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Garrafa 463- Flor de manacá   2 comments

Em minhas andanças diárias, sempre que possível, vou aprendendo com os jardineiros das redondezas os nomes das árvores e plantas que encontro pelo caminho, e que por alguma razão me chamam a atenção. Antes de encontrar o azul de céu e mar e o ar salitrado da praia, que são testemunhas das minhas corridas e caminhadas, meus sentidos são estimulados por vários perfumes e visões coloridas, e sou sempre grato por isso!

As manhãs de outono são minha época favorita para essas incursões exploratórias, e hoje foi mais um desses dias especiais.

Abordei um jardineiro que cortava a grama em um prédio da rua que vai dar na praia, e pedi que ele me acompanhasse até dois pequenos arbustos, plantados no meio da calçada e que estão carregados de pequenas flores de cores lilás e branca. Quando estão em floração, como é o que está acontecendo nessas ultimas semanas, seu perfume intenso carregado pela brisa sempre me seduz. E essas árvores já tinham inspirado pelo menos um post, há três anos atrás.
O texto consta da Garrafa 271 – Um outro tempo.

O primeiro haicai dizia assim:

cheiro de jasmim
traz o tempo do seu corpo
de volta pra mim

Ele colocou no rosto suado o seu melhor sorriso, prontamente me atendeu, e pude então confirmar minhas suspeitas: Estava enganado na primeira vez. Achava que eram dois jasmineiros e me dei conta agora que, na verdade, são dois pés de manacá. Naquela época, ainda não tinha estabelecido contato com meus novos mestres jardineiros e “nem sabia que nada sabia” (incompetência inconsciente) sobre as plantas da região. Nos últimos anos entrei na fase da incompetência consciente e agora “sei que nada sei” e que ainda tenho muito que aprender sobre esse mundo colorido e perfumado ao meu redor.

Para reparar completamente o meu engano e descontar essa duplicata vencida, ficou faltando apenas usar o nome correto dessas flores inspiradoras e parir um novo haicai no mesmo espírito do primeiro. A foto, já tinha registrado no dia de ontem, a trilha sonora passou de Allan Parsons Project para Alceu Valença, e os novos versos ficaram assim:

flor de manacá,
sinto falta do seu cheiro,
você lá… eu cá…

Eduardo Leal
Foto de Eduardo Leal – Jardim Oceânico em 08/04/2014.
Instruções de utilização: Ouvir “Morena Tropicana” na voz de Alceu Valença.

Pé de manacá

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Garrafa 349 – Acenos de mão   2 comments

Mais uma madrugada insone, pensamento disperso e, ao mesmo tempo, com a atenção volta e meia guiada pelos ruídos, vultos, sombras e luzes que entram pela janela do quarto, enquanto passam silenciosos os minutos e as horas…

Na lua nova, por três dias ela se torna escura e “desaparece” para renascer e ressuscitar, outra vez, em um novo ciclo.

Lua escura vagando noite adentro e em algum lugar escondida, céu sem nuvens e o Cruzeiro do Sul cintilando acima das árvores fracamente iluminadas pelos postes da pracinha… Sim, minha paisagem aponta para o sul! Sul do ego, sul da noite, sul do planeta, sul da galáxia, sul do Universo… E tão ao sul como um sultão, permaneço ao sul de mim mesmo.

As folhas de duas amendoeiras, algumas bem verdes e outras em diversos tons de marrom, que preservo na memória do dia que passou e que não volta mais, se destacam nessa paisagem noturna, todas agora em tons de cinza claro ou mais escuro.

Olhar desfocado no intervalo entre dois pensamentos, de repente a brisa fresca da madrugada de inverno move gentilmente as folhas das amendoeiras. E parece que uma multidão de mãos, em suave sincronia, acena silenciosamente pra mim do sul da noite, do sul do planeta… E percebo também que, às vezes, algumas folhas se desprendem e, parecendo ainda acenar, só que agora de maneira mais confusa, desaparecem na escuridão…

Quem serão essas pessoas? Porque me acenam na penumbra? O que podem querer me dizer? Amigos e amigas que conheci e nunca mais verei? Onde estarão e para onde irão? Parentes, parceiros e parceiras que se foram ou se vão? Amores que nunca terei?

Surpreendo-me acenando de volta, grito preso na garganta, gesto impensado com o coração sobressaltado… E me levanto silencioso, em busca de papel e lápis.

Pausa para um breve haicai…

folhas ao vento.
de pessoas que se vão,
acenos de mão…

Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
Instruções de utilização: Ouvir “Folhas ao Vento” na voz de Lanna Rodrigues

Garrafa 178 – Mate com limão   Leave a comment

brisa de verão
pausa no meio da tarde
mate com limão
 
Eduardo Leal
Foto de autor desconhecido
 

Publicado 28/12/2008 por Eduardo Leal em Fotografias, Haicai, Haikai, Haiku

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