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Garrafa 444 – Decisões intestinas (Hara)   Leave a comment

Para duas amigas da Bahia, que encararam e venceram um grande desafio e escolheram deixar sua marca no mundo com seu traço sempre firme e verdadeiro, ora forte, ora suave…

Como disse Gilberto Gil:

“Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço, a Bahia já me deu régua e compasso…”

A palavra Hara na língua japonesa tem um significado muito mais amplo, por si mesmo, do que tem entre nós a palavra barriga. O Hara é o centro do corpo humano mas, como o corpo é mais do que um mero corpo físico ele pode ser entendido também, ao mesmo tempo, como o nosso centro espiritual, de onde partem as nossas decisões e a nossa vontade. É de lá que provêm a nossa força interior.

Desejo que as decisões dessas minhas amigas partam sempre do seu Hara, que venham das suas entranhas mais profundas!

Pausa para um breve haicai.

grosso ou delgado,
espessura do traço…
significado!

Eduardo Leal
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Aquele abraço” com Gilberto Gil

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Garrafa 428 – O Poder do Silêncio 1   1 comment

Em um curso de Cabala de que estou participando, nos foi proposto um pequeno exercício, em duplas ou a três, para identificação de algumas áreas de desafio que apresentam situações desconfortáveis que desejamos trabalhar no momento atual. No meu caso, meus dois parceiros de investigação mencionaram que se sentem desconfortáveis em ficar em silêncio. Inicialmente não tinha incluído essa opção na minha lista mas, como o Universo nos sinaliza como um espelho aquilo que nós também precisamos enfrentar, assumi essa tarefa pra mim também.

Combinamos trocar experiências durante a semana, para avaliar nosso progresso e dificuldades encontradas e compartilhei com os amigos uma dica de leitura que conheci em 2010. Trata-se de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle, publicado pela Sextante.

Por conta desse exercício, assumi comigo mesmo a tarefa de publicar diariamente aqui no Blog, um pequeno extrato de cada uma das citações ou aforismos (como pequenos sutras, como o próprio autor os define) apresentados por Tolle no Capítulo 1. São os trechos que mais me chamaram a atenção, acompanhados de um breve haicai inspirado após uma silenciosa introspecção.

“A calma é nossa natureza essencial. O que é calma? É o espaço interior ou a consciência onde as palavras… são assimiladas e se transformam em pensamentos. Sem essa consciência, não haveria percepção, não haveria pensamentos nem mundo.
Você é essa consciência em forma de pessoa.”

Pausa para um breve haicai:

um lago profundo,
consciência do mundo,
num calmo segundo…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Inspirado pela leitura de “O Poder do Silêncio” de Eckhart Tolle

Lago profundo

Garrafa 423 – Falo, porque ainda não sei…   Leave a comment

Tenho um pequeno grupo de bons amigos e amigas (e acho que cabem todos numa van) que leem, e às vezes também comentam e compartilham os posts publicados neste Blog. Essas criaturas gentis também se dão ao trabalho de visualizar as fotos e ler os textos que são reproduzidos em minhas páginas nas redes sociais, ou que são divulgados em outros Blogs que mantenho em atividade. Trazem, sempre, novos desafios com seus questionamentos e contribuições, para que eu busque maior clareza na exposição de ideias, quer sejam das poucas que são de minha própria lavra, ou daquela grande maioria que não foi parida por mim mesmo, e sim adotada como valiosa e verdadeira, até prova em contrário.

Os temas do desenvolvimento de consciência e da espiritualidade têm sido aqui frequentemente abordados, por estarem no centro da minha área de interesse, e julgo oportuno reconhecer, desde já, minha total incompetência diante desse enorme desafio.

O salto quântico do nível de desenvolvimento de consciência da Mente (onde se encontra a maioria de nós) para o nível da Alma (onde poucos estiveram por breves períodos, e muito poucos por lá permanecem por temporadas mais prolongadas) é uma experiência individual. É vivenciada sem a interferência ou participação de intermediários, sejam eles padres, pastores, rabinos, aiatolás, gurus, monges, coaches ou consultores. O caminho que leva até a borda do precipício onde esse salto deve ser dado é único. E há tantos caminhos quantos indivíduos existem neste nosso pequeno planeta azul. Mesmo quando duas pessoas parecem caminhar lado a lado, durante algum tempo, seus caminhos são distintos. A senda é estreita como o fio da navalha, para utilizar uma imagem cara aos mestres Zen. E lá chegando, seja que caminho individual tenha sido percorrido e aonde quer que ele tenha levado cada um, é preciso saltar da borda do penhasco no grande Vazio! Sentir essa vertigem!

Além disso, como o nível da Alma transcende e inclui o nível da Mente e, portanto, está além da razão, além da lógica, em contato apenas com a fonte da nossa sabedoria intuitiva, qualquer tentativa de expressar essa experiência em palavras, depois de vivenciá-la, estará fadada ao fracasso. Nosso falatório e escrita serão apenas tímidas tentativas de explicar o inexplicável.

As escrituras Védicas, de milênios atrás, são sábias ao declarar que “Aqueles que sabem, não falam. Os que falam, não sabem”.

E revelador foi o sermão silencioso de Buda, apresentando à sua audiência, por entre os dedos, uma simples flor de cor branca, cujo significado foi percebido apenas por seu discípulo Mahakasyapa.

Com todo respeito por todo esse falatório e suas correspondentes transcrições e publicações em diversas escrituras, de todos os matizes, origens e tendências (várias vezes transcritas neste Blog e posts correspondentes), todo o material disponível sobre esses temas – desenvolvimento de consciência/espiritualidade – pode servir no máximo como um tipo de sinal ou indicação. Uma sinalização que aponta para essa Verdade que pode ser apenas percebida por aqueles que estão prontos e preparados para recebe-la. Verdade essa que também será sempre interpretada no próprio nível de consciência daqueles que vivenciarem essa experiência.

Conforme sugerido nas sábias palavras proferidas pelo Mestre Doogen, que ecoam para nós do fundo do precipício, desde o século XIII, “O dedo que aponta para a lua, não é a lua”. É preciso ver a lua! Olhar na direção indicada pelo dedo, e não para o próprio dedo!

É preciso ver a lua!

E, nesta fase de lua minguante, em que ver a lua se torna uma tarefa sempre um pouco mais desafiadora, situação agravada pelo prenúncio da continuação de um período chuvoso e nublado, em nossa bela cidade do Rio de Janeiro, resta-me apenas brincar com a sabedoria das palavras milenares, usando a métrica do haicai:

não sabe, quem fala.
mas, aquele que sabe,
não fala, cala…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido e
Ilustração de Tsukioka Yoshitoshi – One Hundred Views of the Moon “Moon of Enlightenment”

Lua minguante

O dedo que aponta para a lua

Garrafa 368 – Só uma taça?   2 comments

sinto arrepio!
sorvete de morango,
meu desafio…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal

Sinto arrepio<

Garrafa 11 – Responsabilidade   Leave a comment

Diz um conto zen que, em um mosteiro, havia um discípulo que sempre desafiava o seu Mestre.

Certa vez, ocultando atrás de si um pássaro que carregava nas mãos, o discípulo parou desafiador diante do Mestre e perguntou:

– Mestre, aqui atrás de mim tenho um pássaro. Você, que sabe tudo, diga-me: Ele está vivo ou está morto? (assim, se o Mestre dissesse que o pássaro estava vivo, era só apertar a mão e matá-lo; se dissesse que estava morto, abriria suas mãos e o deixaria voar)

O mestre olhou nos olhos do discípulo com respeito e compaixão, respirou profundamente e, com muito amor, respondeu:

– Isso depende de você. A solução… está em suas mãos!

Fonte: Coaching – El Arte de Soplar Brasas – Leonardo Wolk
Ilustração de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Depende de nós” com Ivan Lins

Em suas mãos

 

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