixar prender a nenhum deles
Qual uma pátria;
O Espírito Universal não quer atar-nos
Nem nos quer encerrar, mas sim
Elevar-nos degrau por degrau, nos ampliando o ser.
Se nos sentimos bem aclimatados
Num círculo de vida e habituados,
Nos ameaça o sono; e só quem de contínuo
Está pronto a partir e a viajar,
Se furtará à paralisação do costumeiro.

Mesmo a hora da morte talvez nos envie
Novos espaços recenados
O apelo da vida que nos chama não tem fim…
Sus, coração, despede-te e haure saúde!

Confesso que fui tocado por esse pequeno poema, que fala da inexorável passagem do tempo e de nosso inevitável destino de percorrer o espaço que nos corresponde, de preferência com jovialidade. Desde que o vi pela primeira vez, em algum momento da década de 1970, sinto que gosto especialmente dessa fala: “O coração, a cada chamado da vida deve estar pronto para a partida e um novo início, para corajosamente e sem tristeza, entregar-se a outros, novos compromissos. Em todo o começo reside um encanto que nos protege e ajuda a viver. Os espaços, um a um, devíamos com jovialidade percorrer, sem nos deixar prender a nenhum deles…”

Quando penso nisso, sinto novamente o frescor da manhã, mesmo daquelas mais nubladas, quando iniciamos cada novo dia com renovada disposição. E pensando que esse é um dos nossos grandes desafios, gostaria de transportar esse mesmo frescor para cada momento que se sucede, um após o outro, a cada chamado da vida, especialmente nesse fim de tarde chuvoso.

Um certo ar matinal… Acho que essa atitude mental deveria ser a minha ideal… Uma meta espiritual…

Isso! Corro para encontrar uma imagem que passe essa ideia de frescor matinal e organizar as ideias com a métrica de um haicai:

espiritual,
a atitude mental,
do ar matinal…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Morning Dance” com Spyro Gyra

Ar matinal

Garrafa 350 – A dança da vida 2   2 comments

Um dos livros mais importantes que já li e que tem sido fonte de muitas reflexões e inspiração, nos ultimos anos, é “O despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle. Volto a ele com frequência para alguma consulta eventual, desde que recebi a indicação de uma boa amiga, em novembro de 2007, mantendo-o sempre ao alcance da mão. E já fiz duas releituras completas: em abril de 2011 e agora, em agosto de 2012. Cada vez que isso acontece, sou tocado por alguma frase ou parágrafo que me haviam passado desapercebidos anteriormente e que, agora, fazem todo o sentido – gritam pra mim – no momento da leitura.

Com o coração ainda bastante agitado, como sempre acontece após a data do meu aniversário, destaco o seguinte trecho:

“Como ficar em paz agora? Fazendo as pazes com o momento presente. Esse momento é o campo em que o jogo da vida acontece. Não há nenhum outro lugar em que ele possa existir. Uma vez que tenhamos nos reconciliado com o momento presente, devemos observar o que ocorre, o que podemos fazer ou escolher fazer ou, em vez disso, o que a vida faz por nosso intermédio. Há uma expressão que revela o segredo da arte de viver, a chave de todo sucesso e toda felicidade: nossa unificação com a vida. Quando formamos um todo com ela, formamos um todo com o Agora. Nesse instante, compreendemos que não vivemos a vida, é ela que nos vive. A vida é dançarina e nós, a dança.”

Que linda imagem! Lembrei-me imediatamente das palavras da coreógrafa e dançarina moderna norte-americana Martha Graham:

“Há uma vitalidade, uma força vital, uma energia, um estímulo que se traduz em você pelo seu ato, porque só há uma de você o tempo todo; essa expressão é única. Se você a detém, ela nunca existirá por nenhum outro meio e se perderá. Ela não aparecerá no mundo. Não é de sua conta determinar quão boa ela é, nem quão valiosa, nem como se compara com outras expressões. O que te importa é mantê-la clara e diretamente sua, manter o canal aberto. Você não tem nem mesmo que acreditar em si mesma e em seu trabalho. Você tem que se manter aberta e alerta ao anseio que te motiva. Mantenha o canal aberto. Nenhuma artista é agraciada. [Não há] qualquer satisfação, em momento algum. Há somente uma estranha insatisfação divina, uma inquietação bendita que nos impulsiona e nos faz mais vivas que os demais.”

Amante das metáforas poderosas que nos colocam em contato com o inconsciente, fiquei pensativo e me perguntando:

Que tipo de dança um observador atento diria que a vida dança, por meu intermédio? Alguma dança ritual xamânica? A dança da chuva? A dança da Xuxa? Paquito sem graça ou a verdadeira reencarnação do Fred Astaire? Algum tipo de balé clássico, neoclássico ou contemporâneo? A valsa vienense, peruana ou inglesa? Alguma dança moderna no estilo eurritmia? Dança de rua ou dança de salão? Gafieira, tango, salsa, merengue, bolero ou maxixe? Cha-cha-cha, rumba ou tango argentino? Zouk ou soltinho? Alguma dança folclórica ou regional como o reisado, maracatu, pau-da-bandeira, maneiro-pau, caninha verde, bumba-meu-boi, frevo, fandango, carimbó ou samba? Percebo que algumas vezes, no contexto e momento apropriados e, em outras, completamente fora de seu contexto e momento, já arrisquei diversos passos de alguns desses tipos de dança…

Quem são meus pares nessa dança? Muitas vezes já me surpreendi sozinho e sem par, com a música tocando ao fundo e a impressão de que todo mundo dançava, menos eu… Nessas ocasiões, acabei dançando sozinho, Xamã chamativo, chocalhando à procura de um par… Afortunado que sou, algumas pessoas especiais vieram ao meu encontro e enroscamos nossas pernas de maneiras impensáveis, tendo como trilha sonora apenas o ruído das estrelas e constelações mais distantes se afastando de nós a velocidades vertiginosas. Às vezes, só nos acompanhava o sussurro quase imperceptível do nosso satélite enquando orbita nosso planeta, em noite de lua cheia… Em outras ocasiões, várias pessoas me convidaram pra dançar ao mesmo tempo… Sim, tenho dançado acompanhado, com um par ou com um grupo, em diversos momentos da minha vida. Mas o último passo, algum dia, estou certo de que sozinhos haveremos de dá-lo…

E você? Qual o seu passo preferido? Quer dançar comigo, neste momento, enquanto percebemos o som da grama que cresce no jardim?

Pausa para um breve haicai:

a vida me vive…
ela a dançarina
e eu a dança!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O Despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Assistir Martha Graham em “Lamentation”

Garrafa 206 – Ops! Garrafa esquecida   Leave a comment

Quem acompanha o lançamento das minhas garrafas com mensagens, no mar da Internet, deve estar pensando que fiquei caduco, atrapalhado com a minha própria numeração… Garrafa 206, depois de ter lançado hoje cedo, a Garrafa 311?!! Que maluquice é essa?

Na verdade, fazendo um balanço do que já havia postado no BLOG, por conta da celebração de 5.000 acessos no dia de ontem, no breve período em que migrei o seu conteúdo para o WordPress, descobri uma falha de numeração, no ano de 2009. Há uma Garrafa 205, lançada em 28/08/2009 e uma Garrafa 207, lançada em 21/09/2009. A Garrafa 206 ficou guardada em algum porão ou sótão da minha memória e não foi lançada…

Fiquei curioso e fui pesquisar, na minha agenda, o que andei fazendo naquelas três semanas, que poderia ter contribuído para essa confusão mental. Não encontrei nada que pudesse justificar esse fato:

Fim de inverno, quase primevera, tinha ministrado dois módulos de Curso de Formação em Coaching (Coaching Centrado em Valores), um em São Paulo e outro no Rio de janeiro, nas semanas anteriores, o que sempre foi prazeroso e motivo de celebração…

Realizei diversas sessões de Coaching presenciais e pela Internet e, uma delas muito especial, pois fechou um trabalho de cerca de um ano, com uma de minhas ex-alunas de São Paulo, com quem, aliás, vou me encontrar na próxima semana para colocar nossa conversa em dia, e que se tornou uma Consultora e Coach de sucesso…

Participei de diversos outros encontros e reuniões prospectando novos projetos… Hoje vejo que alguns deles não prosperaram, mas certamente aprofundaram o meu relacionamento com algumas daquelas pessoas…

Um daqueles projetos em especial, me causou frustração, cerca de um ano depois, quando foi encerrado… Mas naquele momento, quem poderia supor? E não me arrependo de ter investido tempo e energia em cada uma de suas etapas… Aprendi muito com ele!

Resumindo, nenhuma sombra de arrependimento!

Diante disso, tendo entrado em contato com a atmosfera daquele momento há três anos atrás, e continuando a usar as reflexões produzidas pela leitura do livro “O convite”, encontro inspiração para mais um breve haicai:

correndo riscos,
anseios do coração
dão a direção!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O convite” de Oriah
Foto de Nélia de Brito – Garrafa esquecida

Garrafa 71 – Destino   Leave a comment

Newton prevê que o cometa Halley voltará a passar por aqui exatamente no ano de 2062, Darwin não nos diz nada sobre o futuro nesse nível, mas nos maravilha ao inspirar a ideia de que o futuro é aberto, e caberá a nós determinar o que ele será, criando, por meio de nossa inteligência e imaginação, nossos próprios enredos.

Por termos adquirido inteligência, podemos interferir no nosso destino, e isso – apesar de nos apavorar – é nossa glória. A consequência mais assustadora é simples: nosso destino é de nossa exclusiva responsabilidade. Ele será o que permitirmos que seja…

Clemente Nobrega
Foto de autor desconhecido

Destino

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