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Garrafa 291 – Cara ou coroa   Leave a comment

Nos ultimos dois Posts, abordei alguns aspectos do Metaprograma “Aproximação X Afastamento”, conceito de Programação Neurolinguística – PNL, usando cada um dos dois lados da moeda freudiana sobre nossas motivações, ou seja, “Busca do prazer X Fuga da dor”. Agreguei alguns breves comentários sobre como entendo que esses fatores podem ser levados em consideração em um processo de Coaching: Embora nosso mecanismo psiquico tenha uma preferência pelo padrão de fuga da dor, podemos e devemos fazer um esforço consciente para persistir em nossa busca do prazer, em suas diversas formas, da maneira mais ecológica possível com as nossas crenças e valores e nosso nível de consciência.

Além de minha prática como Coach Centrado em Valores, que serve de laboratório para muitas reflexões a esse respeito, as outras áreas da minha vida, nos ultimos tempos em especial as de Saúde (física, emocional, mental) e de Relacionamentos (familiares, de trabalho e afetivos), têm me trazido materia prima permanente para percepções e insights.

Acabei de chegar de mais um sepultamento de um integrante da nossa família. O terceiro desde dezembro do ano passado. Idades de 54, 86 e 49 anos, o que indica que não é preciso ter idade avançada para deixar este mundo. E pude testemunhar a vontade de viver de cada um deles, em sua tagarelice nos momentos de consciência da iminência da partida e nos longos silêncios ocasionados pelos tubos e anestésicos, ou simplesmente a voluntária, eloquente e silenciosa contemplação do vazio.

Cada vez que me deparo com isso, fico mais convencido da importância de viver intensamente uma vida digna e plena, em que o amor ocupe um lugar central, e que comece com o amor próprio como poderosa fonte de luz e energia compassiva, irradiando em todas as outras dimensões e direções.

Nesta noite de lua em quarto crescente, deixo minha trilha sonora preferida sobre o tema da auto estima e mais uma brincadeira com as palavras com a métrica do haicai…

entre fuga da dor
e busca do prazer,
fico com ambas…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “The greatest love of all” de Michael Masser e Linda Creed, na voz de Whitney Houston

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Garrafa 289 – Fuga da dor   Leave a comment

Diversos “Exploradores de novas possibilidades de futuro” que é como gosto de chamar as pessoas com quem tenho a oportunidade de entrar em contato, no meu papel de Coach Centrado em Valores, têm me trazido uma questão recorrente. Trata-se de uma aparente preferência por reconhecer facilmente os problemas e saber o que evitar, porque vêem claramente aquilo que não querem, ao invés de se concentrar em seus objetivos e ir atrás daquilo que realmente querem. Isso normalmente pode trazer uma certa dificuldade para uma boa formulação de Metas e Objetivos, uma das atividades importantes de um processo de Coaching e de Gestão Pessoal, seja qual for a abordagem adotada.

Refletindo e pesquisando sobre esse tema, compartilho algumas idéias a respeito de “Metaprogramas” que são os filtros perceptivos que normalmente usamos para determinar que tipo de informação vai chegar até nós – o que atrai a nossa atenção. Os metaprogramas filtram as nossas experiências para nos ajudar a criar nosso próprio mapa de mundo.

Há muitos padrões que podem ser qualificados como metaprogramas e diferentes autores enfatizam determinados aspectos da questão. Nenhum deles é melhor ou mais correto por si só e tudo depende do contexto e do objetivo que se deseja atingir, já que alguns deles podem funcionar melhor para determinadas tarefas específicas.

Podemos citar alguns desses padrões tais como: Aproximação X Afastamento; Proativo X Reativo; Referência Interna X Referência Externa; Geral X Específico; Semelhança X Diferença, etc.

O padrão Aproximação X Afastamento é especialmente interessante uma vez que nos remete às idéias de Freud a respeito de motivação, quando colocou as coisas em termos de Busca do Prazer (Aproximação) X Fuga da dor (Afastamento). Em sua obra Projeto de uma Psicologia, afirma que “o sistema nervoso tem a mais decidida inclinação para a fuga da dor” e, posteriormente, em Formulações sobre os dois princípios, afirmou que “a atividade psíquica afasta-se de qualquer evento que possa despertar desprazer” de modo que, em princípio, não há nada de errado quando observamos nossos padrões de afastamento e fuga da dor. Estamos apenas utilizando o nosso hardware e software humanos, a cada momento temperados por nossas emoções e níveis de consciência.

O que penso ser importante e procuro provocar reflexão utilizando algumas “perguntas poderosas”, isso sim, é: Em que medida a preferência por esse padrão de fuga da dor, em um determinado contexto ou área da vida, tem me ajudado ou prejudicado? Em especial, no momento de estabelecimento de Objetivos e Metas, mesmo que o padrão de afastamento entre em cena em algum momento, penso que ele deva ser ressignificado utilizando algo como: O que eu quero de verdade, no lugar disso que claramente não quero?

Acreditando firmemente que não há maneiras saudáveis de fugir ou se esconder da própria vida, esses questionamentos podem nos levar a investigar em profundidade nosso Sistema de Valores (com suas Crenças associadas), que está intimamente relacionado ao nosso Nível de Desenvolvimento de Consciência (de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica, por exemplo), e ao estabelecimento de Objetivos e Metas congruentes e alinhados com nossos Valores Centrais e Critérios.

No momento em que damos as boas vindas a um novo ciclo, com a chegada do outono que, com a qualidade da sua luz, conduz à maturidade e ao contentamento, deixo que a inspiração proporcionada pela suave brisa noturna me diga:

da própria vida,
nunca há como fugir,
nem se esconder…

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir gravação nostálgica de “Fuga numero 2” com Rita Lee e os Mutantes

Garrafa 269 – Despertador   2 comments

Amor interrompido… haverá evento mais dolorido?

noite de amor…
o som do despertador
deperta a dor.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 262 – Grave decisão   1 comment

Algumas ostras “abraçam” o sofrimento e desconforto causados pela presença incômoda de um grão de areia no interior de sua concha, envolvendo-o em sucessivas camadas de acolhimento.

O resultado é uma pérola de amorosa beleza!

E isso é uma escolha!

grave decisão
minha ostra-coração
pérola ou não?

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Garrafa 154 – Joias devolvidas   Leave a comment

Narra antiga lenda que um rabi, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos queridos.

Certa vez, por imperativos da religião, o rabi empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias.

No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.

A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura.

Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia?

Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção.

Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.

Alguns dias depois, num final de tarde, o rabi retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos… Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.

Alguns minutos depois estavam ambos sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos.

A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido: deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave.

O marido, já um pouco preocupado perguntou: o que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.

– Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas joias de valor incalculável, para que as guardasse. São joias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo!

– O problema é esse! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz?

– Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!… Por que isso agora?

– É que nunca havia visto joias assim! São maravilhosas!

– Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.

– Mas eu não consigo aceitar a ideia de perdê-las!

E o rabi respondeu com firmeza: ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo!

– Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.

– Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito.

– As joias preciosas eram nossos filhos.

– Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram.

O rabi compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram grossas lágrimas. Sem revolta nem desespero.

 

Autor desconhecido

Foto de autor desconhecido.

Em suas mãos

Publicado 29/06/2008 por Eduardo Leal em Contos e Metáforas, Fotografias

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Garrafa 110 – Milágrimas   Leave a comment

Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Música de Itamar Assumpção – Letra de Alice Ruiz
Gravação na voz de Zélia Duncan

A dor já se foi

Garrafa 43 – Dor antiga   Leave a comment

velha amiga
essa dor antiga
finjo que desconheço

Alice Ruiz
Ilustração de autor desconhecido

Dissimulação

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