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Garrafa 464 – Que desperdício!   Leave a comment

Sexo e Política são sempre temas instigantes. Para quem gosta disso, é claro!

Vamos primeiro à Política.

Nas ultimas semanas, a sociedade brasileira foi surpreendida com notícias infundadas dando conta de que, em uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 65,1% dos participantes teriam declarado que as mulheres seriam responsáveis pelas situações de estupro de que foram vítimas, tendo concordado inteiramente ou parcialmente com a afirmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Embora haja pessoas de baixíssimo Nível de Consciência que podem pensar assim, esse absurdo estatístico foi desmentido uma semana depois, quando o instituto afirmou que o percentual correto é 26%.

Esse erro grosseiro vindo de um instituto até então respeitado, demonstrou que poderia apenas se tratar de mais uma tentativa, entre tantas outras que temos testemunhado, de utilização de órgãos públicos “aparelhados ideologicamente” em benefício (!!!???) da criação de um clima, inicialmente de surpresa e, a seguir, de revolta contra uma suposta atitude machista que prevaleceria em grandes parcelas de nossa população.

Pode-se supor que essa manobra de comunicação terrorista tenha tido dois propósitos bem definidos:

a) Desviar a atenção das pessoas, em um momento em que pesquisas de todos os tipos indicam uma insatisfação crescente da população esclarecida com a gestão da atual presidente, com os rumos autocráticos e totalitários (ditadura de esquerda modelos cubano e venezuelano) que sinaliza que deseja que o Brasil trilhe, com suas próprias atitudes e as de seus principais assessores, e as roubalheiras e falcatruas de seu partido que vêm sendo expostas em livros e artigos na mídia independente que ainda temos; e

b) Fazer com que, de alguma maneira transversa, a população se sinta inclinada a apoiar, simpatizar e legitimar quaisquer atitudes e iniciativas de mulheres que estejam em qualquer cargo ou posição de mando ou de influência, por serem supostamente vítimas de uma sociedade machista e abusiva e contra a qual estão legitimamente lutando e em processo de promoção de mudanças. A direção dessas mudanças não viria ao caso, pela indignação criada contra a situação atual, algo como “qualquer coisa será melhor do que esse atual estado de coisas”.

Um verdadeiro Estado de “Coisas” é o que vejo na área política, mas não é isso o que desejo enfatizar nesta mensagem.

Vamos ao sexo, então.

Na mesma época de divulgação dessas notícias e dos comentários que se seguiram, ainda reverberavam em minha mente e no meu coração as informações recebidas em um Curso de Cabala de que estou participando dando conta que os cabalistas acreditam que a oportunidade de se gerar a maior quantidade de Luz, nesse plano de existência em que nos encontramos, é no momento do saudável encontro amoroso físico e sexual entre um homem e uma mulher.

Isso não foi dito, mas posso supor e intuir por contraste e oposição, que um estupro seja uma das oportunidades de se gerar máxima escuridão: O momento em que uma pessoa é submetida por outra, de maneira não consentida e, muito ao contrário com enorme repulsa, a uma situação de máxima intimidade sexual. Muito mais escuridão certamente para o autor desse crime hediondo, mas de alguma forma também reverberando em zonas de penumbra para a vítima, forçada a uma caminhada pelo inferno, na terra.

E minhas reflexões me conduziram para outra questão: Em época de escassez generalizada de Luz (de maneira literal, de luz elétrica e também metafórica, de Luz do Espírito), a situação de enorme desperdício de “Geração de Luz” que são todas aquelas situações de falta e ausência de consumação do amor pleno entre um homem e uma mulher pelas mais variadas razões.

Muitos desses motivos estão associados ao medo, em suas diversas formas, e outros tantos por puro e simples preconceito, seja de cunho religioso, racial ou social, e levando todos a situações de abstinência de amor por escolha consciente ou inconsciente.

Algumas situações desse tipo podem ser explicadas por uma separação física real, quando um ou ambos os parceiros estão na prisão, ou vivendo em locais separados por grandes distâncias, em continentes diferentes, em países diferentes, em cidades diferentes. Mas, e quando essas pessoas, morando na mesma cidade, apenas em bairros diferentes, e algumas provavelmente vivendo no mesmo bairro, no mesmo edifício, quem sabe, se abstém de gerar Luz simplesmente por não se permitirem vivenciar o amor pleno entre duas almas gêmeas que se buscam, e que se encontram ao longo do caminho?

Como pode uma coisa dessas ainda acontecer no Século XXI?

Que desperdício!

Atenção vocês aí dos porões da escuridão! Não se trata aqui de se fazer uma apologia da promiscuidade. Com uma desculpa e argumentos cabalísticos, vamos lá! Sair “Gerando Luz” por aí criando curtos circuitos de gratificação imediata de sexo por simples diversão e lazer, isso é vício! Muito pelo contrário!

A seleção da pessoa que está em condições de merecer esse convite para mergulhar conosco no grande abismo, de compartilhar aquela vertigem, deve ser feita de maneira extremamente cuidadosa. E a intenção durante esse voo compartilhado deve ser muito mais de oferecer prazer para nossos parceiros e parceiras do que a de simples obtenção de prazer para nós mesmos. Atribuo grande valor ao sábio “Conselho de Kamala”. E não perdem nada por esperar aqueles que aguardam pela pessoa certa, pelo momento certo. Mas, tendo essa pessoa sido encontrada, esperar o que, esperar por que?

Felizes daqueles que já encontraram parceiros e parceiras confiáveis, ao longo do caminho, e não desperdiçaram essa tremenda oportunidade de amar que nos é oferecida, e de dar esse grande salto no vazio, ao longo de nossa passagem por esse pequeno planeta azul. E felizes daqueles que ainda buscam, e se permitem encontrar o amor, onde e quando ele possa ser alcançado.

Como sempre faço, também de maneira amorosa, brinco com as palavras com a métrica de um breve haicai:

que desperdício!
amor pleno macho-fêmea,
que vira vício…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Bittersweet” com Spyro Gyra

Salto duplo wingsuit

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Publicado 12/04/2014 por Eduardo Leal em Cabala, Coaching, Crenças, Espiritualidade, Filosofia, Fotografias, Gestão Pessoal, Haicai, Haikai, Haiku, Kabbalah, Música, Política, Prosa, Saúde e bem-estar

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Garrafa 413 – Só, me importo   Leave a comment

não sou seu dono!
com você me importo,
não lhe abandono…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido

Cuidado

Garrafa 213 – Curso de Escutatória   2 comments

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular…

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios.

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, […]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas.

Na nossa civilização, se eu falar logo a seguir são duas as possibilidades.

Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”.

Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio, na verdade deve querer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio.

A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

RUBEM ALVES
Ilustração de autor desconhecido

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