Arquivo para a Tag ‘desabrochar

Garrafa 119 – Ausência   Leave a comment

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes
Foto de F. Monteiro (Noite) em http://olhares.aeiou.pt/noite/foto451136.html%3cbr

Anúncios

Garrafa 117 – Maturidade   Leave a comment

O homem torna-se maduro no momento em que começa a amar em vez de precisar. Ele começa a transbordar, a compartilhar; começa a dar. A ênfase é completamente diferente. Com o imaturo, a ênfase está em como conseguir mais. Com o maduro, a ênfase está em como dar, como dar mais, e como dar incondicionalmente. Isso é crescimento, maturidade, chegando para você.

Uma pessoa madura dá. Só uma pessoa madura pode dar, porque só uma pessoa madura tem. Então o amor não é dependente. Então você pode estar amando quer o outro esteja aí ou não. Então o amor não é um relacionamento, ele é um estado.

O que acontece quando uma flor desabrocha numa floresta sem ninguém para apreciá-la, ninguém para sentir a sua fragrância, ninguém para passar e dizer: “linda”; ninguém para saborear a sua beleza, seu êxtase, ninguém para compartilhar – o que acontece com a flor?

Ela morre?
Ela sofre?
Fica aterrorizada?
Comete suicídio?

Ela continua desabrochando. Não faz diferença alguma se alguém passa por ela ou não; é irrelevante. Ela continua espalhando sua fragrância aos ventos. Continua oferecendo sua alegria a Deus, ao Todo.

Osho
Em “Relacionamento, Amor e Liberdade”

flor branca

%d blogueiros gostam disto: