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Garrafa 494 – Desde o começo…   Leave a comment

desde o começo,
naquele que sempre fui…
me reconheço.

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Incognito” com Spyro Gyra

Aquele que sempre fui

Garrafa 427 – Um certo ar matinal   1 comment

Pensativo, nesse final de uma tarde chuvosa de primavera, vasculhei a estante em busca de inspiração para encerrar o dia com dignidade, após ouvir que os problemas com o servidor de e-mail da minha conta mais antiga, que está “instável” desde segunda-feira, ainda não têm previsão de solução. Enquanto isso, alertas de erro aparecem a todo instante, sempre que tento baixar minhas mensagens, sem sucesso. Pequenas frustrações do dia-a-dia com reflexos indesejados no meu bom-humor habitual.

Lembrei-me imediatamente de um poema de Hermann Hesse que falava da importância de estarmos prontos para novos começos e expedi um mandado de busca e apreensão para mim mesmo. Encontrei-o em dois lugares diferentes, com dois títulos também distintos e com duas traduções ligeiramente diferentes. Em “O Jogo das Contas de Vidro” ele aparece como uma das obras póstumas do personagem José Servo com o título “Degraus”. Já na antologia poética “Andares”, aparece como o poema que emprestou seu nome à obra, com o título “Andares”.

Transcrevo e compartilho com os amigos essa pequena e delicada reflexão poética, retirada de “O Jogo das Contas de Vidro”, cuja tradução me agrada um pouco mais:

Assim como as flores murchas e a juventude
Dão lugar à velhice, assim floresce
Cada período de vida, e a sabedoria e a virtude,
Cada um a seu tempo, pois não podem
Durar eternamente. O coração,
A cada chamado da vida deve estar
Pronto para a partida e um novo início,
Para corajosamente e sem tristeza,
Entregar-se a outros, novos compromissos.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver.
Os espaços, um a um, devíamos
Com jovialidade percorrer,
Sem nos deixar prender a nenhum deles
Qual uma pátria;
O Espírito Universal não quer atar-nos
Nem nos quer encerrar, mas sim
Elevar-nos degrau por degrau, nos ampliando o ser.
Se nos sentimos bem aclimatados
Num círculo de vida e habituados,
Nos ameaça o sono; e só quem de contínuo
Está pronto a partir e a viajar,
Se furtará à paralisação do costumeiro.

Mesmo a hora da morte talvez nos envie
Novos espaços recenados
O apelo da vida que nos chama não tem fim…
Sus, coração, despede-te e haure saúde!

Confesso que fui tocado por esse pequeno poema, que fala da inexorável passagem do tempo e de nosso inevitável destino de percorrer o espaço que nos corresponde, de preferência com jovialidade. Desde que o vi pela primeira vez, em algum momento da década de 1970, sinto que gosto especialmente dessa fala: “O coração, a cada chamado da vida deve estar pronto para a partida e um novo início, para corajosamente e sem tristeza, entregar-se a outros, novos compromissos. Em todo o começo reside um encanto que nos protege e ajuda a viver. Os espaços, um a um, devíamos com jovialidade percorrer, sem nos deixar prender a nenhum deles…”

Quando penso nisso, sinto novamente o frescor da manhã, mesmo daquelas mais nubladas, quando iniciamos cada novo dia com renovada disposição. E pensando que esse é um dos nossos grandes desafios, gostaria de transportar esse mesmo frescor para cada momento que se sucede, um após o outro, a cada chamado da vida, especialmente nesse fim de tarde chuvoso.

Um certo ar matinal… Acho que essa atitude mental deveria ser a minha ideal… Uma meta espiritual…

Isso! Corro para encontrar uma imagem que passe essa ideia de frescor matinal e organizar as ideias com a métrica de um haicai:

espiritual,
a atitude mental,
do ar matinal…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Morning Dance” com Spyro Gyra

Ar matinal

Garrafa 209 – Big Bang   2 comments

começo de tudo
no espelho cósmico,
o nada se vê…

Eduardo Leal
Citação inspiradora: “O universo começou quando o nada via a si mesmo no espelho”
Tor Torretranders, The User Illusion
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Sobre todas as coisas” de Edu Lobo e Chico Buarque, na voz de Maria Rita

Garrafa 1 – Três coisas e Garrafa 0 (Zero) – Primeiras palavras   1 comment

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…

Portanto, devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo…
Da queda um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro…

Fernando Sabino
Foto Galáxia Messier-81

Galáxia Messier-81

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Garrafa 0 (zero) – Primeiras palavras

A melhor metáfora que encontro para a atitude de criar um BLOG, e mantê-lo em atividade, é aquele curioso hábito que algumas pessoas sonhadoras têm de escrever mensagens, colocá-las dentro de pequenas garrafas e lançá-las ao mar. Algumas trazem informações sobre o remetente e o endereço de destino; outras guardam, para sempre, mais esse segredo. Mas todas, sem exceção, são lançadas na esperança de que alguém, em algum lugar, em algum momento, irá recolhê-las intactas e, com curiosidade e talvez algum assombro, tomar conhecimento do seu conteúdo.

Sou uma dessas estranhas criaturas. Lanço garrafas ao mar…

Que correntes as levarão, e que pessoas as encontrarão?

E o que estarão vendo, ouvindo e sentindo, quando isso ocorrer?

Quem sabe?

Vivemos na Era da Informação e a maior parte das notícias que leio nos jornais, nas revistas e na própria Internet; ouço no rádio e vejo na TV não me agrada.

Meu propósito é, simplesmente, lançar garrafas com mensagens positivas e agradáveis, de acordo com a minha “Visão de Mundo”. E mesmo quando abordar temas pesados e desconfortáveis, pois a vida também é feita dessas coisas, estarei buscando enfocar o seu lado construtivo.

Minhas garrafas contém, entre outras coisas:

• Contos, metáforas, poemas e pequenos haicai (“Um haicai não é um poema, não é literatura: é um aceno de mão, uma porta entreaberta, um espelho polido.” Allan Watts);
• Letras de músicas que encontro de maneira apressada na Internet, após ouvi-las no radio do carro, durante um terrível engarrafamento, e que foram capazes de me emocionar e iluminar, mesmo que tenha sido por um breve momento;
• Minha trilha sonora: música, música e mais música, que sem ela, a vida seria muito triste;
• Dicas sobre meus livros preferidos (tenho sempre algum deles ao alcance da mão);
• Informações sobre outros Sites e Blogs interessantes;
• Frases soltas, lembranças e fragmentos de sonhos; e
• Imagens, fotografias de amigos e da família, paisagens e pinturas.

A autoria de todo esse material, desde que seja do meu conhecimento, será sempre mencionada e peço que me complementem e corrijam, quando for o caso.

Enfim, são visões compartilhadas; é tudo o que me mantém vivo, desperto e apaixonado.

Se alguém, em algum lugar, em algum momento, encontrando uma dessas garrafinhas, ao bisbilhotar o seu conteúdo:

• esboçar o mais leve sorriso;
• ouvir aquele ruído característico de uma ficha caindo dentro da própria cabeça;
• se lembrar, com carinho, de algum amor antigo ou atual, que já não veja há muito tempo (às vezes cinco minutos parecem uma eternidade); ou
• for levado a refletir sobre a própria vida, a dos seus semelhantes e sobre os destinos desse nosso pequeno planeta azul…

Já terá valido a pena.

Eduardo Leal
Composição fotográfica de Carlos Fernando Souza Leal com fotos de autores desconhecidos

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