Arquivo para a Tag ‘Geir Campos

Garrafa 61 – Sozinho   Leave a comment

Por sobre a terra se estendem
ruas e caminhos mil,
mas levam todos
ao mesmo fim.

De dois em dois, três em três,
indo a pé ou a cavalo,
o último passo – sozinho
hás de dá-lo.

Não há, portanto, saber
nem poder algum melhor
do que o difícil a gente
fazer só.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido

Anúncios

Garrafa 42 – Noite em claro   Leave a comment

A noite pálida de vento espia,
a lua espera mergulhar na mata.
Que é que me força a estar desperto e olhar
em redor, com a dor a me inquietar?

Eu estava dormindo e até sonhando:
que foi que me acordou e me assustou tanto,
em meio à noite, como se eu tivesse
esquecido a coisa mais importante?

Melhor seria eu deixar esta casa,
o jardim, a cidade, o país, tudo:
seguir esse chamado, essa palavra
mágica – e sempre mais, seguir o mundo.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Strange Magic” e “Livin’ Thing” com Electric Light Orchestra (ELO)

Sobressalto

Garrafa 41 – Dentro da noite   Leave a comment

Muitas vezes desperto com a ideia
de que um navio singra a noite fria,
ganha os mares e ruma a litorais
dos quais me sinto arder de nostalgia.

De que em lugares que marujo algum
conhece, brilha uma aurora boreal
nunca vista. De que em meu travesseiro
há um braço de mulher, belo e sensual.

De que alguém, feito para amigo meu,
longe no mar chega a um obscuro fim.
De que minha mãe, que não me conhece
mais, em sonho talvez chame por mim.

Hermann Hesse – Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Dream Sequence” com Spyro Gyra

Aurora boreal

Garrafa 40 – Às vezes   Leave a comment

Às vezes, quando algum pássaro chama
ou entre os ramos algum vento sopra
ou nalgum pátio longe ladra um cão,
por longo tempo eu escuto e me calo.

Minha alma voa para o passado,
para onde, há mil esquecidos anos,
o pássaro e o vento que soprava
mais pareciam meus irmãos e eu.

Minha alma faz-se uma árvore,
um animal, um tecido de nuvens…
Transfigurada e estranha, volta a mim
e me interroga. Que resposta lhe darei?

Hermann Hesse – Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sometimes” na voz de Karen Carpenter

Vento que passa

Garrafa 39 – A Carta   Leave a comment

Sopra do oeste um vento,
as tílias choram mais;
entre os ramos, a lua
vem espiar meu quarto.

Eu tinha, à amada minha
que me deixara já,
escrito uma longa carta:
na folha reluz o luar.

Ao seu tranquilo clarão
que nas pautas vai pisando
esquece meu coração
lua e prece, choro e sono.

Hermann Hesse
Tradução de Geir Campos
Foto de autor desconhecido

A carta

%d blogueiros gostam disto: