Arquivo para a Tag ‘consultor

Garrafa 488 – Mestre e Aprendiz   2 comments

Ao cumprimentar uma antiga aluna de Coaching pelo seu aniversário, na semana passada, recebi um generoso e amável feedback positivo a respeito dos ensinamentos que lhe transmiti durante um curso ministrado em 2007. Isso inundou meu coração com o sentimento de gratidão e me fez refletir a respeito dessa curiosa relação Professor-Aluno, Mestre-Discípulo, Instrutor-Aprendiz, Coach-Explorador de novas possibilidades de futuro e de minhas próprias atitudes em cada uma dessas duas posições complementares, ao longo dos meus diversos processos de aprendizado.

Na mesma semana, incluindo na minha rotina semanal novas atividades para melhor harmonizar minha Prática de Vida Integral, depois de um flerte de vários anos com essa arte marcial, iniciei meu treinamento como aprendiz em um Curso de Aikido, após terminar a leitura de “A Arte da Paz” de Morihei Ueshiba. No dojo onde fui acolhido, sou o praticante menos graduado.

Pra começo de conversa, vale a pena ressaltar as palavras do nosso brilhante escritor João Guimarães Rosa quando nos diz que “Mestre não é quem sempre ensina mas aquele que, de repente aprende.” Infeliz daquele que, assumindo uma posição de instrutoria em algum assunto, acha que já sabe tudo sobre o tema em questão e despreza os raros mas valiosos ensinamentos que pode receber de seus respectivos aprendizes. Igualmente infeliz é aquele iniciante em qualquer prática que deixa de ver as coisas com aquele “Olhar de imigrante” ou “Olhar de deslumbramento” de quem vê um novo mundo pela primeira vez, e se deixa abater pela própria falta de conhecimento e experiência, sentindo-se intimidado e deprimido e desperdiçando diversas oportunidades de aprendizado e de autodesenvolvimento. E, como no provérbio em que “A primeira pessoa que escuta o que dizemos somos nós mesmos” podemos obter percepções e “insights” até mesmo ouvindo a nossa própria voz durante o processo, quando estamos citando e usando como referência o trabalho de alguém mais experiente.

Em qualquer situação meu feedback favorito é: “Puxa, nunca tinha pensado nisso dessa maneira!” Maravilha! Provoquei reflexão em alguém, ou eu mesmo fui levado por outra pessoa a ver as coisas de uma maneira ainda não explorada!

Meus questionamentos me levaram a rever o conteúdo de pelo menos dois livros: “From Coach to Awakener” de Robert Dilts e “Duas Perspectivas sobre a Iluminação” de A. S. Dalal.

Robert Dilts, usando seu elegante Modelo de Níveis NeuroLógicos que é amplamente usado pelos adeptos do Coaching com Programação Neurolinguística (PNL), discute os diferentes tipos de apoio que podem ser prestados, segundo sua visão, por um Coach com “C” maiúsculo. Dilts considera que o Coach com “C” minúsculo, que costumo denominar Coach Convencional, focaliza mais no Nível de Mudança Comportamental referindo-se ao processo de apoiar outra pessoa a obter ou melhorar um determinado desempenho comportamental. Essa abordagem é derivada primariamente do modelo esportivo de treinamento. Já o Coach com “C” maiúsculo envolve apoiar as pessoas no processo de obter resultados palpáveis em diversos Níveis de Mudança, enfatizando o fortalecimento da identidade e dos valores e procurando transformar sonhos e metas em realidade. Abrange as habilidades desenvolvidas por um Coach com “C” minúsculo, mas inclui muito mais. Para cada um dos diferentes Níveis de Mudança (Ambiente / Comportamento / Capacidade / Crenças e Valores / Identidade / Espiritual), além das respectivas perguntas poderosas que nos permitem investigar qualquer questão em cada Nível, são apresentados os tipos de apoio que podem/devem ser prestados (Guia / Coach com “C” minúsculo / Professor ou Consultor / Mentor / Patrocinador / Guru) e os respectivos estilos de liderança que melhor se adaptam a cada papel. Se o próprio Coach não puder exercer todos esses papéis, e é esperado que não consiga fazê-lo em todos os Níveis e para todos os tipos de Objetivos ou Metas, deve ajudar seu Explorador de novas possibilidades de futuro a encontrar quem possa complementar seu apoio, dependendo dos tipos de Objetivos/Metas que estejam sendo trabalhados.

TIPOS DE APOIO QUE PODEM SER PRESTADOS DURANTE UM PROCESSO DE COACHING

Tipos de Apoio Prestados por um Coach

No Nível do Ambiente relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Guia, se está familiarizado com esse ambiente, e pode adotar o estilo de liderança de Gerenciamento por exceção. Caso contrário, algum outro Guia que domine esse ambiente deve ser consultado. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com frequência pois não posso pretender estar familiarizado com os ambientes de todos os tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro.

No Nível de Comportamentos relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo assume o papel de Coach com “C” minúsculo, atendo-se aos aspectos comportamentais e às melhores práticas recomendadas para essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança Estímulo por recompensa. A necessidade de convite a outros profissionais acontece comigo com menor frequência pois é possível descobrir um conjunto de boas práticas relacionadas aos diversos tipos de Objetivos/Metas em que sou convidado a apoiar o processo de exploração de novas possibilidades de futuro, tanto em pesquisas na literatura especializada quanto na Internet. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Capacidades relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Professor ou Consultor, ministrando os conhecimentos julgados necessários para se lidar com essa situação específica e pode adotar o estilo de liderança de Estímulo intelectual. Essa é uma situação extremamente delicada uma vez que o papel do Consultor (o Professor é um tipo de Consultor) é sugerir o que fazer, enquanto essa é a ultima coisa que um Coach deve fazer, apresentando no máximo sugestões indiretas, quando a pessoa não consegue perceber alternativas para avançar. Sugiro que as eventuais Sessões de Consultoria prestadas pela mesma pessoa que conduz um Processo de Coaching sejam realizadas em outro local e em outro momento, para que não haja confusão de papéis na cabeça do Explorador de novas possibilidades de futuro/Cliente/Aluno. Tenho me sentido confortável em oferecer consultoria em Comunicação Interpessoal, em Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais e de Liderança e em Elaboração de Planos de Negócio. Eventualmente, o mesmo profissional convidado a atuar como Guia ou Coach com “C” minúsculo pode prestar apoio nesse nível também.

No Nível de Crenças e Valores relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Mentor, buscando identificar e neutralizar eventuais crenças limitantes e implantar e reforçar um conjunto de crenças poderosas que deem permissão para a pessoa avançar em relação à direção desejada. Nesse caso ele pode adotar o estilo de liderança Inspiracional. Esse é o nível em que me sinto mais à vontade, uma vez que a abordagem de Coaching Centrado em Valores, que desenvolvi a partir de 2006, enfatiza a exploração desse nível lógico uma vez que possuímos crenças (limitantes ou não) a respeito de todos os outros níveis de mudança (tanto acima como abaixo desse nível). Além disso, os diversos Níveis de Desenvolvimento de Consciência propostos pela Abordagem de Coaching Integral, que também fazem parte do conjunto de ferramentas que utilizo, são em grande medida relacionados a diferentes Sistemas de Crenças e Valores com os quais nos identificamos, em maior ou menor grau, à medida que avançamos em nosso próprio processo de desenvolvimento.

No Nível de Identidade relacionado ao Objetivo/Meta, o Coach com “C” maiúsculo pode e deve assumir o papel de Patrocinador, reforçando a autoestima da pessoa, oferecendo feedback positivo e construtivo, além de fornecer estimulo constante para o reconhecimento e a utilização de seus talentos, transformando-os em pontos fortes para utilização em proveito da conquista de seus respectivos Objetivos e Metas. Em uma Abordagem de Coaching Integral, como a que adoto, o trabalho com a Sombra da pessoa (aqueles conteúdos que são varridos para o inconsciente e que envolvem emoções primárias que não se deseja admitir, mas que volta e meia reaparecem como emoções secundárias sabotando suas ações) pode recomendar a participação, em paralelo ao Processo de Coaching, de um profissional da área de psicanálise ou psicoterapia. O estilo de liderança sugerido é o de Consideração Individualizada. Sinto-me bastante confortável em adotar esse estilo de liderança e atuar nesse nível lógico que tem um profundo impacto nas mudanças que ocorrem em todos os níveis inferiores, e que recebe a influência decisiva das eventuais mudanças promovidas no Nível de Crenças e Valores. Nosso Nível de Identidade é, em grande medida, a expressão de uma crença a respeito de quem pensamos que somos.

Finalmente, no Nível Espiritual relacionado ao Objetivo/Meta, que nada tem necessariamente a ver com religião e sim com “a quem mais nos sentimos conectados e a quem mais incluímos no nosso círculo de preocupações, cuidados e contribuições”, e ainda, “de quem podemos obter apoio para desenvolvimento de nossos projetos pessoais e coletivos”, o Coach com “C” maiúsculo pode eventualmente assumir o papel de Guru (o que promove o despertar), contribuindo para promover a elevação do nível de desenvolvimento de consciência da pessoa, meta recorrente em uma Abordagem de Coaching Integral e, muito mais raramente, no seu despertar para estados/níveis de consciência intuitivos (além da mente). Com muito maior frequência, o que costumo fazer é estimular o questionamento a respeito da necessidade de apoio externo proveniente da família, de amigos, de guias, de consultores e professores, de mentores, de patrocinadores, de gurus espirituais e até mesmo de algum tipo de divindade. Se a pessoa possui uma crença religiosa, a crença em uma Divindade pode exercer uma forte influência na quantidade de esforço que pode ser alocada às suas tarefas de desenvolvimento pessoal. Identificadas essas necessidades, apoio o processo de sua obtenção. O estilo de liderança sugerido é a Liderança Carismática e Visionária.

Os questionamentos provocados pela necessidade de apoio às mudanças no Nível Espiritual me fizeram voltar a consultar o ótimo livro de A. S. Dalal em que ele nos oferece um estudo comparativo das abordagens propostas por dois Mestres Espirituais Iluminados para o despertar de um nível de consciência além da mente: Sri Aurobindo e Echart Tolle. Selecionei alguns comentários apenas referentes ao conteúdo do Anexo II dessa obra em que são apresentados “Os Três Instrumentos do Professor”, assim foi traduzido, mas segundo meu entendimento trata-se mais de um Guru ou Mestre Espiritual, na visão de Sri Aurobindo. Após a definição de cada um desses “Instrumentos” apresento, como sempre gosto de fazer, uma breve brincadeira com as palavras, com a métrica de um haicai, e que foi inspirada nessa releitura. Incluí um título em cada haicai.

“Instrução, exemplo e influência – esses são os três instrumentos do Guru.”

Sobre a Instrução, Sri Aurobindo nos adverte que:

“… o Professor prudente não visará se impor ou impor suas opiniões na aceitação passiva da mente recebedora; ele oferecerá somente o que é produtivo e seguro como uma semente que crescerá sob a proteção interior divina. Ele buscará despertar muito mais do que instruir; objetivará o desenvolvimento das faculdades e das experiências por um processo natural e uma expansão livre. Ele ensinará um método como um apoio, um dispositivo utilizável, não como uma forma imperativa ou uma rotina fixa. E ele estará na guarda contra qualquer transformação dos recursos em uma limitação, contra a mecanização do processo. Sua atividade completa é a despertar a luz divina e iniciar as atividades da força divina da qual ele é, em seus próprios termos, apenas uma ferramenta e um apoio, um corpo ou um canal.”

Germinação

Instrução divina

rota que seduz:
de dentro da semente
impulso de Luz!

Sobre o Exemplo, Sri Aurobindo nos diz que:

“O exemplo é mais poderoso do que a instrução; mas, não é o exemplo dos atos externos nem da natureza pessoal que tem a maior importância. Eles têm seu lugar e sua utilidade; no entanto, o que na maior parte dos casos estimulará aspiração nos outros é o fato central da realização divina dentro dele governando toda sua vida e seu estado interior e todas as suas atividades. Esse é o elemento essencial e universal; o restante pertence à pessoa e às circunstâncias individuais. É essa realização dinâmica que o sadhaka (Praticante de desenvolvimento espiritual) deve sentir e reproduzir em si mesmo de acordo com sua própria natureza; ele não necessita de esforço após uma imitação do exterior que pode muito bem ser mais esterilizador do que gerador de frutos corretos e naturais.”

Exemplo de conduta

Exemplo

mais poderosa
que qualquer informação:
ação amorosa!

Sobre a Influência, essas são as palavras de Sri Aurobindo:

“A influência é mais importante do que o exemplo. A influência não é a autoridade exterior do Mestre sobre seu discípulo, mas sim o poder de seu contato, sua Presença, da proximidade de sua alma com a alma do outro, infiltrando-se por ela, muito embora em silêncio, o que ele propriamente é e possui. Essa é a marca suprema do Mestre. Assim, o maior de todos os Mestres é muito menos um Professor do que uma Presença derramando a consciência divina e sua luz, poder, pureza e êxtase em todos que se mostram receptivos ao seu redor.”

Mestre e discípulo

Influência

em plena calma,
mestre e discípulo,
alma com alma.

Eduardo Leal
Ilustração de Eduardo Leal baseada no conteúdo de “From Coach to Awakener” de Robert Dilts
Haicais de Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos

Garrafa 353 – A Prática da Respiração Abdominal   Leave a comment

No processo de Coaching, quando desempenho o papel de Coach Centrado em Valores, a ultima coisa que faço é sugerir o que fazer. E quando o faço, por sentir que a pessoa está completamente paralisada e incapaz de vislumbrar saídas para a situação que se apresenta no seu momento atual, sempre procuro fazê-lo de maneira indireta. Normalmente digo que, tendo vivido situação semelhante, naquela ocasião escolhi experimentar tal ou qual alternativa que, por sua vez, produziram tais e quais resultados. Uso minha própria experiência ou, então, apresento o exemplo de alguém que conheça que, tendo passado por situação semelhante, escolheu fazer algo de determinada maneira e experimentou algum tipo de resultado. Posso perguntar, a seguir, algo do tipo: “será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?”. Isso normalmente faz com que a pessoa que estava paralisada comece, pelo menos, a examinar algumas possíveis alternativas.

Já quando estou realizando algum processo de Consultoria em Planejamento Estratégico, em Planos de Negócio, em Organização, Sistemas e Métodos, em Comunicação ou em Gestão Pessoal, no meu papel de Consultor, o que faço, e o que o meu cliente espera que eu faça, é exatamente isso: sugerir o que fazer. Entretanto, para fazê-lo, devo usar o meu melhor julgamento e sugerir a melhor solução de acordo com meu conhecimento especializado sobre o assunto. Não são muitas as áreas em que me sinto confortável em fazê-lo de maneira categórica. E mesmo quando poderia fazê-lo dessa maneira, prefiro adotar o estilo coach de fazer consultoria: com perguntas que provoquem reflexão, após realizar a escuta com empatia e, quando oportuno, apresentando sugestões de maneira indireta.

E você provavelmente já deve estar se perguntando a respeito da razão para a apresentação desses dois parágrafos anteriores, a título de introdução, em um post sobre a prática da respiração abdominal.

Isso é porque uma das perguntas que recebo com maior frequência, tanto em minha prática de Coaching quanto na de Consultoria é: qual a melhor maneira que você sugere para se lidar com o estresse e a tensão do dia a dia?

Como não me considero consultor nem especialista nesse assunto, aqui reproduzo a fala do coach, apenas sugerindo indiretamente, o que faz sentido pra mim. O que é sentido, faz sentido…

Desde muito cedo, em minha juventude, senti grande atração pela cultura oriental e pelas artes marciais. Meu primeiro mestre nas aulas de Karate, de que participei a partir de 1970, iniciava e encerrava os treinamentos com uma breve sessão de meditação com respiração abdominal. Desde então, sempre busquei literatura a esse respeito e, a partir dos anos 80, encontrei em um Mosteiro Zen localizado na localidade de Ibiraçu, no Espírito Santo, informações e oportunidade para o inicio de uma pratica meditativa, mesmo que ocasional. E o desafio sempre foi o de torná-la parte do meu dia a dia, incorporando-a à minha rotina. Vários anos se passaram e, no final dos anos 90, mais precisamente em 1999, vivi uma situação real extremamente estressante, em que tive que usar todas as ferramentas à minha disposição. Naquela ocasião, li todos os livros de psicologia e psicanálise que me caíram nas mãos, descobri a existência e fiz cursos de Programação Neurolinguística, fiz terapia Cognitivo-Comportamental e voltei a fazer Alongamentos, Corridas e Caminhadas, regularmente. E sim, retomei a prática da Respiração Abdominal! É sobre esse ultimo assunto que gostaria de compartilhar algumas ideias, por ser uma alternativa que pode ser posta em prática quase que imediatamente, pela sua simplicidade, e que apresenta ótimos resultados, fruto da minha experiência pessoal.

Porque Realizar

A respiração não ocorre nem no passado nem no futuro, só no momento presente e é a chave para vivermos uma vida mais consciente nessa encarnação física. É a primeira coisa que fazemos ao nascer e a ultima que faremos antes que a energia abandone cada uma das células do nosso corpo. Seu ritmo superficial e agitado, ou profundo e relaxado, acompanha e induz nossos diferentes estados de espírito. A respiração abdominal é a respiração dos bebês saudáveis e dos mestres espirituais iluminados. Se você aspira entrar e se manter em contato com a sua natureza essencial, procure respirar de maneira cada vez mais lenta, profunda e relaxada.

Quando Realizar

Essa é uma prática especialmente recomendada para o início e o final de cada dia. Ao se levantar e antes de iniciar as atividades programadas para cada manhã, e antes de dormir, quando se pode fazer um balanço de tudo que aconteceu após um longo e produtivo dia de realizações e aprender com os resultados favoráveis ou desfavoráveis de cada uma delas. Pode ser utilizada, também, ao longo do dia, em alguma pausa ou intervalo, ou ainda antes de alguma atividade importante em que é especialmente recomendável estarmos em conexão com o momento presente e com a nossa orientação interior mais profunda.

Características do Ambiente

Encontre um lugar tranquilo e bem ventilado, de preferência em alguma praça ou jardim ou, se não for possível, em um cômodo de sua casa ou escritório. Sente-se em posição confortável sobre almofadas no chão ou em algum banco, cadeira ou sofá, disponíveis no ambiente, ou levados por você especificamente para essa finalidade.

Sua Postura

Mantenha as costas eretas e o olhar voltado ligeiramente para baixo, como se estivesse visando um ponto situado cerca de dois metros à sua frente, se estiver sentado em uma cadeira, ou a cerca de um metro, se estiver sentado no chão sobre almofadas. Deixe que as mãos permaneçam pousadas naturalmente sobre as coxas com as palmas abertas e voltadas para cima. Mantenha os olhos fechados, pelo menos ao início do exercício, para aumentar a sensação de contato com o próprio corpo sem a presença de estímulos visuais externos. Você pode optar por mantê-los semicerrados ou completamente abertos, à medida que sua prática lhe permite manter o foco da sua atenção na própria respiração, de maneira independente de estímulos visuais presentes no ambiente.

O Processo

Quando se sentir confortável para iniciar a sua prática, mantendo a boca fechada, comece a respirar profundamente pelo nariz levando o ar até a base do pulmão na região abdominal, contando até cinco na inspiração e até cinco novamente na expiração. Sinta como a barriga se expande na inspiração e se contrai na expiração e deixe que esses movimentos e ritmo respiratório ocorram naturalmente durante pelo menos cinco minutos. Ao longo desse período, à medida que vá se sentindo cada vez mais confortável, você pode ir aumentando gradativamente a contagem para seis, sete, oito ou nove, enquanto seus pulmões se adaptam a esse novo ritmo e à maior quantidade de ar movimentada.
Apenas observe os pensamentos que afloram a cada instante, sem se fixar em nenhum deles em especial, voltando a focalizar sua atenção no ritmo respiratório, quando isso ocorrer, e perceba como você começa a se sentir cada vez mais profundamente relaxado e, ao mesmo tempo, surpreendentemente alerta. Você começa a perceber que o passado e o futuro se desvanecem e que surge uma sensação de centramento no momento presente, onde e quando a vida realmente acontece. O céu e a terra se encontram quando seu coração e sua mente se unem em respeitoso silêncio, apenas testemunhando e celebrando a dádiva do momento presente.

Será que essa informação pode ser útil para você, neste momento?

Pausa para um breve haicai:

noite escura…
ilumina caminhos,
luz interior.

Eduardo Leal
Fotos de autores desconhecidos
Instruções de utilização: Ouvir “Monsieur Binot” na voz de Joyce

meditação com respiração abdominal

Meditação sentado

respiração abdominal

%d blogueiros gostam disto: