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Garrafa 350 – A dança da vida 2   2 comments

Um dos livros mais importantes que já li e que tem sido fonte de muitas reflexões e inspiração, nos ultimos anos, é “O despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle. Volto a ele com frequência para alguma consulta eventual, desde que recebi a indicação de uma boa amiga, em novembro de 2007, mantendo-o sempre ao alcance da mão. E já fiz duas releituras completas: em abril de 2011 e agora, em agosto de 2012. Cada vez que isso acontece, sou tocado por alguma frase ou parágrafo que me haviam passado desapercebidos anteriormente e que, agora, fazem todo o sentido – gritam pra mim – no momento da leitura.

Com o coração ainda bastante agitado, como sempre acontece após a data do meu aniversário, destaco o seguinte trecho:

“Como ficar em paz agora? Fazendo as pazes com o momento presente. Esse momento é o campo em que o jogo da vida acontece. Não há nenhum outro lugar em que ele possa existir. Uma vez que tenhamos nos reconciliado com o momento presente, devemos observar o que ocorre, o que podemos fazer ou escolher fazer ou, em vez disso, o que a vida faz por nosso intermédio. Há uma expressão que revela o segredo da arte de viver, a chave de todo sucesso e toda felicidade: nossa unificação com a vida. Quando formamos um todo com ela, formamos um todo com o Agora. Nesse instante, compreendemos que não vivemos a vida, é ela que nos vive. A vida é dançarina e nós, a dança.”

Que linda imagem! Lembrei-me imediatamente das palavras da coreógrafa e dançarina moderna norte-americana Martha Graham:

“Há uma vitalidade, uma força vital, uma energia, um estímulo que se traduz em você pelo seu ato, porque só há uma de você o tempo todo; essa expressão é única. Se você a detém, ela nunca existirá por nenhum outro meio e se perderá. Ela não aparecerá no mundo. Não é de sua conta determinar quão boa ela é, nem quão valiosa, nem como se compara com outras expressões. O que te importa é mantê-la clara e diretamente sua, manter o canal aberto. Você não tem nem mesmo que acreditar em si mesma e em seu trabalho. Você tem que se manter aberta e alerta ao anseio que te motiva. Mantenha o canal aberto. Nenhuma artista é agraciada. [Não há] qualquer satisfação, em momento algum. Há somente uma estranha insatisfação divina, uma inquietação bendita que nos impulsiona e nos faz mais vivas que os demais.”

Amante das metáforas poderosas que nos colocam em contato com o inconsciente, fiquei pensativo e me perguntando:

Que tipo de dança um observador atento diria que a vida dança, por meu intermédio? Alguma dança ritual xamânica? A dança da chuva? A dança da Xuxa? Paquito sem graça ou a verdadeira reencarnação do Fred Astaire? Algum tipo de balé clássico, neoclássico ou contemporâneo? A valsa vienense, peruana ou inglesa? Alguma dança moderna no estilo eurritmia? Dança de rua ou dança de salão? Gafieira, tango, salsa, merengue, bolero ou maxixe? Cha-cha-cha, rumba ou tango argentino? Zouk ou soltinho? Alguma dança folclórica ou regional como o reisado, maracatu, pau-da-bandeira, maneiro-pau, caninha verde, bumba-meu-boi, frevo, fandango, carimbó ou samba? Percebo que algumas vezes, no contexto e momento apropriados e, em outras, completamente fora de seu contexto e momento, já arrisquei diversos passos de alguns desses tipos de dança…

Quem são meus pares nessa dança? Muitas vezes já me surpreendi sozinho e sem par, com a música tocando ao fundo e a impressão de que todo mundo dançava, menos eu… Nessas ocasiões, acabei dançando sozinho, Xamã chamativo, chocalhando à procura de um par… Afortunado que sou, algumas pessoas especiais vieram ao meu encontro e enroscamos nossas pernas de maneiras impensáveis, tendo como trilha sonora apenas o ruído das estrelas e constelações mais distantes se afastando de nós a velocidades vertiginosas. Às vezes, só nos acompanhava o sussurro quase imperceptível do nosso satélite enquando orbita nosso planeta, em noite de lua cheia… Em outras ocasiões, várias pessoas me convidaram pra dançar ao mesmo tempo… Sim, tenho dançado acompanhado, com um par ou com um grupo, em diversos momentos da minha vida. Mas o último passo, algum dia, estou certo de que sozinhos haveremos de dá-lo…

E você? Qual o seu passo preferido? Quer dançar comigo, neste momento, enquanto percebemos o som da grama que cresce no jardim?

Pausa para um breve haicai:

a vida me vive…
ela a dançarina
e eu a dança!

Eduardo Leal
Inspirado no livro “O Despertar de uma nova consciência” de Eckhart Tolle
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Assistir Martha Graham em “Lamentation”

Garrafa 195 – A Dança da Vida   2 comments

Se você quiser fazer par com alguém na dança da vida, primeiro finque suas próprias raízes.
Aprenda a ouvir a sua orientação interior. Converse com a criança ferida e com o hóspede divino que moram dentro de você.
Pratique o perdão e a compaixão por si mesmo. Atenha-se à sua própria experiência e aprenda com ela. Entre no compasso da vida.
Não se feche para os outros, mas também não se desvie do seu caminho para encontrá-los.
Aqueles que sabem dançar encontrarão você no meio do caminho.

Não será uma luta. Você encontrará companhia sem precisar fazer esforço algum.

É assim que deve ser.

Paul Ferrini – O Silêncio do Coração
Imagem de Edward Munch – A Dança da Vida

Garrafa 158 – As Estações da Alma   1 comment

Para cada coisa há uma estação, e um tempo para cada propósito sobre a terra:
um tempo para nascer e um tempo para morrer;
um tempo para plantar e um tempo para colher o que foi plantado;
um tempo para matar e um tempo para curar;
um tempo para destruir e um tempo para construir;
um tempo para chorar e um tempo para rir;
um tempo para lamentar e um tempo para dançar;
um tempo para se desfazer das pedras e um tempo para recolhê-las;
um tempo para abraçar e um tempo para abster-se do abraço;
um tempo para ganhar e um tempo para perder;
um tempo para guardar e um tempo para jogar fora;
um tempo para rasgar e um tempo para costurar;
um tempo para se calar e um tempo para falar;
um tempo para amar e um tempo para odiar;
um tempo de guerra e um tempo de paz.
Eclesiastes
Foto de autor desconhecido.
Veja em: http://inusitatus.blogtvbrasil.com.br/img/Image/Inusitatus/2007/Setembro/quatro_estacoes_1a.jpg

Garrafa 84 – O Convite   Leave a comment

Não me interessa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração.

Não me interessa saber a sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.

Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.

Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.

Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.

Quero saber se você consegue conviver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim por-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo da lua cheia: “Sim!”

Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.

Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui. Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.

Não me interessa onde, o que ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.

Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia.

 

Oriah Mountain Dreamer

Instruções de utilização: Ler o livro de mesmo nome, “O Convite”, da Editora Sextante

 

O Convite

Garrafa 58 – Ênfase nos verbos   Leave a comment

A minha ênfase está em verbos, não em substantivos.
Evite substantivos o máximo possível.
Na linguagem você não pode evitar, eu sei; mas na vida, evite – porque a vida é um verbo.
A vida não é um substantivo; é na verdade “viver” e não “vida”.
Não é amor, é amar.
Não é relacionamento, é relacionar.
Não é uma canção, é cantar.
Não é uma dança é dançar.

Osho
Foto de autor desconhecido

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